Ainda sobre o Haiti. Apesar de ter ficado irritada com o Azenha por conta disso, ainda gosto muito do “Vi o mundo”. A cobertura que vem fazendo sobre a tragédia é a mais completa e humana que tenho visto por aí. Além de problematizar a miséria do país, questiona a cobertura da mídia tradicional. Porque não faz sentido, por exemplo, falar de saqueadores num país em que todos estão passando fome. Fazer isso é ter mais apreço pela ordem do que pelos dramas humanos, atitude coerente com a criminalização dos movimentos sociais que se faz cotidianamente por aqui, e insensível até dizer chega.
Daí que a gente sabe que os Estados Unidos tem a sua parcela de responsabilidade pela miséria haitiana, e ela é enorme. Mas agora eles estão lá pra fazer ajuda humanitária. E só quem gosta mais de ideologia do que de gente vai achar que eles não deveriam estar lá. Os haitianos precisam de toda a ajuda possível, não estão em condições de escolher. E isso é devastador, porque no final das contas, essa ajuda vai ter um preço, e o preço é a sua autonomia entregue. Mas, existe liberdade na fome? Essa é a grande questão, a gente não pode perder isso de vista nunca. Sem essa ajuda, não há como sair do lugar, não há esperança possível, e só se poderá falar no futuro quando o presente estiver minimamente organizado: mortos enterrados, sobreviventes tratados, os habitantes minimamente alimentados.
Por isso me incomoda muita essa defesa inconteste do capitalismo feita por algumas pessoas. É lógico que a liberdade do capitalismo é bacana. Mas é bacana pra quem tá incluído. Não se pode falar de escolha quando o que se apresenta como possibilidade é cortar cana ou morrer de fome. Ou, falando em feminismo, se as opções são aguentar surras de um marido violento ou não ter como sustentar os filhos. Tive uma conversa com uma amiga minha uma vez sobre aquele lance do que é melhor, dar o peixe ou ensinar a pescar. Quem tem fome tem pressa, e não dá pra pegar o barquinho e se lançar ao mar de estômago vazio. É preciso dar o peixe e ensinar a pescar, não há outra possibilidade.
Lembrando do meu último post, eu já fui uma pessoa crente. Mas me incomodava o discurso de que tinhamos sido criados para louvar a Deus, com livre arbítrio para escolher fazê-lo. Só que a punição para quem exercicia o seu direito de escolha e não louvava o todo poderoso era o inferno. Oi? Cadê a liberdade aí? Quer dizer, eu sou livre, contanto que siga a cartilha direitinho, senão, sofrimento por toda a eternidade. Então Deus me criou pra ser escrava da sua vaidade? Mesmo quem é religioso há de concordar que esse papinho tem a perna quebrada...
Mas, voltando, o Haiti não pode, nesse momento, dar uma banana para os colonizadores externos como fez com os franceses há mais de duzentos anos. Torço porém para que consigam fazer isso quando se reorganizarem. Desta vez, com mais sucesso.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O Haiti - ou porque sou cética
Um dos livros que eu mais gostei de ler na faculdade foi "El Reino de Este Mundo", de Alejo Carpentier, que fala do processo de independência do Haiti. Ao contrário da maior parte dos países latino americanos, cuja independência foi um processo conduzido pela elite, ou, no caso do Brasil, o corte de cordão umbilical de pai pra filho (nossa história não é ridícula às vezes?), os haitianos conheceram uma revolução popular, liderado por escravos.
O Haiti é um país miserável, o mais pobre das Américas. Quando alguém te falar que o socialismo é uma droga, "é só olhar Cuba", a resposta perfeita é dar o Haiti como exemplo de como o capitalismo pode ser cruel também. Ou até pior, já que, ao que parece, em Cuba há escassez de recursos mas não há fome (ó, não tô defendendo Cuba nem o Fidel, mas é diferente ser pobre e não ter o que comer - e tem gente que não se atenta a isso). No Haiti o que impera e a fome e a desesperança. Daí vem um terremoto e arrasa com tudo que já é super precário, termina de jogar na miséria a meia dúzia que estava acima da linha de pobreza.
