<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193</id><updated>2012-01-19T08:08:44.673-02:00</updated><category term='feminismo'/><category term='devaneios'/><category term='religião'/><category term='política'/><category term='leituras'/><category term='cinema'/><category term='economia'/><category term='maternidade'/><title type='text'>Foi feito pra isso</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>119</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5198388443301688386</id><published>2012-01-19T08:04:00.002-02:00</published><updated>2012-01-19T08:08:44.683-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Tchau, gente! VEM, GENTE!</title><content type='html'>Saio hoje em viagem de férias e este blog vai ficar paradão neste tempo. Eu sei, ninguém vai me perguntar nada, porque já passei mais de dois meses sem dar as caras aqui. Sou mesmo bissexta pra escrever e já ninguém estranha mais. Mas se quiserem saber as notícias da viagem, me procurem aqui, ó: &lt;a href="http://naoeofimdomundo.wordpress.com/"&gt;http://naoeofimdomundo.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5198388443301688386?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5198388443301688386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2012/01/tchau-gente-vem-gente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5198388443301688386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5198388443301688386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2012/01/tchau-gente-vem-gente.html' title='Tchau, gente! VEM, GENTE!'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3412112199287250347</id><published>2012-01-09T18:13:00.004-02:00</published><updated>2012-01-09T18:51:49.304-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Indignação seletiva ou dessensibilização coletiva?</title><content type='html'>Há algumas semanas houve uma grande comoção pública gerada pelo vídeo que mostrava uma mulher torturando até a morte um cachorrinho. Até eu, que nunca tive um animal de estimação, que nunca fui especialmente ligada a animais e sequer assisti “Marley e eu”, fiquei chocada com a crueldade que as imagens denunciavam. Não endossei o discurso do empalamento em praça pública (dentre outras modalidades de pena de morte mais ou menos civilizadas exigidas pela turba), mas acho que essa senhora deve responder pelo crime que cometeu, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada recebi links no Facebook e no twitter que denunciavam &lt;a href="http://www.viasdefato.jor.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=979:cimi-confirma-assassinato-de-crianca-indigena&amp;catid=4:noticias"&gt;o assassinato de uma criança indígena por madeireiros no Maranhão&lt;/a&gt;. A corpo da criança foi encontrado carbonizado. Ante as diversas dúvidas de quem não encaminhava o link com a notícia e o ceticismo daqueles que pediam confirmação por mais fontes, alguns começaram a dizer que uma criança indígena teria menos valor na nossa sociedade do que um cachorrinho de raça. Mas em algum momento na minha timeline a pergunta que me parece mais certeira neste caso (e que eu não vou lembrar quem fez, desculpem): “Quantas crianças indígenas sem vídeo valem um yorkshire com vídeo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém me convence que as pessoas (pelo menos a imensa maioria delas), não se sensibilizariam com a história de uma criança assassinada como se sensibilizaram com a do cachorro. Mas o vídeo é o “x” da questão. O vídeo cristaliza e eterniza o sofrimento do pobre animal. A gente pode dar replay e a cada vez prestar atenção num detalhe sórdido diferente: a voz da agressora, que há uma criança ao fundo, até a cor dos azulejos. Pode se perguntar quem o filmou. Pode construir todo o cenário que nos prova que isso aconteceu ante a nossa descrença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas falemos do índio. Por mais que nos gere indignação, sabemos que muitas crianças são vítimas de torturas dentro de casa, e muitas morrem por isso. Então, fosse a notícia que uma criança foi assassinada pelos pais, a comoção seria grande, mas não haveria muito lugar para descrença. A violência doméstica faz parte do nosso universo, das coisas que nos revoltam mas estão aí, no mundo. Agora qual o percentual de pessoas que acessa a internet e repercutiu a história do cachorro que entende os conflitos que acontecem entre indígenas e aqueles que querem explorar suas terras cotidianamente no país? Ínfima, com certeza. Das bem informadas, das que sabem que lideranças indígenas e operárias são assassinadas diariamente, quantas não acham que atear fogo numa criança ainda viva (foi assim que a notícia chegou pra mim) é barbárie demais até pra este mundo tão triste? Porque o ceticismo passa por aí: ninguém quer acreditar. Esperando essa confirmação absoluta, essa fonte mais-do-que-confiável, podemos fingir que vivemos num mundo em que nem o mais cruel dos homens queimaria uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vem o problema. Essa criança morta não vai ter vídeo testemunhando. Como não têm vídeo pra servir-lhes de testemunha cada criança que morre de fome, cada mulher estuprada, cada vítima de violência doméstica. As mortes de crianças vítimas de conflitos armados não são transmitidas ao vivo, como foram os atentados de 11 de setembro. E claro que não ignoro a variante da identificação da classe média que faz com que a notícia de um assassinato cometido durante um assalto num semáforo seja percebida de uma maneira completamente diferente da chacina de 8 jovens na periferia. Mas ela só reforça a minha tese: só têm o benefício da empatia aqueles cujas vozes repercutem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendemos na escola que o ocorrido com a humanidade antes da invenção da escrita é difícil de se conhecer porque não ficou registrado, daí chamar-se pré-história. Com certeza havia muito que contar, e perdemos uma parte importante do nosso passado por falta de registro na medida em que hierarquizamos o registro escrito como mais confiável para reproduzir a realidade do que a transmissão oral. Acredito que estamos vivendo algo parecido com as imagens hoje: se uma imagem vale mais do que mil palavras, não basta me contarem o que aconteceu. Não basta um e-mail, uma denúncia formal. Pra que eu fique indignada, preciso de imagens, senão simultâneas, pelo menos posteriores, uma foto da vítima, algo que sensibilize. Mas nos esquecemos que mesmo imagens podem ser tiradas do seu contexto, adulteradas, manipuladas. Isso acontece o tempo todo, confiar cegamente em imagens também nos induz ao erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim a única solução para minimizar a injustiça causada pela hierarquização das informações que chegam a nós é a democratização do acesso à informação. Conheci pelas &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/"&gt;Blogueiras Feministas&lt;/a&gt; o trabalho do &lt;a href="http://www.intervozes.org.br/"&gt;Intervozes&lt;/a&gt;, que está engajado nessa luta. Recomendo muito o vídeo deles sobre a concentração da mídia no Brasil: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/KgCX2ONf6BU" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se não acredito que as pessoas se importem menos com uma criança do que com um cachorro tenho certeza de que uma criança indígena é menos representada pela mídia do que bichinhos de estimação de classe média. E isso faz muita diferença para a nossa construção de mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3412112199287250347?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3412112199287250347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2012/01/indignacao-seletiva-ou.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3412112199287250347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3412112199287250347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2012/01/indignacao-seletiva-ou.html' title='Indignação seletiva ou dessensibilização coletiva?'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/KgCX2ONf6BU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8796336623451084004</id><published>2012-01-06T12:13:00.007-02:00</published><updated>2012-01-06T12:39:11.515-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>2012 e seus desafios</title><content type='html'>No post anterior falei sobre medo. Nem imaginava que menos de um mês após publicá-lo eu veria alguém próximo a mim ter um medo concretizado: a vida transformada de maneira dramática no que deveria ser o momento de pura felicidade. Deixo aqui o relato dos cunhados da Babi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Caros amigos,&lt;br /&gt;No dia 29 de dezembro passado, Marcos feriu-se gravemente em Alter do Chão no Pará, após mergulho em um rio. Marcos passou por cirurgia na coluna cervical em Santarém e no momento não corre mais risco de vida.&lt;br /&gt;Queríamos que vocês soubessem que o caso de Marcos é realmente muito grave. Até o presente momento ele vem sendo atendido pelo SUS. Os médicos acham que talvez seja necessária nova cirurgia e que a recuperação vai depender da evolução do quadro, que é de paraplegia.&lt;br /&gt;Ocorre que Marcos não tem plano de saúde e vai precisar de ajuda para estruturar uma nova vida. Não sabemos ainda quais serão suas necessidades, mas certamente não serão poucas. Temos feito tudo o que podemos, mas temos consciência de que nossos recursos são pequenos face às necessidades atuais e as que virão. Assim caros amigos agradecemos de antemão toda ajuda que vier.&lt;br /&gt;Estamos disponibilizando uma conta bancária para as colaborações em nome de :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta Vitória de Alencar    CPF 178.221.438-08&lt;br /&gt;Banco do Brasil&lt;br /&gt;ag. 3559-9&lt;br /&gt;c/c 43819-7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com força agradecemos todo acolhimento, toda torcida, todas as presenças, telefonemas, apoios e abraços. Eles estão sendo fundamentais para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações,&lt;br /&gt;Rui, Ephigênia, Bárbara, Ricardo, Marta e Alexandre”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Babi, mulher do Marcos, é minha amiga – e é uma das &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/author/bmaues/"&gt;Blogueiras Feministas&lt;/a&gt;. Começou o ano com o marido internado em uma UTI em Santarém, distante milhares de quilômetros de amigos queridos. E a angústia de saber que há alguém precisando de abraço assim, tão longe, tomou conta da minha semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada dia traz novos desafios pra todos nós, mas este novo ano promete desafios muito maiores pra &lt;a href="https://twitter.com/#!/barbaramanoela"&gt;Babi&lt;/a&gt; e pro Marcos do que pra mim (e pra você que está lendo, espero). Tem uma série de coisas que só eles vão poder enfrentar. Mas a gente pode ajudar a vida a ficar menos difícil colaborando financeiramente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desejo que, pequenas, grandes ou imensas, a gente tenha a força para encarar todas as dificuldades que a vida nos apresentar em 2012. Feliz ano novo pra vocês também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bzs3juD7JKM/TwcFScfTcKI/AAAAAAAAAEU/wJWv1hrCFi4/s1600/Marcos%2Be%2BBabi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-bzs3juD7JKM/TwcFScfTcKI/AAAAAAAAAEU/wJWv1hrCFi4/s320/Marcos%2Be%2BBabi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694526068276555938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força, queridos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8796336623451084004?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8796336623451084004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2012/01/2012-e-seus-desafios.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8796336623451084004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8796336623451084004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2012/01/2012-e-seus-desafios.html' title='2012 e seus desafios'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bzs3juD7JKM/TwcFScfTcKI/AAAAAAAAAEU/wJWv1hrCFi4/s72-c/Marcos%2Be%2BBabi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5437118225674209416</id><published>2011-12-05T23:44:00.005-02:00</published><updated>2011-12-06T00:07:23.160-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Dos medos...</title><content type='html'>... ou: post-terapia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pânico de duas coisas banais: dirigir e voar. O medo de dirigir foi causado por um estresse pós-traumático: em 2004 fiz uma conversão proibida por distração e me envolvi num acidente cujo saldo foi perda total dos dois veículos envolvidos, mas felizmente nenhum ferido. O medo de voar eu tenho desde 2001, quando voei pela primeira vez. Assim que o avião decolou, fiquei assustadíssima. Estava sozinha (digo, sem ninguém conhecido), olhava para os lados e tentava me tranquilizar imaginando que se todos estavam calmos, era porque as coisas funcionavam daquele jeito mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos superficialmente consigo identificar os motivadores dos meus medos. Ao dirigir, o problema é estar no controle de algo que, se mal conduzido, pode matar (o carro no qual colidi quando fiz a tal conversão proibida transportava um pai e seu filho de uns 18 meses sem cadeirinha especial). Sinto que não dou conta dessa responsabilidade imensa e entro em pânico. Pelo andar da carruagem, vou ter que fazer terapia, ou no mínimo aquelas aulas especiais. Como não é prioridade agora, tá aqui na lista de coisas a serem resolvidas no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o avião, o problema é exatamente o oposto. Entrou lá, fechou portinha, cabô. Controle nenhum. Nada tá na minha mão. E se alguma coisa der errado (ok, eu sei que pra um avião cair mais de uma coisa precisa dar errado), a chance de morrer é enorme. Eu tinha uma esperança de que este medo fosse causado só pela total falta de intimidade com a coisa. Mas já voei algumas vezes nestes últimos 10 anos e não passou. Na minha ida a Brasília, fiquei muito nervosa na decolagem, mas no decorrer do vôo me tranquilizei. Na volta, tentei ao máximo relaxar. Quando estava quase conseguindo dormir, uma turbulência sacudiu o avião sofri muito pensando que tudo tinha sido tão lindo, mas queria ainda poder encontrar meu marido e voltar pra minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que me caiu a ficha de algo quer pode justificar meu medo: culpa. Culpa de ser feliz pra CARÁLEO. É como se algo lá no fundo me passasse a conta de tanta felicidade, sabe? Porque eu tive um final de semana incrível e a oportunidade de encontrar pessoas muito amadas. Além da Ma*, sobre quem eu já falei &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/desculpae-pieguice-de-novo.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e sua família incrível, teve a &lt;a href="http://srtabia.com/"&gt;Bia&lt;/a&gt;, a melhor anfitriã da terra, o César, queridão até não mais poder, a &lt;a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/"&gt;Lu&lt;/a&gt;, com quem já tenho uma relação de amor presencial muitíssimo consolidada, a &lt;a href="http://historiasdemenina.wordpress.com/"&gt;Dani&lt;/a&gt;, com quem interajo na internet há tempos, a &lt;a href="http://www.estradaanil.com/"&gt;Rita&lt;/a&gt;, que fez um bate-e-volta só pra nos prestigiar e a &lt;a href="http://corpoindisciplinado.blogspot.com/"&gt;Mari&lt;/a&gt;, que foi quem nos motivou a fazer a viagem (afinal, pra Brasília não precisa de visto, já pra Chicago...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste final de semana lindo, achei que era pedir demais que meu time fosse campeão, até pra amenizar a dor da torcida que perdeu um ídolo cujo valor vai muito além do talento no futebol. Mas bem, ganhamos. Daí só faltava mesmo, mesmo, mesmo, pro mundo ser perfeito, desembarcar em segurança e dar aquele abração no companheiro mais bacana do mundo (sério, pelo abraço parecia que estávamos há umas duas semanas longe um do outro). E, beleza, cheguei, abraço ganho. Como pode tudo ser tão lindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é isso. Cada vez que eu estou num avião penso que nunca mais vou fazer isso comigo e vou desistir definitivamente dessa história de voar. Mas a vida me mostra que vale muito a pena enfrentar o medo. Até porque, ninguém vive pra sempre. Se para o azar das probabilidades um dia eu estiver num avião que cismar em cair, pelo menos vivi bem pra caramba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-v8Yn4iFpArg/Tt14GZ26_WI/AAAAAAAAAD8/SDZL36yJNgw/s1600/DSC03131.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-v8Yn4iFpArg/Tt14GZ26_WI/AAAAAAAAAD8/SDZL36yJNgw/s320/DSC03131.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5682830356227226978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada, SUAS LINDAS, por fazer valer a pena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Quando escrevi este post sobre ela em 2010, ela vivia na França. A Dani, que vivia em Angra e a Rita, que mora em Florianópólis, comentaram na época. Menos de 1 ano e meio depois, estavam todas almoçando na mesma mesa. Coisa boa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5437118225674209416?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5437118225674209416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/12/dos-medos.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5437118225674209416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5437118225674209416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/12/dos-medos.html' title='Dos medos...'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-v8Yn4iFpArg/Tt14GZ26_WI/AAAAAAAAAD8/SDZL36yJNgw/s72-c/DSC03131.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4963175926646575885</id><published>2011-11-25T21:45:00.004-02:00</published><updated>2011-11-25T23:00:42.902-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Sorte a sua que é perseguida por um bonitão</title><content type='html'>Passou o dia da Blogagem Coletiva. Mas violência contra a mulher, e discurso que a endossa, tem todo o dia, né? Infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eu gosto de novela. Gosto mesmo, já escrevi sobre a misoginia nas novelas &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/manoel-carlos-o-misogino.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/mas-mulher-apanhando-da-audiencia-ne.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. E acho que quem quer entender o país precisa pelo menos passar os olhos nelas, porque são o produto de ficção mais consumido pela população. Claro, não têm a mesma importância que tinham há 20 anos, mas para parte expressiva da população o passatempo principal é esse, ver televisão. Como eu já contei também, não tenho saco de ficar lá assistindo. Dou uma olhada nos sites, vejo alguns vídeos, e leio resumos. Daí esbarrei com isso hoje: &lt;a href="http://finaestampa.globo.com/Vem-por-ai/noticia/2011/11/danielle-fraser-se-entrega-para-enzo.html"&gt;http://finaestampa.globo.com/Vem-por-ai/noticia/2011/11/danielle-fraser-se-entrega-para-enzo.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhem só, eu acredito mesmo que relações às vezes são mais complicadas do que discursos explícitos. E meu relacionamento só começou porque meu marido insistiu. Mas insistiu uma vez, com muito cuidado, dizendo, em outras palavras “tem certeza de que esse não é não?”. E bom, eu mudei de ideia. O primeiro “não” era só “não sei”. E ele me disse que se rolasse um segundo “não” ela ia embora. E ok, gente. Mas veja bem, a mulher dispensar o cara uma vez, ele ir atrás no trabalho dela, ela dispensá-lo de novo, e ele ainda assim agarrá-la, não é legal. Nunca, jamais, em tempo algum. Porque o que fica claro é que a palavra dela não é importante. Ele decidiu que ela precisa de homem. E é exatamente essa a lógica do estuprador. Ou do homem que “insiste” com a ex para voltar e passa a persegui-la no trabalho, na faculdade, na porta da casa da mãe. Ele ignora a opinião dela. Toda mulher quer ter um homem atrás dela – então porque não ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, as pessoas dizem que isso não é importante. Que enquanto estou falando de novela tem gente morrendo por aí. Mas acho que cenas assim são emblemáticas de quanto o nosso discurso é menosprezado. Nosso “não” não é levado a sério, já que somos incapazes de dizer com clareza quando estamos afim de sexo de verdade. O sexo é algo que o homem extrai à nossa revelia, uma concessão, boas moças não dizem com todas as letras que querem transar. Cabe aos homens baterem com o tacape na cabeça e arrastá-las pra caverna. Se ele for bonitão, filhota, tirou a sorte grande. Reclama não, você tava mesmo precisada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4963175926646575885?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4963175926646575885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/11/sorte-sua-que-e-perseguida-por-um.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4963175926646575885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4963175926646575885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/11/sorte-sua-que-e-perseguida-por-um.html' title='Sorte a sua que é perseguida por um bonitão'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6988914757707558578</id><published>2011-11-20T21:53:00.002-02:00</published><updated>2011-11-20T21:56:52.392-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Da (in)visibilidade</title><content type='html'>Sou graduada por uma universidade pública em um curso não necessariamente elitista (porque voltado para a formação de professores) e noturno. Ainda assim, tive pouquíssimos colegas negros. Em meu primeiro dia aula na pós-graduação, em um curso lato sensu numa universidade privada, me chamou a atenção ter cerca 5 ou 6 alunos negros numa turma de 35 pessoas. Estava sendo exposta a uma diversidade que nunca havia encontrado nem na escola nem em nenhum ambiente de trabalho. E achei bem bacana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi uma sensação que durou pouco tempo. Nada de errado com a pós, tudo de errado com todo o resto. Se ter 20% de colegas negros na turma era um fato excepcional o suficiente para me chamar a atenção, estava ali, na minha frente, a prova da segregação social. Não que eu não soubesse disso. Não que eu não estranhasse essa ausência. Mas a gente tende a normatizar a barbárie como parte da civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem o mínimo de boa vontade pode até reconhecer que esta é uma sociedade racista, que os negros estão excluídos, que nas classes privilegiadas são minoria da minoria da minoria. Mas, ao mesmo tempo, a homogeneidade pode passar pouco notada quando a gente se acostuma a ela como regra. A gente não estranha mais. Daí a minha profunda tristeza é assumir que classifiquei positivamente uma situação que na verdade era só menos injusta. E eu acho o Dia da Consciência Negra importante por isso, pra gente não se esquecer de que há um problema sério, e esse problema não é dos negros. É um problema da nossa sociedade, cruel, doente, que naturaliza a segregação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6988914757707558578?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6988914757707558578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/11/da-invisibilidade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6988914757707558578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6988914757707558578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/11/da-invisibilidade.html' title='Da (in)visibilidade'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6282317253393147165</id><published>2011-11-09T22:28:00.004-02:00</published><updated>2011-11-10T21:45:07.131-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Preguiça</title><content type='html'>Não só de atualizar o blog – preguiça de gente. Não de todas, mas daquelas que vem com as ideiazinhas e com os preconceitos bem prontinhos e não estão afim de debater nada. Gente que acredita no roteirinho da Veja e do Jornal Nacional todinho, sem tirar nem pôr. Gente que acredita que - empresto a ideia de algum post que li nos últimos dias - o mundo é feito em programação binária, 1 e 0. Nada no meio. Nenhuma possibilidade intermediária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma propaganda da Coca-Cola que me irrita um tanto. Já tinha pensado em fazer um post sobre ela e tal e não fiz, mas agora cabe evocá-la. A história de “os bons são maioria”. Ela diz que para cada x corruptos há xxxx doadores de sangue – veja você, os bons são maioria. Não, nunca, jamais, em tempo algum, um corrupto doou sangue. E nenhum doador de sangue subornou o guarda na blitz da lei seca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que discurso publicitário seja simplista assim até entendo. Mas que as pessoas comprem isso e levem pra vida, não dá. Então, é ridículo demais gente falando em “fica fumando maconha enquanto deveria estudar”, porque essas coisas não são excludentes. É perfeitamente possível ser consumidor eventual de maconha e ser um estudante dedicado, tanto quanto é possível ser um excelente pai de família tomando seu whisky depois do trabalho ou uma excelente mãe de família que toma rivotril pra dormir (ou ser uma pessoa excelente que não tem família, mas deixa quieto). Porque ninguém é uma coisa só nessa vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este é só um dos temas irritantes. Tem outros tantos. Como a crítica raivosa ao auxilio reclusão pra família de detento, que é exclusivo, vejam vocês, de quem foi preso e tinha carteira de trabalho assinada (ou contribuía pro INSS como autônomo). Porque a dicotomia bandido x trabalhador também é falsa. Mesmo pessoas que acordam cedinho pra trabalhar cometem crimes. Aliás, grandes criminosos costumam ser ocupadíssimos. Isso pra nem entrar no mérito de quanta gente é presa injustamente. Enfim, milhões de possibilidades para se estar preso, milhões de combinações entre caráter x trabalho x crime. Tem pais dedicados, filhos atenciosos, que enchem a cara e atropelam e matam alguém. Tem mães dedicadas que abortam justamente para serem dedicadas só com os filhos que já tem. Tem médico que salva vidas todo dia, mas desvia dinheiro público. E todo esse pessoal pode não ser preso, mas o ladrão de galinha ser condenado. Então, só posso ter preguiça de gente que repete que bandido bom é bandido morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continuo. Porque eu votei na Dilma nas últimas eleições. E O HORROR, O HORROR. E PT O PARTIDO MAIS CORRUPTO DO BRASIL! E olhem só, tem gente corrupta no PT, apesar dos caras terem durante anos terem reivindicado pra si o monopólio da virtude. E não, votar no PT não significa que eu ache essa questão irrelevante. A questão é: ser corrompido não é privilégio deste ou daquele partido. Acontece com integrantes de todos os partidos que estiveram no poder - com todos os partidos mas não com todos os integrantes, claro. Inclusive com o partido do seu candidato. Porque a corrupção é sistêmica, ela é mais grave do que isolar esse ou aquele safado/ladrão/bandido/_____ (preencha aqui o adjetivo negatico de sua preferência). E pouquíssimas vezes nessa discussão se menciona que, para que haja corrupto, tem que haver corruptor. E que se você já subornou guarda, inventou recibo falso pra ter desconto no imposto de renda ou tem carteirinha de estudante falsa pra ter meia entrada, você não tem lá muita moral pra botar dedo na cara de corrupto. Então repito, não endosso corrupção. E quando voto no PT (nem sempre) não significa que eu seja petista (o que não acho demérito, mas não é o caso) ou endosse tudo o que fazem. Significa só que, entre os projetos disponíveis, achei aquele o melhor (ou menos pior, mais provável). E sim, por vezes passo tanta raiva quanto você que não votou neles (principalmente quando &lt;a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/11/08/o-que-os-indios-preferem-terras-ou-ingressos-para-copa/"&gt;Aldo Rebelo é promovido a ministro&lt;/a&gt;). Mas considerando que você sabe que política não é uma ciência exata, que nela as coisas são muito dinâmicas, que alianças são feitas e desfeitas, partidos criados, e que opositores hoje podem dar as mãos amanhã (você sabe de tudo isso, né? ah bom), pare de repetir que quem vota no PT é ignorante ou compactua com a corrupção. Fazer isso é desconsiderar a possibilidade perfeitamente possível de outra pessoa ser honesta, inteligente, mas ainda assim ter uma visão de mundo diferente da sua. E sabe como é, intolerância não traz nada de bom para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todo esse discurso não significa que eu relativize tudo. Não significa que eu não tenha meus valores inquestionáveis. Mas eles podem não ser os seus, e a gente conseguir conviver bem apesar disso, sempre e quando eles não se chocarem - e, eventualmente, até quando eles se choquem. E podem ser até que nossos valores sejam os mesmos, mas que as soluções encontradas para conciliá-los com um mundo imperfeito não sejam as mesmas. Várias possibilidades aí. Mas a boa convivência só vai ser possível se a gente tentar ouvir o que o outro tem a dizer antes de colar na testa o rótulo de “maconheiro”, “vagabundo”, “ignorante”, “vadia”. Então, pensa um pouquinho antes de ficar reproduzindo preconceitos por aí, tá? Por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UPDATE: O diacho da propaganda da Coca me irrita tanto que eu já tinha falado dela. Aqui: http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/da-necessidade-de-ter-opiniao-pra-tudo.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6282317253393147165?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6282317253393147165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/11/preguica.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6282317253393147165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6282317253393147165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/11/preguica.html' title='Preguiça'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6312478224391555634</id><published>2011-10-27T21:47:00.003-02:00</published><updated>2011-10-27T22:12:53.991-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Continuando</title><content type='html'>Daí fiz um post no Blogueiras Feministas que tinha tudo pra ser só tapa buraco (e na verdade era, tava substituindo outra autora na última hora). Mas houve uma polêmica com um comentarista. E surgiu a Mary W pra ajudar. Ajudou muito. Não vou repetir aqui, &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/10/os-modelos-do-feminino/"&gt;vai lá&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente, o Vinícius acha que se estou aderindo a construção social de feminismo, estou aderindo à hierarquização, logo não posso me autodeclarar feminista. E tive muita dificuldade de entender do que ele estava falando, porque ressignifico o feminino. Não acho que tenha que me oprimir. Eu brigo com olhar normativo, não com o feminino. E ele diz que não é feminismo, então. E eu acho que pode ser sim, qual é o problema? Por que essa é a régua do feminismo? Então a &lt;a href="http://maryw.posterous.com/"&gt;Mary W&lt;/a&gt; já tinha colocado essa preocupação dela, de colocar tudo e qualquer coisa sob o guarda-chuva do feminismo. E eu concordo. Tentei dizer isso mais ou menos &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/08/dos-mitos-e-dos-esclarecimentos.html"&gt;neste post,&lt;/a&gt; que não dá pra dizer “tô feliz assim” e seguir a vida quando a gente se posiciona politicamente. Mas lentamente a ficha tá caindo mais e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o que ocorre é que a gente tende a pensar individualmente. E individualmente, sou muito bem resolvida com a dita “ditadura da beleza”. Vejam bem, sou uma pessoa que sai de casa maquiada, mas não tem escova de cabelo. Não, não é que eu não tenho secador, chapinha, etc. Não penteio o cabelo. Tô geral descabelada em todas as fotos. E tenho um trabalho careta e tal. Então nem me sinto obrigada a me maquiar também, faço porque gosto e quando quero. Individualmente, escolho quais as coisas desse pacote mulherzinha topo ou não topo com muita tranquilidade. Mas veja bem, quando vou à manicure e me apresento por aí com as unhas pintadas tô reforçando o discurso de que isso é o que se espera de uma mulher apresentável. E sobre isso, não tenho controle mesmo. Não posso garantir como essas unha feitas vão ser apreendidas. E se me identifico politicamente como feminista, pode ficar entendido que “olha, até feminista faz a unha, viu?