O stress crônico parece estar sendo controlado, finalmente.
Hoje fui à academia, depois de duas semanas sem dar as caras. Nada contra exercícios, mas eu decidi que não preciso de mais pressão do que a que o mundo já exerce naturalmente sobre mim, obrigada. Então, quando não quiser, não vou. Simples assim.
O dia foi corrido e cheio de trabalho. Mas ainda assim saí de lá inteira - e no horário.
Durante o dia pensei na sopa que eu tinha plajeado fazer, nos legumes que comprei no mercado, no frango que eu tirei do congelador. Como que coroando dias mais tranquilos, minha sopa ficou um espatáculo. Na hora em que provei, antes do marido chegar da faculdade, tive certeza de que tinha ficado sensacional - uma das melhores que eu já fiz. Sabe quando você se alimenta exatamente com a única coisa que você quer naquele momento? Quando nada mais faria sentido? Pois então. Há uns 10 dias que a minha ansiedade tem me feito atacar o pote de nutella sem compaixão todas as noites. Hoje não vai ser assim, porque a minha sopinha já liberou serotonina o suficiente. Comfort food mesmo.
Sou fã da Mafalda , mas nunca pude entender sua resistência obstinada a sopas. A mãe dela devia cozinhar mal. Só isso explica.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
Várias coisas
Meu irmão teve alta hoje, portanto antes do que os médicos tinham previsto anteriormente. \o/ Agradeço mais uma vez a quem se manifestou carinhosamente aqui torcendo por ele. Valeu mesmo.
Uma grande amiga minha se casou no sábado. Daí eu passei a semana envolta em emoções tão opostas que eu tô exausta. Algumas reflexões sobre saúde pública, sobre casamento, idéias pra post. A semana tendo e amadurecendo idéias. Várias coisas mais interessantes que meus devaneios sobre minha vida. Mas quem disse que, nesse momento, depois deste rali emocional, eu sou fisicamente capaz?
Preciso de férias tipo, pra ontem. Tenho 10 dias pra tirar em julho. 7 semanas até lá. Ao contrário do ano passado, em que achei que a sanidade mental não duraria até as férias (eu emendei quase um ano no emprego anterior com o atual, tava há quase 2 anos sem férias), esse ano eu temo pelo físico mesmo. Eu tô podre.
Um caso irônico pra encerrar: eu costumo carregar meu bilhete único quando ainda tenho um pouco de crédito (tão ligadas como funciona o transporte público em São Paulo, né? Você coloca créditos num bilhete magnético e, quando passa a catraca, eles vão sendo descontados). Pelas minhas contas, tava na hora. Saquei R$100,00 pra carregar pro mês. E só depois de sacar tive a brilhante idéia de verificar o saldo da minha conta. Depois de sacar 100, fiquei com 60 negativos. Na hora de carregar, descobri que ainda tinha 16 no cartão, que não é muito, mas era o suficiente pra me locomover até sexta, quando cai o salário. Pensei, ok, meu banco é o tal dos “10 dias sem juros”. Vai rolar só uma cacaquinha de IOF, mas beleza. Nem preciso de dinheiro até sexta-feira mesmo. Daí lembrei que quinta tenho uma consulta médica no meio da manhã. E como eu tô enroladíssima no trabalho, a idéia é voltar de táxi. E o táxi não aceita bilhete único, né? E eu me sinto uma trouxa com 116 reais no cartão e devendo pro banco. E às vezes eu acho que meu mau humor não vai passar nunca...
Uma grande amiga minha se casou no sábado. Daí eu passei a semana envolta em emoções tão opostas que eu tô exausta. Algumas reflexões sobre saúde pública, sobre casamento, idéias pra post. A semana tendo e amadurecendo idéias. Várias coisas mais interessantes que meus devaneios sobre minha vida. Mas quem disse que, nesse momento, depois deste rali emocional, eu sou fisicamente capaz?
Preciso de férias tipo, pra ontem. Tenho 10 dias pra tirar em julho. 7 semanas até lá. Ao contrário do ano passado, em que achei que a sanidade mental não duraria até as férias (eu emendei quase um ano no emprego anterior com o atual, tava há quase 2 anos sem férias), esse ano eu temo pelo físico mesmo. Eu tô podre.
Um caso irônico pra encerrar: eu costumo carregar meu bilhete único quando ainda tenho um pouco de crédito (tão ligadas como funciona o transporte público em São Paulo, né? Você coloca créditos num bilhete magnético e, quando passa a catraca, eles vão sendo descontados). Pelas minhas contas, tava na hora. Saquei R$100,00 pra carregar pro mês. E só depois de sacar tive a brilhante idéia de verificar o saldo da minha conta. Depois de sacar 100, fiquei com 60 negativos. Na hora de carregar, descobri que ainda tinha 16 no cartão, que não é muito, mas era o suficiente pra me locomover até sexta, quando cai o salário. Pensei, ok, meu banco é o tal dos “10 dias sem juros”. Vai rolar só uma cacaquinha de IOF, mas beleza. Nem preciso de dinheiro até sexta-feira mesmo. Daí lembrei que quinta tenho uma consulta médica no meio da manhã. E como eu tô enroladíssima no trabalho, a idéia é voltar de táxi. E o táxi não aceita bilhete único, né? E eu me sinto uma trouxa com 116 reais no cartão e devendo pro banco. E às vezes eu acho que meu mau humor não vai passar nunca...
domingo, 9 de maio de 2010
Sem querer ser piegas... mas talvez sendo
Daí que marido vai ganhar mais um sobrinho ou sobrinha (e eu também por tabela). E rola aquela pergunta de quando daremos nossa contribuição para aumentar a família, ao que respondemos que, por enquanto, não daremos, sorry.