Desculpem o post baixo astral, mas nessas horas fica claro pra mim que não existe Deus, pelo menos não essse ser supremo que decide pela vida das pessoas. Porque seria uma sacanagem sem tamanho determinar que um sujeito vai nascer na Dinamarca e o outro no Haiti. E não quero ouvir que Deus tem lá seus propósitos. Tem que ser muito insensível pra achar alguma explicação plausível que justifique condenar alguém a vir ao mundo para uma vida de tragédias e miséria.
Mas, se sou descrente em Deus, acredito muito em todos os sentimentos humanos e na sua força de transformação, para o bem e para o mal. Por isso vou deixar o link para o post do Alex Castro em que ele agradece as pessoas que o ajudaram depois da passagem do Katrina, que me comoveu muito: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/11/25/dia_de_acao_de_gracas/
Triste é saber que os cidadãos haitianos tem muito menos recursos para ajudarem uns aos outros numa situação de tragédia do que os americanos ou mesmo os brasileiros.
O Haiti é um país miserável, o mais pobre das Américas. Quando alguém te falar que o socialismo é uma droga, "é só olhar Cuba", a resposta perfeita é dar o Haiti como exemplo de como o capitalismo pode ser cruel também. Ou até pior, já que, ao que parece, em Cuba há escassez de recursos mas não há fome (ó, não tô defendendo Cuba nem o Fidel, mas é diferente ser pobre e não ter o que comer - e tem gente que não se atenta a isso). No Haiti o que impera e a fome e a desesperança. Daí vem um terremoto e arrasa com tudo que já é super precário, termina de jogar na miséria a meia dúzia que estava acima da linha de pobreza.
Desculpem o post baixo astral, mas nessas horas fica claro pra mim que não existe Deus, pelo menos não essse ser supremo que decide pela vida das pessoas. Porque seria uma sacanagem sem tamanho determinar que um sujeito vai nascer na Dinamarca e o outro no Haiti. E não quero ouvir que Deus tem lá seus propósitos. Tem que ser muito insensível pra achar alguma explicação plausível que justifique condenar alguém a vir ao mundo para uma vida de tragédias e miséria.
Mas, se sou descrente em Deus, acredito muito em todos os sentimentos humanos e na sua força de transformação, para o bem e para o mal. Por isso vou deixar o link para o post do Alex Castro em que ele agradece as pessoas que o ajudaram depois da passagem do Katrina, que me comoveu muito: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/11/25/dia_de_acao_de_gracas/
Triste é saber que os cidadãos haitianos tem muito menos recursos para ajudarem uns aos outros numa situação de tragédia do que os americanos ou mesmo os brasileiros.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Subjetividades
Não tem nada de errado acontecendo na minha vida, porém ando numa irritação sem precedentes. Melhor dizendo, estou completamente instável emocionalmente – porque de vez em quando me empolgo demais também. Tipo bipolar mesmo, ou um “Poltergeist” se apoderando do meu corpo. No final de semana fui procurar o meu cd do Cranberries e não achei. Tenho poucos cds, sei lá, só uns 30, acho. E além desse do Cranberries, já perdi o da Elza Soares, o acústico do Ira, um da Marisa Monte. Notem, não é o do colega de trabalho que tinha uma banda, nem aquele "ao vivo" do Djavan que já deu no saco, nem o meio esotérico que eu ganhei de brinde quando fiz massagem. Esses aí tão guardadinhos. Não é nada engraçado, porque eu nunca encontrei um cd perdido por aí, então não sei onde eles vão parar. Provavelmente na quarta dimensão, junto com as sobrinhas e os pés de meia solitários. Tô putíssima da vida com isso até agora.
