Mas se você quiser saber só meu ponto de vista, não tão bem elaborado, é só continuar por aqui mesmo.
A Marjorie fala lá sobre a rosa e tal. Mas eu me incomodo muito com a história do presentinho, sabem? De promoção d'O Boticário e similares pelo Dia Internacional da Mulher.
Olha só, O Dia Internacional da Mulher é uma data quem tem 100 anos, segundo a gente pode ler aqui, numa explicação curtinha mas bem interessante. Foi um dia criado para lutarmos contra a opressão de gênero que sofremos contidianamente, umas mais, outras talvez menos. Desde que foi criado, conquistamos muitas coisas, claro. A gente vota (ainda que não tenhamos muitas representantes do nosso gênero sendo eleitas), tem direito a realização profissional (ainda que, em média nosso salário seja mais baixo do que o dos homens) e até pode ter uma vida sexual fora do casamento (mas ainda muito mais cerceadas pelos limites do julgamento moral alheio do que o dos homens). Olha quanto “mas”, né? Para as mulheres que de fato desfrutam dessas conquistas muito legítimas, e elas infelizmente ainda são minoria, as coisas são cheias de “mas”.
E o discurso que acompanha o presente é o pior. É o reconhecimento que a gente trabalha muito e faz alguém feliz, enfeita o mundo, é mãe e esposa. E aí, danou-se.
E se eu for feia, ou pelo menos não estiver interessada e empregar meus esforços em ser atraente?
E se eu não quiser ser mãe?
E se eu não quiser fazer nenhum homem feliz sexual e afetivamente porque sou homosexual?
E se eu preferir que o marido divida todos os afazeres domésticos ao invés de reconhecer o meu trabalho duro?
E se tudo o que eu quero na vida é não aceitar certas obrigações ou limitações como inerentes ao meu gênero? E se eu quero ser olhada por homens estranhos com o mesmo respeito que ele dedicam a outros homens, e não com uma simpatia cínica e supostamente carinhosa?
Porque é essa data se propõe a isso, originalmente: pensar em porque somos cidadãs de segunda classe, e não nos dar um pirulito, digo, um batom de consolação por aceitarmos essa opressão sem reclamar muito. Eu reclamo, então não mereço presente, ok? De presentes eu gosto, que fique claro. Mas prefiro recebê-los em outras circunstâncias, sem esse pseudo reconhecimento por um fardo que eu, decididamente, não escolhi carregar.
Pra ilustrar um pouco mais o cerne da questão, alguém aí já pensou em dar um presentinho pro seu amigo negro no dia 20 de novembro? Acho que não, né? Ah bom.