Antes de conhecer meu moço, eu não pensava em ser mãe. Hoje esse não é um assunto decidido, mas posso dizer que boas possibilidades de acontecer no futuro, embora não me pareça essencial para justificar minha passagem pela terra.
Acho que minha relutância vem – além, claro, do feminismo que me faz acreditar que maternidade é escolha e não destino inevitável - da minha relação com minha mãe, nem sempre fácil. Reconheço nela uma generosidade do tamanho do mundo. Porque eu não sou o que ela sonhou pra mim. Minha mãe veio de uma família pobre, sem instrução e muito machista. Para nossa sorte, encontrou meu pai. Ela tinha parado de estudar quando era novinha, porque sua saúde não dava conta de trabalhar de dia e estudar a noite. Quando se casou com meu pai e foi demitida de seu emprego como operária, ele a incentivou a continuar seus estudos. Minha mãe só não fez faculdade porque não se animou: apoio do meu pai nunca faltou. E eu presenciei na infância e na adolescência uma disputa ferrenha entre as idéias arejadas do meu pai e o machismo da minha avó materna, que vivia conosco. Ele achava que minha mãe deveria estudar, ela achava que isso poderia atrapalhar o “andamento da casa”; ele insistiu pra que minha mãe dirigisse, ela tinha tremenda dificuldade em confiar na minha mãe ao volante; ele sempre se ocupou de tarefas domésticas, ela achava que minha mãe deveria se envergonhar por permitir que o marido lavasse um prato; ele só achava que estava sendo um cara razoável, minha avó achava que ele era um semi-deus por ser “bom” com a filha dela. Minha avó já faleceu e eu não quero jogar na conta dela o machismo, de jeito nenhum. Ela também foi educada assim.
Mas meu pai é diferente e os tempos são outros. E pra minha mãe era muito difícil perceber que meu pai não me reprimiria, como normalmente se espera dos pais. Apesar de ter sido adolescente nos anos 70, minha mãe não viveu a revolução sexual. Isso era coisa de moças de classe média e nível universitário. Moças pobres e vindas “da roça” tinham que se casar virgens. Assim foi com a minha ela. E assim ela esperava que tivesse sido comigo, apesar de saber que o mundo tinha mudado muito e minhas perspectivas eram outras. Eu soube por uma tia que minha mãe chorou quando se deu conta de que eu não era virgem mais. Não fui eu que contei, não presenciei a cena, mas conhecendo minha mãe, faz sentido.
Pra resumir, ela teve que aceitar tudo. Que eu não me casaria virgem, que eu não me casaria na igreja, que eu não ficaria em casa até me casar e pior: que eu sequer estaria muito interessada em casamento. Que tinha vontade de ir viver fora do país (e fui!). Que quando eu dizia que ia dormir na casa de uma amiga, talvez eu estivesse passando a noite com um cara que não era importante a ponto de ser apresentado (ela nunca foi boba, sabia bem quando eu estava mentindo). Ela sofreu muito. Sofreu muitíssimo. E eu não alivei nada pra ela me sentindo culpada. Nunca me culpei por ser livre. E ela aprendeu a aceitar.
Ela sofre até hoje. Eu não sou casada, né? Sou de fato, mas não de direito. Daí, quando eu juntei os trapos, ela dizia pras pessoas, principalmente a família machista que “a Iara está casada”. Tipo, repetia, como um mantra. Cada vez que ia lá, contava: "fulano perguntou e eu disse que você está casada". Pra dizer que eu não estava “morando com o namorado”. Nem “amigada”, nem “amaziada”. Eu sou é casada, só não tenho papel. E pra ela é importante. E não me cobra nada, aceitou meu marido, acredito que também muito diferente do genro com o qual sonhava, com um amor imenso. Ele me ama e me faz feliz, pra ela é o suficiente.
Enfim. Eu sei que não é de graça pra ela. Por mais que se diga que “filho a gente tem é pro mundo”, não deve ser nada fácil ver aquele ser nascido de você se tornar alguém muito diferente dos seus sonhos. Amar assim tão desprendidamente, sem fazer cobranças, sem chantagens emocionais, sem reclamar que eu vou mais a casa da sogra do que a dela. Ela transborda generosidade aceitando que eu escolhi meu caminho e continua me amando e repetindo que sente um enorme orgulho de mim. E eu só quero ser mãe se me sentir capaz disso.
Antes de conhecer meu moço, eu não pensava em ser mãe. Hoje esse não é um assunto decidido, mas posso dizer que boas possibilidades de acontecer no futuro, embora não me pareça essencial para justificar minha passagem pela terra.