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha entendido a questão do posicionamento político, também com atraso, quando houve uma discussão polêmica na lista em relação ao serviço doméstico. Porque no final das contas, não interessa o quanto eu pague - e se posso pagar muito bem, é porque existe uma diferença social impactante que me permite dispor dessa quantia, mas nem vou entrar nesse ponto. O que interessa é que quando contrato uma mulher pra fazer o serviço da minha casa estou reforçando dois discursos: 1) de que isso é tarefa que cabe às mulheres, 2) que é perfeitamente aceitável que haja uma classe social que não faça seu próprio serviço doméstico, e outra que faça pelas duas. Porque eu não vivo num país em que os estudantes fazem faxina pra se manter, mas num país onde quem faz faxina em geral não teve oportunidade de estudar. Então, individualmente, dentro da minha casa, as relações podem nem ser escravistas. Podem ser muito humanas e respeitosas. Mas tô eu aí colaborando pra construção de uma noção de status que passa por ter alguém limpando sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, essa é uma preocupação importante. Porque não dá pra aceitar toda e qualquer divergência como válida, ainda que haja sim diversidade num movimento. E como estabelecer os parâmetros mínimos? E, o mais complicado, como fazer isso sem virar polícia ideológica? Porque a gente brinca com isso da “polícia feminista”. Posicionar-se politicamente implica em ter suas posições e escolhas (pessoais, inclusive) cobradas (em público, inclusive). Daí o comentarista lá no BF tem um blog e eu entrei. E num dos posts ele tá&lt;a href="http://cabanadeinverno.wordpress.com/2011/10/19/feministas-leila-lopes-e-ser-levado-a-serio-na-democracia/"&gt; desautorizando o discurso de uma mulher que se dizia anticapitalista e feminista&lt;/a&gt;, mas estava com a unha pintada de rosa. E acho equivocado demais. Porque se por um lado a gente não pode aceitar tudo, por outro acho que há um prejuízo muito maior em sair desautorizando geral. E não vejo que ganho enorme é esse que a gente tem desqualificando por questões menores. Acho bem autoritário, e desconsidera possibilidades libertárias de ressignificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre ressignificação e suas possibilidades, me lembrei de um caso clássico: a monogamia. Que é invenção patriarcal imposta às mulheres e hoje, em círculos menos machistas, a gente consegue dar outra cara pra ela. Não é uma questão de ingenuidade, de achar que todo mundo cumpre o contrato, mas de maneira geral a gente entende que o contrato é para ambos. Ou somos monogâmicos como casal, os dois, ou não somos. Vai ter gente dizendo que não, não há essa possibilidade, todo e qualquer relação monogâmica envolve posse e é intrinsecamente machista, e só há igualdade de gêneros possível no relacionamento aberto. E apontar hipocrisia etc, etc. Claro, não é consenso. Mas acho mesmo que mudou a cara, que já não se naturaliza o privilégio masculino com a mesma força de 40 anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, fica uma porção de dúvidas. Porque claro que não dá pra aceitar tudo, ressignificar tudo, até porque não há avanço sem choque. Mas onde começa a crítica pela coerência e onde começa a patrulha pessoal contraproducente? Quais são as divergências administráveis e quais as irreconciliáveis?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6312478224391555634?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6312478224391555634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/10/continuando.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6312478224391555634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6312478224391555634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/10/continuando.html' title='Continuando'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5346274765424384935</id><published>2011-09-28T00:01:00.002-03:00</published><updated>2011-09-28T00:01:00.340-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Crônica</title><content type='html'>Maria e Ana são amigas. Ana namorava um carinha que era amigo de José. Daí José e Maria se conheceram num barzinho, aquele papo de colocar os amigos juntos e tal. José e Maria se curtiram, mas não se apaixonaram perdidamente. Rolou tesão e eles transaram. Não importa muito saber se esqueceram a camisinha ou se a camisinha estourou. Fato é que algumas semanas depois Maria descobriu que estava grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria é católica praticante. E está desempregada. Mora com os pais conservadores. Mas como a imensa maioria das mulheres saudáveis, não importando a religião e a situação econômica e o estado civil, Maria tem tesão, ué. Antes de religiosa, desempregada, o que for, Maria é humana, como eu e você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria sofre muito com a descoberta da gravidez. Sofre de culpa e de desespero. Contra a orientação de sua Igreja, resolve interromper a gestação. Mas Ana, sua amiga, não se conforma que José não seja minimamente implicado na história. Pega o telefone e liga pro moço. Diz que precisa conversar pessoalmente, mas ele enrola pra encontrá-la. Resolve então contar por telefone mesmo: Maria está grávida. Ele responde que “não quer casar com ela.” Ana pergunta: “que ano é hoje, Brasil?”. Não, José. Ninguém quer que você se case. Pra sua “sorte”, Maria provavelmente não levará a gravidez adiante. Mas você tem ser adulto e conversar com ela, porque o problema é dos dois. E ele responde que só vai se Ana estiver junto. Ela se irrita, diz que ele não precisou da ajuda dela pra gozar e bate o telefone na cara dele. José é um cara de 35 anos, e bem empregado, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria tem a boa sorte de conhecer um médico de confiança que interrompe sua gestação com segurança sem lhe cobrar os olhos da cara. A gestação é interrompida, mas a culpa não. Ela sabe que, pra Igreja Católica, o que ela fez é digno de excomunhão. Ana é espírita. Quer aliviar o sofrimento da amiga, mas sabe que em sua religião vão dizer que este será um carma que ela vai carregar para o resto da vida. Daí elas conhecem uma moça que frequenta a Igreja Universal do Reino de Deus. Torcem o nariz no início, mas o sofrimento na alma de Maria é grande, e ela sente que não tem mais nada a perder. Lá ela conta sua história ao pastor, que a acolhe. Diz a ela que o que ela fez é pecado, mas Deus entende que ela agiu segundo o desespero, porque humanos e pecadores somos todos. Que Jesus diria “vá, e não peque mais”. A vida continua irmã, Jesus não quer que você sofra assim porque ele te ama mesmo em seus pecados. E Maria finalmente volta a sorrir, aliviada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história acima é real, só os nomes foram trocados. Sei que José não foi capaz de dar um abraço e oferecer ajuda (inclusive financeira, porque não) a Maria, como se essa gravidez indesejada fosse só dela. Sei que Ana e Maria não tem nada de feministas super libertárias, são mulheres bem conservadoras, que não concordam com a maior parte das minhas opiniões. E &lt;a href="http://bispomacedo.com.br/2010/11/22/o-que-e-matar/"&gt;sei que o discurso da Igreja Universal tem sido nessa linha&lt;/a&gt;, não de aprovação do aborto, mas de acolhida às mulheres. Dexiando claro aqui meu ateísmo e nenhuma simpatia pela Universal, mas fico sinceramente aliviada de saber que existe algum lugar que acolha uma mulher cristã nessa situação tão triste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post é parte da &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/09/chamada-blogagem-aborto/"&gt;Blogagem Coletiva&lt;/a&gt; do Dia Latinoamericano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do Aborto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5346274765424384935?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5346274765424384935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/09/cronica.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5346274765424384935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5346274765424384935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/09/cronica.html' title='Crônica'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6231405794627733791</id><published>2011-09-11T10:14:00.002-03:00</published><updated>2011-09-11T10:35:44.566-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Auto censura</title><content type='html'>Daí acordei domingo sozinha em casa, entendiada, e resolvi entrar no Facebook. Por isso, talvez este blog passe a ler lido por mais pessoas que me conhecem na "vida real". Talvez não. Na dúvida, como tenho contas a pagar e máscaras sociais a portar, alguns posts e seus comentários foram deletados. Não me julguem. -(ou julguem, tô cagando)-.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é alguém que me conhece de fora, chegou aqui pelo Facebook e leu alguma coisa no arquivo que te incomodou, só lhe resta imaginar o que estava escrito nos posts que eu deletei. Mas eu dou uma pista: sempre falei mal de gente conhecida aqui. SEMPRE. Como diria a finada, "you know I'm no good".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6231405794627733791?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6231405794627733791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/09/auto-censura.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6231405794627733791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6231405794627733791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/09/auto-censura.html' title='Auto censura'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-192525703594433532</id><published>2011-08-02T21:22:00.003-03:00</published><updated>2011-08-02T22:15:24.243-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Dos mitos e dos esclarecimentos</title><content type='html'>Oi gente. Tô viva. O blog tá vivo também, embora hiberne de tempos em tempos. =)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo lá do Blogueiras Feministas chamou uma postagem pra desmistificar o feminismo, como uma campanha de esclarecimento mesmo, e eu achei que valia a pena dar uma passadinha por aqui. Muita gente boa já escreveu pra blogagem, corre o risco de eu ser repetitiva, mas beleza. O importante é que, pra desfazer mal entendidos, eu escolhi dar a minha visão do feminismo. Que, tenho certeza, é compartilhada por outras pessoas, mas tá longe de ser única, justamente porque somos muitas e este é um movimento bem plural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguinte: feminismo não é dogma. Não é cartilha. É na verdade, além de um movimento social, uma filosofia, uma maneira de olhar o mundo. Por isso me dizia feminista antes mesmo de ter lido qualquer coisa específica sobre o tema, já que reconhecia a existência de uma desvantagem social em ser mulher. Muitas dessas desvantagens são construções culturais que costumam ser naturalizadas com um “mas as coisas são assim!”. Partindo do pressuposto que se “mas as coisas são assim” fosse um argumento válido, a humanidade não teria nem criado a roda, tem que ver isso aí. Digo que sou feminista porque tô afim de analisar e discutir a condição feminina na sociedade. O que não me obriga a concordar com tudo o que outra feminista diz. Tá cheio de feminista por aí com a qual concordo em muita coisa, mas discordo frontalmente em mais ainda. E é complicado, sabe, porque as pessoas tendem a olhar pra gente como coletivo e colocar todo mundo na mesma caixinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem é esse o principal problema, na verdade. O complicado é preencher a frase “você é feminista, logo___” com um estereótipo qualquer. E sabe qual o problema dos estereótipos? Eles no geral, não são mentirosos, mas tendem a ser muito limitados. “Você é feminista, logo não usa maquiagem” pode ser muito válido. Há feministas que não usam maquiagem não só porque não querem, mas porque vêem a exigência social das mulheres usarem maquiagem como uma opressão. E concordo também que exigir isso das mulheres é uma exigência social bem sexista com nossa aparência. Mas uso porque gosto e quando quero, não porque me sinto obrigada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah, mas então se eu gostar de tudo na minha vida, não tenho porque ser feminista, né?”. Não, não é por aí. É preciso sair do lugar comum. É preciso ao menos questionar suas escolhas, tentar entender o porque você gosta de algo, principalmente se sustentar este gosto te traz problemas. Nossos gostos não são inerentes, mas resultados de uma construção cultural, e não há nada de errado com isso. O problema é quando nossas escolhas nos oprimem, nos fazem sofrer, e a gente não se dá conta disso. Daí entra o feminismo. Não pra dizer que “feminista não usa batom”. Mas pra te alertar que se você perde minutos preciosos de sono toda manhã pra se maquiar porque se acha feia, talvez se maquiar não seja exatamente uma escolha. E que se você não tem dinheiro pra voltar de táxi e é obrigada a aceitar carona com aquele cara  pegajoso porque sua grana foi gasta na cabeleireira e na manicure pra ir pra balada, talvez você esteja refém do papel social que está desempenhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o problema não é se casar, ficar solteira, ter filhos, não ter filhos, se maquiar, se depilar, sair peluda de casa ou o que quer que seja, assim, isoladamente. A questão é questionar o porquê certas construções sociais resultam em desvantagem pra gente e buscar soluções pra isso. As feministas e seus estilos de vida serão diversas justamente porque lutamos por um mundo mais diverso, mais rico em experiências e possibilidades para todas as mulheres, incluindo aquelas que optam por caminhos mais conservadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-192525703594433532?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/192525703594433532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/08/dos-mitos-e-dos-esclarecimentos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/192525703594433532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/192525703594433532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/08/dos-mitos-e-dos-esclarecimentos.html' title='Dos mitos e dos esclarecimentos'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6217698652673119729</id><published>2011-06-27T22:37:00.004-03:00</published><updated>2011-09-25T08:57:30.271-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Sobre criticar pessoas e criticar discursos</title><content type='html'>Lá vou eu. Pulando de cabeça na polêmica-mamilos sem bóia. Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguinte. Myriam Rios, ex-celebridade, ex-namorada do Roberto Carlos e atual deputada estadual pelo RJ, falou aquela tanto de besteira na assembléia legislativa de seu estado. Associou homossexualismo a pedofilia. Daí, neste contexto, uma porção de gente foi procurar as fotos sensuais que ela fez mileanos atrás (algumas de antes de eu nascer) para denunciar a sua hipocrisia e seu falso moralismo. Outros não perderam a viagem e resolveram chamá-la de puta. Bom, a &lt;a href="http://mariafro.com.br/wordpress/"&gt;Conceição Oliveira&lt;/a&gt; fez parte do primeiro grupo. E eu discuti o assunto com ela no twitter. Como o espaço limitado lá dificulta bastante debater o que quer que seja, resolvo trazer a discussão pra cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://mariafro.com.br/wordpress/2011/06/26/para-o-bem-da-mae-myrian-rios-ela-virou-deputada-e-nao-baba/"&gt;O post no Maria Frô&lt;/a&gt; traz algumas fotos da Myriam Rios e se dirige “aos moralistas de plantão”. Termina com a pergunta: “Moralistas cristãos de plantão que aplaudiram as bobagens ditas por Myrian Rios, vocês a contratariam como babá?”. E quando uma leitora a indaga sobre o porque recuperar essas fotos, ela responde assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Quanto a mim, destaquei as fotos, porque considero que o discurso falso-moralista e detrator de Myriam Rios não orna com a sua prática. Para os moralistas de plantão, 'boas mães cristãs de família' não posam nuas em revistas masculinas, ou posam?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou da turma que pensa como a leitora Ana Paula Guedes, que se incomodou com o post. E meu argumento para a Conceição foi o de que não vejo porque seria incoerente posar nua 30 anos atrás e ser homofóbica hoje. Sobre essas fotos feitas 30 anos atrás podemos supor duas coisas: que ela se arrepende de tê-las feito ou que ela não vê problema algum nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Vamos ao primeiro. É hipócrita desfrutar de sua vida, celebridade, beleza e juventude e, ao cair no ostracismo, virar &lt;a href="http://fiscaisdefiofo.tumblr.com/"&gt;fiscal de fiofó&lt;/a&gt; alheio? Ô se é. Mas a gente não sabe se foi isso que aconteceu. Porque o post diz: “é uma opção real decidir ser fotografada nua e cobrar por isso”. Mas o que a gente sabe é que nem sempre nessas situações as mulheres tem todo esse poder de escolher. Que esse “escolher”, pode ser até a página dois. Uma atriz mediana pode muito bem ter tido problemas financeiros, ter feito isso sem curtir porque precisava muito do dinheiro pra pagar os remédios da mãe doente ou [insira aqui qualquer outra situação dramática em que grana faz muita diferença], e hoje ficar realmente mal aos se lembrar que teve que se submeter a isso. Quer dizer, pode ter se arrependido porque ela não tava ali desfrutando a liberdade do seu corpo que agora o seu discurso quer negar. Talvez ela nunca tenha sido livre, até porque dizem que ninguém consegue oferecer o que não tem.  Ou talvez ela realmente tenha mudado muito nestes 30 anos e não se reconheça nessas fotografia. Se é assim, lembrá-la disso com certeza é um ataque a ela. Mas seria um ataque eficiente ao seu discurso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Conceição no seu PS 2 se dirige a mim, explicando que para ela falsos moralistas para mim são aqueles que não seguem sequer o moralismo que pregam. E eu discordo aí, de novo, que a gente pode afirmar categoricamente que se trata de uma falsa moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos considerar agora que ela não se arrependeu de nada. Que apesar destas fotos serem antigas, ela faria tudo outra vez. Que acha lindo e tal. Não vejo contradição. Mulher posando nua pra revista masculina é algo super heteronormativo. Não ameaça em nada o status quo. Aqueles leitores conservadores a quem o post se dirige podem até ser realmente gratos pelos filhos terem tido a chance de bater uma punheta olhando uma moça tão bonita e garantir sua virilidade. E talvez sequer achem que não serviria para ser babá. Se ninguém mais concordar comigo, “Amar verbo intransitivo” tá aí pra não parecer que eu tirei isso da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não há nada de incoerente entre ter feitos aquelas fotos 30 anos atrás e ter este discurso hoje. O problema é ser homofóbico, ponto. Se a deputada tivesse saído direto do claustro das carmelitas descalças para tomar posse na Alerj, isso não tornaria seu discurso intolerante mais legítimo. Porque nada do que ela fez ou possa ter feito no passado conseguiria isso. E acho que quando a gente começa a discutir a pessoa, tira o foco do que realmente interessa neste caso. A Conceição em nenhum momento usou adjetivos machistas para qualificar Myrian Rios, mas hoje testemunhei gente buscando “material” para construir sua detratação misógina e o coleguinha de timeline dar o link do blog dela pra isso. Porque ela pode ter pensado crítica a uma mulher + foto sensuais = falsa moralista. Mas GERAL soma crítica a uma mulher + fotos sensuais = PUTA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6217698652673119729?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6217698652673119729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/sobre-criticar-pessoas-e-criticar.html#comment-form' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6217698652673119729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6217698652673119729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/sobre-criticar-pessoas-e-criticar.html' title='Sobre criticar pessoas e criticar discursos'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3189061365462542455</id><published>2011-06-21T21:07:00.004-03:00</published><updated>2011-06-21T23:26:57.028-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Da necessidade de ter opinião pra tudo</title><content type='html'>Escrevo um post abordando coisas diferentes com um ponto de intersecção pequeno e corro o risco de ser mal interpretada. Conto com a generosidade de você aí que está lendo pra me dar o benefício da dúvida caso algo soe mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, começo com a propaganda da Coca-Cola, que me incomoda um tanto. Pra cada tantos corruptos existem tantos mil doadores de sangue. Os bons são maioria, etc. No mundo em que eu vivo, as coisas são mais complexas e como doar sangue é algo que se faz publicamente e ser corrupto é algo que se faz de maneira (geralmente) dissumulada, não dá pra afirmar categoricamente que quem faz um, não faz outro. Porque no meu mundo não tem nada que diga que um criminoso não seja capaz de uma generosidade. E acho que, no geral, cometer um crime, ou alguns deles, é só um aspecto da vida de uma pessoa. Não que eu não acredite que há serial killers psicopatas, pessoas que se dedicam a se dar bem em cima das outras como vilão de novela. Mas acho que, no geral, a maior parte das pessoas é capaz de coisas bacanas e de coisas mesquinhas. E algumas são capazes também de coisas horríveis. Meu critério para escolher com quem me relaciono é muito mais qualitativo (que coisas horríveis são essas) do que esse condicional bons x maus. Outro dia vi gente inteligente dizer no twitter que não existe gente mal caráter de esquerda. Que se for de esquerda “de verdade”, não é mau caráter. Sério, não posso com essas simplificações do mundo, gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso eu passo para os comentários de portais na internet. Porque quando noticiam um crime qualquer, o povo que se dedica a comentar nesses lugares curte muito ter uma opinião formada, como se tivesse a investigação tivesse sido concluída e @ comentarista tivesse tido acesso a todo o processo. Daí, maniqueísmo abunda, né? E eu me assusto com a leviandade que a internet propicia. isso de poder registrar sua opinião publicamente mesmo não sendo qualificad@ para tal. Erro que a gente pode cometer facilmente se não tiver o mínimo de cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento evitar ao máximo. Sou uma pessoa razoavelmente politizada, tenho um blog, gosto de dar opiniões, mas faço este esforço de não me manifestar assim, só pra marcar minha opinião. Porque tem coisas que eu não tenho condições de avaliar. Se blogueira X está brigando com  blogueira Y e eu só sei do caso muito superficialmente, vou evitar ao máximo dar pitaco, pelo menos publicamente. Claro que eu sou humana, tenho minhas preferências e uma série de preconceitos. Mas tomo muito cuidado antes de fazer afirmações categóricas. Um exemplo bem concreto? Caso Battisti. Não sei o que pensar. Li um pouco a respeito, muito pouco pra me posicionar, pra saber qual é a do cara. E, olhem só, não acho que não ter opinião é um problema. Não tenho especial interesse em Relações Internacionais e isso não vai afetar a minha vida diretamente. Então, se alguém quiser me descadastrar do clube de pessoas pensantes por conta disso, não vou guardar mágoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas daí vem o ponto &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=uJpUhN8WW80"&gt;polêmica-mamilos&lt;/a&gt; deste post. Faço parte de um coletivo, as &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/"&gt;Blogueiras Feministas&lt;/a&gt;. Somos muito plurais e há bastante divergência interna. Tem gente lá que eu adoro, mas com quem não consigo concordar em (quase) nada. Até aí, tudo bem. Os posts no blog coletivo são assinados e quando não concordo com algo, posso ir na caixa de comentários discordar ou simplesmente deixar passar batido. Imagino que não é porque fulana do grupo pensa assim que geral vai concluir que eu, por ser do grupo, concordo também. Bom, e se concluir isso numa questão menos importante, beleza também. O fato é que eu não estou disponível pra entrar em todos os debates do mundo. E fico me perguntando até que ponto não estou sendo negligente quando eu não entro em todos os debates deste coletivo. Enfim. Vocês decidem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Agora o alerta: isso não significa, em momento nenhum, que estou desqualificando os debates, nem as pessoas que tem opiniões em questões que não me despertam interesse. Menos ainda que quem tem opiniões firmes em questões que eu ignoro é, necessariamente, maniqueísta. Por favor, vocês entenderam, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3189061365462542455?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3189061365462542455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/da-necessidade-de-ter-opiniao-pra-tudo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3189061365462542455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3189061365462542455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/da-necessidade-de-ter-opiniao-pra-tudo.html' title='Da necessidade de ter opinião pra tudo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5481831167748202207</id><published>2011-06-13T22:17:00.004-03:00</published><updated>2011-06-13T22:50:39.033-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Mulheres e guitarras</title><content type='html'>Nunca tinha ouvido falar da Kaki King. Daí a Babi Lopes falou dela na lista e chamou a galera pro show. Fez até uma &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/o-barulho-rosa-de-kaki-king/"&gt;entrevista&lt;/a&gt; com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a companhia era ótima, o preço era bom, e depois de ver o vídeo no youtube, não foi difícil decidir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/shYdqbJgQdc" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garanto pra vocês que ao vivo é ainda mais bacana. E o mais legal é que ela é absolutamente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;low profile&lt;/span&gt;: minutos antes antes do se apresentar tava encolhida num sofá no Sesc Belemzinho lendo um livro pra passar o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Kaki King foi a primeira mulher nomeada pela revista Rolling Stone como uma "guittar god(ess)". Daí ela me fez lembrar um outra mulher, vinda de um contexto completamente diferente, mas que também se destacou neste ambiente ainda tão machista que é o dos guitarristas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/RiU4Fg4Vbg0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem quanta mulher talentosa tem por este mundo tocando pra caramba, mas tendo que trabalhar duas vezes mais do que os homens pra ser reconhecida? Chato, isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5481831167748202207?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5481831167748202207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/mulheres-e-guitarras.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5481831167748202207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5481831167748202207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/06/mulheres-e-guitarras.html' title='Mulheres e guitarras'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/shYdqbJgQdc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1365238693520938665</id><published>2011-05-28T06:41:00.004-03:00</published><updated>2011-05-28T07:16:32.223-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Por políticas mais eficientes para a saúde da mulher</title><content type='html'>Hoje, dia 28 de maio, é dia de blogagem coletiva pró saúde da mulher. Hoje é sábado, são 6:42 da manhã, eu tô de ressaca, tenho aula na pós, mala pra fazer e ainda vou tentar aparecer na &lt;a href="http://sobreoquenaoentendo.blogspot.com/2011/05/o-estado-de-sao-paulo-sob-excessao.html"&gt;Marcha pela Liberdade&lt;/a&gt;. Mas senti que, pra mim, era importante sair da cama mais cedo pra falar sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nós feministas sabemos que homens e mulheres são diferentes biologicamente. Não precisamos de nenhum artigo pseudo científico pra reafirmar isso, porque , olhem só, vivemos um tsunami hormonal mensalmente. E isso acontece por conta da reprodução, que como eu já disse lá no &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/a-maternidade-como-trabalho-nao-pago/"&gt;meu post&lt;/a&gt; do &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/"&gt;Blogueiras Feministas&lt;/a&gt;, é um trabalho social. E mesmo quem nunca se interessou por ter filhos, está sujeita a problemas de saúde relacionados ao sistema reprodutivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como não vou conseguir elaborar muito, deixo um link para um blog sobre endometriose. &lt;a href="http://aendometrioseeeu.blogspot.com/"&gt;A jornalista Caroline Salazar tem um blog&lt;/a&gt; em que expõe de maneira muito corajosa a sua batalha contra a doença, que a obrigou a se afastar do trabalho para o tratamento. Pra quem não sabe, a endometriose é uma doença crônica que leva o tecido do endométrio, o revestimento do útero, a crescer em lugares onde ele não deveria estar. Como um câncer, só que benigno. Mas o termo benigno pode levar à falsa impressão de que se trata de algo simples, quando na verdade é uma doença que pode provocar danos sérios à saúde física e emocional da mulher, porque provoca muita dor. Como há dificuldades para diagnosticá-la, a mulher pode passar anos sentindo dores lanscinantes sem saber que sofre de uma patologia. Porque tem mais essa, como é esperado que sintamos dor mesmo quando estamos saudáveis (poucas são as felizardas que nunca tiveram cólica menstrual), há profissionais de saúde que minimizam queixas de suas pacientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, uma amiga minha foi diagnósticada de endometriose. Acompanhei seu sofrimento. Primeiro, 2 meses sem mentruar e o pânico de estar grávida, situação desmentida após sucessivos exames de gravidez darem negativo. Depois, crises de dores agudas confundidas com apendicite. Não me lembro de ela chegou ser operada para apendicite. Dias e dias de afastamento do trabalho dada a violência das dores, mas algumas semanas após a cirurgia. Soma-se a isso o medo de não ser capaz de engravidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados poucos meses da cirurgia, minha amiga participou de um processo de seleção para uma vaga de trabalho que oferecia, entre outros benefícios, morar do país legalmente, como ela também sonhava. Viu-se obrigada a omitir sua doença no exame médico, uma vez que isso poderia inviabilizar sua contratação mesmo estando em perfeitas condições de trabalho naquele momento. Há quem digo que isso é antiético. Pois eu digo que entre ter empatia por uma mulher com um problema de saúde tratável que precisa de trabalho e uma empresa gigantesca, não tenho dúvidas sobre quem escolho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga está bem agora. Foi diagnosticada cedo e logo conseguiu tratamento. Tinha um bom plano de saúde e, o mais importante, acesso à informações sobre a doença. Não é o que acontece com a maioria das mulheres. E acho realmente que há pouca divulgação sobre essa doença tão séria. E é essa negligência em disseminar a informação que faz com que milhares de mulheres, todos os dias, sejam vistas por seus empregadores como preguiçosas quando tem que se afastar do trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ces prometem que não prestam muita atenção aos erros? é q não vou ter tempo de revisar MESMO. agradecida)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1365238693520938665?