domingo, 13 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Êxtase

Ontem a vi pela primeira vez ao vivo. Presente do marido, que nem é fã, mas sabia o quanto seria importante pra mim, e queria me ver chorando horrores, o danado. Mas eu me contive e só chorei um pouquinho... Ai... o que posso dizer? Uma experiência das mais ricas. Ouvir "Explode Coração" assim, ao vivo, só na voz dela, sem o acompanhamento da banda, emudeceu o teatro. E no bis ela cantou "Reconvexo" e é muito bobo, mas acho tão lindo ouvir o meu nome na voz dela (sou a sereia que canta/ destemida Iara)! Depois no bis-do-bis, cantou "Olhos nos olhos", com a platéia acompanhando.

Saí me sentindo a pessoa mais realizada do mundo. E o mundo seria um lugar lindo se todo mundo pudesse sentir essa epifania ao menos uma vez na vida...

Ah! Quase esquecendo, e eu adoro contar isso: meu pai assistiu "Opinião" em 1965, quando a Maria Bethânia estreiou profissionalmente substituindo a Nara Leão. Cara de sorte, ele...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Diálogos e monólogos

de: W

para: D , Iara , m <@yahoo.com.br>data: 4 de dezembro de 2009 15:22
assunto: Isso tem cara de Iara!

Olá pessoal!

Estava a ler os comentários sobre o texto "Um deserto de idéias" do Azenha e vi o seguinte post:

Iara (03/12/2009 - 21:57)
'Minha esperança, francamente, é de que a engenheira "desenvolvimentista" tenha preservado suficientemente em si a mulher e mãe.'

Cuidado, Azenha, porque aqui você foi sexista, mesmo com a melhor das intenções. A sensibilidade é uma qualidade independente do gênero, e concordo que deveria ser requisito mínimo para quem aspira o cargo de presidência. E há milhares de mulheres insensíveis, muitas delas mães, inclusive. Não são menos mulheres por conta disso.


Aí pergunto: é você Iara?
Digo isso porque a gente conversou sobre a Dilma lá no Gogó e você falou sobre essa questão sexista. No nosso bate papo o tema foi o fato da imprensa descer o sarrafo porque a Dilma é durona, não é linda e fez plástica.

Abraços

W


de:Iara

para: W
cc: D ,m
data: 4 de dezembro de 2009 15:37
assunto: Re: Isso tem cara de Iara!


Bingo! Eu mesma!

A questão é simples: não aceito que exijam de uma mulher o que não se exige de um homem na vida pública (nem vou entrar na particular, porque é pano pra manga e a idéia não é polemizar). Fora que é ingênuo, né? Se você viu nos comentários, alguém citou Margareth Tatcher, Golda Meyer... Vamos combinar que poder e meiguice não combinam, né? Agora sensibilidade é importante pra todo mundo, poxa vida!

E minha frustração é que o cara deu a resposta preguiçosa padrão "Iara, acredito que homens e mulheres são diferentes." Fraca essa, viu? Preguiça mental mesmo.

Bjo!

;-)

O remetente do e-mail é um amigo do marido, que agora é meu amigo também. Tempos atrás, quando ele se referiu a não sei quem como “mau-comida”, levou um pito meu. E ouviu, não porque eu sou a rainha da cocada preta e tenho sempre razão, mas porque acha minha opinião relevante.

O post ao qual nos referimos é esse. Sabe o que é muito chato? Essa coisa do cara ter um blog, ser conceituado e tals, você entra, lê, prestigia, e quando levanta um debate, ele te responde do jeito mais preguiçoso do mundo. Lógico, quem tem trocentos comentários na caixa não pode se dar ao luxo de dar atenção a todo mundo. Nem esperava que o Azenha fosse “fofinho” como meu amigo, né? Mas, poxa, se resolveu responder, responde direito, porra! Homens e mulheres são diferentes, essa parte eu já sabia desde os dois anos de idade quando vi o pipi do meu irmãozinho recém-nascido. Responder assim é desrespeitar minha capacidade intelectual. Ok, o blog é bom e não vou deixar de lê-lo por conta disso. Mas se até o Azenha utiliza esse recurso, porque a gente estranha o Marcelo Coelho cobrar meiguice da Dilma, né? (não achei o post original dele pra linkar aqui, só a crítica da Marjorie, que é excelente, aliás)

A Dilma tem mais é que ser durona mesmo. Porque ano que vem o chumbo vai vir grosso...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Futebol

Eu gosto de futebol. E sempre gostei muito de homens que gostam de futebol. O marido é perdidamente apaixonado. E pelo Palmeiras. E eu sou corintiana. Mas não tem problema, a gente vive bem assim, principalmente quando seca o São Paulo juntos e dá certo. Dois momentos inesquecíveis do nosso relacionamento, ambos proporcionados por times cariocas, foram ver o Fluminense tirar o São Paulo da Libertadores ano passado (antes do jogo cantei a bola de que a decisão sairia no último momento do jogo, e acertei) e a linda vitória do Botafogo duas semanas atrás (jogão, gente, jogão).