Acho que minha relutância vem – além, claro, do feminismo que me faz acreditar que maternidade é escolha e não destino inevitável - da minha relação com minha mãe, nem sempre fácil. Reconheço nela uma generosidade do tamanho do mundo. Porque eu não sou o que ela sonhou pra mim. Minha mãe veio de uma família pobre, sem instrução e muito machista. Para nossa sorte, encontrou meu pai. Ela tinha parado de estudar quando era novinha, porque sua saúde não dava conta de trabalhar de dia e estudar a noite. Quando se casou com meu pai e foi demitida de seu emprego como operária, ele a incentivou a continuar seus estudos. Minha mãe só não fez faculdade porque não se animou: apoio do meu pai nunca faltou. E eu presenciei na infância e na adolescência uma disputa ferrenha entre as idéias arejadas do meu pai e o machismo da minha avó materna, que vivia conosco. Ele achava que minha mãe deveria estudar, ela achava que isso poderia atrapalhar o “andamento da casa”; ele insistiu pra que minha mãe dirigisse, ela tinha tremenda dificuldade em confiar na minha mãe ao volante; ele sempre se ocupou de tarefas domésticas, ela achava que minha mãe deveria se envergonhar por permitir que o marido lavasse um prato; ele só achava que estava sendo um cara razoável, minha avó achava que ele era um semi-deus por ser “bom” com a filha dela. Minha avó já faleceu e eu não quero jogar na conta dela o machismo, de jeito nenhum. Ela também foi educada assim.
Mas meu pai é diferente e os tempos são outros. E pra minha mãe era muito difícil perceber que meu pai não me reprimiria, como normalmente se espera dos pais. Apesar de ter sido adolescente nos anos 70, minha mãe não viveu a revolução sexual. Isso era coisa de moças de classe média e nível universitário. Moças pobres e vindas “da roça” tinham que se casar virgens. Assim foi com a minha ela. E assim ela esperava que tivesse sido comigo, apesar de saber que o mundo tinha mudado muito e minhas perspectivas eram outras. Eu soube por uma tia que minha mãe chorou quando se deu conta de que eu não era virgem mais. Não fui eu que contei, não presenciei a cena, mas conhecendo minha mãe, faz sentido.
Pra resumir, ela teve que aceitar tudo. Que eu não me casaria virgem, que eu não me casaria na igreja, que eu não ficaria em casa até me casar e pior: que eu sequer estaria muito interessada em casamento. Que tinha vontade de ir viver fora do país (e fui!). Que quando eu dizia que ia dormir na casa de uma amiga, talvez eu estivesse passando a noite com um cara que não era importante a ponto de ser apresentado (ela nunca foi boba, sabia bem quando eu estava mentindo). Ela sofreu muito. Sofreu muitíssimo. E eu não alivei nada pra ela me sentindo culpada. Nunca me culpei por ser livre. E ela aprendeu a aceitar.
Ela sofre até hoje. Eu não sou casada, né? Sou de fato, mas não de direito. Daí, quando eu juntei os trapos, ela dizia pras pessoas, principalmente a família machista que “a Iara está casada”. Tipo, repetia, como um mantra. Cada vez que ia lá, contava: "fulano perguntou e eu disse que você está casada". Pra dizer que eu não estava “morando com o namorado”. Nem “amigada”, nem “amaziada”. Eu sou é casada, só não tenho papel. E pra ela é importante. E não me cobra nada, aceitou meu marido, acredito que também muito diferente do genro com o qual sonhava, com um amor imenso. Ele me ama e me faz feliz, pra ela é o suficiente.
Enfim. Eu sei que não é de graça pra ela. Por mais que se diga que “filho a gente tem é pro mundo”, não deve ser nada fácil ver aquele ser nascido de você se tornar alguém muito diferente dos seus sonhos. Amar assim tão desprendidamente, sem fazer cobranças, sem chantagens emocionais, sem reclamar que eu vou mais a casa da sogra do que a dela. Ela transborda generosidade aceitando que eu escolhi meu caminho e continua me amando e repetindo que sente um enorme orgulho de mim. E eu só quero ser mãe se me sentir capaz disso.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Várias coisas sobre gênero – ou pensamentos muitos e confusos
Às vezes eu fico pensando se vale a pena fazer um post meio maluco só com associações que passam pela minha cabeça, sem trazer nada novo, não colocar nenhum questão nova, nem chegar a uma conclusão, só com referências externas e links, meio colagem mesmo. Mas, enfim, os macaquinhos tão aqui sapateando, né?
Tô pensando no livro da Beatriz Preciado, que eu ganhei e não li ainda, e na Judith Butler, que eu também não li, e a maneira como (sei de ouvir falar e ler outras coisas por aí), problematizam gênero. E, puxa, muito legal. E um nó. Eu gosto bastante. Porque se você me encontrar na rua vai ter certeza que, por mais que conteste muita coisa, por mais que não corresponda a todos os modelos de vaidade e feminilidade postos, eu sou uma mulher. Mas lembro de já ter sofrido muito por não me encaixar. Nada a ver com transexualidade, nem com homossexualismo sequer. O problema é o modelo cor-de-rosa-Barbie. A passividade. Enfim, muitas coisas. Mas pegava muito no visual mesmo. A coisa da delicadeza, porque eu não sou delicada pra nada nessa vida. Sou carinhosa e tal, mas não delicada. E é por isso que eu pirei lá na Espanha. Lógico que o Almodóvar já tinha me dado uma pista. Mas a coisa foi mais prosaica até: quando eu vi nas lojas as roupas de Flamenco para a “feria” de Málaga. Aqueles babados, aqueles brincos enormes, aquelas cores fortes. É isso, eu sou over. Eu sou pombagira. Depois de ler “Bodas de Sangre”, a noiva se justificando, dizendo que o noivo era um riozinho que não dava conta de apagar seu incêndio, eu pensei: é isso! Eu sou essa mulher.
Mas divago (e este post não é mera divagação?). Eu lembrei disso, dessa questão do problema do gênero, de definição, da dificudade, por algumas razões.