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1365238693520938665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/05/por-politicas-mais-eficientes-para.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1365238693520938665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1365238693520938665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/05/por-politicas-mais-eficientes-para.html' title='Por políticas mais eficientes para a saúde da mulher'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4498996337037118431</id><published>2011-05-16T22:35:00.003-03:00</published><updated>2011-05-16T22:42:14.787-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Talentos</title><content type='html'>Uns dias atrás jantei na casa de uma amiga. Quem preparou a refeição - um risoto de alho poró, pêra e queijo parmesão - fui eu. Daí que a terceira amiga presente disse que queria ter talento pra cozinhar. E eu respondi que ela estava enganada. O que eu tenho não é talento, é prática. Acho que a primeira vez que cozinhei tinha não mais que 15 anos. Hoje tenho 31, faça as contas. E ainda assim tudo o que eu faço é extremamente simples. A grande sacada do risoto é essa inclusive: prato único, fácil de fazer e com pinta de elegante. Perfeito pra quem gosta de comer bem mas não necessariamente quer ter trabalho. Então eu não sou uma cozinheira talentosa, até porque nem me aplico o suficiente. Mas sou uma pessoa capaz de fazer algumas coisas bem gostosas, e disso eu mesma tenho certeza.&lt;br /&gt;Continuei dizendo pra minha amiga que esse discurso do talento é muito complicado em uma série de outras áreas, porque desperta o lado mais repressor do nosso super-ego. Se a gente se convence que não presta pra fazer algo, nem tenta. Trava mesmo. Por isso que é tão difícil pra algumas pessoas, depois de adultas, aprenderem um idiomas estrangeiro, por exemplo. Claro, tem lances aí cognitivos do sistemas fonético da língua materna já estar consolidado, etc, etc. Mas pra aprender a falar, tem que estar disposto a falar errado. E falar errado na frente dos outros. E parecer ridículo. Não há opção, sem esse desprendimento, não funciona. Há que escolher entre passar vergonha e aprender ou permanecer na ignorância.&lt;br /&gt;E bom, talento. Não sei quais são os meus. E vivo nesse drama. Mas o fato é que não dava pra esperar tentar descobrir. Nunca deu. Tenho uma vida pra ganhar, aluguel pra pagar. Sabe aquele lance de vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos? Pois é. Nunca pensei que eu fosse usar este adjetivo pra me descrever, mas eu acabo me descobrindo uma pessoa simplória. Porque tento não sofrer muito. Vou lá e faço, sabendo ou não. Um pragmatismo meio tosco de quem já percebeu que às vezes a ação é melhor que a reflexão. O que não significa necessariamente agir por impulso, mas perder o medo de fazer cagada. Ah, sim, eu faço as minhas com frequência. E não, não sou a pessoa mais destemida do mundo: tenho fobia de dirigir, de andar de avião, de altura – só pra começar a citar. Mas tem isso de como eu não sei exatamente o que eu presto pra fazer, não tenho medo de aprender coisas novas (nem de passar ridículo durante o processo). Vai que naquele canto inóspito, naquela tarefa chata, descubro o meu talento, como quando a gente procura uma coisa e encontra outra?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4498996337037118431?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4498996337037118431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/05/talentos.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4498996337037118431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4498996337037118431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/05/talentos.html' title='Talentos'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7202159890365311533</id><published>2011-05-05T09:51:00.001-03:00</published><updated>2011-05-05T09:54:04.789-03:00</updated><title type='text'>Eu, por aí</title><content type='html'>Tem post meu no Blogueiras Feministas hoje. Apareçam por lá: http://blogueirasfeministas.com/2011/a-maternidade-como-trabalho-nao-pago/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7202159890365311533?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7202159890365311533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/05/eu-por-ai.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7202159890365311533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7202159890365311533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/05/eu-por-ai.html' title='Eu, por aí'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8689560680124191569</id><published>2011-04-27T22:23:00.006-03:00</published><updated>2011-04-27T23:10:39.268-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>27 de abril - Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas</title><content type='html'>Fiquei sabendo da data pela lista de discussão das &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/"&gt;Blogueiras Feministas&lt;/a&gt;. Não queria deixar passar a data, porque eu acho que é importantíssimo discutir a questão desta classe de trabalhadoras. Mas daí, vocês sabem, eu sou uma sujeita meio sem-vergonha e preguiçosa. E a &lt;a href="http://twitter.com/srtabia"&gt;Bia&lt;/a&gt; fez &lt;a href="http://srtabia.com/2011/04/dia-nacional-das-trabalhadoras-domesticas/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+srtabia+%28Srta.+Bia%29"&gt;este post incrível&lt;/a&gt;, completíssimo e cheio de informações úteis. Então, se eu fosse você, dava um pulo lá e, caso ainda não conheça, aproveite pra conhecer o blog dela que é luxo só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da preguiça, cabe no mínimo a minha opinião sobre o assunto. Como a Bia disse lá e a gente sabe bem, o trabalho doméstico não é um trabalho como qualquer outro. É um trabalho que só existe porque existe desigualdade social, e um grupo de pessoas privilegiado pode se dar ao luxo de delegar a outrem tarefas que não lhe agradam. A desculpa que sempre ouvimos é: “mas eu preciso, não tenho tempo!”, “mas quem cuidará dos meus filhos?”. Daí que a empregada pode ser uma pessoa que também tem casa pra e filhos, mas ela que dê um jeito nisso tudo. O trabalho doméstico faz com nossas necessidades nos pareçam maiores que as necessidades alheias. Contraprodutivo para sensibilidade social, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a terceirização destas tarefas atrasa em muito a discussão da divisão de tarefas. Porque olhem só, nas classes mais esclarecidas que poderiam ser “vanguarda”, a gente não precisa discutir nada. Os moços bem instruídos tem empregada na casa da mãe. Se saem de casa sem se casar, em geral contratam ao menos uma diarista. Se se casam, tem outra diarista lá. Sempre uma mulher cuidando das tarefas. “Mas Iara, peralá, ela só vem uma vez por semana, no resto sou eu que lavo a louça e coloco a roupa pra lavar.” Aham. Lava a cozinha? O banheiro? Limpa azulejo? Os vidros? Tira a poeira das estantes? Desengordura os armários? Provavelmente não. Faz o mínimo pra tocar a vida e a parte pesada fica com uma mulher mesmo. Logo, terceirizar essa tarefa é contraprodutivo para a discussão feminista. Como a &lt;a href="http://maryw.posterous.com/"&gt;Mary W&lt;/a&gt; disse em nossa lista, maridão lavar a louça no domingo não é divisão de tarefas, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, daí que apesar da desigualdade de classe e de gênero me incomodar, contrato os serviços de uma diarista a cada 15 dias. Por que eu sou cínica? É uma leitura possível, claro. Mas não acredito que o fato de não contratar alguém e gastar esse dinheiro com qualquer outra coisa resolverá, por si só, estas questões. Contratar, dizer que o mundo é assim e não pensar mais no assunto resolve menos ainda. Então tô aí. Pensando. Discutindo. Enquanto isso, o mínimo que se pode fazer é trazer à luz estas discussões e não deixar que esta classe, que justamente pelas condições em que este trabalho se dá tem dificuldade de se mobilizar coletivamente para reivindicar respeito, seja invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Update:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, né? Preguiçosa demais, eu. Isso é uma blogagem coletiva e além do post da Bia linkado aí no texto tem esses muito bacanas da Denise:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=" http://drang.com.br/blog/2011/04/trabalho-domestico-faca-a-sua-parte/"&gt;http://drang.com.br/blog/2011/04/trabalho-domestico-faca-a-sua-parte/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E da Luka:&lt;br /&gt;&lt;a href=" http://drang.com.br/blog/2011/04/trabalho-domestico-faca-a-sua-parte/"&gt;&lt;br /&gt;http://bdbrasil.org/2011/04/27/seja-empregada-domestica-ou-tercerizada-a-sina-e-a-mesma-invisibilidade/&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O da Luka inclusive menciona a questão da terceirização da faxina. Por coincidência eu tô com um post semi-pronto sobre terceirizações no geral. Pretendo não enrolar muito pra terminá-lo e postá-lo mas, né? Oremos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8689560680124191569?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8689560680124191569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/04/27-de-abril-dia-nacional-das.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8689560680124191569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8689560680124191569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/04/27-de-abril-dia-nacional-das.html' title='27 de abril - Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1716960011355331968</id><published>2011-04-17T12:34:00.005-03:00</published><updated>2011-04-17T13:24:06.664-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Torta de climão*</title><content type='html'>Não é bonito falar mal das pessoas, ainda mais gente comum, não personalidades. Não sei se deveria fazer isso, mas aproveito que este é um blog “escondido”, sem muita visibilidade. A desculpa é que, para além de implicância pessoal, quando falo mal de alguém aqui tô tentando falar de uma situação mais ampla, como quando mencionei colegas de trabalho &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2009/10/dose-cavalar-de-patriacardo-segunda-800.html"&gt;machistas&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/da-dificuldade-de-comunicacao.html"&gt;preconceituosos&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já contei mais de uma vez sobre a minha pós. Um curso não muito pretensioso, uma especialização lato sensu, mas que tem me feito muito feliz. Primeiro pelo conteúdo. Finalmente estudar um pouco de economia, algo que me interessa tanto, e tratar de problemas das grandes cidades é muito estimulante para uma pessoa que curte estudar, mas passa a semana envolvida com um trabalho não necessariamente desafiador. Depois pela turma. Passo o sábado com pessoas inteligentes e talentosas de profissões e experiências de vida muito diversas. Com algumas (há moços também, mas as mais próximas são elas, por isso uso o artigo no feminino) criei um vínculo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tchurma&lt;/span&gt; de faculdade mesmo: almoçamos juntas, bebemos depois da aula, e já fizemos um churrasco aqui no na churrasqueira do prédio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A turma é muito diversa. Há essa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tchurma&lt;/span&gt; mais grudada, mas não chega a ser uma panelinha. Como em todo grupo grande, há os micro grupos, e há pessoas que não estão ligadas a ninguém especificamente. Mas no geral reina o respeito e o coleguismo. Sabe, não vale a pena acordar cedo no sábado e pagar uma mensalidade para frequentar um curso que não vai deixar ninguém mais rico (pelo menos não de maneira muito imediate, já que não é curso voltado ao mercado) se isso não for um prazer. E pra maior parte de nós é essa a relação mesmo: de prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há essa colega. Mal-humorada. Tão mal-humorada que eu brinco que ela não deve ter dentes, porque nunca a vi sorrindo. Até aí, problema dela. A coisa complica quando o mal-humor extrapola, a ponto de implicar com a dinâmica da aula. Foi o que aconteceu ontem, o climão do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso curso tem um professor coordenador, que é o único docente fixo. Ele montou uma grade e convidou docentes que não necessariamente têm vínculo com a instituição na qual estudamos para dar aulas. E, pra minha grata surpresa, é um curso com uma ideologia de esquerda assumida: alguns dos nossos professores fizeram parte da gestão da Erundina como prefeita de São Paulo, por exemplo. Nem todos os colegas são super interessados por política, nem todos são super entusiastas da esquerda, mas isso só enriquece o debate.  E há muito debate, que muitas vezes leva a digressões, o que eu acho bem normal num cursos com um tema tão rico, e numa aula tão longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários parágrafos pra chegar ao causo-em-si. Ufa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sábado estávamos lá com um professor que trabalho no IPEA. Ele falava de dinâmicas regionais no Brasil. E falou sobre a desigualdade, que a economia do Nordeste cresceu bastante, mas continua muito menor que a do Sudeste. E o assunto caiu no Bolsa Família, porque não dá para, em 2011, falar de economia do Nordeste sem tratar de Bolsa Família. Não dá, não interessa sua orientação política. E aí falamos do preconceito contra o programa. E caímos no PSDB, e o professor falou algo muito interessantes: que a aliança do PSDB com o PFL (hoje DEM), sugou o PT pro centro, meio vácuo mesmo. E se ela não tivesse acontecido, o quadro político do país seria outro. E bom, daí falamos da &lt;a href="http://sergyovitro.blogspot.com/2011/04/o-papel-da-oposicao-fernando-henrique.html"&gt;carta aberta do FHC&lt;/a&gt; essa semana. Estávamos nessa, chamando o FHC de doido, comentando a escolha de ignorar as massas, quando a mal-humorada levantou a mão de disse, bicuda, que queria voltar ao tema da aula.&lt;br /&gt;Climão, claro. Professor perguntou se ela não achava que aquele assunto era relevante para o tema abordado. Ela respondeu que a gente poderia discutir política “no bar depois da aula”, coisa que fazemos todo o sábado (e ela nunca está conosco, claro). Mas enfim. Chamou a aula do professor convidado de papo de boteco, desqualificando. Disse que estava lá para aprender Economia e Administração Pública, e não discutir política, e que há um ano “tinha que aguentar este tipo de conversa”. Que o queria na aula eram fatos e não “opiniões”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como explicar pra esta pessoa que não dá pra falar de administração pública sem falar de política? Sério, como? Não quero ser intolerante, acho críticas muito positivas, mas como fazê-la entender que se a classe está satisfeita com a dinâmica do curso, não há porque mudar o que quer que seja para atender às necessidades dela. De verdade, não quero falar “não tá satisfeita, vá embora”, mas como fazer a pessoa entender que o que ela chama de papo de boteco faz parte do curso? Claramente não era o que ela buscava, mas ok, ela não precisa ficar ali, pagar mensalidade, acordar cedo se está tão ruim assim. Nem sempre a gente faz escolhas as certas, normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí rolou um bate-boca com uma colega que perdeu a paciência com ela, chamamos o intervalo do café pro clima abrandar, e em seguida, antes que mal-humorada voltasse, uma colega mais reservada e muito sabida fez um julgamento muito bom. Disse que no fundo tem compaixão pela moça. A culpa provavelmente não é só de sua óbvia não-identificação com a turma. Há uma clara concepção de que saber é algo técnico, apostilado. Logo, este papo, esta colcha de retalhos feita a partir de perguntas dos colegas, os comentários engraçadinhos, a troca de experiências que prezamos tanto e identificamos como uma construção coletiva do aprendizado para ela é só uma fuga do “real” saber, o trazido pelo professor, que segue um roteiro determinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chocante é que colega mal-humorada é jornalista. E olha, eu já contei que uma das minhas amigas mais amadas é jornalista. E algumas das minha colegas de curso mais bacanas e inteligentes também são. Mas eu fico pensando se não há aí nas redações hoje uma geração de profissionais que pensam como ela, sabe? E chamou muita atenção quando ela disse que queria “fatos, não opiniões”. Será que ela pensa mesmo que existe conhecimento neutro, sem nenhum viés ideológico? Será que ela acredita que o publicado no portal de notícias em que ela trabalha como repórter é a expressão da verdade, e não a verdade segundo o ponto de vista do patrão? Não sei mesmo. Mas uma colega disse que não está interessada em ler matérias de jornalistas não afeitos ao debate. Que acham que podem tratar de economia e urbanismo (!!!) sem tratar de política. Olha, não é porque eu não gosto de gente carrancuda, mas concordo bastante.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;* vi essa expressão no twitter e achei sensacional...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1716960011355331968?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1716960011355331968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/04/torta-de-climao.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1716960011355331968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1716960011355331968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/04/torta-de-climao.html' title='Torta de climão*'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5529332772493756581</id><published>2011-04-11T21:27:00.001-03:00</published><updated>2011-04-11T21:29:08.788-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Administração do Tempo (como não fazer)</title><content type='html'>Daí que eu pisco e passam-se dois meses sem que eu escreva uma linha aqui. Mas não foi só isso que eu deixei de fazer. De uns tempos pra cá deixei de ler os blogs que eu gosto também. Meio que abaixei a cabeça e deixei a onda passar, porque a verdade é que eu sou uma pessoa em processo de organização. Tá fácil a vida não, e eu tive que começar com o trabalho, que paga o meu salário. Semanas dedicadas a por em ordem coisas que eu fico proscratinando pra fazer. Falta um tanto, mas quando eu voltar a trabalhar daqui a duas semanas (eu tô de férias até depois da Páscoa), espero que não me sinta tão perdida. A lição mais importante eu já aprendi: que quando eu quero ser produtiva, eu consigo. É só querer assim, dicumforça. #autoajudafeelings&lt;br /&gt;Mas é engraçada essa alienação que o trabalho assalariado numa atividade em que não me realizo me proporciona. Porque eu saio de férias pra dar conta do resto da minha vida. Nesse resto envolvidas coisas que não são ócio, como o meu trabalho da pós, tão abandonadinho também, coitado. Além de, é claro, visitar a família, resolver pendências domésticas e tal e cousa. O plano então é aproveitar estas semanas pra correr atrás do tempo perdido, não na ilusão de dar conta de tudo o que acontece a minha volta, mas tentando pelo menos não largar (muitas) coisas pelo caminho.&lt;br /&gt;No mais, reclamo da vida não. Como já ouvi de gente querida, se a gente tá sem tempo pra vida online, é porque tem uma vida real bem rica em experiências. Comigo, pelo menos, é assim. =D&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5529332772493756581?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5529332772493756581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/04/administracao-do-tempo-como-nao-fazer.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5529332772493756581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5529332772493756581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/04/administracao-do-tempo-como-nao-fazer.html' title='Administração do Tempo (como não fazer)'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1161761505231845216</id><published>2011-02-12T09:14:00.002-02:00</published><updated>2011-02-12T09:21:29.279-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Ainda sobre o anterior</title><content type='html'>Adorei a repercussão do post anterior (blogueira modesta, fico muito envaidecida), mas de repente foi um tal de aparecer gente fofa e justificando e, definitivamente, a ideia não era essa. Eu sei que, principalmente pra quem mora em cidades menores, o serviço de transporte público pode ser muito ruim, e o post não é um convite ao martírio em nome da cidadania. Longe de mim. Mas vou falar mais um pouco do assunto, até pra despersonalizar a questão.&lt;br /&gt;Já contei aqui que faço uma especialização em urbanismo e administração pública. E, olha, lá, eu estudei História no colégio, mas só na pós fui me ligar que a nossa urbanização aqui no Brasil acontece simultaneamente à instalação da indústria automobilística. Na Europa a urbanização é muito mais antiga, então o carro não interferiu muito no desenho das cidades. Aqui, o automóvel foi senhor e rei do projetos urbanísticos. Então, não dá mesmo pra gente pensarem cidades médias brasileiras, muitas das quais passaram a ter mais de uma centena de milhar de habitantes e equipamentos urbanos como universidades só nos últimos 30 anos, sem a presença maciça do automóvel. Isso justifica o não investimento em transporte público? Em termos. Por um lado, fica mais cara financiar um sistema quando a demanda é menor. Por outro, por conta do automóvel, estabeleceu-se no Brasil a noção de que transporte público é coisa de pobre. E coisa de pobre nessa terra é algo a ser negligenciado. Então, não tô aqui pra dizer pra ninguém: “olha, torra aí 1 hora no sol esperando busão lotado”. &lt;br /&gt;Mas eu não vivo numa cidade de 180 mil habitantes. Eu vivo numa aglomeração urbana que concentra umas 4 vezes mais habitantes que a região metropolitana de Madrid. E tem gente (eu inclusive) que tem grana pra pagar aluguel ou ser proprietário nos lugares onde estão concentradas as melhores ofertas de serviços urbanos. Então, morar, sei lá, em Cuiabá, e andar de carro o tempo todo pode fazer muito sentido. Morar nos Jardins, em Pinheiros, na Vila Madalena, em Higienópolis em São Paulo e pegar o carro pra tudo é muito estranho pra mim. Eu já cheguei a ouvir de colega de trabalho coxinha, que morava a 3km do trabalho que “não dá pra ficar sem carro, né?”. Daí a gente sabe que tem gente pegando ônibus com cadeira de rodas e tem vontade de mandar pastar. Porque é disso que se trata. As pessoas se deslocam mesmo em situações muito adversas. O que não significa que a gente tenha que se submeter a elas, mas acho que vale muito pensar um pouco nas nossas escolhas, não aceitar o padrão como única solução possível, não virar um reprodutor acrítico do modelo.&lt;br /&gt;No mais , eu respondi a alguém que se ofendeu dizendo que tem direito de parar na rua porque paga IPVA que não é bem assim. Que o IPVA é pra cuidar das ruas e tal. E TOTAL asneira minha, me dei conta depois. Pequena explicação de administração pública agora. Existem impostos, taxas e contribuições. Começando pelas últimas, contribuições são vinculadas, como era a CPMF, que saía das movimentações financeiras com um destino pré-determinado, financiar a saúde pública (sem entrar no mérito se a coisa era justa ou não, só a explicação teórica). Já as taxas são vinculadas diretamente a um serviço prestado, como era a taxa do lixo aqui em SP. Mas imposto, não. Imposto não está vinculado a contrapartida. Quer dizer, eticamente falando, claro que o Estado tem que nos retornar em serviço, mas não necessariamente pro proprietário do veículo que pagou o imposto. O IPVA pode, por exemplo, financiar a educação pública. E mais: cuidar do estado de conservação das vias locais é atribuição da prefeitura, não do governo do estado. Há um repasse importante de verbas do IPVA para o domicílio em que o veículo foi licenciado, que aí até pode ser usado pra cuidar das vias, mas não necessariamente, é esse o ponto. Tem que pagar porque tem carro, mesmo se a rua for de terra e esburacada. Então, se a prefeitura resolver estabelecer zona azul pra cobrar estacionamento nas ruas não tá cobrando em duplicidade: o IPVA tributa a propriedade, a zona azul tributa o serviço prestado, a vaga de estacionamento. Até porque você paga IPVA num estado, mas pode viajar e deixar o carro parado em outro.&lt;br /&gt;Encerro contando uma historinha que acho que nunca contei antes por aqui (se contei, desculpem, hein?), sobre uns colegas do antigo emprego. O papo na mesa do almoço era o trânsito pesado. E alguém lembrou que, impressionante, né?, a maior parte dos veículos circula só com o motorista. E, bom, as pessoas poderiam se organizar pra irem juntas. E começaram a lembrar de um ou dois colegas que era mais ou menos vizinhos, com quem poderia combinar algo do tipo. E na sequência foram aparecendo os impedimentos do tipo “mas fulano é chato”, “mas tiraria minha liberdade”. Daí, no final, ninguém podia revezar com o colega, porque vivemos num tempo em que a liberdade individual de se deslocar usando o próprio veículo é mais importante do que tentar contribuir para a diminuição de problemas  como engarrafamentos e poluição. E esse é o grande problema contemporâneo: a gente acha que nossa liberdade individual é intocada, mesmo que seja prejudicial ao bem-estar coletivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1161761505231845216?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1161761505231845216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/02/ainda-sobre-o-anterior.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1161761505231845216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1161761505231845216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/02/ainda-sobre-o-anterior.html' title='Ainda sobre o anterior'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7517959881625547917</id><published>2011-02-06T21:48:00.005-02:00</published><updated>2011-02-07T10:50:34.085-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>A vida idílica sem carro</title><content type='html'>(Ok, propaganda enganosa, mas não achei um título melhor...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz um mês que estamos sem carro. Mas é preciso explicar. Eu venho de uma família que não liga pra carro. Meu irmão vai fazer 29 anos e não tem habilitação. Eu só tirei a minha aos 23, nunca comprei um carro apesar de ter condições pra isso há já bastante tempo, e meu pai tem um carrinho pé de boi. Lá em casa fomos ensinados que qualquer distância de menos de 2km pode ser feita a pé, a não ser em circunstâncias muito adversas. E não, eu não morava em bairro nobre. O metrô mais próximo estava a 1 hora. Mesmo o ponto de ônibus estava a 600m de distância. Já ouve épocas na minha vida em que eu gastava mais no táxi pra voltar pra casa do que na balada em si. (E olha tem muita São Paulo depois da casa dos meus pais. De lá até o extremo sul dá pra rodar mais 1h30 de ônibus, então eu nem tô fazendo mimimi, longe de mim). Mas eu sempre achei carro muito caro. Como assim tem que pagar IPVA todo ano? Como assim tem que pagar seguro? Como assim qualquer coisa que quebra custo 300 paus? Melhor me virar com ônibus e pagar táxi de vez em quando. E fazia planos pra morar num lugar mais centralizado.&lt;br /&gt;Marido também era um sem-carro, apesar de gostar de dirigir e de curtir a coisa-em-si. Bom, como ele trabalha na indústria automobilística, surgiu a oportunidade de termos um carro da empresa em leasing, pagando uma taxa fixa não muito cara pra usar um carro zero, sem nos preocuparmos com seguro, IPVA, revisão, etc. Bem bacana, viramos motorizados por quase 2 anos. Mas desencanamos e, ao final do último contrato, devolvemos e estamos sem. E o povo estranha porque, né? Como assim ficar sem carro? Por que ficar sem carro?&lt;br /&gt;Fato é que o carro, mas do que um meio de transporte, virou um símbolo de status. Você vira um ET se está numa determinada faixa de renda, se tem tal padrão de consumo, mas não tem um carro. E a grande verdade é que pouca gente entende que luxo, luxo de verdade, é não precisar de carro. Moramos  numa região de razoável oferta de transporte coletivo. Levamos, incluindo caminhada, 40 minutos porta a porta no trajeto casa-trabalho, mesmo quando o congestionamento bate recorde na cidade (acredite, isso em  São Paulo é muito bom). Há supermercados a 4 quadras de distância, restaurantes, baladas, várias coisas que podemos acessar a pé. Claro, pagamos um aluguel caro pra morar numa região tão bacana. Então, não temos carro porque somos privilegiados, e não por sermos excluídos. &lt;br /&gt;Mas tô desviando da coisa. O ponto não é ter o carro. Nada contra as pessoas terem carro, e a gente pode voltar a ter num futuro não tão distante. Ele faz falta em algumas situações, principalmente porque a família do marido mora numa cidade a 100km daqui. De carro, com trânsito não muito pentelho, 1h30, mas agora vamos ter que ir a rodoviária e tals, uma pentelhação. Da última vez alugamos um, mas a ideia não é fazer isso sempre. Então, isso vai ser mais chato mesmo. E outro dia um professor na pós chamou de “reacionários de esquerda” quem critica o pobre que se endivida pra comprar automóvel. Se você mora a 20 kms do seu lugar de trabalho e o transporte que te oferecem a um custo alto é uma droga, é claro que vai querer melhorar sua qualidade de vida. &lt;br /&gt;O que acontece em São Paulo, e em muitas grandes cidades, é que o pessoal que tem dinheiro pra morar em regiões nobres, com transporte razoável, que não precisaria de carro, se acha importante demais pra andar de ônibus. O culpado do congestionamento não é o pobre que só pôde comprar carro agora, é também o rico que não encara 2 kms de caminhada pra nada nessa vida. O cara que vai de carro até a academia pra andar na esteira (sério, morro e não entendo que pega o carro pra ir andar na esteira). As pessoas deixaram de andar na rua. E não dá pra aceitar que “ó, a violência”, porque se você mora em bairro nobre, a chance de ser assaltado dentro do carro é muito maior do que andando a pé. Procura aí estatística e volta aqui pra desmentir, por favor. &lt;br /&gt;Eu não acho o máximo o serviço de transporte coletivo de São Paulo. Mesmo na minha região ele deixa a desejar. Mas eu gosto da troca que o combo andar na rua + pegar o trem me proporcionam. Tem um casal idoso que passa por mim todas as manhãs em sua caminhada matinal. No começo, só o homem respondia ao meu bom dia, a senhora parece ser mais reservada. Depois de algum tempo, ela passou a me responder. Logo, a sorrir. Outro dia passei do outro lado da calçada, e ela acenou a mão toda sorridente. Eu ganhei meu dia por saber que a expectativa de me encontrar está na rotina deles também (fazer academia de manhã alterou meus horários e não os vejo mais, infelizmente). E no final do dia tem o rapaz que busca o filho na escolinha na minha rua. O menino ia no carrinho 1 ano atrás, agora já puxa uma mochilinha e vai tagarelando pro pai, e eu vejo o tempo passando. Eu perderia tudo isso se estivesse no carro. Toda essa troca. Como perderia o sujeito no trem lendo um livro escrito “EXU” bem grande na capa. E a moça negociando com o marido que ele cuidasse do bebê porque sim, ela tinha direito de tomar uma cerveja com as amigas. Fosse de carro, só conviveria com os meus colega tão pequeno-burgueses quanto eu. Desculpem se eu pareço muito piegas, mas a rua e o trem me humanizam, me põe em contato com a cidade, e eu gosto disso. &lt;br /&gt;Na minha pós, tratando de urbanismo, alguém professor mencionou que hoje 30% do espaço urbano de São Paulo é dedicado à vias. Vias onde circulam, majoritariamente, automóveis, e muitas vezes só transportando o motorista. Daí a pessoa pega o carro que estava numa garagem, transita com ele, e deixa em outra garagem. Espaços que são dedicados ao veículos. Tem lançamento imobiliário em São Paulo de 2 quartos que oferece 3 vagas na garagem. Só eu acho essa relação muito estranha? No curso a gente aprende a se perguntar porque as pessoas podem estacionar seus carros sem pagar por isso, mesmo na rua. Quando a gente para o carro na rua, tá empatando um espaço público em prol de um uso privado. O carro é o senhor da metrópole, não os cidadãos. Não sei vocês, mas eu acho isso triste.