Mas, enfim. Fiquei desproporcionalmente irritada (tenho gostado muito do verbo “to overreact”, acho perfeito). Ontem eu tinha uma consulta, queria ir de ônibus pra andar menos, o maldito não passava. Desisti, fui pra estação pegar o trem, ele também atrasou, e quando veio, tava super lotado. E eu lá, bufando como doida, e resmungando “que inferno! que inferno!”. E o sapato machucando no pé. Hoje tive outra consulta na hora do almoço. Engoli alguma coisa e chegando lá, a recepcionista me avisou que o médico estava atrasado “mas só tem uma pessoa na sua frente”. Como é uma clínica grande, a gente não sabe se as pessoas na sala de espera estão lá pra ver o mesmo cara. Depois de assitir ao médico chamar a terceira paciente (oi? é, eu não era a próxima...), após 45 minutos de espera, fui reclamar com a recepcionista, que se comprometeu a “dar o recado”. Não agüentei nem mais 5 minutos. Voltei pro trabalho semi-histérica, se eu entrasse na consulta daquele jeito não ia prestar mesmo. No caminho, ao passar por um corredor no centro comercial onde trabalho, um infeliz, vendo a minha cara de brava, resolveu sacanear e se plantar no meu caminho pra fazer uma gracinha. Não consigo mais lembrar com precisão, acho que mandei ele se fuder, aos gritos e tremendo. Tive que tomar um fitoterápito pra me acalmar e conseguir trabalhar (pouco) o resto da tarde.
E, puxa, motivo nenhum, eu sei. Boas perspectivas para o ano. Mas viajando total, me peguei pensando no quanto pode ser violenta o julgamento das pessoas sobre a nossa subjetividade. Uma amiga minha, que tem o blog mais fofo e cor-de-rosa da lista ali da lista ao lado, disse que um troll maníaco tem mandado ela procurar o que fazer, só porque ela fala de decoração e não, sei lá, da fome no mundo. Alguém pode achar que, por gostar de maquiagem e cozinha, sou uma ingênua cooptada pelo patriarcado, que não se dá conta de que cozinhar pro marido e ficar cheirosa são desempenhar um papel de objeto do prazer alheio sem nenhum senso crítico: “e ainda se diz feminista, pobrezinha!”
Eu perfiro acreditar que não há objetividade alheia que dê conta da gente, sabe? E não tem nada mais irritante do que imaginar alguém lendo isso e pensando: “olha a mimada, queria ver se tivesse perdido a casa/a família/a vida com a chuva”. Todo o respeito e solidariedade às tragédias alheias, e nem de longe imagino os meus problemas minimamente comparáveis. Mas os meus calos, por menores que sejam, doem. E atire a primeira pedra quem nunca teve uma “overreaction”.
Mas, enfim. Fiquei desproporcionalmente irritada (tenho gostado muito do verbo “to overreact”, acho perfeito). Ontem eu tinha uma consulta, queria ir de ônibus pra andar menos, o maldito não passava. Desisti, fui pra estação pegar o trem, ele também atrasou, e quando veio, tava super lotado. E eu lá, bufando como doida, e resmungando “que inferno! que inferno!”. E o sapato machucando no pé. Hoje tive outra consulta na hora do almoço. Engoli alguma coisa e chegando lá, a recepcionista me avisou que o médico estava atrasado “mas só tem uma pessoa na sua frente”. Como é uma clínica grande, a gente não sabe se as pessoas na sala de espera estão lá pra ver o mesmo cara. Depois de assitir ao médico chamar a terceira paciente (oi? é, eu não era a próxima...), após 45 minutos de espera, fui reclamar com a recepcionista, que se comprometeu a “dar o recado”. Não agüentei nem mais 5 minutos. Voltei pro trabalho semi-histérica, se eu entrasse na consulta daquele jeito não ia prestar mesmo. No caminho, ao passar por um corredor no centro comercial onde trabalho, um infeliz, vendo a minha cara de brava, resolveu sacanear e se plantar no meu caminho pra fazer uma gracinha. Não consigo mais lembrar com precisão, acho que mandei ele se fuder, aos gritos e tremendo. Tive que tomar um fitoterápito pra me acalmar e conseguir trabalhar (pouco) o resto da tarde.
E, puxa, motivo nenhum, eu sei. Boas perspectivas para o ano. Mas viajando total, me peguei pensando no quanto pode ser violenta o julgamento das pessoas sobre a nossa subjetividade. Uma amiga minha, que tem o blog mais fofo e cor-de-rosa da lista ali da lista ao lado, disse que um troll maníaco tem mandado ela procurar o que fazer, só porque ela fala de decoração e não, sei lá, da fome no mundo. Alguém pode achar que, por gostar de maquiagem e cozinha, sou uma ingênua cooptada pelo patriarcado, que não se dá conta de que cozinhar pro marido e ficar cheirosa são desempenhar um papel de objeto do prazer alheio sem nenhum senso crítico: “e ainda se diz feminista, pobrezinha!”