Li outro dia isso. A pessoa que conseguiu um documento escrito “sexo indefinido”. Péssimo estar na página de bizarrices do Globo porque o assunto é muito interessante. Mas me chamou a atenção esse lance de que não era possível determinar características físicas, psicológicas ou comportamentais de um dos gêneros. Físicas, ok. Mas fico pensando em como determinar caraterísticas “psicológicas ou comportamentais” de um gênero. Dá pra fazer isso sem usar lugares comuns? Quer dizer, eu aceito quando minha amiga psicóloga me diz que “não é porque algo é socialmente construído que é necessariamente ruim”. E imagino que é um conjunto de fatores que deveria determinar essa performance de gênero, mas não tiverema sucesso aí. Enfim, curioso, né?
Outra coisa: o post da Lu que fala do Irã. Quer dizer, transexual, pode. Homossexual, não. Porque tem que definir, ficar dentro do limite. Extremamente violento, claro, e me faz lembrar do argumento mais frequente entre religiosos, mesmo os locais, quando condenam o homossualismo: Deus criou o homem e a mulher, um para o outro. Sistema binário mesmo, nenhum questionamento possível.
Por fim (como se houvesse um fim), a matéria da Piuaí sobre o médico especialista em cirurgias de mudanças de sexo. Recomendo a leitura da matéria inteira. Como a coisa é complexa. Em algum momento, a especialista em direito civil consultada fala de como os transexuais são conservadores. Quer querem corresponder a um modelo de mulher bem tradicional. Mas é o ponto de vista dela, porque aparece lá os casos de homens que queriam ser mulheres lésbicas. Quer dizer, se relacionar-se sexualmente com uma mulher e ter um pênis fosse o suficiente para definir um homem, usando um ponto de vista conservador, essas pessoas não teriam conflitos.
Por fim, o que define o que é mulher, né? Se você responder que é a vagina, vai desconsiderar os transexuais, e o Buck Angel vai rir na sua cara. Se você considerar que é um conjunto de comportamentos tais e tais, pode soar bem sexista. Mas lembro de ler num blog uma vez que se a única coisa que nós, mulheres, tivermos em comum for a opressão, pára o mundo que eu quero descer. Acho que a coisa é fascinante porque é muito mais complexa do que parece. E o médico diz lá na reportagem que só dá pra dizer quem tem falo e quem não tem, mas eu não aceito ser definida por uma ausência – a que não tem falo. Só posso concordar com a Judith Butler quando diz que gênero é performance. A gente deveria poder ser o que é sem que isso implicasse em determinismo e discriminação.
Tô pensando no livro da Beatriz Preciado, que eu ganhei e não li ainda, e na Judith Butler, que eu também não li, e a maneira como (sei de ouvir falar e ler outras coisas por aí), problematizam gênero. E, puxa, muito legal. E um nó. Eu gosto bastante. Porque se você me encontrar na rua vai ter certeza que, por mais que conteste muita coisa, por mais que não corresponda a todos os modelos de vaidade e feminilidade postos, eu sou uma mulher. Mas lembro de já ter sofrido muito por não me encaixar. Nada a ver com transexualidade, nem com homossexualismo sequer. O problema é o modelo cor-de-rosa-Barbie. A passividade. Enfim, muitas coisas. Mas pegava muito no visual mesmo. A coisa da delicadeza, porque eu não sou delicada pra nada nessa vida. Sou carinhosa e tal, mas não delicada. E é por isso que eu pirei lá na Espanha. Lógico que o Almodóvar já tinha me dado uma pista. Mas a coisa foi mais prosaica até: quando eu vi nas lojas as roupas de Flamenco para a “feria” de Málaga. Aqueles babados, aqueles brincos enormes, aquelas cores fortes. É isso, eu sou over. Eu sou pombagira. Depois de ler “Bodas de Sangre”, a noiva se justificando, dizendo que o noivo era um riozinho que não dava conta de apagar seu incêndio, eu pensei: é isso! Eu sou essa mulher.
Mas divago (e este post não é mera divagação?). Eu lembrei disso, dessa questão do problema do gênero, de definição, da dificudade, por algumas razões.
Li outro dia isso. A pessoa que conseguiu um documento escrito “sexo indefinido”. Péssimo estar na página de bizarrices do Globo porque o assunto é muito interessante. Mas me chamou a atenção esse lance de que não era possível determinar características físicas, psicológicas ou comportamentais de um dos gêneros. Físicas, ok. Mas fico pensando em como determinar caraterísticas “psicológicas ou comportamentais” de um gênero. Dá pra fazer isso sem usar lugares comuns? Quer dizer, eu aceito quando minha amiga psicóloga me diz que “não é porque algo é socialmente construído que é necessariamente ruim”. E imagino que é um conjunto de fatores que deveria determinar essa performance de gênero, mas não tiverema sucesso aí. Enfim, curioso, né?
Outra coisa: o post da Lu que fala do Irã. Quer dizer, transexual, pode. Homossexual, não. Porque tem que definir, ficar dentro do limite. Extremamente violento, claro, e me faz lembrar do argumento mais frequente entre religiosos, mesmo os locais, quando condenam o homossualismo: Deus criou o homem e a mulher, um para o outro. Sistema binário mesmo, nenhum questionamento possível.
Por fim (como se houvesse um fim), a matéria da Piuaí sobre o médico especialista em cirurgias de mudanças de sexo. Recomendo a leitura da matéria inteira. Como a coisa é complexa. Em algum momento, a especialista em direito civil consultada fala de como os transexuais são conservadores. Quer querem corresponder a um modelo de mulher bem tradicional. Mas é o ponto de vista dela, porque aparece lá os casos de homens que queriam ser mulheres lésbicas. Quer dizer, se relacionar-se sexualmente com uma mulher e ter um pênis fosse o suficiente para definir um homem, usando um ponto de vista conservador, essas pessoas não teriam conflitos.