&lt;br /&gt;Não sei se é possível pra todo mundo. Não sei como seria se eu tivesse crianças pequenas, por exemplo. Acho realmente que algumas situações são bem complicadas de vencer sem carro. Mas eu fico chocada com o quanto as pessoas desaprenderam a viver sem automóvel. Com a quantidade de limitações que elas se colocam. Limitações todos temos. Eu tenho um joelhinho meio podre que, quando está inflamado, reclama um pouco do 1,5km que eu preciso vencer atá a estação de trem. Quer dizer, desculpa pra me acomodar eu tenho. Todo mundo tem, se partir do pressuposto que o “default” é se locomover usando um transporte motorizado individualmente.  Mas este não é um post pra apontar acomodação de ninguém, longe de mim. É só pra te contar que eu sou uma pessoa privilegiada por, aos 31 anos, nunca ter pagado IPVA na vida. =D&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7517959881625547917?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7517959881625547917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/02/vida-idilica-sem-carro.html#comment-form' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7517959881625547917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7517959881625547917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/02/vida-idilica-sem-carro.html' title='A vida idílica sem carro'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-2296867600476837295</id><published>2011-01-18T07:51:00.004-02:00</published><updated>2011-01-18T08:03:30.376-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Mulher e Mercado de Trabalho</title><content type='html'>Vocês já conhecem o &lt;a href="http://blogueirasfeministas.wordpress.com/"&gt;blog coletivo das blogueiras feminista&lt;/a&gt;s? Não? Então passem lá. Dia desses alguém avisou na nossa lista de discussão que a &lt;a href="http://www.whatmommyneeds.net/"&gt;Carolina Pombo&lt;/a&gt; estava agitando uma blogagem coletiva hoje sobre mulheres e mercado de trabalho. Alguém criou um tópico no nosso fórum, boas idéias surgiram e a &lt;a href="http://srtabia.com/"&gt;Bia&lt;/a&gt; editou e fez um post. Daí que eu não vou fazer um aqui, porque minha idéias já estão todas lá - assim como o crédito à outras companheiras de fórum inspiradas que contribuíram para a discussão. Visitem o blog e conheçam mulheres fantásticas com quem tenho trocado figurinhas ultimamente. E se alguém que passa por aqui quiser se juntar ao fórum, me avise, tá? Já adianto que o volume de mensagens é enlouquecedor, mas o aprendizado e a troca de experiências têm sido fantástico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-2296867600476837295?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/2296867600476837295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/01/mulher-e-mercado-de-trabalho.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2296867600476837295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2296867600476837295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/01/mulher-e-mercado-de-trabalho.html' title='Mulher e Mercado de Trabalho'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3429523585058579331</id><published>2011-01-15T15:49:00.002-02:00</published><updated>2011-01-15T15:56:37.407-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Foco</title><content type='html'>Essa semana fui ao médico e não consegui fugir mais da balança. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tipo assim&lt;/span&gt;, falta muito  pouco pra eu chegar aos 80kg. Aquele muito pouco que um final de semana mais guloso é o suficiente pra alcançar. E, bom, como da última vez eu não estava tão longe assim dos 80, como minhas saias andam bem apertadas e a pancinha pronunciada, não posso dizer que foi um susto. Mas fiquei pensando que, puxa, eu preciso fazer alguma coisa. Porque isso precisa ter um limite, não posso ficar engordando indefinidamente. E eu li o &lt;a href="http://maryw.posterous.com/39810796"&gt;post lindo da Mary W&lt;/a&gt;. Eu não assisto Big Brother, mas adoro os comentários sobre. E a Mary W, como socióloga, detona mesmo. E no post ela fala da perseguição aos gordos, da &lt;a href="http://twitter.com/malvados/status/25743474456264704"&gt;magrocracia&lt;/a&gt;. E eu sempre me pergunto porque eu estou incomodada, já que eu não acredito nesse padrão tão redutor de beleza. Acho que eu tô gordinha sim, mas não acho que eu tô feia. E marido acha que não sou gorda, sou uma &lt;a href="http://gostosa.tumblr.com/"&gt;gostosa que se acha gorda&lt;/a&gt;. E eu tô saudável e tal. Então porque me preocupar?&lt;br /&gt;Pra começar eu preciso lembrar que um dos culpados por eu ter engordado é justamente o padrão modelo de beleza, do manequim 38, por mais contraditório que pareça dizer isso. Sou uma pessoa que sempre usou 42, que sempre esteve por volta do 60 e tanto, e se achava gorda. Mas não era. Qualquer peso abaixo de 70 tá ótimo pra mim (considerando aquela regrinha do IMC, o “normal” pra minha altura seia até 68,5kg). Só que como eu me via como gorda, achava que foda-se, gorda por gorda, vamos comer mais um pedaço de pizza. E oi, eu não era gordinha, mas agora fiquei. Não acho que estou feia assim, mas não me reconheço nas fotografias. Sempre tive pernão, bundão, mas não tinha pança, e os braços eram mais finos. E, bom, tem uma foto minha aí no post anterior, rola um bração agora e tal. Mas puxa, ok. Nem acho que seja grave. Eu poderia assumir o fat pride, “sou gordelícia mesmo e aí?”, e ficar em paz. Tapa na cara da sociedade “magrocrática”. Porque não faço isso?&lt;br /&gt;Porque daí eu lembro o meu problema real, que não tem nada a ver com aparência, que não tem nada a ver com pesar 65kg ou 80kg. Foco. E disciplina. Eu não tenho nenhuma dessas duas coisas. A questão não é quanto eu peso, a questão não é se eu gosto de beber, a questão é que eu preciso ser mais disciplinada pra comer e fazer exercícios. Nada a ver com virar a gostosona, ou com me privar do que eu gosto. Mas a verdade é que “refeições recreativas”, aquelas em que a gente bebe, se diverte, e até abusa um pouco do doce deveriam ser mais raras mesmo, até pra preservarem seu caráter festivo de exceção. Eu diminui a cerveja, mas tava comendo doce todos os dias. Comendo e sabendo que não me faz bem. Ano passado a endócrino me receitou uma reeducação alimentar, então eu já conheço o caminho das pedras. Sei bem que se eu voltar a ter disciplina, posso não voltar a pesar o que eu gostaria, mas imagino que a balança se estabilizará aí nuns 7 ou 8kg menos. Mas o importante, de verdade, é levar um estilo de vida um pouco mais saudável.&lt;br /&gt;Enfim. Eu sou muito ruim com esse negócio de disciplina. Minha vida é uma zona, eu nunca fiz agenda, meu guarda-roupas é uma tristeza de tão zoado, minha bolsa é um mar de papéis sem utilidade e não queira ver a minha mesa de trabalho (sério, minha mesa de trabalho é uma vergonha). Ainda assim, apesar disso tudo, vou levando a vida de maneira mais ou menos bem sucedida. Mas acho que tudo seria muito mais tranquilo se eu fosse mais disciplinada, se eu proscratinasse menos, se eu colocassem coisas em ordem, se eu jogasse papéis velhos fora. Então, nada de listas imensas de planos pra 2011. Muito menos de colocar “perder x quilos” como objetivo. O foco deve ser fazer mais bem feito, com mais capricho, tudo o que eu já faço. Inclusive me alimentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3429523585058579331?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3429523585058579331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/01/foco.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3429523585058579331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3429523585058579331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/01/foco.html' title='Foco'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6175563065231781162</id><published>2011-01-03T23:04:00.005-02:00</published><updated>2011-01-03T23:24:59.059-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A posse da presidenta</title><content type='html'>Por onde começar? Foi tudo tão lindo! Primeiro, porque eu tava morrendo de ansiedade por encontrar gente que eu só conhecia pela internet. Não que isso seja tão novidade assim na minha vida, mas, né? Toda uma situação especial. Mulheres que eu aprendi a respeitar sem conhecer. E não poderia ter sido mais legal nesse aspecto. Abraços apertado e sorrisos generosos de gente que parecia amiga de longa data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao evento. O clima era lindo. Povo tirando foto com bandeira e camiseta da campanha já no aeroporto de Congonhas. No aeroporto, conhecemos uma moça que, numa demonstração de orgulho democrático do qual assumo ser incapaz, disse que não tinha votado na Dilma, mas estava indo assistir à posse por que afinal de contas “ela seria presidenta de todo mundo”. Chegando à Brasília enfim, um inferno pra quem não gosta de “petista” (leia-se todos aqueles que acham que, se votou no PT, é petista automaticamente, e isso é péssimo). Muita gente animada pra festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que ao chegar na Esplanada dos Ministérios no sábado meus olhos já se encheram d'água. Vi uma moça com uma camiseta escrito “lugar de mulher é na presidência” (tem foto dessa moça &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-mulher/eu-posso.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). E caiu a ficha legal, de que aquele era um momento histórico, que com certeza ia marcar a minha vida e a de milhões de brasileiros e de brasileiras (das últimas especialmente, claro). A Esplanada estava decorada com Banners que lembravam grande mulheres da nossa história. Nós éramos as protagonistas, isso estava claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a frustração maior é porque a chuva mais forte caiu 2 minutos antes dela passar de carro aberto a 3 metros de onde estávamos. Nos molhamos horrores e só vi a mão da presidenta acenando do lado de fora do carro. Ok, faz parte.  Depois, fomos pra frente do Palácio do Planalto. E eu cai no choro pesado quando o Sarney disse “declaro empossada a presidenta”. E eu chorei durante o hino nacional. Vergonha de contar, parece um ufanismo à la Galvão Bueno, mas eu pensei em tanta coisa. Lembrei que o meu pai foi torturado, como ela. Lembrei do quanto esse país já melhorou, do quanto somos mais democráticos, da infância inteira ouvindo que somos o país do futuro e, olha lá, eu tenho 30 anos, o futuro chegou, e é esse momento tão cheio de esperança. E quando eu tava quase com os olhos secos, ouvi uma senhora do meu lado dizer que ela seria “uma babaca” se não fosse assistir a posse, porque ela achava que só as netas ou bisnetas veriam uma mulher presidente, um dia. Daí acontece de ser uma mulher da idade dela, e de esquerda, ela tinha que testemunhar. Voltei a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia toda a ansiedade pela despedida do Lula. Mas ele, generoso que só, se esforçou pra não ofuscar a estrela do dia. Foi lindo ver ele descer a rampa e, silencioso, se juntar a galera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, depois fomos com o povo comemorar. Fechamos um boteco, depois fechamos o segundo (nem foi uma super noitada, os bares lá fecham cedo). Em algum momento da noite descobrimos que a &lt;a href="http://mariafro.com.br/wordpress/?p=22509"&gt;Maria Frô não iria se juntar a nós porque ela era rycah e conseguiu entrar na festa oficial no Itamaraty&lt;/a&gt;. E eu não tive inveja porque sou um ser evoluído (mentchira). Mas, voltando ao boteco, chamou a atenção o clima da nossa mesa. Os poucos homens num confortável papel de coadjuvantes. A festa era nossa, e eles estavam felizes pelo país e também por verem suas companheiras tão felizes juntas. O que me faz dizer a você, moça solteira a procura de companhia masculina: não se satisfaça com qualquer pão com ovo machistinha. Tem homem bacana por aí. É difícil de encontrar, mas você é brasileira e não desiste nunca, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o que mais posso contar, gente? Só que eu fiquei muito feliz, mesmo. Valeu demais a grana, o tempo, o desconforto da chuva, os tênis até agora sujos de lama e o medão de pousar em Congonhas em noite de chuva. Valeu tudo, valeu muito. Agora é torcer muito pra que ela seja bem sucedida na árdua tarefa de suceder a um dos líderes mais populares do mundo. Trabalho duro, mas né? Eu boto fé. Vocês não? ;-)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, as fotos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DfdzMYI/AAAAAAAAADc/Pv8vRkcMzT0/s1600/DSC02906.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DfdzMYI/AAAAAAAAADc/Pv8vRkcMzT0/s320/DSC02906.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558132493463531906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DEcPBqI/AAAAAAAAADU/7mpvPHRKk04/s1600/DSC02905.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DEcPBqI/AAAAAAAAADU/7mpvPHRKk04/s320/DSC02905.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558132486209210018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DUKWbeI/AAAAAAAAADk/gHAKNaSwvBA/s1600/DSC02921.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DUKWbeI/AAAAAAAAADk/gHAKNaSwvBA/s320/DSC02921.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558132490429165026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto de por fotos minhas aqui, mas a ocasião merece. Várias blogueiras e "arrobas" famosas e eu. Sou a sem capa, da direita "toda molhadinha".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6175563065231781162?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6175563065231781162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/01/posse-da-presidenta_03.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6175563065231781162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6175563065231781162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2011/01/posse-da-presidenta_03.html' title='A posse da presidenta'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TSJ0DfdzMYI/AAAAAAAAADc/Pv8vRkcMzT0/s72-c/DSC02906.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1007635008021148392</id><published>2010-12-20T20:05:00.010-02:00</published><updated>2010-12-22T10:32:32.402-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>O coletor menstrual – ou pequenos desastres</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TQ_VTvX7JiI/AAAAAAAAADA/uSvloXAIBSc/s1600/coletor%2Bmenstrual.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 280px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TQ_VTvX7JiI/AAAAAAAAADA/uSvloXAIBSc/s320/coletor%2Bmenstrual.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552891400682153506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até uns dois meses atrás eu nunca tinha sequer ouvido falar em coletor menstrual. Não tinha a menor ideia do que era. Você não tem? Então a parte objetiva da explicação será um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Coletor_menstrual"&gt;oferecimento de Wikipedia&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu lá no link? Beleza. Eu descobri a existência dos coletores fuçando em links de blogs feministas (mas não vou lembrar onde exatamente pra dar o crédito, desculpem). Fiquei enlouquecida. Como assim eu não tinha ouvido falar daquilo? Como assim não precisar mais comprar absorvente? Como assim é seguro, a gente não sente que está lá, e é ecológico. Etc, etc. Fucei mais links, li bastante coisa, e resolvi experimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de contar minha experiência, um comentário importante: o fato de não ser descartável te causa nojo? Ok, você não está sozinha. Mas vamos explorar isso. Nosso corpo não é sujo. O sangue menstrual só tem aquele cheiro ruim depois de começar a se decompor, já no absorvente, por conta do contato com o ar. Ora, o coletor, pra funcionar corretamente, impede o sangue de ter contato com o ar, porque forma uma barreira. Ele deve ser sempre manipulado com as mãos limpas, lavado quando for esvaziado e fervido ao início e final de cada ciclo menstrual num recipiente exclusivo. Também é desnecessário dizer que é feito de um material inerte, ou seja, que não colabora para a proliferação de bactérias. Pessoalmente, não sei como isso pode ainda ser nojento, mas eu sei que a noção de repulsa varia muito de pessoa pra pessoa. Só convido quem passar por aqui a questionar certos preconceitos e não julgar quem pensa diferente, beleza? Você pode achar nojento pra você, mas eu não acho e continuo sendo uma pessoa bem limpinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, comprei o meu &lt;a href="http://www.meluna.com.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Carinho (R$70,00), mas chegou numa boa. O alto custo de aquisição deve ser encarado como um investimento inicial, pois dada a durabilidade do coletor, o que você economiza em absorventes compensa e muito (claro, isso se você não for nó cega como eu, mas eu explico depois). Tava super empolgada. Comecei a usar e pensava escrever sobre ele aqui assim que terminasse o meu ciclo menstrual. Como tinha lido bastante sobre, já sabia que existe um pequeno desconforto ao tirar até a gente se adaptar, que ele não deve ser colocado muito no fundo como a gente faz com absorvente interno, enfim, tinha algum contato com os macetes. E os primeiros dias não poderiam ter sido melhores. Nenhum problema pra colocar, nenhum vazamento, não o sentia dentro de mim e adeus cheiro desagradável de absorvente usado no lixo do banheiro. A felicidade existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje era o teste de fogo. Isso porque eu tenho um ciclo meio esquisito. Parece que 70% do fluxo desce num intervalo de algumas horas no meio do ciclo, e antes de depois é bem pouco. Daí que o momento da enxurrada foi a manhã de hoje. O coletor tem capacidade para 40ml* e li por aí que, como o volume de fluxo por ciclo menstrual é de 80 ml dividido por todos os dias, é possível ficar com o coletor entre 8 e 12 horas sem trocar. Pois bem, eu me troquei às 7:30 da manhã e as 11:00 ele estava quase cheio. Joguei o sangue na privada e fui lavar o coletor com a ajuda da ducha higiênica que temos em um dos reservados do banheiro. O jato estava fortíssimo, o coletor escorregou da minha mão e sequer o vi na privada: com a força do jato foi pra fossa direto. Como eu estava toda empolgada com minha nova aquisição, sequer tinha absorventes na bolsa: tive que fazer aquele bolinho de papel higiênico e correr na farmácia mas próxima (caríssima) e comprar um pacote de emergência. Setenta reais fossa abaixo que eu praticamente não usufruí e a imensa frustração de estar usando &lt;span style="font-style:italic;"&gt;moddess&lt;/span&gt; de novo. :\&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da minha primeira experiência atrapalhada, recomendo muito. Tô muito puta com o dinheiro que foi pela privada, mas assim que passar o bode e o medo de fazer burrada de novo, vou voltar a comprá-lo (tô toda trabalhada no 13º, mas eu sou pãodura e a raiva de gastar com isso de novo vai me impedir de resolver isso hoje). O coletor é prático e mais confortável que o absorvente interno, e muitíssimo mais barato (uma caixa de tampax custa uns 10 reais, né?) a longo prazo. Se como eu você ficou curiosa, leia, pesquise, pergunte. Desconfie sempre do senso comum,  até nas coisas pequenas. É muito interessante pra indústria que a gente ache que higiene = descarte. Fico pensando que os coletores poderiam ser muito mais baratos se a escala de produção fosse maior, e em quanto a indústria farmacêutica perderia com isso. Penso também no tabu que é pra muitas mulheres manipular a região genital, em quanto a gente perde não conhecendo o próprio corpo. Não tô afim de me aprofundar nisso agora, nem teria conhecimento suficiente pra dar conta, mas toda essa relação da associação do sangue menstrual à sujeira e o tabu em relação a penetração de qualquer coisa em nossas vaginas que não seja o pênis do sacrossanto marido me fazem pensar na questão do corpo feminino como objeto de disputas políticas. Toda a construção cultural sobre como a gente deve lidar com um processo natural como a menstruação é uma questão antropológica importante, ao meu ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E este final inspiradinho foi só pra eu fingir pra mim mesmo que sou uma mulher inteligente, não uma anta que deixa 70 pilas iram com a descarga. Ô, raiva!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Update: no site que vende o Meluna eu vi que a capacidade do coletor médio, o que eu tinha, é só de 15ml (logo, eu não tenho uma semi-hemorragia, só um ciclo forte - que bom). Mas na internet vi comparações com outras marcas e parece que o Meluna é o menorzinho deles, que o grande do Meluna é do tamanho do pequeno de outras marcas. O meu próximo com certeza será maior, pra ter um pouco mais de tranquilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**Update 2: Trocando informações sobre o assunto num fórum feminista, fiquei sabendo que dá pra comprar muito mais barato pelo eBay. Segue um link pra um modelo por 18 dólares: &lt;a href="http://cgi.ebay.com/Green-Donna-reusable-Menstrual-Cup-compare-Lunette-/170581385683?pt=LH_DefaultDomain_0&amp;var=&amp;hash=item6d6f1f67ec"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Obrigada, Vanessa! =D&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1007635008021148392?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1007635008021148392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/12/o-coletor-menstrual-ou-pequenos.html#comment-form' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1007635008021148392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1007635008021148392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/12/o-coletor-menstrual-ou-pequenos.html' title='O coletor menstrual – ou pequenos desastres'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TQ_VTvX7JiI/AAAAAAAAADA/uSvloXAIBSc/s72-c/coletor%2Bmenstrual.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3608630763094340747</id><published>2010-12-08T21:01:00.004-02:00</published><updated>2010-12-08T22:05:36.484-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Sobre ferros de passar - entre outras coisas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TQAPqq5bLsI/AAAAAAAAAC4/nvvkbdF4qP4/s1600/postersheet.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 236px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TQAPqq5bLsI/AAAAAAAAAC4/nvvkbdF4qP4/s320/postersheet.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5548451966664519362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram de mim? Pois é, esse blog está abandonado não por falta de assunto, nem por conta do trabalho da pós – que aliás, eu escrevi só mais 2 páginas além do que tinha feito no semestre passado e entreguei. Bateu foi um cansaço enorme de um ano corrido e sem férias (licença de 10 dias pra fazer uma cirurgia e ficar de molho não é exatamente férias, né?), e o saco cheio de um trabalho que não chega ser ruim, mas também tá longe de ser animador. Ok, eu sobrevivo, e pra compensar, senta que o assunto é longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda fui ao shopping, antes dele virar um inferno, comprar os presentes de Natal. Tenho duas sobrinhas (do marido, na verdade, mas já adotei, né?), com menos de 1 ano de diferença entre elas. São primas, bem diferentes tanto fisicamente quanto na personalidade, mas tem em comum a fofurice extrema – ok, corujice mode off. E eu acho uma dificuldade comprar presentes pra elas no shopping. A imensa maioria dos brinquedos é muito sexista. Nas lojas, tirando os brinquedos para bebezinhos, os outros são separados por gênero. E, puxa, vou chover no molhado aqui, mas como isso é carregado de ideologia. Aos 3 anos de idade essas crianças são doutrinadas pra ocupar seu lugar no mundo. E isso acontece não só com as meninas, claro. Com os meninos é a mesma coisa. Porque tantos carrinhos, gente? Quando crescerem, já vão ter internalizados que carro = pernas. Ou, em muitos casos, carro = pau. Mas voltando às meninas. A vendedora nos ofereceu um joguinho cujo nome deveria ser algo do tipo “beauty make-up”, algo pra ensiná-las a se maquiarem desde cedo. E também um conjunto de ferro + tábua de passar. Pausa aqui. Nada contra a ideia de brincar de panelinha, por exemplo. Comidas são lúdicas, claro, e emular tarefas de adulto não é necessariamente ruim. Mas duvideodó que alguém desse um jogo de ferro + tábua pra um menino, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, sou obrigada a contar da minha experiência na França. A menina que eu cuidava lá era bem mimada, ganhava muitos brinquedos. Pilhas deles na verdade, e além disso acho que tinha mais livros aos 6 anos do que eu do que eu tenho aos 30. Mas uma coisa eu achava o máximo: ela era estimulada a brincar de tudo. Nada era proibido. Ela tinha algumas bonecas, tinha panelinhas, mas tinha também um castelo medieval Playmobil. E tinha um joguinho de ferramentas mecânicas de plástico para montar carrinhos. No Natal que eu passei lá, ela disse que queria, entre outros presentes, uma fantasia de princesa. E a mãe levou-a a loja pra escolher a fantasia mais bonita. Mas ela viu  do rei Arthur, que vinha com espada e escudo, e gostou mais. Nada de “isso é de menino, não pode” nem de “mas vestido de princesa é machista e fútil!”. Liberdade pra descobrir o mundo, sabem como é? Lembrei dela na segunda-feira porque a mãe me contou uma história engraçada uma vez. A professora tinha achado curioso porque a Lola viu um ferro de passar num livro e não conhecia, apesar de ser uma menina tão viva e inteligente. A mãe explicou pra professora que era natural, porque a área de serviço era no porão, a Lola tinha medo de ir lá, então não tinha contato com o ato de passar roupas mesmo. Daí a professora retrucou: “ué, mas ela não tem um ferro de passar de brinquedo?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, neste ponto eu mudo um pouco o assunto. Eu não sei passar roupa. Sou péssima, mesmo. Então compro roupas que não amassam, coloco pra secarem esticadinhas no cabide, e vamos vivendo. Marido não precisa trabalhar de camisa social, então apesar de termos uma tábua em casa, ela é pouco utilizada. Ah, sim, temos uma faxineira trabalhando pra gente a cada 15 dias. Não vou me aprofundar aqui na questão social do trabalhador doméstico, mas cabe dizer que apesar de ser muito crítica do modelo de desigualdade social brasileiro que permite às pessoas terem semi escravos, não me sinto culpada por ter alguém trabalhando aqui em casa. E um dos motivos, entre outras coisas, é porque não peço a ela pra fazer nada do que eu mesma não faria. Ela não é mão de obra desqualificada fazendo coisas que eu sou muito nobre para fazer. Então, se passar roupa não é importante a ponto de eu não fazer isso quando não posso pagar alguém pra fazê-lo, ela também não faz. Questão de coerência, pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas olhem só, eu penso assim porque minha agenda tem algumas prioridades. A gente vai amadurecendo e vai dando valor a algumas coisas, deixando outras de lado, e tentando conciliar tudo neste mundo pouco razoável. E na minha agenda pessoal, o feminismo e justiça social não podem se chocar, por exemplo. Se a condição pra que eu seja feminista é ter uma semi escrava em casa, não funciona. Então, essas duas coisas estão acima do meu relacionamento com meu marido, até. Se ele achasse 1) que eu sou obrigada a fazer tudo sozinha, porque eu sou mulher ou 2) serviço domésticos são trabalhos inferiores a serem desempenhados por pessoas inferiores, ele não seria meu marido. Bem, só depois disso tudo vem a qualidade das tarefas domésticas. Logo, quando por qualquer motivo estes valores não podem ser conciliados, a casa fica uma zona. Sem a menor culpa porque apesar de no dia 8 de março louvarmos A Mulher, este ser multitarefa que dá conta de tudo, eu sou uma só e vim ao mundo pra ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou a fodona desencanada. Esta tranquilidade não é inerente. Eu achava sim as casas na Europa muito porcas, até entender que lá custa caro pagar alguém pra limpar, porque não há essa cultura escravista daqui, então o padrão de exigência passa a ser outro. Ok, as pessoas podem viver numa casa com janelas empoeiradas, qual o drama afinal? Logo quando virei dona-de-casa, no sentido de alguém que não pode delegar a outrem a manutenção do espaço em que vive, estava falando com minha mãe ao telefone e reclamei de cansaço de trabalhar o dia inteiro e ainda ter coisas pra me preocupar quando chego em casa. Ela me disse que, se eu tava cansada, “não precisava limpar casa todo dia, né?”. E eu explique a ela que além da grande limpeza quinzenal, essa casa só vê um aspirador de pó eventualmente, quando um de nós se incomoda muito com a sujeira, que o cansaço era por estas coisas que não podem ser adiadas, tipo fazer supermercado e cozinhar. Achei a conversa engraçada na hora, mas ela é ilustrativa de como a dominação funciona. Meu marido não precisa me cobrar nada. A cultura , representada pela minha mãe, me cobra. Se a gente for receber uma visita em casa, serei eu a me preocupar o que vão pensar se encontrarem tudo uma zona, porque todas as propagandas de material de limpeza tem uma mulher como protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, desencanar desta imposição dá muito trabalho, mas é preciso. E fica muito mais difícil se dar conta de que não é obrigatório passar roupas sempre, se aos 3 anos de idade alguém te oferece um ferro e uma tábua como presentes. Desta vez compramos presentes iguais pras duas: uma maletinha de médico, com estetoscópio, seringa, termômetro e mais umas coisinhas. Marido se derreteu imaginando uma destas pequenas médicas. Queremos muito que elas cresçam num mundo de possibilidades, em que passar roupa seja uma tarefa chata, não um destino inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* a imagem que ilustra este post veio &lt;a href="http://www.boingboing.net/2010/12/01/amanda-vissells-post.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed:+boingboing/iBag+(Boing+Boing)"&gt;daqui&lt;/a&gt;, e o link eu recebi via twitter do &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/lll/"&gt;Alex Castro&lt;/a&gt; (@alexcatrolll)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3608630763094340747?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3608630763094340747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/12/sobre-ferros-de-passar-entre-outras.html#comment-form' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3608630763094340747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3608630763094340747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/12/sobre-ferros-de-passar-entre-outras.html' title='Sobre ferros de passar - entre outras coisas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TQAPqq5bLsI/AAAAAAAAAC4/nvvkbdF4qP4/s72-c/postersheet.