E bom, Flamengo campeão. Mereceu muito. Marido super chateado porque, depois de liderarem tanto tempo, não vão nem pra Libertadores. E a graça do futebol é essa, a imprevisibilidade, o “nada como um dia após o outro”. Tanto é assim que o Flamengo é o primeiro time a ser campeão brasileiro depois de levar surra de 5 a 0. E foi do Coritiba, rebaixado hoje.

Além de futebol, eu gosto muito de homem gostoso. E, putz, me lembro a primeira vez que eu vi o Adriano (suspiro...). E além de gostar de futebol de homem gostoso, gosto quando a lógica capitalista não é determinante nas decisões das pessoas.

Considerando tudo isso, tô achando lindo o Flamengo campeão, com o Adriano ídolo e artilheiro. O Adriano é um anti-herói: joga muito, mas é um cara instável, alcóolatra, um Garrincha quase. E eu AMO essa instabilidade, sabe? E o romantismo evocado por ela. O cara tava mal lá na Europa, ganhando bem, mas motivação zero, e vontade de abandonar tudo. Aí pinta o Flamengo e a chance de continuar trabalhando com o que gosta e fazer churrasco na laje com a galera da Vila Cruzeiro de vez em quando. Tem gente que achava aposta furada do time, mas ele chegou e detonou. Não esqueço o primeiro jogo dele de volta, o Maracanã cantando: “eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...”.

Lógico, o Adriano não ganha troco jogando aqui (se estiver recebendo direitinho, Flamengo é famoso pela inadimplência), mas seu objetivo não é se tornar o atleta mais rico da sua geração. Superada a pobreza, garantido o seu sustento e o dos filhos, ele quer ser um ídolo entre seus iguais, ser reconhecido pela maior torcida do Brasil. Então esse título pra ele é além de um sucesso profissional, um sonho de menino.

E voltando ao marido e ao sofá de casa, há uma aposta interna: verá o marido o seu Palmeiras ser campeão do Libertadores mais uma vez antes de eu ver o meu Corinthians campeão pela primeira vez? Ou será o contrário? O prêmio (além do prazer futebolístico, claro) é significativo: um sapato escândalo pra mim, o equivalente ao valor de um sapato em cerveja (Guinness, especificamente) pra ele. Como para ganhar precisa participar, tô saindo na frente. \o/

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Semana

Tem um "empório" (leia-se: vendinha metida a besta cheia de coisas deliciosas e caras que eu não posso comer durante o regime) no caminho entre o trem e a minha casa. Ele também é meio bar, meio restaurante. Segundas e terças-feiras fecha às 18h00, mas nos outros dias fica aberto até meia-noite. De modos que, quando eu volto pra casa na quarta-feira, passo enfrente umas 7 da noite e vejo aberto, meu coraçãozinho se enche de alegria. Cai a ficha de que a semana está perto do fim...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Leveza

Essa semana assisti a “Persépolis” com o marido, que ele não tinha visto ainda. É uma animação incrivelmente bem produzida que trata uma história triste com toda a leveza possível.

Em algum momento da minha vida fui acusada por uma “ex-amiga” de ser uma pessoa pesada, porque eu tava sempre vendo o lado ruim das coisas, segundo ela. Pô, tomei a pílula vermelha. Sofrimento enorme, esse, viu? Queria, como ela, conseguir fletar com o policial que estava na Sorbonne pra reprimir as manifestações dos estudantes. Mas eu não via o cara gostoso, via a repressão, não rolava mesmo. Não sou uma criatura iluminada, pelo contrário, acho que até sou bem superficial algumas vezes. Mas somo dois mais dois e sou bem crítica, e não tenho culpa disso. Taí o Caio Fernando Abreu, que não me deixa mentir:

"Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo. O que vem depois, não se sabe.”

Por outro lado, como muito custo, aprendi que o mundo não vai ser um lugar melhor se eu for infeliz. Que eu preciso sim refletir sobre as minhas escolhas, mas que não é indigno sentir-se bem num mundo tão miserável, contanto que eu não faça de conta que esssa miséria não tem absolutamente nada a ver comigo. Antes eu achava que pra conseguir isso a gente precisava ser muito cínico. Hoje acho que basta um pouco de pragmatismo.

