sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Simples

Eu detesto otimismo constante e mensagens piegas.

Mas às vezes, depois de uma semana ruim, é bom lembrar que sobreviver ao próprios problemas é uma dádiva (e no geral, a gente sobrevive). Que chegar em casa numa sexta-feira, véspera de feriado, com o amor da sua vida esperando e abrir uma cervejinha pode ser mais do que suficiente pra justificar toda a existência. Acredito mesmo que a vida é feita de pequenos prazeres.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

C.R.A.Z.Y.

Eu já tinha visto, mas o marido não, então peguei em DVD pra ver de novo. E a gente sabe que gostou quando se emociona pela segunda vez. Zac, o protagonista, quarto filho de uma família de cinco rapazes, é gay. Mas não é simples assim: a gente acompanha a infância dele, a inquietação, a negação, a dificuldade em se aceitar. Porque Zac diz que tem o melhor pai do mundo, e se para o melhor pai do mundo com uma formação católica não é fácil aceitar um filho gay, 30 anos atrás era ainda mais difícil.

É um filme sobre família, sobre o amor do pai pelos filhos, sobre a dificuldade de aceitar as diferenças. Eu acho interessante, porque o Zac é super sexualizado, a gente saca, mas o filme não explora cenas de sexo, e acerta nisso. Não tenho nada contra elas, mas aqui a proposta é outra. O foco são as relações familiares, então interessa mais mostrar a sexualidade como formação de identidade e posicionamento no mundo do que como prática. Então, se colocar lá o vovô católico/militar/malufista, que tem horror a idéia de um homem beijando outro, pra assistir, duvido que ele não se emocione. Porque, por mais que a gente goste de sexo, ele é parte importante da nossa vida, não a nossa vida toda. E os filhos queridos não deveriam deixar de ser queridos quando seus caminhos não foram exatamente os que os pais escolheriam.

Eu queria que o marido assistisse ao filme porque ele é bom, mas também porque reconheço demais o meu sogro no protagonista. Eu sei que, na maioria dos casos, os pais amam seus filhos. Mas a maneira de amar e, principalmente, de expressar o amor, é muito particular. Esse amor louco, com um orgulho que transborda, que faz sofrer, é o amor do meu sogro pelos seus “meninos”. Meu marido, o mais velho dos meninos do meu sogro, concordou comigo: seu pai e Gervais Beaulieu são sujeitos parecidos.

Ah, tem a trilha sonora também, incrível! Depois do filme, Space Oddity ganhou um significado especial pra mim.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Banheiros públicos

Desde que me formei na faculdade os banheiros públicos que frequento são muito antissépticos. Não de microorganismos necessariamente, mas de idéias. Eu sempre gostei da “literatura” das portas de banheiros, acho uma subversão das mais saudáveis. Não tem nada a ver com vandalismo pra mim: a porta não deixa de cumprir sua função porque alguém escreveu nela, então a “coletividade” não sai prejudicada. Os banheiros que uso agora não tem nada escrito. São tão monótonos que às vezes dá vontade de provocar, de começar algo na porta do banheiro do trabalho, só pra ver se alguém me responde. Mas tenho medo do vexame duplo: ser pega fazendo “papel” de adolescente e de não ser respondida por ninguém.

Na escola onde fiz o colegial (já se chamava 2º grau, agora é ensino médio, mas eu sou old school, com o perdão do trocadilho infame) tinha dois diálogos ótimos nos banheiros, que eu me lembre. Um era assim:

“Se puta fosse flor, essa escola seria um jardim.”

E a resposta:

“E você seria um girassol, a maior, mais feia, e mais aparecida das flores.” (crueldade essa, eu adoro girassóis).

A outra bacana era:

“Porque escovar os dentes 3 vezes por dia e transar só duas vezes por semana?”

Resposta:

“Porque ninguém toparia transar 3 vezes por dia com alguém que só escova os dentes 2 vezes por semana, sua porca!”.

Sei que há espaço pra muito policiamento da conduta alheia (“fulaninha é piranha”) e homofobia (“cicraninha é sapatão”). Mas não consigo invalidar completamente uma mídia (sente a importância da coisa!) só por causa de alguns mal intecionados. Se fosse assim, não valia a pena ler blogs. Muito menos criar um.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Idealismo preguiçoso

Quando eu comprei meu laptop, há quase dois anos, escolhi um com Linux instalado. “Mó bosta ser mais uma a deixar o Bill Gates mais rico”, pensei. Quando chegou, beleza, vi que a interface era bem chupinhada do Windows. Não tem “Painel de Controle”, mas tem “Centro de controle”, então, pra quem sabe mais ou menos pra que serve cada coisa, tá ok. Dá pra salvar arquivos com extensões de softwares fechados, e tem até um msn próprio. Tudo lindo, se o meu sistema operacional não tivesse um problema grave que me impede de fazer atualizações (importante: é um problema no meu computador, não acredito que o sistema não preste). Não consigo instalar bosta nenhuma. Veio com 1 ano de suporte grátis, a partir do primeiro chamado aberto. Como eu nunca abri nenhum chamado, a solução seria claro, procurar o suporte. Mas eu me acomodei geral e uso o micro do trabalho ou, às vezes, o do marido, quando preciso fazer coisas que o meu não dá conta.

Porque eu tô contando isso? Porque tô usando o meu agora, esse verificador ortográfico é péssimo e eu não vou conseguir atualizar, apesar de ser de graça. Vou correr o risco de passar vergonha postando bobagem porque quero mudar o mundo sem sair do sofá. Triste, não?

Update: acabo de descobrir o verificador ortográfico daqui do blogger. Uma desculpa a menos pra escrever mal, droga!

Teoria do Texto Escrito

A professora na faculdade dizia que o texto bonito tinha no máximo um “que” a cada três linhas, e um verbo de ligação a cada cinco. Texto cheio de “que” é feinho mesmo, concordo. Mas essa norma acaba com toda a espontaneidade também, convenhamos. Então vou tentar escrever bonitinho, pra garantir que meu diploma não vai se destrua por combustão espontânea. Mas se eu não conseguir, paciência...

Blog de novo

Eu já tive um blog. Foi há alguns anos, quando eu morava fora do país e achei que poderia ser uma maneira interessante de atualizar as pessoas sobre as minha impressões acerca da experiência. Mas aquele foi um ano muito dolorido, os meus posts eram muito pessoais, e eu não tive a malícia de escolher um semianonimato. Quando contei uma vez no blog que estava com um grupo de amigas e todas já tinha tomado antidepressivos, levei uma bronca dos meus pais. Tive que mudar o endereço sem comunicá-los, porque não pretendia abrir mão do tom confessional. Depois do regresso, já há alguns anos, deletei o blog antigo e hoje entendo a preocupação da minha família: as pessoas são cruéis, a gente não tem controle de quem vai nos ler, e de como isso pode ser usado contra nós no futuro.

De uns tempos pra cá, voltei a ler e a comentar em blogs, em especial, mas não somente, os com temática feminista. E voltou a vontade de escrever, porque eu sou prolixa e acho que caixas de comentários não são suficientes. Porque por mais que as pessoas escrevam muito bem, e muitas vezes me sinta contemplada pelo ponto de vista alheio, minhas experiências são só minhas, e eu também quero registrá-las.

Por enquanto, mas pode ser que eu mude de idéia, vou apelar para o formato “anônima, pero no mucho”. Ou seja, jogando no google o meu nome completo ninguém vai cair aqui. Mas se eventualmente alguém que me conhece chegar aqui por outras vias, não vai ter dificuldades em me identificar.