segunda-feira, 19 de julho de 2010

O surreal, o selo e as leituras

Eu queria comentar aqui do quanto é tudo meio surreal no hospital. Primeiro, porque se internar assim, passando bem, entregar o seu corpo pra ser manipulado com plena consciência é muito estranho. Fiquei quase uma hora numa sala de pré-cirurgia. Levei um livro bom (vou falar dele mais abaixo), que me fez companhia. Depois entrou a enfermeira com a camisola de cirurgia. Aberta atrás, como vocês sabem, mas descartável, de um tecido ridiculamente fino e completamente transparente. E tive que tirar toda a roupa e vestir aquilo. Daí veio um cara numa maca me buscar, e eu lá, quase pelada, bunda de fora. Deitei na maca e, no passeio até o centro cirúrgico, olhando pro teto, como nos seriados médicos, fui vendo as luminárias passarem. Depois da cirurgia, acordei da sedação, mas ainda estava anestesiada. Vi o meu médico segurando uma perna enorme, enquanto a instrumentadora a enfaixava. Uma perna comprida, grossa, com um pé bem grande (38 ou 39, parecia). Daí me dei conta de que era a minha perna... Quando marido chegou do trabalho e foi ao quarto me encontrou com a camisola cirúrgica e falou: "olha, você tá quase pelada". Pra ele eu sou alguém, pro resto do pessoal que me viu assim, só um corpo.

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Olha, eu realmente sou péssima com a história dos selos, mas eu juro que eu tento ser uma pessoa legal e corresponder ao carinho das pessoas porque é o mínimo que elas merecem. Daí que a Rita me deu esse aqui quando eu estava meio offline.




E a Ingrid me deu esse.



Que acompanha este texto:

"O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.
Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web".

Obrigada mesmo, gente. Acho que o ideal é que eu indique alguns blogs, né? Então, eu leio coisas muito diversas entre si, como dá pra ver ao lado. E eu gosto muito do blog da Rita, e acho que ela é uma boa cronista. Fala do cotidiano de uma maneira deliciosa, me faz bem lê-la. Eu adoro o desbocamento da Luci. A lucidez da Dani. Mas tem um que eu acho que pouca gente aqui conhece e eu tenho que indicar. O da Aline. A Aline tinha outro e fechou, descurtiu de escrever por um tempo. E eu era assídua lá. Tava sempre comentando, comentários enormes. Meus debates com ela me ensinaram muito, principalmente quando discordávamos. Não tem nada que nos ensine tanto como buscar argumentos para discordar de alguém inteligente num debate respeitoso. Depois de um tempo, resolvi criar o meu blog porque cheguei a conclusão de quem, sim, eu tinha coisas a dizer, e eu queria eu mesma "puxar" o papo para dizê-las (e a maior prova de que valeu a pena são, justamente, estes selos). Então, a Aline me inspirou e eu recomendo que vocês passem lá pra serem inspiradas também.

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Por fim, leituras. Eu não comentei no último post sobre livros, mas eu tenho um novo sonho de consumo. Há uma coleção que se chama "Mar de Histórias", coletânea de contos organizada por Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. Eu li um conto na faculdade e me encantei com a ambiciosa idéia de uma antologia do conto mundial em 9 volumes, até porque conto é meu gênero literário preferido. Só que esta coleção está fora de catálogo. Mas outro dia me apresentaram ao estante virtual, um site para buscar livros em sebos de todo o país. Daí achei exemplares de todos os volumes, por preços honestos. Vou comprando aos poucos, que eu não sou rica, e porque também é mais gostoso assim. O primeiro chegou direitinho, e me fez companhia no hospital. Companhia excelente, vale dizer. Essa semana acho que vou encomendar o segundo. O plano é completar a coleção em 1 ano mais ou menos.

E o devaneio: o conto que eu tive que ler no meu primeiro ano na faculdade, 10 anos atrás, se chamava "Terremoto no Chile". Daí, esse ano, quando teve o terremoto, eu entrei na internet, vi um link discreto ainda (daqueles que colocam quando não tem maiores informações) e cliquei achando que era uma resenha do conto, não a notícia de um desastre natural real. Lembrei da coleção e me despertou a vontade adormecida de ter os livros. As associações que nossa cabeça faz...

6 comentários:

  1. Oi, querida. Tudo bem aí? Obrigada pelo carinho, viu, a reciproca é verdadeira, você sabe. Gosto muito de seus bons textos. E vou lá ver o da Aline. Beijocas
    Rita

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  2. Você é a segunda pessoa que me chama de lúcida essa semana. Tudo bem que o post é do dia 19, mas eu tô de férias, viajando, então acho que preciso de um desconto.

    Olha, esse virou disparadíssimo meu elogio preferido.

    Acho que gosto de pensar que as pessoas me enxergam como lúcida. Eu que sou esse caos todo.

    Um beijo, obrigada!

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  3. Dani,

    Todos os descontos do mundo pra você! E você merece o elogio. Não o estranhe: acho que muita gente se sente muito confusa internamente, mas tem muita tranquilidade para expôr suas inquietações. Acho que deve ser esse o seu caso.

    Bjo e de nada!

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