Por fim, o que define o que é mulher, né? Se você responder que é a vagina, vai desconsiderar os transexuais, e o Buck Angel vai rir na sua cara. Se você considerar que é um conjunto de comportamentos tais e tais, pode soar bem sexista. Mas lembro de ler num blog uma vez que se a única coisa que nós, mulheres, tivermos em comum for a opressão, pára o mundo que eu quero descer. Acho que a coisa é fascinante porque é muito mais complexa do que parece. E o médico diz lá na reportagem que só dá pra dizer quem tem falo e quem não tem, mas eu não aceito ser definida por uma ausência – a que não tem falo. Só posso concordar com a Judith Butler quando diz que gênero é performance. A gente deveria poder ser o que é sem que isso implicasse em determinismo e discriminação.
sábado, 1 de maio de 2010
A prática da tortura no Brasil
Quinta-feira teve um happy hour da empresa. Na saída, dois colegas meus voltavam de trem, mais ou menos 10 da noite, quando um grupo deu uma trombada em um deles no momento em que as portas do vagão estavam se fechando em uma das estações. Levaram sua carteira. Aí começa a saga policial da qual só não foi testemunha porque não fui ao happy hour, já que o trem é meu meio de transporte também.
Enfim, saíram com a carteira. Três pessoas: duas mulheres por volta de 25 anos e um homem de 30. Fechadas as portas, quando olharam para o vagão ao lado (alguns dos trens tem uma janelinha que permite a visualização do vagão contíguo) viram que uma das mulheres estava lá. Na estação seguinte, tentaram trocar de vagão, mas a mulher saiu e, em vez de ir em direção à saída da estação, foi até a ponta da plataforma. Importante esclarecer que meus dois colegas são educadíssimos e jamais abordariam uma pessoa simplesmente desconfiando de sua responsabilidade pelo furto, por mais suspeitas que fossem suas atitudes. Mas, enfim, dali a dois minutos um senhor estava se sentando para aguardar o trem e viu que a carteira de nosso colega estava lá, intacta. Nem o dinheiro tiveram tempo de levar. Entenderam que a mulher a havia descartado quando notou que estava sendo seguida, para não ser pega em flagrante.
Bom, foram comunicar os ocorridos ao agente da estação. Contaram lá que um grupo assim e assim, com tais características, estava furtando carteiras. Dali há pouco, passaram um rádio avisando que um suspeito tinha sido detido na estação seguinte. Foram todos pra lá.
Ouvi a história no café na empresa, tá? Então não entendi bem se o que se seguiu aconteceu ainda na estação, ou parte na estação e parte numa delegacia. O rapaz detido foi reconhecido pelos meus colegas, mas não tinha nenhum produto de furto com ele. Como em um furto não há coação e nem abordagem direta, fica uma palavra contra a outra. Ok para meus colegas. Eles só estavam interessados em alertar para o risco. Mas, por conta disso, tiveram que assistir à truculência policial.
O suspeito era colombiano. A polícia passou a humilhá-lo, dizendo que o fato dele vir “de uma país de merda dominado por terroristas e traficantes” não o dá direito de roubar carteiras no Brasil. Perguntados sobre o que aconteceriam com o rapaz detido, avisaram que “dariam um corretivo” antes de soltá-lo, porque não poderiam prendê-lo em flagrante. Para comprovar sua responsabilidade seria necessário abrir um processo, acessar os registros da câmera de segurança, enfim, algo bem mais demorado. A surra e mais rápida.
Meus colegas sabem que seria inútil pensar em procurar entidades de defesa dos Direitos Humanos para defender um estrangeiro de uma surra policial às 2 da manhã (é, a coisa toda foi longe...). Reforço, conheço os dois o suficiente pra saber que ninguém achou “bem feito” que o sujeito tenha apanhado. Não procuravam punição de culpados, só queriam resolver seu problema imediato (recuperar a carteira) e depois contribuir para segurança coletiva comunicando o risco às autoridades. Mas parece que, para a polícia, não é possível que não haja punição. E o enorme constrangimento de ser reconhecido como criminoso não é punição suficiente.
Fiz a ponte, inevitável, sobre a manutenção da anistia aos torturadores, julgada pelo STF essa semana. Sou filha de torturado, e estou muito chateada que nosso país tenha ido na contramão do restante da América Latina e tenha dicidido que, ok, se meu pai foi preso, apanhou, teve a casa revirada, viu seus irmãos mais novos serem presos e humilhados também por suas idéias políticas das quais não compartilhavam (é não bastou torturar o "subversivo", tinha que impor sofrimento à família toda), isso fez parte de um contexto histórico e deve ser perdoado e esquecido.
Abomino a tortura provavelmente sofrida por este estrangeiro batedor de carteira tanto quanto abomino o sofrimento do motoboy morto covardemente pela polícia de São Paulo mês passado e os sofrimentos físicos e psicológios impostos ao meu pai e aos meus tios 36 anos atrás. Como já comentei aqui, não vejo cidadania possível fora do Estado de Direito. Se há uma lei, não deveria ser aqueles que agem em nome do Estado os primeiros a fazê-la cumprir?