Eu perfiro acreditar que não há objetividade alheia que dê conta da gente, sabe? E não tem nada mais irritante do que imaginar alguém lendo isso e pensando: “olha a mimada, queria ver se tivesse perdido a casa/a família/a vida com a chuva”. Todo o respeito e solidariedade às tragédias alheias, e nem de longe imagino os meus problemas minimamente comparáveis. Mas os meus calos, por menores que sejam, doem. E atire a primeira pedra quem nunca teve uma “overreaction”.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Agnes
A preguiça de postar é muita. Assunto eu tenho, mas o final do ano tá foda e eu continuo trabalhando feito doida.Mas me cortou o coração ler isso.
Depois daquele post foda da Aline, recebi uma amiga em casa. Essa amiga é feminista também, e começamos a conversar sobre aborto. E eu não sabia que ela tinha feito um. Parece que encontraram (ela e o ex-namorado) um contato. Daí marcaram, o cara explicou o procedimento. No dia, se encontraram num lugar público, e minha amiga entrou no carro do cara. Sozinha. E foi para a clínica sozinha. E contou que, quando voltou da anestesia, se deu conta de que o corpo dela tinha estado por algumas horas a mercê de gente em quem ela não confiava. Que podiam ter feito qualquer coisa com ela.
Quando ela me contou, me senti culpada. Queria ter estado ao lado dela, segurando a sua mão, mas sequer soube que ela passou por isso. Tive uma imensa vontade de chorar pensando que alguém pode ter abusado da sua fragilidade naquele momento. E um desespero enorme de imaginar que ela poderia estar morta agora. Mas minha amiga sobreviveu e vive uma vida plena e feliz.
Minha sogra teve o primeiro filho, que vem a ser o meu amor, aos 17 anos. Os outros dois filhos são frutos da família que teve que se formar às pressas. Eles (ela e o meu sogro, que tinha 20 anos na época) passaram uma barra, abriram mão de muitas coisas pra serem pais tão jovens. Eu me emocionei muito ouvindo ela contar o susto quando ouviu o coraçãozinho bater dentro dela, porque este coraçãozinho é o que bate ao meu lado agora. Diante da surpresa, minha sogra recalculou a rota de sua vida. Uma escolha legítima, que não tira a legitimidade de quem escolheu outra coisa.
E eu vou sempre defender que essa escolha possa ser feita por todas as mulheres, da maneira mais tranqüila possível. Respeito à alteridade, como eu já disse aqui. Mas como não é assim que funcionam as coisas no nosso país, a Agnes é mais uma das vítimas dessa hipocrisia silenciosa e assassina.
Depois daquele post foda da Aline, recebi uma amiga em casa. Essa amiga é feminista também, e começamos a conversar sobre aborto. E eu não sabia que ela tinha feito um. Parece que encontraram (ela e o ex-namorado) um contato. Daí marcaram, o cara explicou o procedimento. No dia, se encontraram num lugar público, e minha amiga entrou no carro do cara. Sozinha. E foi para a clínica sozinha. E contou que, quando voltou da anestesia, se deu conta de que o corpo dela tinha estado por algumas horas a mercê de gente em quem ela não confiava. Que podiam ter feito qualquer coisa com ela.
Quando ela me contou, me senti culpada. Queria ter estado ao lado dela, segurando a sua mão, mas sequer soube que ela passou por isso. Tive uma imensa vontade de chorar pensando que alguém pode ter abusado da sua fragilidade naquele momento. E um desespero enorme de imaginar que ela poderia estar morta agora. Mas minha amiga sobreviveu e vive uma vida plena e feliz.