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8761386160139223298</id><published>2010-11-21T16:43:00.007-02:00</published><updated>2010-11-21T17:14:24.786-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>O post que se fez sozinho</title><content type='html'>Tô eu aqui na poltroninha nova, enrolado, tomando vinho branco, esperando o jogo do Corinthians começar e pensando que deveria estar estudando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí pensei que o tema é importantíssimo, mas que não tinha nenhuma inspiração para escrever sobre isso (e por isso é difícil seguir proposta de blogagens coletivas, porque inspiração não é negociável):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TOlpGLd16lI/AAAAAAAAACw/OEbxbmaLfEI/s1600/banner_feministas_online2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 277px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TOlpGLd16lI/AAAAAAAAACw/OEbxbmaLfEI/s320/banner_feministas_online2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542076371334195794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu disse que tava de bobeira. Daí fui ver uns vídeos no youtube. E fui ver umas coisas de umas bandas não conhecidas aqui no Brasil, mas que eu conhecia porque dava aulas de espanhol. E achei esse aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DEfaxwK3mn4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/DEfaxwK3mn4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, puxa, achava divertido há uns anos atrás, mas nunca tinha prestado atenção na letra, né? Daí, no final fez-se o meu post. Saca só como termina a música:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por eso ahora tendré que obsequiarte&lt;br /&gt;un par de balazos, pa' que te duela.&lt;br /&gt;Y aunque estoy triste por ya no tenerte&lt;br /&gt;voy a estar contigo en tu funeral."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balazos é bala, gente. Ingrata, você me deixou e eu te mato. Não preciso nem comentar que a violência contra a mulher, o tal amor passional, taí, glamurizado, engraçadinho. Pra ficar mais signficativo, este é um grupo mexicano, e é no México que fica Ciudad Juarez, cidade tristemente célebre por sua violência contra a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria estar contente porque fiz este post em 10 minutos? Tô não. Tô indignada porque violência contra a mulher é um assunto tão corriqueiro que a gente esbarra com ele até quando não tá procurando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8761386160139223298?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8761386160139223298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/do-post-que-se-fez-sozinho.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8761386160139223298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8761386160139223298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/do-post-que-se-fez-sozinho.html' title='O post que se fez sozinho'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TOlpGLd16lI/AAAAAAAAACw/OEbxbmaLfEI/s72-c/banner_feministas_online2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5247146003208086078</id><published>2010-11-20T16:25:00.005-02:00</published><updated>2010-11-21T20:14:29.280-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Dia da Consciência Negra – e respeitando o timing</title><content type='html'>Eu sou uma moça muito desligada e achava que tinha de ter escrito o post que pretendia na semana passada por conta das discussões sobre o racismo na obra do Monteiro Lobato, ainda mais de ler &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/monteiro_lobato_o_racismo_e_uma_falsa_polemica.php"&gt;este post aqui&lt;/a&gt; no Idelber. Mas aí ontem veio de novo a inspiração e caiu a ficha de que oi, o dia da Consciência Negra é hoje, zé mané. Tem timing perdido não. Pra melhorar, O Idelber colocou &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/nao_e_sobre_voce_que_devemos_falar_por_ana_maria_goncalves.php"&gt;outro texto fera lá&lt;/a&gt;, da Ana Maria Gonçalves. Se você ainda não leu, recomendo fortemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, pra começar eu preciso contar que minha pela é branca. Tirei lá minha foto do twitter, e se alguém não viu antes, descrevo: sou um tipo não branca germânica, mas branca mediterrânea: pele branca amarelada, cabelos e olhos bem escuros (e um nariz grande que faz o povo achar que sou descendente de árabes – mas não sou). Meu fenótipo é uma combinação de vários outros, como acontece com boa parte dos brasileiros. Minha mãe tem a pele mais escura (e um nariz delicadinho). Minha avó tinha a pela ainda mais escura, nariz e lábios finos, cabelos bem pretos e bem lisos. Minha bisavó era, pelo fenótipo, negra. Mas não só por ele: era parteira e benzedeira numa cidade do interiorzão de Minas. E fumava cachimbo. Sim, o povo na família não diz isso assim - depois comento sobre – mas vó Joaquina era a própria preta velha. Dada a miscigenação, tenho parentes de todas as cores, e meu irmão tem olhos verdes. Tem uma foto sensacional do meu irmão pequenininho, loirinho, com a bisa preta, que eu adoraria ter digitalizada pra ilustrar este post. Se achar, depois eu subo pra cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, então, do lado materno da família, as mulheres tinham pele mais escura conforme a idade (minha avó paterna era branca, e morreu antes de eu nascer, então não era referência). Tenho claramente a memória de que em algum momento eu acreditei que seria negra quando fosse velha. Sério. Pode parecer surreal, mas imaginava que quando fosse adulta seria mais morena como minha mãe, e aos 80, negra como a bisa. Lógico que isso deve ter durado pouco e logo percebi que, olha só, há vovós por aí que são branquinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra informação importante (vai ficar longo isso...) é que tanto meu pai como minha mãe são de famílias muito pobres, com  muito pouca instrução. Mas o meu pai fez faculdade, teve a vida toda um emprego com uma remuneração bacana que o permitiu dar uma vida confortável para a família. Eu e meu irmão estudamos em colégios particulares uma parte da vida. E durante alguns anos estudei numa escola com um perfil elitizado, mas cujas mensalidades cabiam no bolso do meu pai com algum sacrifício. Bom, um dia, quando eu tinha por volta de uns 9 ou 10 anos, a professora de Estudos Sociais nos deu um trabalho interessante. Tínhamos que contar a história da nossa família, entrevistando nossos avós para saber sobre seu passado. Mas aí vinha o detalhe: o foco era o país de onde veio a família. Portugal, Itália, Japão, Líbano, enfim, estes lugares que exportaram gente pra São Paulo. Daí fui eu explicar que olha, eu até sei que tenho lá um bisavô português, alguém na família disse que tem um espanhol, mas minha avó veio de Minas mesmo. Não, não servia. Tinha que ser estrangeiro. E me sugeriu entrevistar outra pessoa que viesse do mesmo país. Acabei, muito a contragosto, entrevistando uma vizinha espanhola. Sem nenhuma identificação: a Espanha não dizia nada pra mim. Nem sabia o que era paella até a entrevista – comida de antepassado, pra mim, era frango com quiabo e angu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pais não se deram conta do problema na época, não protestaram. E não vou dizer que tenho trauma porque não é verdade: esse caso ficou mais ou menos esquecido até a minha licenciatura, quando em alguma matéria vimos a questão dos "temas transversais", que devem ser abordados em todas as disciplinas. Só então eu me lembrei. De novo, não fiquei traumatizada, mas me lembro do desconforto na época. De me sentir a orfã, aquela que não tem passado e precisa pegar emprestado do da vizinha. Fora isso, hoje tenho a consciência de que minha avó, que vivia comigo na mesma casa, não teve o direito de ter sua história reproduzida e valorizada - o que é muito mais revoltante do que meu incômodo. Dentro de casa sempre imperou o respeito e a tolerância, mas boa parte da família é racista – contavam piadas racistas e diziam  que a vó e a bisa eram “morenas”. Mesmo a minha avó dizia que “de preta, já basta eu”. A falta de autoestima de quem aprendeu que, como negra, pobre e sem instrução, não tinha valor. E eu me dou conta do quanto é perversa uma atividade escolar que reforça isso. Bom, desnecessário dizer que não havia crianças negras na turma. Mas eu ouso chutar que, se houvessem seriam convidadas a entrevistar o português da padaria, com aquele papo de que todos descendem de portugueses também, né? O “embranquecimento” da população, tão defendido no começo do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança e a análise deste evento me ajudaram a amadurecer a minha defesa da cotas raciais. Eu, menina de pele branca e cabelo liso, tive o meu passado próximo discriminado e fui obrigada não a mentir (é, eu sou descendente de portugueses e espanhóis e alemães até, também) mas a editar a minha história pra que ela fosse “aceitável”. E na ocasião nem me passou pela cabeça que a escola estivesse errada: o problema era meu, ué. Fiquei imaginando então como é para a criança negra, aquela que só aprende que seus antepassados foram escravos e que a África é, olha só, a fornecedora de escravos - ponto. No geral não aprende nem de onde estes escravos vinham, de que países, a cultura deles, etc. Isso que chamam de “mesmas oportunidades para todos” os que defendem a meritocracia do vestibular sem cotas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o papo caiu nas cotas, mas nem é essa a questão. Fica muito claro pra mim que quem fica falando em “ditadura do politicamente correto” tá pensando só na sua infância idílica. Porque na minha infância nada romântica a escola me disse que a vovó ideal era a Dona Benta – mas a que eu tinha em casa, que teve doze filhos, trabalhou em garimpo grávida e não teve acesso à educação formal, lembrava mais a tia Anastácia. Minha avó já morreu, mas por respeito a ela e desagravo ao fato de que sua história não foi devidamente reconhecida em vida quando deveria, eu só posso condenar quem relativiza o racismo. Eu prefiro a preservação da autoestima das crianças negras à elevação da Emília a cânone intocável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5247146003208086078?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5247146003208086078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/dia-da-consciencia-negra-e-respeitando.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5247146003208086078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5247146003208086078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/dia-da-consciencia-negra-e-respeitando.html' title='Dia da Consciência Negra – e respeitando o timing'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3556324411450322931</id><published>2010-11-16T22:53:00.004-02:00</published><updated>2010-11-16T23:20:04.049-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Um post de links requentados, basicamente</title><content type='html'>Daí que eu planejei escrever um post bem bacana na sexta, antes do feriado. Cheguei cheia de idéias, mas aí olhei pra cara do marido e... e outras prioridades tomaram a frente - se é que vocês me entendem. Resolvida a prioridade do casal com pouco tempo juntos, passamos à pizza, marido abriu um vinho e duas taças depois eu peguei no sono. Soninho justo, bem amado e bem alimentado - às 10 e meia da noite. É, pode chamar de velha cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí fui atropelada no últimos dias por &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/natureza-essa-sacana.html#comments"&gt;isso&lt;/a&gt; (não com a mesma intensidade, mas da mesma natureza). Pouquíssima vontade de escrever. Quando a vontade reaparecer, vou ter que usá-la pra adiantar meu trabalho da pós, já que eu tenho que entregá-lo um pouco mais adiantado no dia 4 de dezembro. Ou seja, talvez eu suma, ou só faça post mequetrefes assim por uns tempos. Desculpaê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não podia deixar de agradecer à &lt;a href="http://apenasumafresta.blogspot.com/"&gt;Glória&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://corpoindisciplinado.blogspot.com/"&gt;Mari Biddle&lt;/a&gt; pelo selinho. Eu já havia recebido &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/o-surreal-o-selo-e-as-leituras.html"&gt;este mesmo selo há alguns meses e repassado à alguns blogs&lt;/a&gt;. Então, só vou retribuir a gentileza acrescentando o delas a lista, tá? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3556324411450322931?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3556324411450322931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/um-post-de-links-requentados.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3556324411450322931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3556324411450322931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/um-post-de-links-requentados.html' title='Um post de links requentados, basicamente'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1310540802593959103</id><published>2010-11-07T16:39:00.003-02:00</published><updated>2010-11-07T16:52:01.476-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Diversos microtemas sem nenhuma profundidade</title><content type='html'>Preguiça de escrever, mas não gosto de deixar tudo abandonado. Então, microtemas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas mulheres resolveram fazer umas fotos engajadas e sensuais e criaram uma página no Facebook chamada “gostosas pró-Dilma”. Claro que muita gente achou de mal gosto, machista e tal. Daí &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/politica/2010/11/06/grupo-gostosas-para-dilma-inaugura-panfletagem-sensual-e-gera-polemica.jhtm"&gt;no Uol, noticiam a coisa&lt;/a&gt; tentando associá-la ao Serra pedindo ajuda pras “meninas bonitas” de Uberlândia pedindo votos pra ele  . Como se fosse a mesma coisa. Como se fosse incoerência chamar o Serra de machista e postar uma foto “sensualizando” pró Dilma. E não é. A Dilma não pediu pra ninguém mostrar o decote pra fazer campanha. Muito menos sugeriu que suas eleitoras insinuassem trocar favores sexuais por votos. Mas as eleitoras da Dilma (e as do Serra, claro) são mulheres donas de seus corpos e de sua sexualidade e se resolveram misturar com política, foi por decisão própria, não por apelos externos. Sim, a gente tem o direito de não gostar se quiser. E o Serra também deu uma sugestão, não uma ordem. Mas não é a mesma coisa, nem de longe. A autonomia da mulher é a questão. Eu dispôr do meu corpo é uma coisa. Você achar que pode dispor das minhas vontades como capital político, é outra bem diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira minha &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/desculpae-pieguice-de-novo.html"&gt;amiga Ma&lt;/a&gt;, que mora na França, veio jantar em casa. Ela ainda não conhecia o apê que eu divido com o marido. E foi tão engraçado que ela trouxe o Arthur, seu filho de 15 meses. E tomaram conta da casa. Toda uma outra dinâmica. Fosse outra pessoa, talvez eu achasse espaçosa. Mas é a Ma, e a Ma pode tudo na minha casa: já entrou dizendo que precisava dar um banho no menino, ficou descalça, pediu pra gente tirar a mesa de centro (que é dela, aliás...) e o tapete para ele não cair e abrir espaço pro cercadinho portátil, me colocou pra lavar mamadeiras, deu fralda de cocô na minha mão pra eu jogar no lixo, fez a Lu dar mamadeira pro pequeno. Enfim, ficou a vontade. Nada mais gostoso do que alguém que a gente ama ficar a vontade na nossa casa. Adorei. Uma coisa ficou cristalina: a vida com crianças é outra. Parece boa também, mas é bem diferente, e cansativa. Por enquanto gostamos muito da nossa como está, então contracepção é bom e fazemos uso. Bem engraçada essa fase em que os amigos (e no caso do marido, os irmãos também) começam a ter filhos e sua vida social se divide entre a turma do descompromisso a turma das fraldas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ma contou um pouco sobre seus perrengues na França. Ela chegou lá em 2005, mesma época que eu. Ficou, casou, fez um master, já trabalhou, enfim, tá habituada. Mas de uns tempos pra cá tem ficado de saco cheio da condição de estrangeira, a mesma que me deixou de saco cheio em poucos meses. Ela contou que tem vontade de clinicar na França (ela é psicóloga), mas como nossa faculdade aqui não tem TCC, precisa entregar uma memoire pra conseguir sua licença. Até aí, beleza, a gente já sabe como funciona. Ela procurou uma instituição do tipo ensino à distância, pra fazer um curso on-line de psicologia do trabalho pra adquirir algum conteúdo enquanto faz o memoire. De novo, ela não precisa estudar mais, bastaria entregar o trabalho. Chegando pra fazer a matrícula, cismaram que ela não tem license. License, pra quem não leu lá na Amanda ou na Luci, são os 3 primeiros anos de faculdade, sem TCC. A Ma se formou em psicologia no Brasil (5 anos), começou um mestrado aqui mas não chegou a terminar (2 anos) e fez um mestrado em administração hospitalar na França (2 anos). Toda a documentação explicando isso. Daí ela chega lá, dizem que não, ela não pode, e quando ela vai entregar a documentação do Ministério explicando a equivalência da formação dela, a simpática secretária diz que está fazendo greve, não pode analisar documento nenhum, e que só estava lá pra adiantar trabalho atrasado. Nonsense total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, sempre que você ouviu que fulaninha casou com estrangeiro e se deu bem, releve muito. Se a ambição da fulaninha era só viver fora do país e ter um cara par pagar as contas, pode ser que tenha se dado bem mesmo. Mas se fulana quer estudar, trabalhar, fazer algo que a realize, reconsidere. Ela pode ter que ficar longe das pessoas que amam, enfrentar toda dificuldade de estar numa cultura diferente, sofrem com a língua, e depois de anos lá e muitos anos de estudo de nível superior ser encarada como a estrangeira que tem que provar que fez faculdade. Haja saco. Um beijo pra &lt;a href="http://portedoree.blogspot.com/"&gt;Amanda&lt;/a&gt; e pra &lt;a href="http://casomeesquecam.blogspot.com/"&gt;Luci&lt;/a&gt;, que estão nesse barco. E pra &lt;a href="http://corpoindisciplinado.blogspot.com/"&gt;Mari Biddle&lt;/a&gt;, que não está na França, mas imagino que passe perrengues parecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, receitinha, porque este é um blog variado. Pra sobremesa do jantar de sexta, bati no liquidificador 400g de queijo branco fresco, creme de leite, um pouco de leite condensado (meia lata, não mais do que isso) e coloquei gelatina incolor diluída em 5 colheres de água quente. Dormiu na geladeira e no dia seguinte virei goiabada cremosa (mas dá pra derreter a goiabada em pedaços no fogo com um pouco de água). O povo adorou, mas a quantidade era muita e sobrou. E agora me engajei na árdua tarefa de acabar com essa sobremesa simples no feitio mas luxo no sabor. Recomendo a quem quer servir algo simples mas que pareça mais elaborado do que abrir uma embalagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1310540802593959103?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1310540802593959103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/diversos-microtemas-sem-nenhuma.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1310540802593959103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1310540802593959103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/11/diversos-microtemas-sem-nenhuma.html' title='Diversos microtemas sem nenhuma profundidade'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-788745718578547237</id><published>2010-10-31T20:07:00.002-02:00</published><updated>2010-10-31T20:19:57.234-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>=D</title><content type='html'>Não, o país não deixará de ser machista em 1º de janeiro, tal qual os EUA não deixaram de ser racistas. Mas é um passo importante, pra quebrar paradigmas. Para as novas gerações crescerem acostumadas às novas possibilidades. Disse no twitter, disse em comentários por aí e repito: eu nasci num país governado pelo general Figueiredo, que gostava mais de cavalo do que gente. E hoje vejo uma mulher divorciada ser eleita, apesar de uma campanha machista retrógrada apoiada pela imprensa. É um outro país, não há como negar. Por ele, pelas possibilidades que ele traz, eu comemoro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-788745718578547237?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/788745718578547237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/d.html#comment-form' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/788745718578547237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/788745718578547237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/d.html' title='=D'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-2249360581237203940</id><published>2010-10-25T21:10:00.002-02:00</published><updated>2010-10-25T21:18:44.362-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>O (não) peso das palavras</title><content type='html'>Acho que eu nunca escrevi sobre este tema, embora seja muito de meu interesse. As sutilezas dos significados que um significante pode ter (pra quem não é familiarizado: significante é a palavra sapato, significado é o objeto sapato). Uma palavra pode ter diversos pesos, impactos, provocar reações as mais diversas dependendo de quem a diz ou de como a diz. Por exemplo: referir-se a alguém carinhosamente como “meu preto” não tem nada a ver com usar a cor da pele como forma de insulto. Só quem é muito desonesto intelectualmente não aceita isso, que o contexto, se não diz tudo, diz muita coisa ao menos.&lt;br /&gt;Aconteceu uma coisa engraçada esse final de semana. Eu não sabia que uma (nova) amiga era lésbica. Daí perguntei pra galera: “só eu não sabia que fulana é sapata”? Todo mundo riu. E depois eu comentei com a própria: “fulana, só eu não sabia que você era sapata!”. E ela respondeu, dando risada: “ok, me apresento de novo, prazer, sou a fulana, e sou sapatão”. E todo mundo riu mais ainda.&lt;br /&gt;Meu primeiro contato próximo com a homossexualidade foi quando uma amiga da escola, que até então se relacionava com meninos, voltou das férias namorando uma garota. Tínhamos 16, 17 anos. Aquilo me intrigou um pouco, como tudo o que é novo. Depois me acostumei, mas lembro que achava a palavra “sapatão” super pejorativa. Semana passada eu ouvi, em contextos diferentes, duas mulheres se apresentando como “sapatão”, de uma maneira extremamente bem humorada. Uma delas, na verdade, disse que era “sapatã” - achei bem fofo. Então, venci o meu preconceito com o termo, chamei a amiga de sapata, e ela entendeu que, por sapata, eu tava dizendo “uma mulher que gosta de outras mulheres”, nada além. &lt;br /&gt;Eu sempre achei extremamente subversivo isso de se apropriar de uma palavra teoricamente ofensiva, assumi-la, e devolver para um interlocutor como um enfrentamento, porque você desarma o preconceituoso. Sempre lembro da tal mesa redonda com profissionais do sexo no Fórum Social Mundial, que eu já mencionei aqui. Mulherada dizia: “olha, eu sou puta, gosto de ser puta, gosto muito de fazer sexo e ainda ganhar dinheiro pra isso.” Esqueçamos a discussão feminista sobre a prostituição neste momento. Quando alguém chama uma mulher de puta e ela responde, de cabeça erguida, “sou puta mesmo, e daí?”, ela desmontou o ataque. E eu acho isso lindo.&lt;br /&gt;Tem um neologismo que eu uso de uma maneira bem humorada, mas que o machismo considera ofensa gravíssima: periguete. Mas eu só uso porque, na minha cabeça, registrei “periguete” como a mulher gostosa que sabe que é gostosa e adora ser gostosa. Eu não coloco nenhum julgamento moral aí. Só que, né? Preciso tomar cuidado pra usar, porque eu não vivo em Marte. Se eu me refiro a uma mulher como “periguete”, meu interlocutor pode achar que eu tô condenando, e eu não sou assim. Tem um caso engraçado de uma amiga linda e muito bem-sucedida, cargo alto em multinacional e tudo, que usa este termo pejorativamente, fala “eu não sou uma periguete qualquer”. Mas ela tá sempre usando roupas que chamam muito a atenção para seu (lindo) corpo. Sempre “vestida para matar”, decotão, roupa justa, maquiagem pesada, microssaia - em 10 anos de amizade, nunca a vi de jeans, camiseta e tênis. No dia em que eu a apresentei ao meu marido (então namorado), ela usava uma blusa meio transparente, sem sutiã, “farol aceso”. Bem periguete, segundo minha definição. Lógico que ele olhou os peitos dela. Até eu olhei, né? E nada demais, como ele é um cara bacana, olhou, achou gostosa, e não inferiu nada sobre ela só por isso. Acho que ela não é menos respeitada por ninguém por conta da maneira como se veste: é inteligente o suficiente pra se afastar gente desrespeitosa, e pra deixar claro que sim, ela é gostosona, sim, você pode olhar e não, ela não é mero objeto de apreciação, embora goste muito de ser admirada. Mas o engraçado é que faz este julgamento sobre outras mulheres. Sei lá qual o critério dela, mas acho graça. &lt;br /&gt;Post sem pé nem cabeça. Só que pra dizer que, oi, você pode ser periguete, você pode ser sapata, você pode ser tudo, sua linda. O que não pode é alguém te desrespeitar por conta disso. Machismo é achar que existe um padrão aceitável de conduta para uma mulher, e que todo o resto é condenável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-2249360581237203940?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/2249360581237203940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/o-nao-peso-das-palavras.html#comment-form' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2249360581237203940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2249360581237203940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/o-nao-peso-das-palavras.html' title='O (não) peso das palavras'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5011305466018766024</id><published>2010-10-20T00:31:00.003-02:00</published><updated>2010-10-20T10:03:16.915-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Leituras Feministas - Deslocamentos do Feminino</title><content type='html'>Este o nome do livro originado da tese de doutorado da Maria Rita Kehl, que eu tinha prometido pra &lt;a href="http://www.estradaanil.com/"&gt;Rita&lt;/a&gt; comentar, já que ela leu Madame Bovary não tem muito tempo. Prometi isso em setembro ainda, quando o Corinthians era líder do campeonato e a gente nem sonhava que a eleição ia virar essa baixaria. Tipo, parece que foi o ano passado. Nesse “não tem muito tempo” a Rita já deve ter lidos mais meia-dúzia de livros (ok, exagerei), a autora já entrou e saiu dos TT's do twitter e, bom, nada do meu post. Veio o segundo turno, o desânimo, semana que vem vou me matar de trabalhar num evento, tenho que ler 4 livros e avançar um pouco na minha monografia e, se enrolar muito, nunca mais escrevo sobre isso. Mas divago. Você não veio até aqui pra ler mimimi, né? O post já vai ficar longo sem este parágrafo altamente dispensavel... Preparem-se para um leitura confusa (no mínimo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste livro a autora analisa a suposta identidade feminina do ponto de vista freudiano. Freud acreditava que o sofrimento de suas “histéricas” se dava por seu não ajustamento ao seu papel -  no que a autora concorda. E acreditava que só haveria possibilidade de cura para seu sofrimento psicológico se este papel fosse aceito de bom-grado – no que discordamos eu, a autora e provavelmente todo o movimento feminista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro capítulo, Kehl (engraçado, né? Parece apelido de “raquel”) trata de uma questão fundamental para a psicanálise, para a obra de Flaubert e para o feminismo: a construção do discurso. As mulheres são objeto de um discurso do feminino que não foi elaborado por elas. Falando em português claro, ninguém perguntou pra mim ou pra você o que é ser mulher. Você pode argumentar que, Iara, mas ninguém perguntou aos homens também. A diferença é que o homem é o “sujeito zero”, digamos assim. O cidadão básico, que não precisa de definição. Nem precisa ir muito longe na história: acho que todo mundo sabe que os redatores das revistas femininas do começo do século XX eram todos homens. O discurso que as moças liam sobre como deveriam se portar não era elaborado por mulheres mais velhas e supostamente experientes, mas por eles. E assim tem sido desde sempre: nosso lugar é aquele que nos foi reservado pelos outros. Uma das minha melhores amigas, psicóloga de formação, uma vez disse que eu era muito radical, que nem tudo construído socialmente é ruim. E eu concordo: sou monogâmica e não acho isso ruim, só pra dar um exemplo banal.  Ruim é quando querem te empurrar todo um modelo, composto por uma série de atributos, goela abaixo (ou cabeça adentro, como preferirem). Então, este é o primeiro ponto fundamental: não foi a mulher que inventou o que é ser mulher. A gente vive com isso, algumas melhor do que outras. E, bom, a matéria da psicanálise é a fala do paciente, né? O discurso faz parte do tratamento. Freud tinha um desafio imenso de tentar fazer falar aquelas que não tinham voz. E lógico, ao falar, revelaram coisas inéditas ao seu ouvinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas vamos a Madame Bovary um pouco. Ela faz parte de uma geração pós Revolução Francesa, evento que trouxe uma grande mudança na expectativas dos homens burgueses, mas não de suas mulheres. Pra tentar ser curta grossa: até a Revolução, os filhos de sapateiro cresciam sabendo que seriam filhos sapateiros. Não havia mobilidade social. Logo, como esposa do sapateiro, a mulher era seu igual. Ok, não era e nem é até hoje, mas não vamos falar da dominação doméstica, foco no papel social de maneira mais ampla: ambos, marido e mulher, já tinham suas cartas marcadas, seu lugar estabelecido. A Revolução agitou as coisas e trouxe a expectativa e a possibilidade de novos empreendimentos. Lógico, a mobilidade social ainda hoje é muito restrita. Mas somos uma nação que elegeu um retirante torneiro mecânico presidente, então, né, a possibilidade existe, e já existia (em menor medida, claro) no século XIX. Mas, para as mulheres burguesas desta época, as cartas continuaram sendo marcadas. Com um agravante: antes, se a moça se casava com o médico do vilarejo, sabia que seria, para sempre, a esposa do médico do vilarejo, ok. Depois da Revolução, passou a ser a esposa do médico do vilarejo que até poderia ter se destacado, mas não o fez por mediocridade. Havia uma expectativa a ser frustrada. A mulher só chegava até onde a levasse seu marido, e nunca poderia ser mais inteligente que ele. Assim, fosse minimamente mais “arejada” e imaginativa, como Emma Bovary, estaria condenada, para sempre, à opacidade social de seu companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, bom, o que faz Emma para preencher seu tempo? Lê romances. Que não só não a ajudam a sublimar sua energia subempregada, como também alimentam suas fantasias. Emma Bovary é Dom Quixote de saias: de tanto ler, passou a se fantasiar como protagonista de suas próprias histórias. O problema é que o protagonismo lhe era, justamente, negado. Não havia essa possibilidade para ela, em nenhuma circunstância. A Kehl, em seu livro, menciona algumas mulheres que se destacaram no século XIX justamente pela literatura. Jane Austen é a mais famosa que eu me lembro agora. Uma das poucas mulheres que podiam se sustentar com seu trabalho intelectual, e uma ironia que este trabalho seja, justamente, seu discurso. Curioso este duplo papel da literatura, alienando e resgatando da alienação por vezes. Nossa autora menciona ainda outros casos bem sucedidos de mulheres que, compreendendo bem o papel do casamento em suas vidas, conseguiram se unir a maridos que incentivavam seu desenvolvimento intelectual. Mas Emma Bovary não tem potencial para ser Jane Austen. E seu sofrimento é porque, justamente, não havia a menor possibilidade de contar com seu marido para essa transcendência almejada. Fosse uma mulher pobre, operária, talvez vivesse com alguma dignidade como criada numa família rica, sem necessariamente sujeitar-se a um marido. Mas Emma é pequeno-burguesa, inteligente, sem contudo chegar a ser brilhante. Fosse no século XXI, viraria assistente administrativa em multinacional, pra ganhar seu pão com dignidade e sem maiores intempéries enquanto sonhava em dominar o mundo (oi? o/). Sendo o século XIX, o que lhe restou foi procurar amantes e tentar, por meio deles, se realizar. No romance ficam claros seus diferentes papéis nas relações em que se envolveu. Se não é bem-sucedida, é mais por culpa da dificuldade da empreitada do que por sua capacidade de empreendê-la. Mas, segundo Kehl, se podemos determinar o poder de decidir seu próprio destino como medida de sucesso, talvez Emma Bovary tenha sido sim bem-sucedida de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kehl afirma que não pode, como profissional, dar um diagnóstico de Emma Bovary assim, sem mais. Mas tudo nos leva a crer de que era uma histérica, segundo a definição freudiana, e sua condição a infligia grande sofrimento. Como eu disse acima, para Freud, o caminho para a cura seria a resignação sincera. Kehl acredita que não. Freud, como homem do seu tempo, não foi capaz de visualizar uma mudança na sociedade que permitisse às mulheres não sofrerem pela inveja do falo. E aí eu aprendi um coisa que não sabia (acho que até sabia, mas não lembrava, ou não tinha ficado tão claro): que o falo não é o pênis. Mulher não tem inveja do pênis, tem inveja do falo, tem inveja do poder de ação e de discurso que aqueles dotados de pênis têm na sociedade patriarcal. Porque, né? Eu acha viagem mesmo essa coisa do pênis, que só me faz falta mesmo em banheiro de rodoviária e boteco copo-sujo. Lógico que a castração só é simbólica. Serei eu a única lesada? Tenho a impressão de que a própria autora diz que o Freud confunde essas ideias às vezes - mas pode ser viagem da pessoa que escreve sobre um livro 2 meses depois de ter terminado a leitura e sem ter feito nenhuma anotação (é, nenhuma vocação acadêmica, fato). Sim, um falo, para algumas mulheres, poderia ser um filho, a realização através da nova geração. Neste contexto, faz sentido o desinteresse de Emma pela filha, já que uma mulher não poderia transcender por ela, seria só mais uma a ser esposa de alguém. A sedução também é poder, claro. Freud acreditava que suas pacientes poderiam ficar livres de sofrimento se entendessem que sua transcendência estava nesse binômio sedução-maternidade. Binômio que a gente sabe que é super atual, é o que nos vendem como “combo mulher nota 10”. E a autora não o nega nem o desqualifica. Mas, né? É muito pouco. São só dois caminhos, tem mulheres que não querem nada disso, tem mulheres que querem isso e muito mais. Tem mulher que quer ser até Presidente da República, olhem só a audácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, pari o post. Desculpem se ficou confuso. Recomendo a leitura do livro, porque é muito denso, mas didático e esclarecedor. A Editora é a Imago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Acabo de me dar conta de que este blog completou 1 ano no dia 5, bem no meio da depressão pós segudo turno. Nem lembrei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Update, no dia seguinte: vocês também tem vergonha de seus textos publicados com sono? Corrigi uma porção de coisas já, mas ainda tá confuso. Desculpaê, pessoal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5011305466018766024?