Enfim, saíram com a carteira. Três pessoas: duas mulheres por volta de 25 anos e um homem de 30. Fechadas as portas, quando olharam para o vagão ao lado (alguns dos trens tem uma janelinha que permite a visualização do vagão contíguo) viram que uma das mulheres estava lá. Na estação seguinte, tentaram trocar de vagão, mas a mulher saiu e, em vez de ir em direção à saída da estação, foi até a ponta da plataforma. Importante esclarecer que meus dois colegas são educadíssimos e jamais abordariam uma pessoa simplesmente desconfiando de sua responsabilidade pelo furto, por mais suspeitas que fossem suas atitudes. Mas, enfim, dali a dois minutos um senhor estava se sentando para aguardar o trem e viu que a carteira de nosso colega estava lá, intacta. Nem o dinheiro tiveram tempo de levar. Entenderam que a mulher a havia descartado quando notou que estava sendo seguida, para não ser pega em flagrante.
Bom, foram comunicar os ocorridos ao agente da estação. Contaram lá que um grupo assim e assim, com tais características, estava furtando carteiras. Dali há pouco, passaram um rádio avisando que um suspeito tinha sido detido na estação seguinte. Foram todos pra lá.
Ouvi a história no café na empresa, tá? Então não entendi bem se o que se seguiu aconteceu ainda na estação, ou parte na estação e parte numa delegacia. O rapaz detido foi reconhecido pelos meus colegas, mas não tinha nenhum produto de furto com ele. Como em um furto não há coação e nem abordagem direta, fica uma palavra contra a outra. Ok para meus colegas. Eles só estavam interessados em alertar para o risco. Mas, por conta disso, tiveram que assistir à truculência policial.
O suspeito era colombiano. A polícia passou a humilhá-lo, dizendo que o fato dele vir “de uma país de merda dominado por terroristas e traficantes” não o dá direito de roubar carteiras no Brasil. Perguntados sobre o que aconteceriam com o rapaz detido, avisaram que “dariam um corretivo” antes de soltá-lo, porque não poderiam prendê-lo em flagrante. Para comprovar sua responsabilidade seria necessário abrir um processo, acessar os registros da câmera de segurança, enfim, algo bem mais demorado. A surra e mais rápida.
Meus colegas sabem que seria inútil pensar em procurar entidades de defesa dos Direitos Humanos para defender um estrangeiro de uma surra policial às 2 da manhã (é, a coisa toda foi longe...). Reforço, conheço os dois o suficiente pra saber que ninguém achou “bem feito” que o sujeito tenha apanhado. Não procuravam punição de culpados, só queriam resolver seu problema imediato (recuperar a carteira) e depois contribuir para segurança coletiva comunicando o risco às autoridades. Mas parece que, para a polícia, não é possível que não haja punição. E o enorme constrangimento de ser reconhecido como criminoso não é punição suficiente.
Fiz a ponte, inevitável, sobre a manutenção da anistia aos torturadores, julgada pelo STF essa semana. Sou filha de torturado, e estou muito chateada que nosso país tenha ido na contramão do restante da América Latina e tenha dicidido que, ok, se meu pai foi preso, apanhou, teve a casa revirada, viu seus irmãos mais novos serem presos e humilhados também por suas idéias políticas das quais não compartilhavam (é não bastou torturar o "subversivo", tinha que impor sofrimento à família toda), isso fez parte de um contexto histórico e deve ser perdoado e esquecido.
Abomino a tortura provavelmente sofrida por este estrangeiro batedor de carteira tanto quanto abomino o sofrimento do motoboy morto covardemente pela polícia de São Paulo mês passado e os sofrimentos físicos e psicológios impostos ao meu pai e aos meus tios 36 anos atrás. Como já comentei aqui, não vejo cidadania possível fora do Estado de Direito. Se há uma lei, não deveria ser aqueles que agem em nome do Estado os primeiros a fazê-la cumprir?
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Nota breve sobre o racismo
A notícia é velha, mas como fala de futebol e o jogo de volta foi na quarta-feira, eu fiquei matutando. Porque na semana passada, no jogo Palmeiras e Atlética Paranaense, um jogador atleticano deu uma cabeçada num palmeirense, os dois se enfezaram, e o último cuspiu no primeiro e o chamou de “macaco”. Findo o jogo, o ofendido foi prestar queixa na delegacia e abriu-se um processo por injúria de teor racista, que é diferente de racismo. Racismo é exercer seu poder pra excluir o outro diretamente (numa entrevista de emprego ou num elevador, por exemplo), diferente deste caso, em que houve ofensa verbal.
Uma vez eu li, no contexto da discussão sobre a legitimidade das cotas, algo bem interessante. Que essa historinha de que “não dá pra saber quem é negro no Brasil” é uma tremenda balela. É só o cara bater no seu carro. Aí você vai lá e chama de “criolo filho da puta”. E eu achei a definição muito precisa e ilustra bem este caso do jogo. O cara não deveria ter dado a cabeçada. Mas deu. E qual é a primeira coisa que o agredido lembra? Que o cara é negro. É foda, por que não existe xingamento politicamente correto, né? Mas se eu chamo alguém de “imbecil” ou “desgraçado”, é muito particular. Não tô desqualificando todo seu grupo social por tabela.