Minha sogra teve o primeiro filho, que vem a ser o meu amor, aos 17 anos. Os outros dois filhos são frutos da família que teve que se formar às pressas. Eles (ela e o meu sogro, que tinha 20 anos na época) passaram uma barra, abriram mão de muitas coisas pra serem pais tão jovens. Eu me emocionei muito ouvindo ela contar o susto quando ouviu o coraçãozinho bater dentro dela, porque este coraçãozinho é o que bate ao meu lado agora. Diante da surpresa, minha sogra recalculou a rota de sua vida. Uma escolha legítima, que não tira a legitimidade de quem escolheu outra coisa.
E eu vou sempre defender que essa escolha possa ser feita por todas as mulheres, da maneira mais tranqüila possível. Respeito à alteridade, como eu já disse aqui. Mas como não é assim que funcionam as coisas no nosso país, a Agnes é mais uma das vítimas dessa hipocrisia silenciosa e assassina.
domingo, 13 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Êxtase
Ontem a vi pela primeira vez ao vivo. Presente do marido, que nem é fã, mas sabia o quanto seria importante pra mim, e queria me ver chorando horrores, o danado. Mas eu me contive e só chorei um pouquinho... Ai... o que posso dizer? Uma experiência das mais ricas. Ouvir "Explode Coração" assim, ao vivo, só na voz dela, sem o acompanhamento da banda, emudeceu o teatro. E no bis ela cantou "Reconvexo" e é muito bobo, mas acho tão lindo ouvir o meu nome na voz dela (sou a sereia que canta/ destemida Iara)! Depois no bis-do-bis, cantou "Olhos nos olhos", com a platéia acompanhando.
Saí me sentindo a pessoa mais realizada do mundo. E o mundo seria um lugar lindo se todo mundo pudesse sentir essa epifania ao menos uma vez na vida...
Ah! Quase esquecendo, e eu adoro contar isso: meu pai assistiu "Opinião" em 1965, quando a Maria Bethânia estreiou profissionalmente substituindo a Nara Leão. Cara de sorte, ele...
Saí me sentindo a pessoa mais realizada do mundo. E o mundo seria um lugar lindo se todo mundo pudesse sentir essa epifania ao menos uma vez na vida...
Ah! Quase esquecendo, e eu adoro contar isso: meu pai assistiu "Opinião" em 1965, quando a Maria Bethânia estreiou profissionalmente substituindo a Nara Leão. Cara de sorte, ele...
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Diálogos e monólogos
de: W
para: D, Iara , m <@yahoo.com.br>data: 4 de dezembro de 2009 15:22
assunto: Isso tem cara de Iara!
Olá pessoal!
Estava a ler os comentários sobre o texto "Um deserto de idéias" do Azenha e vi o seguinte post:
Aí pergunto: é você Iara?
Digo isso porque a gente conversou sobre a Dilma lá no Gogó e você falou sobre essa questão sexista. No nosso bate papo o tema foi o fato da imprensa descer o sarrafo porque a Dilma é durona, não é linda e fez plástica.
Abraços
W
de:Iara
para: W
cc: D,m
data: 4 de dezembro de 2009 15:37
assunto: Re: Isso tem cara de Iara!
Bingo! Eu mesma!
A questão é simples: não aceito que exijam de uma mulher o que não se exige de um homem na vida pública (nem vou entrar na particular, porque é pano pra manga e a idéia não é polemizar). Fora que é ingênuo, né? Se você viu nos comentários, alguém citou Margareth Tatcher, Golda Meyer... Vamos combinar que poder e meiguice não combinam, né? Agora sensibilidade é importante pra todo mundo, poxa vida!
E minha frustração é que o cara deu a resposta preguiçosa padrão "Iara, acredito que homens e mulheres são diferentes." Fraca essa, viu? Preguiça mental mesmo.
Bjo!
;-)
O remetente do e-mail é um amigo do marido, que agora é meu amigo também. Tempos atrás, quando ele se referiu a não sei quem como “mau-comida”, levou um pito meu. E ouviu, não porque eu sou a rainha da cocada preta e tenho sempre razão, mas porque acha minha opinião relevante.
