Mas vamos ao evento. O clima era lindo. Povo tirando foto com bandeira e camiseta da campanha já no aeroporto de Congonhas. No aeroporto, conhecemos uma moça que, numa demonstração de orgulho democrático do qual assumo ser incapaz, disse que não tinha votado na Dilma, mas estava indo assistir à posse por que afinal de contas “ela seria presidenta de todo mundo”. Chegando à Brasília enfim, um inferno pra quem não gosta de “petista” (leia-se todos aqueles que acham que, se votou no PT, é petista automaticamente, e isso é péssimo). Muita gente animada pra festa.
Eu sei que ao chegar na Esplanada dos Ministérios no sábado meus olhos já se encheram d'água. Vi uma moça com uma camiseta escrito “lugar de mulher é na presidência” (tem foto dessa moça aqui). E caiu a ficha legal, de que aquele era um momento histórico, que com certeza ia marcar a minha vida e a de milhões de brasileiros e de brasileiras (das últimas especialmente, claro). A Esplanada estava decorada com Banners que lembravam grande mulheres da nossa história. Nós éramos as protagonistas, isso estava claro.
Bom, a frustração maior é porque a chuva mais forte caiu 2 minutos antes dela passar de carro aberto a 3 metros de onde estávamos. Nos molhamos horrores e só vi a mão da presidenta acenando do lado de fora do carro. Ok, faz parte. Depois, fomos pra frente do Palácio do Planalto. E eu cai no choro pesado quando o Sarney disse “declaro empossada a presidenta”. E eu chorei durante o hino nacional. Vergonha de contar, parece um ufanismo à la Galvão Bueno, mas eu pensei em tanta coisa. Lembrei que o meu pai foi torturado, como ela. Lembrei do quanto esse país já melhorou, do quanto somos mais democráticos, da infância inteira ouvindo que somos o país do futuro e, olha lá, eu tenho 30 anos, o futuro chegou, e é esse momento tão cheio de esperança. E quando eu tava quase com os olhos secos, ouvi uma senhora do meu lado dizer que ela seria “uma babaca” se não fosse assistir a posse, porque ela achava que só as netas ou bisnetas veriam uma mulher presidente, um dia. Daí acontece de ser uma mulher da idade dela, e de esquerda, ela tinha que testemunhar. Voltei a chorar.
Havia toda a ansiedade pela despedida do Lula. Mas ele, generoso que só, se esforçou pra não ofuscar a estrela do dia. Foi lindo ver ele descer a rampa e, silencioso, se juntar a galera.
Bom, depois fomos com o povo comemorar. Fechamos um boteco, depois fechamos o segundo (nem foi uma super noitada, os bares lá fecham cedo). Em algum momento da noite descobrimos que a Maria Frô não iria se juntar a nós porque ela era rycah e conseguiu entrar na festa oficial no Itamaraty. E eu não tive inveja porque sou um ser evoluído (mentchira). Mas, voltando ao boteco, chamou a atenção o clima da nossa mesa. Os poucos homens num confortável papel de coadjuvantes. A festa era nossa, e eles estavam felizes pelo país e também por verem suas companheiras tão felizes juntas. O que me faz dizer a você, moça solteira a procura de companhia masculina: não se satisfaça com qualquer pão com ovo machistinha. Tem homem bacana por aí. É difícil de encontrar, mas você é brasileira e não desiste nunca, certo?
Enfim, o que mais posso contar, gente? Só que eu fiquei muito feliz, mesmo. Valeu demais a grana, o tempo, o desconforto da chuva, os tênis até agora sujos de lama e o medão de pousar em Congonhas em noite de chuva. Valeu tudo, valeu muito. Agora é torcer muito pra que ela seja bem sucedida na árdua tarefa de suceder a um dos líderes mais populares do mundo. Trabalho duro, mas né? Eu boto fé. Vocês não? ;-)
Bom, as fotos:
Eu não gosto de por fotos minhas aqui, mas a ocasião merece. Várias blogueiras e "arrobas" famosas e eu. Sou a sem capa, da direita "toda molhadinha".