Mas o título fala de leveza. Tenho curtido muito filmes que tratam de temas sérios de maneira leve, mas não leviana, que a gente encara no sábado com pipoquinha assim, despretensiosamente. E o Persépolis, apesar da intensidade, tem uma narradora que faz a sua autobiografia não se levando tão a sério, o que é sensacional. Na mesma categoria, amei de paixão o “A Culpa é do Fidel”. Não assistiu ainda? Corre na locadora ou no torrent, porque é imperdível. E “O Crocodilo” do Nanni Moretti? Comédia leve, mas que faz uma denúncia pesada sobre a máfia que é o governo Berlusconi.

Gosto de filmes e de refletir sobre a realidade. Se eu puder fazer os dois ao mesmo tempo e ainda me divertir então, programa perfeito. Aceito sugestões.

sábado, 28 de novembro de 2009

O jornalismo do não fato

A história só merece desprezo, mas eu resolvi dar pitaco e tentar contextualizá-la na pauta das reinvindicações feministas. Não vou atrás do link (mas no Azenha tem o texto completo), mas é a papo do fulano que ouviu, 15 anos atrás, que o Lula teria tentado molestar um carinha outros 15 anos antes, quando estava preso.

Olha, a gente reclama muito porque sabe que vítimas de estupro têm sua moral julgada, e por isso evitam denunciar. Sabe o quanto isso é horroroso, triste, o quanto a lógica machista impera e cala as mulheres. Nesse ponto, homens estuprados, ou como quer a lei, vítimas de atentados violentos ao pudor, também sofrem por conta do machismo. Agora... sem vítima não tem crime, né, galera? E a Folha da ditabranda, virando a campeã universal do bola-fora (Veja e boimate são hours concours, gente), publica uma coisa dessas, tão golpe baixo, tão sem pé nem cabeça.

Então, se a vítima aparece, 15 anos, 30 anos depois, é uma coisa. Não tem como comprovar a materialidade dos fatos, algo fundamental num processo justo, mas ainda tem uma palavra ali. Mas, assim, “o menino do MEP”? O Lula não é o Polanski. E com isso não estou colocando a mão no fogo por nosso presidente, pelo qual não nutro nenhuma simpatia pessoal (apesar de apoiar este governo). Se aparecesse agora uma mulher dizendo que foi estuprada pelo Polanski 30 anos atrás, ele não teria sido preso, porque é muito difícil comprovar um estupro tanto tempo depois, ainda mais quando não se trata de um estuprador em série.

Só que é ainda pior. É “tentou molestar”. Materialidade nenhuma mesmo. De novo: se foi verdade, é horrível, claro. Mas, como saber? É uma palavra contra a outra. Aliás, uma contra várias, porque lá no Azenha mesmo e no Nassif já apareceu um monte de gente pra dizer que essa história não tem pé nem cabeça.

Minha opinião, assim, muuuuito pessoal, é que o fato não é verdade, mas o Lula pode ter contado a história. Porque falastrão ele é, né? Inventar uma história sórdida e contar assim, numa boa, num ambiente privado, como se não tivesse consequências, até combina com ele. Mas o babaca repetir 15 anos depois e a Folha publicar é o fim.

Lembrei do caso Luísa. Olha só, o cara publicou aquilo na Trip. Disse que fez, e depois disse que era ficção. Mas ninguém inventou que ele fez: a gente leu um discurso em primeira pessoa banalizando a coisa, e chegou a uma conclusão. De qualquer maneira, a não ser que a Luísa aparecesse pra denunciá-lo, só se pode repudiar o texto do cara, mas não processá-lo por estupro. No caso do Lula, a não ser que o “menino do Mep” apareça e a gente ouça a versão dele dos fatos, a gente só pode concluir que o César Benjamin é um tremendo safado e/ou (porque uma coisa não exclui a outra) que o Lula fez uma piada de mal gosto e o cara resolveu valorizá-la.

Agora, a Folha querer fazer jornalismo com "ouvi falar 15 anos atrás que 15 anos antes..." é de lascar, né?

Update em 28/11: segundo está dito aqui, era como eu imaginava. A história foi contada, mas era brincadeira. De muitíssimo mau-gosto, aliás: assédio sexual não é nem um pouco engraçado. Lógico que motivo nenhum pra se orgulhar disso, shame on you, Lula. Mas ele contou isso em um encontro privado, não publicou na Trip, e atire a primeira merda quem nunca fez uma piada mórbida qualquer. Então, quem é canalha, o cara que contou a piada ou o que quer usar isso politicamente 15 anos depois?