O post ao qual nos referimos é esse. Sabe o que é muito chato? Essa coisa do cara ter um blog, ser conceituado e tals, você entra, lê, prestigia, e quando levanta um debate, ele te responde do jeito mais preguiçoso do mundo. Lógico, quem tem trocentos comentários na caixa não pode se dar ao luxo de dar atenção a todo mundo. Nem esperava que o Azenha fosse “fofinho” como meu amigo, né? Mas, poxa, se resolveu responder, responde direito, porra! Homens e mulheres são diferentes, essa parte eu já sabia desde os dois anos de idade quando vi o pipi do meu irmãozinho recém-nascido. Responder assim é desrespeitar minha capacidade intelectual. Ok, o blog é bom e não vou deixar de lê-lo por conta disso. Mas se até o Azenha utiliza esse recurso, porque a gente estranha o Marcelo Coelho cobrar meiguice da Dilma, né? (não achei o post original dele pra linkar aqui, só a crítica da Marjorie, que é excelente, aliás)
A Dilma tem mais é que ser durona mesmo. Porque ano que vem o chumbo vai vir grosso...
para: D
assunto: Isso tem cara de Iara!
Olá pessoal!
Estava a ler os comentários sobre o texto "Um deserto de idéias" do Azenha e vi o seguinte post:
Iara (03/12/2009 - 21:57)
'Minha esperança, francamente, é de que a engenheira "desenvolvimentista" tenha preservado suficientemente em si a mulher e mãe.'
Cuidado, Azenha, porque aqui você foi sexista, mesmo com a melhor das intenções. A sensibilidade é uma qualidade independente do gênero, e concordo que deveria ser requisito mínimo para quem aspira o cargo de presidência. E há milhares de mulheres insensíveis, muitas delas mães, inclusive. Não são menos mulheres por conta disso.
Aí pergunto: é você Iara?
Digo isso porque a gente conversou sobre a Dilma lá no Gogó e você falou sobre essa questão sexista. No nosso bate papo o tema foi o fato da imprensa descer o sarrafo porque a Dilma é durona, não é linda e fez plástica.
Abraços
W
de:Iara
para: W
cc: D
data: 4 de dezembro de 2009 15:37
assunto: Re: Isso tem cara de Iara!
Bingo! Eu mesma!
A questão é simples: não aceito que exijam de uma mulher o que não se exige de um homem na vida pública (nem vou entrar na particular, porque é pano pra manga e a idéia não é polemizar). Fora que é ingênuo, né? Se você viu nos comentários, alguém citou Margareth Tatcher, Golda Meyer... Vamos combinar que poder e meiguice não combinam, né? Agora sensibilidade é importante pra todo mundo, poxa vida!
E minha frustração é que o cara deu a resposta preguiçosa padrão "Iara, acredito que homens e mulheres são diferentes." Fraca essa, viu? Preguiça mental mesmo.
Bjo!
;-)
O remetente do e-mail é um amigo do marido, que agora é meu amigo também. Tempos atrás, quando ele se referiu a não sei quem como “mau-comida”, levou um pito meu. E ouviu, não porque eu sou a rainha da cocada preta e tenho sempre razão, mas porque acha minha opinião relevante.
O post ao qual nos referimos é esse. Sabe o que é muito chato? Essa coisa do cara ter um blog, ser conceituado e tals, você entra, lê, prestigia, e quando levanta um debate, ele te responde do jeito mais preguiçoso do mundo. Lógico, quem tem trocentos comentários na caixa não pode se dar ao luxo de dar atenção a todo mundo. Nem esperava que o Azenha fosse “fofinho” como meu amigo, né? Mas, poxa, se resolveu responder, responde direito, porra! Homens e mulheres são diferentes, essa parte eu já sabia desde os dois anos de idade quando vi o pipi do meu irmãozinho recém-nascido. Responder assim é desrespeitar minha capacidade intelectual. Ok, o blog é bom e não vou deixar de lê-lo por conta disso. Mas se até o Azenha utiliza esse recurso, porque a gente estranha o Marcelo Coelho cobrar meiguice da Dilma, né? (não achei o post original dele pra linkar aqui, só a crítica da Marjorie, que é excelente, aliás)
A Dilma tem mais é que ser durona mesmo. Porque ano que vem o chumbo vai vir grosso...
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