Meu caso específico, se alguém me sacanear, não consigo me imaginar sequer pensando “tinha que ser preto, judeu, japa, whatever”. Mas consigo me imaginar chamando de “filho da puta”. E, olha só, não tenho orgulho de assumir isso, porque eu me identifico aqui como feminista. No Fórum Social Mundial de 2005 assisti a um debate com profissionais do sexo que diziam o quanto o estigma do “filho da puta” era ofensivo à categoria. Só faço um aparte pra dizer que acredito que a expressão ficou tão universal que ninguém, quando a usa, deve ter em mente “você é desonrado porque sua mãe tem uma conduta sexual reprovável”, o real significado - o que não tira a legitimidade da queixa das prostituas, claro. Mas quando alguém chama um negro de “macaco”, não dá pra dizer que “abstraiu” o significado. Não acredito de jeito nenhum.
E fiquei pensando que o jogador do Palmeiras (meio que) se desculpou. Eu acho que dá pra gente se desculpar pelo que a gente faz, mas não pelo que a gente pensa. E o cara pensa, nem que seja no fundo do subconsciente, que a cabeçada cretina tem alguma coisa a ver com a cor.
Enfim. Acho triste.
Uma vez eu li, no contexto da discussão sobre a legitimidade das cotas, algo bem interessante. Que essa historinha de que “não dá pra saber quem é negro no Brasil” é uma tremenda balela. É só o cara bater no seu carro. Aí você vai lá e chama de “criolo filho da puta”. E eu achei a definição muito precisa e ilustra bem este caso do jogo. O cara não deveria ter dado a cabeçada. Mas deu. E qual é a primeira coisa que o agredido lembra? Que o cara é negro. É foda, por que não existe xingamento politicamente correto, né? Mas se eu chamo alguém de “imbecil” ou “desgraçado”, é muito particular. Não tô desqualificando todo seu grupo social por tabela.
Meu caso específico, se alguém me sacanear, não consigo me imaginar sequer pensando “tinha que ser preto, judeu, japa, whatever”. Mas consigo me imaginar chamando de “filho da puta”. E, olha só, não tenho orgulho de assumir isso, porque eu me identifico aqui como feminista. No Fórum Social Mundial de 2005 assisti a um debate com profissionais do sexo que diziam o quanto o estigma do “filho da puta” era ofensivo à categoria. Só faço um aparte pra dizer que acredito que a expressão ficou tão universal que ninguém, quando a usa, deve ter em mente “você é desonrado porque sua mãe tem uma conduta sexual reprovável”, o real significado - o que não tira a legitimidade da queixa das prostituas, claro. Mas quando alguém chama um negro de “macaco”, não dá pra dizer que “abstraiu” o significado. Não acredito de jeito nenhum.
E fiquei pensando que o jogador do Palmeiras (meio que) se desculpou. Eu acho que dá pra gente se desculpar pelo que a gente faz, mas não pelo que a gente pensa. E o cara pensa, nem que seja no fundo do subconsciente, que a cabeçada cretina tem alguma coisa a ver com a cor.
Enfim. Acho triste.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Castigo vem a cavalo
Se eu fosse uma pessoa crente, não no sentido evangélico, mas no sentido geral, eu diria que só pode ser castigo. Porque olha só, eu, cansada pra caramba, queria um dia pra descansar. E bom, 21 de abril é feriado, eu ia ter um dia pra descansar e estudar um pouco de qualquer maneira. Mas eu queria um pouco mais. O ideal era ter uma boa desculpa pra trabalhar de casa. No meu trabalho todo mundo usa laptop, temos uma conta com a AT&T para acessar a rede remotamente, então é bem normal trabalhar de casa. Normal pra quase todo mundo, menos pra mim, porque eu sou a assistente-faz-tudo que mexe com papelada, despacha motoboy, recebe relatório de reembolso de despesa da galera, enfim, tenho que estar por lá. Quando eu trabalho de casa normalmente é zica – tipo 31 de dezembro que não teve expediente pra ninguém, mas eu tive que “dar uma olhadinha” no e-mail pra ver se não apareciam pedidos de última hora pra colocar no sistema. Enfim, só-me-fodo.com.
Daí, isso. Eu tava louca pra ter um leve mal-estar que justificasse ficar em casa. Da última vez que isso aconteceu, foi um resfriado bem bobo, e eu só respondi a um ou dois e-mail pra fingir que trabalhava e tudo bem. Só que essa semana eu me estrepei. Comecei a me sentir indisposta no domingo e fiz aquele papel de esposa chata que na casa da sogra fica enchendo o saco do marido clamando “eu quero ir embora!”. Talvez eu já estivesse com febre, sei lá. Segunda eu fui trabalhar bem cansada e fui sentindo a garganta fechando. Comprei umas pastilhinhas porque achei que fosse uma irritação. No final da tarde, comecei a bater os dentes (sério!). Avisei a minha chefe que ia trabalhar de casa na terça, levei o computador e peguei um táxi pra chegar rápido. Chegando, fui verificar a minha temperatura: 38, 5°C. Sabe lá desde que horas. Fui tomar um banho pra ver se baixava. Saindo do banho, 39°C. Tomei o único remédio disponível em casa pra febre. Baixou pra 38°C.
Acordei na terça e liguei o computador. Minha senha não funcionava. Tive que ligar, com voz de pato, para o helpdesk na Finlândia. Tava difícil falar, imagina falar inglês. E bom resolvida a questão, trabalho. Muito trabalho. Tem épocas que eu nem tenho muito o que fazer, mas o VP resolveu me pedir uns relatórios financeiros e eu vinha apanhando desde segunda pra conciliá-los. Pra piorar, os relatórios que eu tirei essa semana não batem com os números que eu extraí no começo do ano para um colega. Não tenho nenhuma explicação, pode ser só cagada minha mesmo, embora eu não entenda como possa ter cagado nisso. E a febre subindo, o ouvido e a garganta doendo até pra engolir saliva, um gosto horroroso no boca. E eu parava de vez em quando pra descansar. Dei uma cochilada de 40 minutos e quando voltei tinham dois e-mails do tal colega na minha caixa: um levantando uma hipótese e outro, meia hora depois, perguntando: “e aí, o que você acha?”. Acho nada, mané. Minha febre subiu pra 39°C e não tem mais remédio em casa.