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5011305466018766024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/leituras-feministas-deslocamentos-do.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5011305466018766024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5011305466018766024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/leituras-feministas-deslocamentos-do.html' title='Leituras Feministas - Deslocamentos do Feminino'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-2961133245115876379</id><published>2010-10-13T21:08:00.003-03:00</published><updated>2010-10-13T21:31:24.660-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Mudando de assunto...</title><content type='html'>Eu tô devendo um post sobre o livro da Maria Rita Kehl que eu falei que ia fazer, até porque será sobre uma obra em que ela analisa Madame Bovary, a Rita leu faz pouco e, bom, o timing tá passando (droga!). Mas tô meio de saco cheio de assunto super sério (eleições? deu por enquanto). Daí me deu vontade de escrever sobre algo diferente. Algo sério mas não no gênero épico, no lírico.&lt;br /&gt;Tenho essa amiga que está num relacionamento bem instável. Aliás, não só o relacionamento, a vida dela está muito instável e este relacionamento começado no meio da crise só reflete isso. E ela diz que gosta do cara, mas os dois não conseguem se entender. Na sua versão, não dá pra terminar porque o namoro “é a única coisa boa” na vida dela no momento. E não adianta eu argumentar que “olha, mas um relacionamento ruim não é uma coisa boa...”. Claro, cada um pensa de um jeito. Tem gente que não consegue ficar sozinha, e pode ser que seja o caso dela. Eu já estive sozinha por longos períodos e já estive em relacionamentos ruins e posso dizer que hoje eu não troco a primeira situação pela segunda. Mas sou espertinha o suficiente pra dizer que esta sou EU e isto é HOJE. Não posso garantir que sempre vou pensar assim. Mas que eu acho um desperdício uma pessoa tão jovem se apegar a algo que não a está fazendo feliz, isso eu acho.&lt;br /&gt;O problema principal do casal em questão é o ciúme. Os dois sentem um ciúme absurdo um do outro. Não é caso de polícia, felizmente, mas é caso de tensão constante. E você diz: “mas Iara, sua tolinha, tem gente que acha que isso apimenta a relação”. Pode ser, mas eu acho que uma coisa é aquela briguinha boba, aquele charminho, que termina em fazer as pazes na cama. Outra é ficar o tempo todo se perguntando o que o outro está fazendo, sofrendo, fantasiando e levando a questão para guerra semana-sim-e-outra-também. Sabe gente que vai fuçar no celular alheio procurando algo pra se aborrecer? Nesse naipe. &lt;br /&gt;Já falei pra ela que é bobagem. Que não funciona assim. O amor só é tão bacana porque o outro é livre. Tem que cativar, não prender. Mas ela disse que não consegue ser assim, que tem muito medo de “ser feita de trouxa”. E, né? Mandei a real pra ela. Garantia até a próxima Copa, só na televisão nova. Amor não dá garantia nenhuma. “Ser feita de trouxa”, que pode significar coisas muito diferentes pra pessoas diferentes, é um risco inerente ao sentimento. Enquanto eu escrevo isso, marido está na faculdade. Quer dizer, deve estar. Mas pode estar com outra, dizendo “sabe como é, minha mulher é frígida, nem rola nada entre a gente, etc”. Confio muito nele, nos seus sentimentos, e no seu amor e respeito por mim, mas já vivi o suficiente pra saber que as pessoas são humanas, com tudo de bom e de ruim que essa humanidade implica. Todas as pessoas que amamos têm potencial pra nos machucar.. TODAS. E olha só, também temos esse potencial e podemos machucar os outros, ainda que involuntariamente. As opção são: confiar, não pensar no assunto e extrair o máximo de felicidade da vida, ou se fechar, travar e viver angustiada por não ter o controle de tudo. Eu escolhi a primeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-2961133245115876379?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/2961133245115876379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/mudando-de-assunto.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2961133245115876379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2961133245115876379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/mudando-de-assunto.html' title='Mudando de assunto...'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8679613965413244907</id><published>2010-10-05T20:21:00.003-03:00</published><updated>2010-10-05T20:46:06.387-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Elaborando um pouco a indignação desta manhã</title><content type='html'>&lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/do-desabafo.html"&gt;De manhã&lt;/a&gt; eu estava com uma enxaqueca daquelas terríveis. Daí, abri o Uol, vi o &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/809786-pt-estuda-tirar-aborto-de-programa-para-estancar-queda-de-dilma-entre-religiosos.shtml"&gt;link&lt;/a&gt;, achei que nunca mais fosse ficar em bem na vida. Mas a Neosaldina* ajuda gente a concatenar as ideias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eu tava satisfeita com a maneira com que a Dilma tava levando as coisas antes dos boatos. Não dá pra dizer que é super a favor, tem que jogar no colo da saúde pública. Acho que dizer assim fica claro. E acho que faltou orientação da campanha, de dizer que é o congresso que decide, que presidente sozinha não faz nada, que ela precisa repetir isso. Sim, no meu mundo ideal ela poderia ser mais enfática, claro, mas no meu mundo ideal aborto nunca teria sido criminalizado. Então achava que isso era o suficiente pra não desagradar ninguém. E daí entrava o pessoal religioso, Crivela, Benedita (e agora no segundo turno, o Chalita), que já que estão lá, tem que prestar pra alguma coisa. Pelo menos pra usar sua comunicação com este público pra dizer que ela não é o bicho-papão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí vai o bosta do &lt;a href="http://twitter.com/andrevargas13"&gt;André Vargas&lt;/a&gt; falar aquela bobagem no twitter. Que abortista é o Serra por conta da pílula do dia seguinte. O que além de ser uma campanha de tão baixo nível quanto o que a gente critica, traz a pauta uma questão já conquistada. Tem como ser mais revoltante? Ah, tem. Lembra que eu disse ontem que tem gente do nosso lado com quem eu não confraternizaria para nada? &lt;a href="http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/10/05/e-para-usar-o-aborto-na-campanha-ministro-serra-autorizou-muito-aborto/"&gt;Paulo Henrique Amorim&lt;/a&gt;, por exemplo. Olha só, o Serra, como Ministro da Saúde, assinou uma política pública pra fazer com que o SUS atenda as mulheres que tem direito a interromper a gestação legalmente, de acordo com a nossa legislação. Porque apesar de terem este direito desde 1940, não conseguiam exercê-lo pelo SUS. Quer dizer, bola dentro. O que um Ministro da Saúde sério deve fazer. Apesar de chamar quem aborta de “carniceiro”, o cara deu a cara a tapa pra garantir um direito adquirido. Algo a ser comemorado, pois. Daí o que PHA faz? Sugere transformar em spam pro outro lado. Tipo, “abortista é ele, não somos nós”. Se isso não é desonestidade das mais baixas e desrespeito com uma bandeira tão cara ao feminismo, eu não sei o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que me incomoda demais? É que &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/810203-candidato-do-pv-da-bahia-declara-apoio-a-serra.shtml"&gt;Luiz Buassuma está ado-ran-do o rumo dessa prosa&lt;/a&gt;. Luiz Buassuma é um dos defensores daquela &lt;a href="http://www.camara.gov.br/sileg/integras/770928.pdf"&gt;aberração do Estatuto no Nascituro&lt;/a&gt;. O cara foi expulso do PT por suas posições, e imagino que as feministas do partido devem ter feito pressões neste sentido. E sabe que partido o acolheu de braços abertos? &lt;em&gt;Surprise, suprise&lt;/em&gt;: o PV da Marina. Daí sai uma notícia dizendo que o PT está disposto a pôr as feministas de lado. E, olhem só, o PT tá precisando de alguns votos que, no 1º turno, foram pra Marina. E a Dilma aparece no JN dizendo que é super pró-vida, sem ninguém ter nem perguntado. Você pode achar que eu estou exagerando, mas lembre-se que o &lt;a href="http://contraoestatutodonascituro.wordpress.com/"&gt;Estatuto do Nascituro&lt;/a&gt; a redação do Estatuto foi &lt;a href="http://contraoestatutodonascituro.wordpress.com/nao-merece-seu-voto-quem-apoia-o-projeto/"&gt;aprovada pela Comissão de Seguridade e Família da Câmara&lt;/a&gt;, o que já o torna mais do que um devaneio. Eu quero crer que daqui a pouco alguém engaveta isso, até porque eu não acho mesmo que a sociedade deseja esse retrocesso. Além disso o Bassuma, o Miguel Martini e a Solange Almeida, que são os 3 cabeças da coisa, não se reelegeram - nem tudo na vida são más notícias. Mas alguém vem aqui por favor dizer que eu estou mucholoka de ter relacionado tudo isso, que uma coisa não tem nada a ver com a outra.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;* isto não é um publieditorial &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8679613965413244907?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8679613965413244907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/elaborando-um-pouco-indignacao-desta.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8679613965413244907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8679613965413244907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/elaborando-um-pouco-indignacao-desta.html' title='Elaborando um pouco a indignação desta manhã'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-2011959048233100111</id><published>2010-10-05T10:19:00.005-03:00</published><updated>2011-09-11T09:21:54.279-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Do desabafo</title><content type='html'>O desabafo se fez urgente, por conta&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/809786-pt-estuda-tirar-aborto-de-programa-para-estancar-queda-de-dilma-entre-religiosos.shtml"&gt; disso aqui&lt;/a&gt;. O recado tá dado: ou a gente tem uma mulher lá, ou a gente discute aborto. Os dois juntos não pode. Impressionante com a pauta feminista é sempre a que vai ser sacrificada. SEMPRE. Notem que tirar a discriminalização do aborto de pauta não vai garantir a eleição, mas pode enterrar a discussão por muito tempo. Tempo que as mulheres que estão morrendo de hemorragia em clínicas clandestinas não têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tava animada, juro. Eu tava me organizando pra escrever um post bacana convocando os eleitores da Marina a passarem para o nosso lado. Mas essa notícia acabou com o meu dia. Não estranhem se eu der uma sumida. Eu tenho um emprego, um marido, uma pós pra cursar, família, amigos, e eu preciso estar bem pra tudo isso idependentemente do resultado das urnas dia 31, porque a minha vida continua. E por isso, pra manter a minha sanidade, talvez eu tenha que me afastar um pouco da discussão. Porque eu entrei na internet, li isso e me deu uma imensa vontade de chorar, mas minha mesa tá cheia de trabalho, e é isso que eu tenho que fazer agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Update: Ah, sim. E o horrível. O imbecil do secretário de comunicação dizer que o demônio é o Serra, que implantou a pílula do dia seguinte. E parece que nem foi. Mas, se fosse, é pra dar um beijo na careca dele, porque é uma tremenda conquista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-2011959048233100111?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/2011959048233100111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/do-desabafo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2011959048233100111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2011959048233100111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/do-desabafo.html' title='Do desabafo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3844597651200168456</id><published>2010-10-04T22:15:00.004-03:00</published><updated>2010-10-05T07:01:09.191-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>E depois do susto...</title><content type='html'>Olha só, eu pensei muito, li muito e passado o susto e o medo reginaduartísco de não rolar no final das contas, tô achando é bom que a eleição foi pro 2º turno. Porque a gente aprende um monte com isso. E a principal lição, pra quem não tinha se ligado, é que arrogância e presunção não são exclusividade da direita. Que como eu coloquei &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/adendo-importante-ao-ultimo-post.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; esse “nós x eles”, essa trincheira, é péssima pra democracia. Porque a primeira coisa que muita gente fez foi o quê? Desqualificar o voto na Marina. Olha só, eu não estou dizendo que questionar ou tentar entender é desqualificar, pelo contrário. Acho que é este questionamento que é importante. O que não pode é, como eu vi muita gente fazendo, dizer que é um voto despolitizado, de mauricinho. Sabe aquele lance de dizer que petista é ignorante e tal? Mesmíssima coisa, com o sinal invertido. É interessante porque ao mesmo tempo que tem amigos bacanas mandando e-mails babacas, a gente se dá conta de que tem gente na esquerda que não dá vontade nem de apertar a mão, quanto mais confraternizar em algum sentido. Mas isso é maturidade, perceber que o mundo diverso, há gente bacana e babaca em todos os lados e olha só, a gente tem um país a construir e precisa da ajuda de todo mundo.&lt;br /&gt;Mas o voto na Marina é o caso aqui. Sem nenhuma ofensa, é razoável dizer que ele é muito diverso. Tem gente que acreditou em spam que a Dilma disse que nem Jesus a derrotaria, tem gente anti-PT mas sem especial simpatia pelo PSDB, e tem gente que simplesmente não quer endossar o governo assim, de saída, porque ele tem uma série de defeitos. E, oi? Não reconhecer que há problemas é sério. Há muitos. Ainda acho que há mais acertos, por isso votei na Dilma no 1º turno. Mas eu mesma sou da turma de mais de 6 milhões de eleitores que não votou no Lula em 2006 no 1º turno. Votei na Heloísa. E eu sei que agora dá mais medo porque a Dilma não é o Lula e o Serra não é o Alckmin. Só que 2010 também não é 2006. E acho que todo mundo concorda que o 2º mandato foi muito melhor que o 1º, que os resultados foram mais visíveis mesmo.&lt;br /&gt;Por outro lado, a urgência dessa autocrítica. Que tem que ser feita pra ontem, e se a gente ganhasse no 1º turno talvez não viesse. Em time que se ganha não se mexe, né? Pois é pra continuar ganhando o governo vai ter que ouvir mais os porquês de quem não está com ele. E isso é excelente pro Brasil. Olha só, aqui em São Paulo o governo estadual conta com o voto anti-PT e não faz autocrítica nunca. Fica aí, fazendo o mínimo do mínimo do mínimo no estado mais rico do país e já tá indo pra 20 anos no poder. Lei do menor esforço, saca? E você agora vai falar que o PT não é o PSDB. Mas não é por isso que eu quero o PT no poder por anos a fio achando que está abafando. Colocando um cara sem experiência e agressor de mulheres e achando que vai levar o Senado com isso, que não vai se queimar. Que vai apoiar Roseana Sarney e vai ficar tudo belezinha (fosse eu maranhense, acho que votava na Marina também). Menos, né, gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Muito a ser discutido, muito a batalhar. Mas comemoremos a democracia, comemoremos Marina, comemoremos a possibilidade de abrir nova discussões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Continuo com medo da baixaria, claro. Mas se o PSDB aprendeu alguma coisa nessa campanha foi que o eleitor não curte baixaria, não. Tanto que ele não ganhou nada com ela. E se apelar muito, só tende a se queimar mais. Mas, eu posso estar enganada. E o meu medo mora aí, claro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3844597651200168456?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3844597651200168456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/olha-so-eu-pensei-muito-li-muito-e.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3844597651200168456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3844597651200168456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/olha-so-eu-pensei-muito-li-muito-e.html' title='E depois do susto...'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-2105696368280509508</id><published>2010-10-03T19:48:00.002-03:00</published><updated>2010-10-03T20:08:40.267-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Ansiedade</title><content type='html'>Tá difícil. Eu achei que rolaria hoje mesmo (marido ainda acha que dá, talvez), mas tá muito difícil. A primeira parcial, que dava Dilma 41 e Serra 37 quase me matou do coração. Tô tremendo até agora, sério. Em nenhuma pesquisa o careca aparecia tão bem votado. Faltam pouco menos de 20% enquanto eu escrevo isso. Eu quero muito voltar aqui e dar um update de que, ufa, deu, mas acho muito, muito difícil. E mil coisas. Muito medo do saco de baixarias que se seguirá, porque agora que os caras viram que podem ter chances (acho que nos últimos dias eles estavam bem desanimados), vão apelar geral, porque nem a dignidade eles tem a perder.&lt;br /&gt;E a Marina, 20% até agora. Grande vitória pra ela, por estar disputando com a candidata do governo e o figurão da oposição. E a grande dúvida: o que será desses votos? Eu não consigo ver a Marina apoiando o Serra, mas o partido dela é outra coisa, né? E tem muito voto nela que é conservador. &lt;br /&gt;Princípio de pânico de não haver continuidade do governo Lula. Mas acho que dá, né? Tem que dar, pelamor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como vou dormir esta noite. Muita adrenalina. Mas se conseguisse, queria acordar só no dia 31.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-2105696368280509508?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/2105696368280509508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/ansiedade.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2105696368280509508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2105696368280509508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/10/ansiedade.html' title='Ansiedade'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-2351298002541122928</id><published>2010-09-29T21:34:00.003-03:00</published><updated>2010-10-01T15:34:31.457-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Sobre o voto pra senador em São Paulo</title><content type='html'>Sumi, eu sei. Se mais alguém além da fofa da Luci, que até cobrou, sentiu falta, desculpaê. Assunto não falta, nunca. Aliás, eu não sei se alguma vez eu contei aqui mas eu sou uma pessoa prolixa e que fala pelos cotovelos. E que tem que cortar às vezes parágrafos inteiros pros posts ficarem razoáveis. Mas além de tagarela eu sou também preguiçosa e instável. Então de vez em quando perco o tesão de escrever por uns dias.&lt;br /&gt;Como eu continuo com preguiça, resolvi fazer um post pra linkar um debate que eu vi primeiro no post do &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/"&gt;Idelber&lt;/a&gt;. Depois eu fui lá na &lt;a href="http://beauvoriana2.zip.net/arch2010-09-01_2010-09-30.html"&gt;Mary W&lt;/a&gt;, depois na &lt;a href="http://rre.opsblog.org/2010/09/27/por-que-votarei-em-netinho-e-por-que-votaria-em-crivella/"&gt;Camila&lt;/a&gt; e na &lt;a href="http://qquechose.blogspot.com/2010/09/ha-dias-ronda-por-aqui-umas-ideia-sobre.html"&gt;Kellen&lt;/a&gt; (cujos blogs não conhecia). E o causo é que aqui em São Paulo a gente tem um problema pra escolher o 2º voto pra senador. O primeiro vai pra Marta. Mas, se for seguir a coligação, o 2º voto seria do Netinho, que se filiou ao PC do B. Netinho, pra quem não se lembra, é um pagodeiro que depois foi fazer programa de auditório. Admito que eu conheço pouco de sua trajetória, e admito até que tenho muita simpatia por ser uma liderança vinda de periferia. Só que ele é um agressor de mulheres reincidente. Daí, complica.&lt;br /&gt;E bom, a discussão nestes blogs é excelente sobre os porquês de votar ou não no cara. E há coisas bem pragmáticas, que eu acho que são muito válidas, até. Respeito muito os argumentos, mas pra mim, não rola. E quero deixar claro que isso não é um dogma. Não estou dizendo que nunca, jamais, em tempo algum, votaria num cara que algum dia na vida agrediu um mulher. Não estou dizendo que o arrependimento dele não é válido e ele deve queimar no fogo do inferno. Longe de mim, que sou humano e tenho aí a minha listinha das coisas das quais eu não me orgulho de ter feito na vida. O caso é que o cara não virou um tapa numa namorada uma-vez-na-vida-durante-um-discussão-acalorada-lá-pelos-idos-de-93. Fosse essa história e, depois disso, ele arrependido, tivesse uma série de coisas muito bacanas pra colocar no seu cv, é lógico que eu olhava as coisas de outra forma. Mas o cara bateu na mulher em 2005. Tipo, anteontem. Daí se arrependeu, levou a Maria da Penha no programa dele, fez mea culpa e tal. E não tem aí uma história política consistente além de seu interesse (que eu considero muito legítimo, aliás) pela juventude da periferia. &lt;br /&gt;Mas, bom, tem todo o argumento anti- Romeu Tuma. Que é mais do que válido, ô se é. Bater em mulher é horroroso, mas ser pró violência policial institucionalizada é pior. O potencial de danos à sociedade de um cara como o Tuma é incomparavelmente maior do que o do Netinho, claro. Mas o que eu estou dizendo é que eu, Iara, não consigo ser pragmática assim, de votar simplesmente porque é menos pior. E eu sou super pragmática, pra muita coisa. Meu voto na Dilma é muito mais pragmático do que ideológico, acreditem. &lt;br /&gt;O que eu quero dizer, e tenho muita tranquilidade nisso, é que eu não tenho nenhum compromisso a não ser com a minha cidadania. Daí que, por mais que eu entenda que o Netinho representa um projeto político para o país que eu endosso, eu não me conformo do PC do B não ter quadros melhores. Tipo, talvez tenha, mas esse quadros não teriam tanto apelo popular, né? Beleza, eu entendo a lógica da coisa, mas não conte comigo pra fazer parte disso. Muita chance do Netinho ser eleito e não acho que isso vai ser um mau negócio. Mas fico mais tranquila se meu voto, que me é tão caro, não endossá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-2351298002541122928?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/2351298002541122928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/sobre-o-voto-pra-senador-em-sao-paulo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2351298002541122928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/2351298002541122928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/sobre-o-voto-pra-senador-em-sao-paulo.html' title='Sobre o voto pra senador em São Paulo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1064048877243996878</id><published>2010-09-17T07:55:00.004-03:00</published><updated>2010-09-17T10:16:02.038-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Adendo importante ao último post</title><content type='html'>Eu preciso sair pro trabalho e hoje prometi a mim mesma ficar menos tempo na internet, mas tem algo que eu preciso comentar a respeito do post anterior. É que eu falo isso sobre o conservadorismo da classe média paulistana, e fica parecendo que eu coloquei uma trincheira aí, um "nós x eles", o que me incomodou bastante. Ninguém reclamou, mas acho bom esclarecer: eu não acho que exista só uma caminho bom, só uma resposta válida, tipo messianismo. Eu não acho que todo mundo que lê, se informa e questiona vai votar na Dilma porque ela é a melhor e ponto. Não acho que o eleitor do Serra seja ignorante, apolitizado, voto de manada, reacinha. Eu tenho na verdade muita preguiça de gente de esquerda que pensa assim. Acho perfeitamente possível que duas pessoas inteligentes, bem informadas e, principalmente, bem intencionadas, tenham divergências sobre o que seria o melhor para o mundo, até porque estamos falando de planos que envolvem muitas variáveis. E nesse ponto eu volto atrás ao que respondi pra Amanda nos comentários: acho que até dá pra ser casado tendo visões politicas diferentes, e pode até ser um exercício interessante, mas isso depende de um respeito profundo à individualidade do outro, respeito quem nem todo mundo tem. Que talvez eu mesma não tenha: pelo menos no casamento, prefiro que as divergências sejam menores mesmo, o que não significa em absoluto que eu e marido façamos eco pra tudo, estamos bem longe disso.&lt;br /&gt;O post anterior é principalmente pra criticar o discurso no sentido contrário, de que quem vota no PT é ignorante ou mal-intencionado, que se beneficia diretamente de alguma forma de corrupção. Crítica a quem, votando no Serra, acha que o eleitor do Lula é analfabeto assim como o próprio também seria. E sei que muita gente vota no Serra não pensa assim, claro. Muita gente em São Paulo, inclusive. Mas o discurso que eu, no meu meio, mais escuto, é o primeiro mesmo, infelizmente&lt;br /&gt;Então, este adendo foi pra isso, pra dizer que eu respeito muito a divergência de pontos de vista. Que acredito quando uma pessoa me diz que tem argumentos bem fundamentados pra votar no Serrra, tal qual eu os tenho pra votar na Dilma. Tô aqui defendendo o meu lado, mas respeito tem que ser uma via de mão dupla, né? Sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1064048877243996878?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1064048877243996878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/adendo-importante-ao-ultimo-post.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1064048877243996878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1064048877243996878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/adendo-importante-ao-ultimo-post.html' title='Adendo importante ao último post'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8935681333771266472</id><published>2010-09-15T20:31:00.005-03:00</published><updated>2010-09-15T21:20:33.833-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Pontos fora da curva</title><content type='html'>Hoje aconteceu uma coisa engraçada no trabalho. Alguém veio me perguntar se eu achava que a Dilma ia ganhar no 1º turno. Assim, do nada. E eu respondi que provavelmente sim, mas que existem dois fatores cujos impactos as pesquisas não tinham condições de avaliar, cada um pendendo para um lado. Um é o fato da herança no número 13 que é muito forte como o número do Lula, mesmo entre quem ainda não sacou que a candidata é ela. Outra era a exigência de dois documentos para votar, uma novidade pouco divulgada. Daí alguém comentou com um tom meio alegrinho que “o povo ignorante que vota na Dilma e ganha bolsa família” não sabe disso. Mas todo mundo meio que mimimi e perguntaram o que eu achava. E eu disse que era suspeita porque não só ia votar nela, como já comprei minha passagem pra assistir à posse em Brasília. Ficaram com aquela cara de tacho de: “jura?”. Juro, respondi. Sou petista de pai e mãe. E alguém perguntou se eu gostava do PT ou dela e eu respondi que gosto de ambos. Silêncio. Todo mundo voltou a trabalhar, assunto encerrado.&lt;br /&gt;No trabalho do marido é sabido que só ele e uma colega são eleitores do PT. E um dia um cara veio com discurso de que falam tanto que o país melhorou, mais ele ainda tem que pagar escola particular pros filhos. Marido explicou que, oi, o responsável pela escolas de Ensino Médio é o governo estadual, do partido que está há quase duas décadas no comando de São Paulo, justamente o partido do Serra que era, ele mesmo, governador até anteontem. E como marido não deixa barato, falou pro colega se informar melhor pra não passar vergonha na próxima – e de repente, quem sabe, votar no Mercadante dessa vez, se o que ele quer é mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses casos são exemplo de uma coisa que é muito clara pra mim: as classes média e média alta paulistanas não estão acostumadas a alteridade. Não que o ser humano assim, no geral, não seja resistente à diferença. Mas é que o nível de renda e de escolaridade mais alto aqui não contribuem para visão mais ampla do mundo. Acham realmente que sua vida é o padrão, a norma, que o resto é ponto fora da curva. Daí o discurso só varia na hora de falar de futebol mesmo (e um dos colegas ainda brincou: “você é corintiana E petista?”). E a eleição do Lula, ao meu ver, trouxe mesmo esse ranço de que nós (porque se eu não compactuo com discurso, também não nego minha posição social) não somos maioria. Que há no país milhões de pessoas que não têm nossas referências, nossas prioridades, e têm direito à cidadania. E esta minoria então estranha muito quando encontra, eventualmente, alguém que não recebe Bolsa Família, fala línguas estrangeiras, frequenta restaurantes e usa perfume importado, trabalha duro, paga Imposto de Renda mas não faz coro com o discurso de lula-analfabeto-ignorante-petralha-vagabundo-etc-etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002 eu trabalhava naquela &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/admiravel-mundo-novo-e-sua-face-sordida.html"&gt;empresa super elitista e escrotinha&lt;/a&gt;. E foi o ano da eleição do Lula, então, toda uma experiência observar estes colegas. Tinha um cara que era reconhecidamente super alienado, até para os padrões de lá. Contavam que uma vez o levaram pra visitar varejo na periferia, parte de um trabalho de pesquisa de mercado, e ele ficou chocado. Em dado momento perguntou, se referindo à pobreza do bairro visitado: “nossa, mas o que é essa miséria toda?”. E alguém respondeu: “ué, isso é São Paulo, mané! achava que acabava em Moema?”