Por sorte (ou azar) o marido também não estava bem e não foi direto pra faculdade. Avisei que teríamos que ir pro hospital. Chegando lá, bronca: “como assim 39°C de febre e não tomou remédio, quer ter uma convulsão, senhora?!” (digressão: gostava mais quando me chamavam de menina, mas ok). Daí espera, uma bezetacil e outra injeção na veia que nem sei pra que serve. E aquela maravilha, né? Saí de casa super agasalhada, morrendo de frio, numa noite abafada, cheguei empapada de suor, sem febre. Sério mesmo, sem ironia, adoro a medicina moderna. Vocês não?
Nossos planos pra hoje, feitos semanas atrás, eram estudar, descansar e namorar (oi? de vez em quando é bom, né?). Acordei de novo com febre e o marido super indisposto. Depois de tomar novalgina, minha temperatura despencou para 35,8°C. Sério. Não era defeito no termômetro. Agora está em 37,5°C de novo. Resistirá meu pobre cérebro a esterilização via choque térmico? Estudei um pouquinho e descansei um pouco. Ouvido e garganta doem bem menos agora. Namorar? Estou há 2 dias sem beijo na boca. Porque enfrentar trânsito de São Paulo na hora do rush estando resfriado pra levar a esposa no PS é uma coisa. Beijar uma boca com gosto de pus é outra beeem diferente. Perdeu o apetite lendo isso? Imagine eu.
Daí, isso. Eu tava louca pra ter um leve mal-estar que justificasse ficar em casa. Da última vez que isso aconteceu, foi um resfriado bem bobo, e eu só respondi a um ou dois e-mail pra fingir que trabalhava e tudo bem. Só que essa semana eu me estrepei. Comecei a me sentir indisposta no domingo e fiz aquele papel de esposa chata que na casa da sogra fica enchendo o saco do marido clamando “eu quero ir embora!”. Talvez eu já estivesse com febre, sei lá. Segunda eu fui trabalhar bem cansada e fui sentindo a garganta fechando. Comprei umas pastilhinhas porque achei que fosse uma irritação. No final da tarde, comecei a bater os dentes (sério!). Avisei a minha chefe que ia trabalhar de casa na terça, levei o computador e peguei um táxi pra chegar rápido. Chegando, fui verificar a minha temperatura: 38, 5°C. Sabe lá desde que horas. Fui tomar um banho pra ver se baixava. Saindo do banho, 39°C. Tomei o único remédio disponível em casa pra febre. Baixou pra 38°C.
Acordei na terça e liguei o computador. Minha senha não funcionava. Tive que ligar, com voz de pato, para o helpdesk na Finlândia. Tava difícil falar, imagina falar inglês. E bom resolvida a questão, trabalho. Muito trabalho. Tem épocas que eu nem tenho muito o que fazer, mas o VP resolveu me pedir uns relatórios financeiros e eu vinha apanhando desde segunda pra conciliá-los. Pra piorar, os relatórios que eu tirei essa semana não batem com os números que eu extraí no começo do ano para um colega. Não tenho nenhuma explicação, pode ser só cagada minha mesmo, embora eu não entenda como possa ter cagado nisso. E a febre subindo, o ouvido e a garganta doendo até pra engolir saliva, um gosto horroroso no boca. E eu parava de vez em quando pra descansar. Dei uma cochilada de 40 minutos e quando voltei tinham dois e-mails do tal colega na minha caixa: um levantando uma hipótese e outro, meia hora depois, perguntando: “e aí, o que você acha?”. Acho nada, mané. Minha febre subiu pra 39°C e não tem mais remédio em casa.
Por sorte (ou azar) o marido também não estava bem e não foi direto pra faculdade. Avisei que teríamos que ir pro hospital. Chegando lá, bronca: “como assim 39°C de febre e não tomou remédio, quer ter uma convulsão, senhora?!” (digressão: gostava mais quando me chamavam de menina, mas ok). Daí espera, uma bezetacil e outra injeção na veia que nem sei pra que serve. E aquela maravilha, né? Saí de casa super agasalhada, morrendo de frio, numa noite abafada, cheguei empapada de suor, sem febre. Sério mesmo, sem ironia, adoro a medicina moderna. Vocês não?
Nossos planos pra hoje, feitos semanas atrás, eram estudar, descansar e namorar (oi? de vez em quando é bom, né?). Acordei de novo com febre e o marido super indisposto. Depois de tomar novalgina, minha temperatura despencou para 35,8°C. Sério. Não era defeito no termômetro. Agora está em 37,5°C de novo. Resistirá meu pobre cérebro a esterilização via choque térmico? Estudei um pouquinho e descansei um pouco. Ouvido e garganta doem bem menos agora. Namorar? Estou há 2 dias sem beijo na boca. Porque enfrentar trânsito de São Paulo na hora do rush estando resfriado pra levar a esposa no PS é uma coisa. Beijar uma boca com gosto de pus é outra beeem diferente. Perdeu o apetite lendo isso? Imagine eu.
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