. Pois então, esse cara tinha certeza de que o Lula ia “transformar o Brasil em Cuba”. Repito, em 2002, não em 89. E tinha um papo hilário do povo que não entendia como o Lula tinha aquele percentual de intenções de votos, se eles “não conheciam ninguém que ia votar nele”. Uma colega, engenheira, chegou a dizer que fizeram uma pesquisa no prédio dela e ninguém lá ia votar no cara. Alguém sabe me dizer se no curso de engenharia estuda-se alguma coisa de estatística? Porque no de Letras não, mas eu sei que um condomínio fechado em São Paulo, de um edifício com 3 vagas de garagem e nome provavelmente em inglês NÃO é um microcosmo representativo do país. Logo fica difícil fazer alguma projeção numérica confiável com essa amostragem tão pouco diversa, né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa minha aversão à mentalidade tacanha à minha volta me trouxe um presente dos melhores: meu marido. Digamos que nosso primeiro encontro não foi exatamente um sucesso, e o moço não deixou uma impressão das melhores. Mas, em algum momento, ele fez um comentário elogioso à gestão da Marta Suplicy na prefeitura e pediu desculpas por tocar no assunto se isso de alguma forma me ofendia, mas o fato é que ele era “um mocinho de esquerda” (desse jeito, olha que fofo?). E eu sorri e respondi que, tudo bem, eu também era uma mocinha de esquerda. E, ao fazer o saldo daquela noite meio desastrada, pensando se eu dava uma chance ou não pra aquela história continuar, este comentário pesou, porque é meio difícil encontrar gente de esquerda nos ambientes que eu frequento, ainda mais depois de ter terminado a faculdade. Enfim, liguei pra ele, dei mais uma chance a nós dois, e ganhei, além de um marido, o meu interlocutor mais querido. Brincamos que, se um dia oficializarmos a união, vamos ter que chamar a Marta pra madrinha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8935681333771266472?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8935681333771266472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/pontos-fora-da-curva.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8935681333771266472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8935681333771266472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/pontos-fora-da-curva.html' title='Pontos fora da curva'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4609236148917163912</id><published>2010-09-09T23:34:00.005-03:00</published><updated>2010-09-10T07:52:44.708-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>9 caminhos</title><content type='html'>A &lt;a href="http://godotnaovira.wordpress.com/"&gt;Aline&lt;/a&gt; fez &lt;a href="http://godotnaovira.wordpress.com/2010/09/02/9-coisas/"&gt;este post &lt;/a&gt;seguindo o meme, e nos comentários disse que pensou em passá-lo pra mim. Ela disse que ficou em dúvida sobre que raio de 9 coisas. Eu também, na verdade. A solução que ela encontrou foi o post fofo sobre os bichos de estimação. A minha também vai ser monotemática, porque eu lembrei que já tinha pensado em fazer posts sobre as coisas que eu gosto ou com as quais já trabalhei. Eu já contei aqui que eu sou perdida e tal, mas nunca contei o quanto. Daí no final de semana alguém me disse que se não fosse geógrafa, teria que nascer de novo, e que tinha pena das pessoas que chegam à maturidade sem saber o que querem da vida (oi? prazer!). E eu tentei explicar que eu sou assim não porque o mundo me é indiferente, porque não tenho paixões, mas justamente porque me interesso por muitas coisas. Então pensei em contar aqui sobre as coisas que eu já pensei em estudar, os empregos que eu tive, os caminhos que eu avaliei. Periga vocês acharem quem tem algo de ficção porque, né, eu só tenho 30 anos. Mas eu juro que é tudo sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Técnica em edificações (futura arquiteta ou engenheira civil)&lt;br /&gt;Quando eu tinha 14 anos meu pai ficou desempregado, e eu achei que seria uma boa mudar pra uma escola pública. Até então, a única escola técnica profissionalizante que eu tinha ouvido falar era o Senai. Mas me informei e conheci outras. Como eu ia muito bem em matemática naquela época, achava que seria engenheira. E como eu já não gostava de eletricidade naquela época, escolhi o curso que me parecia mais simpático. Cheguei a fazer estágio num escritório de arquitetura, desenhando plantas (com tinta nanquim e papel vegetal ainda, nada de computador) e divulgando os produtos de uma fábrica de metais sanitários (meus primeiros rendimentos, aos 17 anos). Alguns amigos daquela época seguiram carreira. Outros, como eu, terminaram o curso com uma única certeza: de que aquilo não era o que queriam da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Recepcionista/ Secretária&lt;br /&gt;Bom, eu não cheguei a terminar meu curso profissionalizante. Naquele tempo, cursando 3 dos 4 anos, a gente podia pegar o diploma de 2° grau (é, eu sei que hoje se chama Ensino Médio) e cair fora. Foi o que eu fiz, mas já tinha decidido trabalhar enquanto fazia cursinho e pensava na vida. Então fui procurar emprego de recepcionista bilíngue, pra fazer valer a grana investida em anos de aulas da Cultura Inglesa. Consegui. Trabalhava numa empresa que sublocava espaço para outras menores e fazia a administração da coisa, como se fosse um flat (aluguel + serviços) só que comercial, não residencial. Às vezes me sentia como caqueles chinezinhos que rolam os pratinhos nas varetas tentando equilibrar todos, manjam? Imagina ter 5 pessoas na espera do telefone e mais 3 paradas na sua frente? Depois de alguns meses fui promovida a assistente administrativa mal sabendo usar o Office. Todos os dias ficava até tarde tentando aprender, faltando às aulas do cursinho. E aprendi (e consegui passar no vestibular também). Na verdade é graças a essa trajetória que pago minhas contas até hoje, porque eu amadureci demais e me desenvolvi muito profissionalmente. Não vou colocar o meu CV aqui, mas o fato é que fui mudando pra empregos que pagavam melhor, em empresas mais bacanas. Cheguei a ser assistente de um alto executivo numa montadora. Ser secretária tem um lado sacal, que é o de ser babá de gente grande, mas tinha um lance que eu sempre curti, que era tratar com todo mundo, de todos os níveis hierárquicos da empresa. Apertar a mão do presidente e tomar um café com os boys comentando o último jogo do Corinthians era uma parte interessante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Professora&lt;br /&gt;Em dado momento, cheguei à conclusão de que era muito nova pra fazer carreira, que era uma bosta chegar à faculdade tão cansada e que eu não queria trabalhar neste universo corporativo escroto. Pedi demissão pra dar aulas. Eu já tinha tentado dar aulas de inglês antes de entrar na faculdade, mas o fato é que não era boa o suficiente. Já o Espanhol eu aprendia como carreira. Então passei um tempo dando aulas de Espanhol, Português para Estrangeiros, Redação e o que mais aparecesse (acho que cheguei a substituir uma professora de inglês uma vez – mas só uma). Os planos eram seguir carreira acadêmica e virar professora de Literatura. Parece que eu até fazia tudo direitinho e os alunos curtiam minhas aulas. Mas eu queria ficar um tempo fora e larguei tudo para passar um ano na França aprendendo mais um idioma. E na volta nem tava mais a fim de fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Babá&lt;br /&gt;O ano que passei na França me sustentei como jeune fille au pair, a moça que se instala na casa de uma família estrangeira e cuida da(s) criança(s) e de alguma tarefa doméstica (no meu caso, passar aspirador de pó na casa) em troca de abrigo, comida, uns trocados e intercâmbio cultural. É uma experiência que dificilmente tem meio termo – ou é muito bacana, ou é traumática. No meu caso foi bem tranquilo, tenho contato com a família até hoje. Chegaram a me receber por uns dias na casa deles ano passado quando estive em Paris a passeio. E foi uma tremenda lição de tolerância. Passei a ter um respeito tremendo por empregada que dorme na casa dos patrões. Imagina ouvir bronca do chefe morando na casa dele? Não é pra fracos, definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Relações Internacionais&lt;br /&gt;Agora começa o campo do que poderia ter sido. Cheguei a procurar um Mestrado sobre o tema na França, mas colocaram algum obstáculo em relação ao meu histórico que me fez perder o tesão. Voltando ao Brasil, me inscrevi numa pós que tinha como tema o desenvolvimento social da América Latina. Não abriram a turma por falta de interessados, nunca mais ofereceram o curso e eu fiquei bem chateada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Métiers du Livre – ou Editora&lt;br /&gt;Outra coisa que me interessa muito: todo o processo de edição e distribuição de livros. Também vi uma pós do assunto na França – e nessa só admitiam, pra meu infinito desgosto, gente que tinha cursado Comunicação Social ou Editoração. Quando voltei, fui procurar cursos aqui e descobri que em São Paulo o único lugar que oferece é a Universidade do Livro, ligada à Editora da Unesp. Não fui porque os planos mudaram de novo (oi?), mas recomendo, parece que a coisa é boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Gestora Ambiental&lt;br /&gt;Cheguei a procurar uns cursos na área, porque produção limpa é uma coisa que muito me interessa (e agora escuto o Plínio de Arruda Sampaio me chamando de “ecocapitalista”). O interesse começou quando eu trabalhei, por longos 8 meses, numa indústria nacional. O Diretor Industrial me contratou porque se impressionou com meu CV, digamos, diversificado. Achou um luxo ter uma assistente que falava francês mas também tinha feito curso técnico – peão e lady ao mesmo tempo, segundo o ponto de vista dele. Daí ele me mandava nas reuniões de fábrica e eu viajava ouvindo o povo reclamar de máquina com defeito, achava tudo uma chatice. Eu odiava este emprego com todas as forças, mas queria muito gostar, e achei que a pós pudesse ser o caminho. Bom, cheguei à conclusão que produção mecânica está entre as coisas que eu &lt;em&gt;não gosto&lt;/em&gt;. Depois de sair do emprego, continuei interessada por um tempo. Mas passou rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Trabalhar com comida&lt;br /&gt;Comida é uma das minha grandes paixões. Eu adoro comer, adoro ir a restaurantes, adoro cozinhar, adoro ler sobre o assunto, adoro pensar questões políticas ligadas à produção de alimentos, aos nossos hábitos, enfim. Acho que dá pano pra manga, rende teses, inspirador mesmo. O foda é que eu não sei se gosto dessas coisas profissionalmente falando. “Porra, Iara, mas você disse que é paixão!”. Veja bem: é e não é. Mas eu pesquisei uns cursos no Senac de administração de serviços de alimentação. Mas o mais legal mesmo, que quando sobrar tempo e dinheiro (ou seja, nunca) eu devo fazer, é um curso que seria como uma Sociologia da Alimentação. Sabe pensar a comida numa perspectiva histórico e cultural? Pirei. Mas, né? Sei lá. Quem sabe eu mude de ideia de novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Administração – privada e pública&lt;br /&gt;Daí que hoje eu sou uma assistente administrativa. Sou responsável por uma série de tarefas, de muito práticas à essencialmente burocráticas, num escritório pequeno de uma multinacional finlandesa. Não tá uma maravilha e eu poderia ganhar mais como secretária bam-bam-bam, mas daí eu lembro que ia ter que ser babá de executivo de novo e me conformo de ganhar menos. Além de que secretária é uma criatura infeliz que depende da agenda do chefe pra tudo, do almoço às férias, muitas vezes. E secretária nunca vai a lugar algum – e eu já fui mandada pra Helsinki pra fazer um treinamento, o que não deixa de ser divertido. E, voltando à ocupação, eu gosto muito de resolver problemas práticos, fazer coisas acontecerem. Gosto mesmo. Na verdade, penso que eu queria trabalhar resolvendo problemas grandes, gerindo questões de emergência. Lembram quando caiu aquele avião da Gol na Amazônia? Uma tragédia, eu sei, mas só conseguia pensar na logística envolvendo as buscas. Mesma coisa com o socorro à vítimas de enchente – fico aqui mentalmente pensando que precisa de água, de remédios, mas também de um plantão jurídico pra tirar os documentos de quem perdeu tudo. Enfim. E o curso que eu faço hoje, a pós que eu finalmente escolhi e tô adorando, é de gestão pública e urbanismo. Então cada vez mais eu penso que eu vou ter é que considerar a possibilidade de meter a cara nos livros por um bom tempo e tentar um concurso público. Mas ainda não sei. Complicada, eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mencionei que o meu primeiro vestibular foi pra Jornalismo, porque daí viravam 10. Acho até que vocês iam achar um pouco demais (ou não?). E bom, parece que a ideia é indicar 9 pessoas pra repassar o tema. Eu tenho medo de passar tarefas assim às pessoas, porque elas podem ficar constrangidas – embora eu tenha adorado a indicação da Aline. Então, façam o seguinte? Quem comenta aqui sempre tá convidada a me contar 9 coisas. Vou adorar saber mais sobre vocês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4609236148917163912?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4609236148917163912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/9-caminhos.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4609236148917163912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4609236148917163912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/9-caminhos.html' title='9 caminhos'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8150294412895802931</id><published>2010-09-07T20:26:00.003-03:00</published><updated>2010-09-07T20:40:37.912-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>65 anos de subversão</title><content type='html'>Amanhã é aniversário do meu pai. E eu, que sou a super-queridinha ainda não escrevi um post sobre ele. Meu pai é assim: o sujeito mais tranquilão do mundo, e o sujeito mais subversivo ao mesmo tempo. Não fuma, parou de beber há anos, nunca se drogou, mesmo com alimentação é um sujeito comedido – só não deixe uma goiabada e um bom queijo perto dele, porque, na volta, periga não encontrar nada. Minha mãe faz um sucesso danado, porque é muito mais expansiva, mas é possível não ir com a cara dela, porque ela pode parecer invasiva pra quem for muito reservado, por conta justamente de seu excesso de entusiasmo. Como meu pai é mais na dele, é mais difícil despertar reações intensas, para o bem ou para o mal. Costumo dizer que quem não vai com a cara dele tem algum problema, porque ele simpatiza sem invadir seu espaço, sabe? E é um sujeito super tolerante. Lembro da adolescência, ir em baladas com amigas, e a gente achar um carinha bonitinho, mas elas dizerem que “já imaginou apresentar para o pai”? Pois é, meu pai nunca foi esse pai de família padrão, cidadão de bem aos moldes do &lt;a href="http://hariprado.wordpress.com/"&gt;Professor Hariovaldo&lt;/a&gt;. Nunca aconteceu, mas tenho certeza que ele não se assustaria com um genro de dreads músico alternativo. Quando eu fiz a minha tatuagem, o único comentário foi que ele achava burrice pagar caro para se auto infligir dor. Tipo, ele não conseguia conseguir entender o sentido, mas não era um problema moral, nunca foi.&lt;br /&gt;Mas tem mais. Várias situações em que eu constatei que tinha um pai diferente. A primeira vez que eu anunciei que ia à Parada Gay, ele ficou pensativo e disse que não gostava muito de aglomerações, mas achava que deveria ir também pra expressar apoio, afinal a manifestação era pró direitos civis, direitos que são os dele também, oras. E bom, eu sou a conservadora lá de casa, votando na Dilma. Meu pai vai votar no Plínio e meu irmão vai anulá-lo, porque é anarquista há anos. E lembro do meu pai contemporizando sobre o anarquismo do meu irmão. Dizia que meu irmão estava certo no fundo, que se o Estado só servia pra reprimir a população, garantindo a manutenção garantindo o status quo, há que rebelar-se, afinal (!!!). Não imaginem meu pai um sujeito de longas barbas, sandálias de couro e camisetas surradas. Meu pai tem horror a camisetas surradas. Não gosta que a gente use nem pra dormir. É um senhor sem ostentação, mas muito bem apresentável, não combina com este estereótipo do comunista-sujinho. &lt;br /&gt;Tem mais, quando ele se aposentou, fez uma caminhada de 300km entre Águas da Prata e Aparecida do Norte, chamada “Caminho da Fé”, e promovida como uma espécie de Santiago de Compostela brasileira. Mas meu pai é ateu, foi pra curtir o visual, e o desafio. Ele foi educado em seminário, e teve momentos e reaproximação de Igreja. E quando ele se reaproximou, foi pra participar. Ele não conseguia só ir à missa aos domingos. Não tem meio termo pra ele: um dia participa da liturgia e faz a celebrações quando o padre não está, no outro conclui que não acredita em nada disso e é ateu. Quando ele se afastou, o pessoal da Igreja achou que ele tinha se desentendido com o padre. E foram lá em casa perguntar o que rolava. Abordavam minha mãe na Igreja e tal. E ele virava pra mim, super constrangido, me perguntava como ia fazer pra contar pras pessoas que “olha só, Deus não existe. Até tentei embarcar nessa com vocês, mas não rola...”.&lt;br /&gt;Meu irmão usou cabelos compridos por anos. Dos 13 aos 22, mais ou menos. E as pessoas achavam que meu pai poderia se incomodar com aquilo. E nunca se incomodou, nunca achou aquilo importante. Quando meu irmão tinha uns 14, começou a fazer um curso técnico numa escola que, dizem, era financiada pela Opus Dei. E tava nas regras deles que todos os ingressos não poderiam ter cabelos longos. E todo mundo que entrava lá, cortava, e as famílias achavam bacana, porque era um bom pretexto. Só que meu irmão não queria cortar de jeito nenhum. E meu pai foi lá, com a Constituição nas mãos, defender meu irmão, dizer que eles não podiam fazer isso. Que lamentava por quem tinha sofrido a pressão, mas que era inconstitucional essa interferência na aparência das pessoas. Lógico que meu pai achava roubada o lance da Opus Dei, mas meu irmão teve que chegar a essa conclusão sozinho (e se hoje ele é anarquista, vocês podem concluir que sim, ele chegou).&lt;br /&gt;Ah e tem outra ótima. Semestre passado meu pai concluiu o curso de Ciências Sociais. A quarta faculdade dele, mas ele achava que as outras (Filosofia no seminário, Administração e Contábeis numa particular bem ruinzinha) não tinha dado uma formação bacana, e queria ter essa experiência. E ele passou no vestibular com 60 anos. Os colegas mais novos do que eu, claro. Mas ele sempre teve um tremendo simancol, nunca tentou bancar o garotão, mas fazia um esforço sincero pra se integrar aos colegas sem estabelecer nenhuma espécie de hierarquia. Lembro de uma vez ele angustiado porque o grupo com o qual trabalhava tava meio devagar pra começar o trabalho, e ele não queria tomar a frente da coisa pra não parecer etarista. E durante a faculdade uma das minhas primas se casou no religioso. Irônico que só, meu pai não se segurou quando o cunhado entrou conduzindo a noiva ao altar, me cutucou e falou baixinho “lição de Antropologia: agora a gente vende a mulher pro outro clã”. Eu mereço?&lt;br /&gt;Mas talvez a história mais marcante pra mim tenha sido sobre sua participação na militância. Eu sabia que meu pai tinha lecionado História quando era mais jovem, logo depois da faculdade de Filosofia. E muitos professores meus na escola diziam ter fugido da polícia durante a ditadura. Mas apesar de meu pai votar desde sempre no PT, quando pequena eu ainda tinha uma imagem dele como pacífico e careta, até. Um dia eu perguntei se ele tinha fugido, meio que tirando um barato. E ele contou que não fugiu porque não tinha conseguido, foi preso antes. Aos poucos eu fui sabendo dos detalhes, foi em 74, ele estava circulando um abaixo-assinado contra a carestia, ficou 4 meses preso, foi submetido à torturas, teve os tímpanos estourados (e portanto não suporta som alto não por ser careta, mas por uma espécie de sequela). Foi julgado e absolvido. Só recentemente fiquei sabendo que meu tios mais novos foram também presos e sofreram humilhações, como uma maneira de coagir meu pai. E ele delatou companheiros, porque não podia arriscar que machucassem seus irmãos (sua irmã, em especial - e vocês podem imaginar que tipo de ameaça fizeram). Meu pai estava sendo preparado para entrar na luta armada, mas depois do trauma da prisão, e principalmente da culpa pelo sofrimento dos irmãos, abandonou a militância. Mas é muito enfático em dizer que, sim, ia pegar em armas se fosse o caso, porque os tempos eram outros. E alguém acha que vai mudar meu voto me mandando e-mail que chama a Dilma de terrorista... Em 2004, quando o golpe completou 40 anos, vi o meu pai chorar pela 1ª vez na vida. Chorou 2 vezes na mesma semana, lembrando da tortura a que pessoas conhecidas foram submetidas.&lt;br /&gt;Como o último parágrafo foi pesado, deixo uma coisa leve pro final. Porque meu pai é muito leve, apesar de tudo; ele não arrasta peso pela vida. Por conta de um erro, coisas da roça, de quando se registravam as crianças todos juntas depois de muitos anos, a certidão de nascimento do meu pai traz a data de 02 de setembro, e não 8, como comemoramos. E dia 3 liguei pra minha mãe pra tirar um barato, perguntar se meu pai sabia que podia pegar ônibus de graça. E ele já tinha ido lá, providenciar a carteirinha de gratuidade para idosos. É ou não é um subversivo fofo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Marido fez aniversário ontem. E não ganhou post exclusivo, pelo menos não ainda. Marido, fica com ciúme não, tá?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8150294412895802931?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8150294412895802931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/65-anos-de-subversao.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8150294412895802931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8150294412895802931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/65-anos-de-subversao.html' title='65 anos de subversão'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-198408412994798596</id><published>2010-09-02T22:37:00.002-03:00</published><updated>2010-09-02T22:56:28.582-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Quando a vítima vira ré – ou Badinter na prática</title><content type='html'>Então meu lado B é ler notícias sobre celebridades e subcelebridades de vez em quando. Eu tenho mais o que fazer e deveria gastar meu tempo em algo que preste, eu sei, mas entre um relatório do Excel e outro, as vezes a gente precisa ver coisas que não exijam reflexões profundas, nem comentários elaborados. Famosinhos tem esse efeito sobre mim, geralmente: descontraem por alguns minutinhos. Daí esvazio a cabeça um pouco e volto pra terminar aquele relatório chato que ninguém vai ler. Ó ,vida.&lt;br /&gt;Mas então, sobre o Dado eu &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/do-pesar-e-da-indignacao.html"&gt;já comentei&lt;/a&gt;. E a gente sabe que a lógica machista diz que nenhuma mulher apanha sem motivo. Quer dizer, o motivo nunca é porque o agressor é violento, a vítima tem que ter alguma responsabilidade. No caso do Luana era fácil, porque ela não prima pela simpatia nem pela auto-repressão, mas e essa pobre moça que casou com ele no religioso, mãe de uma criança de colo? Como culpá-la? Eu tava esperando, e nem demorou.&lt;br /&gt;Apesar de dar um entrevista pra Veja em que diz que “nunca bateu pra machucar” (oi?), publicaram por aí que as testemunhas contra o Dado foram coagidas a depor. Considerando meu horror a condenações prévias, tive meio segundo de dúvida se deveria ter feito um post chamando o cara de agressor. Meio segundo porque eu lembrei, em seguida, que ele já foi condenado por agressão. Quer dizer, pode não ter batido na atual, mas na anterior com certeza, o que isenta minha acusação de leviandade. E, claro, ele pode perfeitamente ter batido na esposa sem as empregadas terem visto. &lt;br /&gt;Mas, enfim, tem a cereja do bolo, né? &lt;a href="http://extra.globo.com/lazer/retratosdavida/posts/2010/09/02/empregadas-de-dado-dizem-que-alimentacao-de-viviane-gerava-brigas-321037.asp"&gt;Aqui&lt;/a&gt; a gente fica sabendo que o marido agressor só estava preocupado com a alimentação do filho. Se você não tá afim de clicar lá, eu explico: as mesmas funcionárias que disseram que foram coagidas a depor contra o Dado afirmam que o motivo das brigas do casal era a alimentação da esposa, que está amamentando. Em tão poucas linhas a gente vê a &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/leituras-feministas-le-conflit.html"&gt;teoria da Badinter &lt;/a&gt;se afirmar com “dicumforça”. Quer dizer, o cara não pode dizer que ele é opressor. Mas quem vai ser contra as necessidades de um bebê, minha gente! E, olha, eu não li os comentários, mas certeza de que tem gente endossando este discurso. Que “onde já se viu ficar se entupindo de refrigerante quando se tem um filho pra amamentar”. Pra completar, a testemunha das brigas diz que o zeloso pai cobrava da esposa sua obrigação de amamentar o bebê até os dois anos porque ela “não faz mais nada”. &lt;br /&gt;Isso tudo tinha link na home globo.com. Globo, aliás, grande incentivadora da &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/mas-mulher-apanhando-da-audiencia-ne.html"&gt;porradas educativas &lt;/a&gt;em &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/manoel-carlos-o-misogino.html"&gt;mulheres mal comportadas&lt;/a&gt;. Quer dizer, notícia de massa, o tipo de coisa com potencial pra formar opinião mesmo. Então fica claro como o dia a condenação e o estigma de quem apanha, não de quem bate. Eu tô muito otimista com a eleição da Dilma, já comprei minha passagem pra Brasília, até. Acho que vai ser um momento importantíssimo para as mulheres deste país. Mas não me iludo: uma cultura machista como a nossa, com tanto respaldo midiático pra continuar reproduzindo certos modelos, não se muda da noite pro dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-198408412994798596?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/198408412994798596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/quando-vitima-vira-re-ou-badinter-na.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/198408412994798596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/198408412994798596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/09/quando-vitima-vira-re-ou-badinter-na.html' title='Quando a vítima vira ré – ou Badinter na prática'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7867421290067927854</id><published>2010-08-31T22:53:00.006-03:00</published><updated>2010-09-01T09:56:11.359-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Centenário \o/ e inquietações políticas</title><content type='html'>Então, 100 anos de Corinthians. E eu nem sei porque me tornei corintiana. Meu pai é sãopaulino, mas nunca foi muito empolgado com futebol. Acho que não tem ninguém próximo que justifique meu afeto. Lembranças mais antigas me remetem ao Sócrates. Devo ter ouvido algum comentário elogioso à &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_Corintiana"&gt;Democracia Corintiana &lt;/a&gt;quando eu era bem pequena, e ficou a simpatia. Que virou amor. Não é nem paixão, é amor mesmo, daqueles que ocupa um lugar certo mesmo sem queimar. E lógico, casar com um palmeirense louco por futebol, viver a coisa da rivalidade dentro de casa todo dia, tornou tudo mais apimentado. Mas é assim independentemente do marido. Eu sei: não tem estádio, não tem Libertadores, e hexa e blábláblá. Não me venham com argumentos racionais. Não é assim que o amor funciona. Eu não deixei de amar quando viramos lavanderia de dinheiro da máfia russa, nem quando caímos. Lamentei muito, mas continuei amando e continuei fiel. E posso reconhecer que deve ser luxo ter galeria de títulos ou um presidente professor da Unicamp. Mas meu coração tem dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vem o lance do estádio. A &lt;a href="http://beauvoriana2.zip.net/arch2010-08-01_2010-08-31.html"&gt;Mary W&lt;/a&gt; postou aqui. E eu acho que ela tem razão em se indignar. É o seguinte: pra quem ainda não sabe, parece que o Lula, notório corintiano, pediu “uma força” pra Odebrecht pra sair esse estádio. Pedir uma força pode não ser crime, mas não existe almoço grátis, e o Lula deve saber disso. Então, se meter numa dessas assim, com sua sucessão quase garantida, é no mínimo temerário. O pior é que eu acredito muito que tenha sido assim. Não tenho esses preconceitos burgueses contra o Lula, mas tenho lá meu pé atrás. Acho que ele é um fanfarrão, e essa é o tipo de fanfarronice que é a cara dele. Então, dei uma broxada geral. Não queria nem o Lula nem o Corinthians envolvidos com isso. Fiquei com dupla vergonha alheia. E chego no trabalho e minha chefe, conservadora e palmeirense, diz que vão chamar o tal estádio de “Luiz Inácio Lula da Silva”. Argumento pra dizer que ela tá falando bobagem? Não tenho. Se acharem aí, me emprestem, por favor. E eu posso até zoar com marido, dizer que eu sou corintiana como o Lula, e ele palmeirense como o Serra, dizer que minha companhia é melhor, mas não é assim que a banda toca. Como eu disse acima, futebol é paixão – e política, pra mim pelo menos, é razão. Uma razão bem dura, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu consolo é que eu acho a Dilma muito diferente disso. Não se parece em nada com ela esse tipo de coisa. Então eu realmente acho que ela pode ser melhor do que o Lula em muitos aspectos. Que a eleição dele foi importante historicamente e tal eu não tenho dúvida. Mas pra mim, deu. Muita popularidade, muito poder, não sei aonde isso leva. Tem gente que vai chiar, dizer que torce pra ele voltar em 2014, como já ouvi por aí. Eu não. O governo Lula não é só o Lula, a gente tem que lembrar disso. A gente não precisa dele no poder pra garantir nada de bom do que foi feito - e nossa democracia só vai estar madura quando isso estiver claro. Ele tem qualidades inegáveis, mas não quero esse super líder populista. Não quero um mito. Tá bom assim, já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eu lembrei que uns dias atrás eu falei por telefone com meu melhor amigo, que tá envolvido com o PSOL. E foi muito legal a conversa. Marido tinha aberto um vinho, mas ficou pacientemente me olhando e esperando a ligação terminar pra conversarmos, porque ele sabia que eu ia vir com boas observações. E como a gente sabe que tem a Reinaldos Azevedos e Mainardis por aí, trabalha em multinacional com coleguinhas reaças, fica achando que é de esquerda. Mas meu amigo veio, me deu um safanão e me mostrou que eu, na verdade, tô na centro-esquerda. E eu tinha perdido isso de vista mesmo, sabem? E na conversa com ele surgiu uma série de pontos importantes. Que as pessoas estão comprando TV de plasma, mas não têm atendimento médico decente. Que se gasta mais com comida, comprando supérfluos, mas as pessoas estão ficando obesas e subnutridas ao mesmo tempo. Isso porque a gente nem falou do saneamento, esse horror. Enfim, uma série de críticas que precisam ser feitas, que precisam ser ouvidas. Mas meu amigo faz de um ponto de vista marxista com o qual meu discurso já não se afina. Além disso, devo admitir que tenho imensa preguiça de um partido pequeno e já rachado. Se não conseguem se entender entre os próprios quadros, como esperam administrar esse país tão grande? Mas ainda assim, tendo a votar no PSOL no legislativo, porque ando com sede de oposição bem fundamentada. Acho indispensável pra democracia essa oposição tomar corpo pra ontem, viu? Se até o Serra tá tentando convencer a gente que não é oposição, é porque tem um discurso único aí que não é bacana. Longe de ser ameaçador porque a imprensa trata de malhar bastante o governo. Mas que a falta de críticas construtivas é um problema, isso é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais: TIMÃO-Ê-Ô, TIMÃO-Ê-Ô! \o/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7867421290067927854?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7867421290067927854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/centenario-o-e-inquietacoes-politicas.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7867421290067927854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7867421290067927854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/centenario-o-e-inquietacoes-politicas.html' title='Centenário \o/ e inquietações políticas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-879945138864188703</id><published>2010-08-29T10:29:00.002-03:00</published><updated>2010-08-29T15:14:39.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Natureza, essa sacana</title><content type='html'>Eu queria ter feito um monte de coisas na semana que passou. Queria ter rendido mais no trabalho, ter lido o meu livro que jaz empacado, queria ter feito pelo menos uns 2 posts. Queria. Mas fui atropelada por uma TPM horrorosa. Uma das piores da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não costumo sofrer muito com TPM. O normal são uns 2 ou 3 dias meio resmungona, uma barra de chocolate devorada sem dó em algum momento, um pouco de enxaqueca na véspera (nada que um analgésico não resolva), e um pouco de cólica no dia que a menstruação chega. Mas notem só: sofrer pouco já é um conjunto de sintomas desagradáveis. Eles não chegam a paralizar minha vida, só tornam as coisas mais lentas um pouco, essa é minha referência pra dizer que é leve. Há meses até em que as coisas são bem tranquilas, e eu só lembro que vou ficar menstruada por conta de um outro sintoma que eu não mencionei acima: gases. Daí que eu arroto (desculpem as mais sensíveis), penso "nossa, o que eu comi pra arrotar assim?", e lembro que vou ficar menstruada dali há dois dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já este mês a coisa foi punk-hardcore. Achei que eu não chegaria empregada e casada até o final da semana. Pra manter o casamento, fiquei sem falar com o marido dois dias, porque eu estava irritada por uma coisa pequena, mas sabia que se eu o abordasse, ia superdimensionar e me arrepender depois. Então, eu tenho a vantagem de ter essa lucidez, pelo menos. Eu sei que não estou no meu estado normal. O que não significa conseguir reverter isso, em absoluto. E o trabalho? Já falei que eu não amo de paixão meu trabalho, mas ele é ok. Essa semana fiquei o tempo todo pensando "deu. deu muito. não aguento mais essa merda, vou fugir daqui agora, etc". Na quarta-feira foi o auge. Às 4 da tarde eu queria morrer. Não tô exagerando, eu realmente queria morrer pra parar de sofrer. E tenho uma amiga querida que sofre horrores com TPM. Todo mês fica mais de 10 dias bem mal. Toma até antidepressivo, uma coisa horrorosa. Vem a menstruação e ela melhora. Na quarta eu mandei um e-mail pra ela dizendo que ela merece ser canonizada, porque não sei se suportaria, todo mês, uma semana ou mais, me sentindo como estava na quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a crise, fiquei pensando na carga de sofrimento que nos é imposta pela natureza. Porque isso não é social. O estresse pode até ser piorado pelo estilo de vida e tal. Mas quem não tem nada de TPM também fica dias ali, sangrando. E pra que isso nos serve? A nós mulheres, como indivíduos, nada. Serve à reprodução da espécie. Se eu não tiver filhos, nada disso terá me valido de nada. Daí a religião teve que inventar a Eva, pra justificar essa injustiça natural. Porque a religiao também serve pra isso, justificar o injustificável. E toda a mitologia que constroem sobre o nosso corpo. Tipo, o útero. Não tem outra função a não ser abrigar um bebê. Minha mãe teve de tirá-lo há alguns anos. E o médico preocupado que ela não ficasse ouvindo conversa de que "você vai sentir um vazio", "vai ficar fria", porque não tem absolutamente nada a ver. E ela já tinha dois filhos, não ia ter outros, e tirou, não faz falta alguma. Fora o momento da reprodução, o útero é como o apêndice, só serve pra te dar problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversei com o marido depois. Ele no começo ficou preocupado, depois bem sensibilizado. E é chato, porque eu agradeço a ele pela paciência, claro, mas me revolto porque não fui eu que exigi essa paciência dele. Não foi voluntário, em absoluto. Eu não escolhi negligenciá-lo a semana toda. Eu tava lá, sofrendo, querendo morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou. Sexta a gente ficou discutindo sobre os medicamentos, a discussão do livro da &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/leituras-feministas-testo-yonqui.html"&gt;Preciado&lt;/a&gt;. Porque eu parei de tomar pílula, um pouco pra desintoxicar o organismo de hormônios. E, sem ela, parece que tudo piora um pouco. Na adolescência, eu cheguei a desmaiar de tanta dor por conta das cólicas. Acreditem, eu sou uma mulher durona e resistente, pra eu desabar é porque a coisa tá muito feia. Fiz vários exames, nada de errado comigo. Dores horrorosas mesmo estando saudável. Minhas cólicas incapacitantes só melhoraram depois da pílula (hoje a dor é leve, mesmo sem tomar pílula, porque parece que a idade faz diferença nisso). Então eu acho que a gente pode criticar os excessos, mas os remédios são muito úteis. Ficar pregando essa coisa super naturalista é atraso. Eu não quero suportar a dor, quero é uma Neosaldina, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, bom, a diferença, né? Porque tem que ser levada em conta. Eu tô aí, fazendo um esforço pra entender mais sobre feminismo. E lembrei sobre o debate sobre se vale ou não a pena menstruar. De como eu fico dividida. Porque, por um lado, acho realmente assustador querer suprimir tudo o que parece desagradável. Tem o medo da intolerância: se a possibilidade de não menstruar se generaliza, temo uma menor tolerância ao sofrimento de quem, legitimamente, escolhe continuar menstruando. Por outro lado, que semana de merda eu tive. A natureza tá me devendo uma, onde eu cobro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-879945138864188703?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/879945138864188703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/natureza-essa-sacana.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/879945138864188703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/879945138864188703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/natureza-essa-sacana.html' title='Natureza, essa sacana'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6733918896842725532</id><published>2010-08-22T14:30:00.003-03:00</published><updated>2010-08-22T15:29:23.628-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Do pesar e da indignação</title><content type='html'>Daí na sexta-feira, tarde da noite, eu entrei na internet e vi que a esposa do Dado Dolabella entrou com uma medida cautelar pro cara sair de casa, alegando que estava apanhando dele. E fiquei muito triste por ela. Pensei que tem uma galera que vai julgar, porque quando ela o conheceu já era notório que ele tinha batido na Luana Piovani. Que ela deveria saber, que foi burra de ter escolhido ficar com um cara assim, etc, etc. Mas não é assim que a banda toca. O cara pode tê-la convencido que o lance com a Luana foi um mal-entendido. Afinal, como a Luana é grandona, namoradeira e arrogante, ela não se encaixa no perfil da vítima coitadinha no imaginário coletivo. Por isso foi tão importante ela ter denunciado, pra todo mundo ter certeza de que mesmo mulheres ricas e independentes podem sofrer abusos.E a condenação do Dado pelo caso da Luana pode ter dado forças à esposa pra finalmente dar um basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares de mulheres apanham dos seus companheiros todos os dias. Mulheres das mais variadas idades, classe sociais, níveis de escolariade. Nem posso imaginar a força necessária pra dar conseguir virara mesa e superar um drama desses num mundo machista como o nosso. Imagino a vergonha do (suposto) fracasso. A primeira vez que o cara bate. A esposa do Dado acreditou no cara, achou que a história dela ia ser diferente, e um dia ela levou o primeiro tapa. Aquele que mostrou que ele não era digno de sua confiança, que ela tinha caído numa armadilha. Eu escrevo isso e me dói, me dá vontade de ir correndo dar um abraço nessa moça, em toda mulher que passe por algo parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentando com amigos num bar ontem, uma das presentes contou que isso já aconteceu com ela, de apanhar do companheiro e ter medo de ir embora por conta das ameaças. Que, pra resolver, mudou de emprego e de bairro. Mas que a avó dela não teva a mesma sorte. Essa avó, depois de apanhar por 18 anos de um companheiro - que a certa altura já era ex, mas invadia a casa dela com frequencia para agredi-la - depois de registar inúmeros boletins de ocorrência sem nenhum efeito, um dia, aos 62 anos de idade, matou o infeliz. Ficou 1 ano presa e conseguiu ser absolvida por legítima defesa. Imaginam a merda? Ir pra cadeia porque a incompetência do Estado fez com que ela se transformasse de vítima em ré. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo conhece uma história dessas. A Mari Biddle postou &lt;a href="http://corpoindisciplinado.blogspot.com/2010/07/historia-que-me-aterrorizou.html"&gt;essa aqui &lt;/a&gt;outro dia. E sabe, as pessoas muitas vezes relacionam isso ao alcoolismo. E o alcoolismo é parte da questão, claro, mas tá cheio que caras que batem na mulher de cara limpa, e caras que enchem a cara e não batem em ninguém. O vizinho dos meus pais é alcólatra. A gente ouvia quando ele chegava em casa bêbado e quebrava os móveis da casa. Ele e a mulher gritavam um com o outro, mas ele não batia nela. Dizia coisas horríveis, ela respondia, a gente fica tenso ouvindo, mas não batia. Não tô dizendo que agressão física é a única forma possível de violência, mas a gente nunca sentiu que a vida dela estava em risco. O cara hoje parou de beber e parece que eles vivem em relativa harmonia. Minha mãe tem uma amiga cujo o marido chegava bêbado em casa com flores roubadas do quintal dos vizinhos e passava o resto da noite chorando, envergonhado do vício. Os filhos de saco cheio já, falavam pra mãe largar o pai, que ele era um pinguço sem salvação, mas ela continuou, o cara entrou no AA, e hoje eles vivem bem. Quer dizer, quando o problema é só o álcool, acho até que pode haver, depois de muita luta, um final feliz independente da separação. Mas não consigo ver final feliz ao lado de um agressor. Na minha cabeça, "ele parou de beber, e eles viveram bem depois disso" é algo possível. Mas "ele parou de espancá-la  e ficou tudo bem", não é. Porque eu acho que a violência doméstica não tem nada de inconsciente. Não dá pra colocar a culpa na cachaça e condenar a mulher que casou com o cachaceiro. Não dá pra colocar a culpa na mulher nunca, aliás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, toda a minha solidariedade vai pra esposa do Dado, independente dela ter acreditado nele, dela provavelmente não ter se solidarizado com a violência sofrida pela Luana Piovani. Nada disso minimiza a dor da agressão. Ela não apanhou porque acreditou no marido: apanhou porque o marido é violento. A violência não acaba se "as mulheres escolherem melhor seus companheiros", como tem gente que gosta de dizer por aí. A violência para quando o agressor para de agredir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Update: depois de publicar este post, vi que a Vanessa publicou &lt;a href="http://vanprates.blogspot.com/2010/08/mais-um-olhar-para-violencia-contra-as.html"&gt;esse&lt;/a&gt;, sobre o mesmo tema. E me lembrei que sexta-feira completou 10 anos que o Pimenta Neves matou a Sandra Gomide e o cara continua aí impune. E o pai dela falou da dor de sentir que vai morrer sem ver o assassino da filha cumprir pena. Nossa sexta-feira foi, simbolicamente, um dia especialmente triste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6733918896842725532?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6733918896842725532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/do-pesar-e-da-indignacao.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6733918896842725532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6733918896842725532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/do-pesar-e-da-indignacao.html' title='Do pesar e da indignação'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7531448860571363010</id><published>2010-08-12T20:03:00.006-03:00</published><updated>2010-08-12T23:42:17.040-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>A quem interessar possa</title><content type='html'>Então. É polêmico esse negócio, que eu sei. Mas eu vou comprar a Playboy da Cléo Pires porque eu acho que deve estar linda.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não tenho nada contra a idéia de uma mulher posar nua. Nada contra imagens de corpos nus, nem mesmo nada contra a pornografia. Eu sei que a pornografia, por vezes, reproduz discursos machistas. Mas eu não acho que ela, em si, seja machista. A pornografia é a exposição explícita de sexualidade. Isso, isoladamente, não é machista, ao meu ver. Volto a dizer que, obviamente, tem representações pra todos os gostos, e muitos deles são muito machistas. Talvez a maioria, até. Mas eu não desqualificaria o resto nem por conta desta (suposta) maioria. A &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/leituras-feministas-testo-yonqui.html"&gt;Beatriz Preciado &lt;/a&gt;conta em seu livro que houve, acho que no Canadá, uma articulação do movimento feminista pra censurar publicações pornográficas. E a primeira a ser censurada pela lei foi uma revista pornográfica lésbica. Quer dizer, é feita pra agradar a sexualidade feminina, mas não pode? Tremendo tiro no pé, na minha opinião, tal como o fechamento dos cares de strip na Islândia, como &lt;a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2010/03/30/protegendo-essas-nossas-mulheres/"&gt;a Lu contou&lt;/a&gt;. Eu acho realmente temerário quando o discurso feminista coincide com o religioso. Agora, eu não tenho nada contra, mas não gosto do sexo explícito. Sei lá, aversão estética. Estética, e não moral. Acho cafona. Sério, acho cafona. Já erotismo eu acho lindo. Tipo, fotos bem produzidas, bons fotógrafos e tal. E a revista da Cléo parece que está assim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas eu continuo me justificando aqui porque eu problematizo a questão, claro. Tem um lance, que eu acho que flerta com o abuso, da celebridade dizer que foi difícil, que teve que beber pra relaxar. E daí eu acho muito trash, porque parece mesmo o fetiche da humilhação, usar o poder da grana pra submeter uma mulher em escala macro. Tipo, você tá com vergonha, mas abaixa aí a calcinha que eu tô pagando. E, lógico, acho horrível essa idéia. Entendo claramente que, desse jeito, é sim muito machista. Mas a fotografada deste mês disse que A-DO-ROU posar. Que se descobriu exibicionista. Que teve a maior dificuldade de escolher as fotos da revista porque, por ela, publicava todas, achou tudo o máximo. Em outra entrevista li que a vó deu apoio, dizendo que na época dela levava puxão de orelha da professora porque subia a saia e mostrava a canela, então o fato de uma mulher poder posar nua é algo a ser celebrado. E essa discurso só me deu mais vontade de ver o resultado, porque tudo parece feito com muito prazer. Há uma troca clara aí, não uma submissão: o prazer dela em ser vista, e o do público em ver. E pra mim, quando há essa troca, há o livre exercício da autonomia. Não vejo machismo mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Daí alguém me diz que o problema da Playboy é que dá a entender que só aquele tipo de corpo é desejável. A questão da falta da representatividade da diferença. Que é real, claro, mas não é exclusiva da Playboy. A grande mídia, de maneira geral, não prima pela diversidade mesmo. Por sorte, temos a internet como espaço pra circular outros modelos. Eu gosto muito desse tumblr: &lt;a href="http://gostosa.tumblr.com/"&gt;(cuidado ao abrir). &lt;/a&gt;Não só porque nele eu me sinto bem representada (eu sou do tamanho das fotografadas ;-)), mas porque as fotos são mesmo muito bacanas. Para meu gosto, claro. E tem o que a &lt;a href="http://godotnaovira.wordpress.com/2010/07/28/revival-alegrinho/"&gt;Aline&lt;/a&gt; apresentou, o &lt;a href="http://www.adipositivity.com/"&gt;adipostivity&lt;/a&gt;. Quer dizer a internet dá esse poder, dá gente ter acesso a outras coisas. Ok, fica uma coisa meio underground. O mainstream é a Playboy mesmo. Mas não é porque ela é o mainstream que aquela representação não é legítima. Eu me acho linda (é, modéstia passa longe aqui). E acho a Cléo linda. E, claro, não é culpa dela se a Playboy quer mulheres do tamanho dela, mas não do meu. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas aí tem a questão do olhar objetificador. E eu não acho que achar um corpo sexualmente atraente seja desconsiderar automaticamente o sujeito que ele carrega. A sexualidade faz parte da nossa vida, e a atração física faz parte da sexualidade. Eu acho muitos corpos por aí altamente atraentes. Olha passar, suspiro e, quando faço isso, não estou preocupada com a pessoa que mora naquele corpo. O que não signifia, em absoluto que, se tiver que abordá-la, por qualquer motivo, vou tratá-la como um objeto. Mas, se estou olhando de longe, é só o corpo que me interessa, ué. A mesma coisa se o olhar se voltar pra mim. Sim, eu sou sexualmente atraente. Sim, alguém pode me olhar e só ver um decote, ou uma bunda grande marcando o vestido. E aí? É desrespeito? Quando a gente olha, só vê um corpo, não vê um discurso. E tudo bem. Se, porque eu estou com um decote alguém achar que essa é a senha pra me desrespeitar, o problema é do machista que fez isso, não do meu decote. Eu sei que o mundo é escroto. Que o pessoal acha linda a mulher posando na revista, mas não votaria nela. Ou você é um corpo, ou tem um discurso. Não pode as duas coisas. Essa separação corpo-intelecto pra mim parece herança religiosa do modelo corpo-alma: há que negar um para valorizar o outro. E as pessoas não se dão conta, mas é o mesmíssimo lance da Geyse ou do Taleban: que, pra garantir respeito, há partes do corpo que a mulher não deve mostrar. Eu exijo tudo: o direito de se mostrar e o respeito incondicional. Pra mim, não há meio-termo possível, não há condicional aceitável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E aí tem o outro discurso que diz que olha, tudo bem, mas quando a Cléo, que é atriz filha de atriz, posa nua, ela vai ser respeitada, mas reforça o machismo de quem tá lá olhando. Ela pode, mas a outra, que não tem o mesmo status, paga o pato. Vamos lá: eu não tenho nada contra dançarina de funk. Nada contra a Mulher Melancia. Dizer que essa mulherada que ganha dinheiro seminua contribui para a idéia que há mulheres que só servem pra isso é repetir o discurso machista com a pretensão de combatê-lo. Seguinte: eu estudei literatura. No meu trabalho, não uso nada do que estudei. Meu trabalho exige muito menos capacidade intelectual do que a que eu tenho (de novo, modéstia aqui tirou férias). Tem gente que acha mesmo que se a pessoa está ali na base, assistente de algo, é porque não tem mesmo potencial pra ser chefe e tals. E eu já tive chefes sem um pingo de cultura: o cara era bom no que ele fazia e só. Por que eu tô nesse trabalho? Porque paga minhas contas. Eu não sei nada sobre ninguém que tá ali posando nua. Nem eu, nem ninguém que se coloca numa posição de julgar. A pessoa pode estar numa condição análoga à minha: usando apenas parte dos recursos que tem pra ganhar dinheiro num mundo em que não necessariamente o mais culto é o mais bem pago, mas todos precisam sobreviver. A diferença é que ser assistente em multinacional é algo que tem algum status no meio onde eu circulo - ser dançarina de funk ou axé, não. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não tenho essa cegueira de achar que a minha escala de valores é a única válida. E não tenho a pretensão de achar que todo mundo que é esclarecido vai chegar à mesma conclusão que eu sobre algo. Não, né? O mundo é diverso, os pontos de vista também, claro. E eu acho as dançarinas de funk muito cafonas, na verdade. Não, eu não toparia fazer o que faz a Mulher Melancia porque tenho aversão a essa estética funkeira. Mas, como no caso da pornografia, o problema, pra mim, é de gosto mesmo. E o meu gosto pessoal não tem esse poder de desligitimizar nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7531448860571363010?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7531448860571363010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/quem-interessar-possa.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7531448860571363010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7531448860571363010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/quem-interessar-possa.html' title='A quem interessar possa'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4709149022448732403</id><published>2010-08-09T20:13:00.003-03:00</published><updated>2010-08-09T22:23:57.735-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A ideologia e o pragmatismo</title><content type='html'>Comentário atrasado, mas parece que o Plínio arrasou no debate, né? Assisti só um pouquinho, porque tinha esquecido completamente e tava vendo o futebol. E vi lá a experiência e segurança do Plínio. Parece que ele fez sucesso no twitter depois, trending topics brasil e tal. E criaram lá os #plínioarrudafacts, pra tirar um sarro com o quanto ele é velhinho. Aí rolava uns lances de que ele tem experiência com portos, porque projetou a Arca de Noé, e experiência legislativa, porque tava na comissão que redigiu os 10 mandamentos. Acho que galerinha mais nova nem sabe que o que mais impressiona na experiência do Plínio é um fato bem real: o Ato Institucional nº 1, de 64, cassava os direitos políticos dele - e de outros contemporâneos, claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho o maior respeito pelo Plínio. Fui lá fuçar o twitter dele. Achei especialmente sensível por ele, católico praticante, ter muito clara a divisão entre o estado e a fé. Vi lá ele comentando que duas pessoas do mesmo sexo compartilhando a vida constituem uma parceria civil que deveria ser reconhecida pela lei. E eu já tive a oportunidade de conversar com gente muito próxima a ele. Trata-se de um senhor bem conservador quanto à sexualidade dentro de casa: se incomodava com os filhos levarem namoradas para o quarto. Não estamos falando de um libertário, portanto, mas de um senhor de 80 anos que vai à missa aos domingos. O que não o impede de respeitar estilos de vida e convicções diferentes. Acho lindo, e tenho pra mim que o mundo seria um lugar muito mais agradável se houvesse mais gente assim por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Plínio aproveitou o debate pra marcar suas posições de maneira muito firme, com críticas ácidas a todos os presentes. Sua postura só me faz ter mais certeza de que a oposição séria no Brasil acabou quando o PT virou vidraça, digo, governo. Quer dizer, há oposição séria, como faz o próprio Plínio, mas ela ainda é muito pequena. Eu torço muito pra essa oposição crescer, criar corpo, porque o que não falta é coisa pra se criticar no governo Lula. E crítica de verdade, não discurso preconceituoso. Alguém aí ainda agüenta ouvir gente esperneando pra dizer que o Lula é analfabeto? Cara, que preguiça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nas considerações finais o Plínio disse que ele representava a divergência, e seus oponentes, a convergência. E puxa, é legal no discurso, mas não é assim que a banda toca. Não dá pra achar que, sendo eleito num cargo executivo, o cara (ou a cara) vai fazer o que quiser ali, porque não vai. Há um legislativo a ser respeitado. E um legislativo cuja importância as pessoas ainda não entederam, então vota-se no Lula pra presidente e num coronel do DEM pra deputado federal e tudo bem. Não sei se eu já disse aqui, mas acho um absurdo tentarem enfiar na nossa cabeça inequações com logaritmos e sairmos da escola sem ter claro pra que serve um senador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta fala do Plínio me fez lembrar de um filme que assisti numa das aulas da pós, e recomendo muito. É a cinebiografia do Celso Furtado, chamada "Um Longo Amanhecer". O Celso Furtado, se alguém por acaso não sabe, foi um grande economista, um homem realmente comprometido com o país. Destacou-se tanto como acadêmico, quanto como político. E há neste filme um depoimento da Maria da Conceição Tavares que me marcou. Ela dizia que é muito diferente o mundo da academia, teórico, da prática política. Que um acadêmico sério pode ser inflexível, mas um bom político jamais. Pra fazer política, é preciso saber ceder, negociar sem abrir mão do essencial. E o Celso Furtado sabia fazer isso muito bem, mas que ela, segundo seu próprio ponto de vista, não. Então, o lugar dela era o da crítica acadêmica. E fazer essa crítica não significa desqualificar o trabalho do outro, pelo contrário - a boa crítica pode enriquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo o Plínio desempenhando um papel importantíssimo: o de criticar. Queria mais forças políticas de esquerda fazendo críticas ao governo, críticas que reverberassem. E por hora, por pragmatismo, eu fico com a continuidade, por que se não está tudo tão lindo quando querem nos fazer crer, está muito melhor que 8 anos trás. Disso eu não tenho dúvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4709149022448732403?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4709149022448732403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/ideologia-e-o-pragmatismo.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4709149022448732403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4709149022448732403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/ideologia-e-o-pragmatismo.html' title='A ideologia e o pragmatismo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-693674838063806773</id><published>2010-08-05T22:37:00.007-03:00</published><updated>2010-08-07T17:14:32.803-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maternidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Leituras feministas - Le conflit</title><content type='html'>A história é assim: eu descobri o &lt;a href="http://portedoree.blogspot.com/"&gt;blog da Amanda&lt;/a&gt;, vendo, não sei onde, um link para este &lt;a href="http://portedoree.blogspot.com/2010/02/maes-indignas.html"&gt;post&lt;/a&gt;. E, puxa, além de tudo a Amanda mora na França, então, rolou identificação. Este post dela fala do livro polêmico da não menos polêmica Elisabeth Badinter, "Le conflit - la femme et la mère" (O conflito - a mulher e a mãe). Mandei o link pra minha amiga Ma que mora na França, tem um filho que acabou de completar um ano e havia me confessado que a maternidade era muito mais extenuante do que ela tinha previsto. Minha amiga gostou do debate e resolveu me dar o livro de presente de aniversário. Consegui lê-lo naqueles dias de repouso pós-cirúrgico. A Amanda fez dois posts sobre o tema (&lt;a href="http://portedoree.blogspot.com/2010/03/ainda-maternidade-segundo-badinter.html"&gt;outro link aqui&lt;/a&gt;), e eu não queria repeti-los, porque acho que debate lá foi bem produtivo, com muitos comentários, e a gente não ganha nada redundando. Mas, como ela mesma colocou, o livro rende muitas discussões, então vou tentar abordar outros aspectos. Vale antes dizer que Badinter parece ser daquelas pessoas que tem gosto pela polêmica, com as quais é impossível a gente com concordar em alguns momentos, mas cujas provocações são interessantíssimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, uma questão muito abordada por ela é a da amamentação. De que existe uma pressão enorme para que as mães amamentem, ainda que isso não seja de sua vontade. Taí a Gisele Bündchen que não me deixar mentir. Tô com preguiça de buscar o link, mas a nossa super-super, linda e loira, disse essa semana que deveria haver uma lei que obrigasse as mães a amamentarem seus filhos por 6 meses, no mínimo. Parece que ela se retratou e disse que não queria julgar ninguém. Cê jura, Gisele? Imagina se quisesse, né? Mas então, minha amiga teve seu filho na França e não só não sofreu pressão para amamentar como não teve apoio para fazê-lo. As enfermeiras da maternidade não a ajudaram, ela teve muita dificuldade no começo, o que provavelmente fez com que seu leite diminuísse. E ela se sentiu muito mal por isso. Não só por ter o seu direito desrespeitado, mas por não conseguir fazer o que acreditava ser o melhor pro seu filho. Pra piorar, seu pequeno era intolerante à diversas marcas de leite industrializado. Foram meses muito duros pra ela, e boa parte ela credita a essa diferença cultural. Imagino que aqui a coisa deva ser muito diferente. Não no sentido de orientação e preparo das enfermeiras, mas na cultura que preza a amamentação como obrigatória. O que eu acho disso tudo? Que amamentar deveria ser um direito, não um dever. Como tudo na vida, a gente deveria ter todas as informações disponíveis pra tomar a melhor decisão - e essa decisão é sempre personalizada. Uma coisa que eu acho que a Badinter manda muito bem é em ressaltar a desonestidade intelectual em alguns argumentos pró-amamentação, tipo comparar dados de mortalidade infantil incluindo países paupérrimos e desenvolvidos no mesmo balaio. Por que a qualidade da água, do leite e as condições gerais de higiene são completamente diferentes na França e no Gabão, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe não pode me amamentar porque quase morreu quando eu nasci. Na época, os chamados leites de substituição eram caríssimos. Devo ter tomado por pouco tempo e logo depois migrado para o leite B de saquinho. E olha só, fui uma criança bem saudável. Segundo minha mãe, meu irmão caçula "não queria mais o peito" depois dos 4 meses. Sei lá porque. Tá aí também. Então, né? Menos. Eu não concordo com o discurso da Badinter que exalta a mamadeira como uma forma de igualdade entre o sexos, porque eu não acho necessário desqualificar qualquer processo biológico para defender a igualdade de direitos, acho até um argumento muito contraproducente. Mas não cabe a ninguém ficar julgando uma mulher por não amamentar, sejam quais forem os seus motivos (né, Gisele?). Porque se a amamentação é importante, ao mesmo tempo está longe de ser imprescindível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma outra polêmica da autora, e que eu gostei porque permite filosofar um monte sobre o corpo feminino como campo de disputas políticas, é sobre a gravidez. Nos anos 70, não haviam pesquisas que ligassem o fumo  e álcool a problemas com os bebês. Minha sogra é hardcore e fumou nas 3 gestações. E bebeu. Whisky, pra ser mais exata. Estão os três moços filhos dela muito bonitos e saudáveis, obrigada. A louca aqui tá dizendo que todo mundo deve ignorar as pesquisas e fumar e beber loucamente? Não, claro que não. Mas outro dia vi na internet uma foto da atriz Juliana Paes (que pra quem não sabe, está grávida) numa mesa de restaurante esticando o braço pra dar uma bicada no chopp da irmã. E a legenda não deixava barato: não crucificou a moça, mas deu lá um puxãozinho de orelha. Percebem? Se você engravidou, todas as suas vontades ficam condicionadas ao bem supremo do bebê, senão você é uma mãe execrável. Não sou mãe, e imagino que se eu for um dia, vou querer o melhor para o meu filho, lógico. Mas isso significa que se eu tomar uma tacinha de espumante no Reveillón estou comentendo um crime? A OMS recomenda a amamentação até os 2 anos de idade. E também não pode beber enquanto amamenta. 3 anos sem cachaça. Mas que boa mãe quer cachaçar, né? Minhas concunhadas são mães excelentes, mas lembro muito bem de uma delas amamentando a pequena e dizendo "ô tempo, passa logo, porque tô doida por uma gelada!". Não gente, ela não amamentou dois anos. Passada a licença, a mãe voltou a trabalhar, e a pequena foi pra um berçário o dia todo e passou a tomar mamadeira. (Digressão: antes de ver esse caso de perto, eu achava uma tristeza os bebês irem para o berçário antes de completarem 1 ano. Hoje acho que deve ser uma preocupação pra mãe achar um lugar legal, mas se achar, é excelente. Vocês não imaginam como essa menina - que tem 2 anos e meio agora - é feliz, independente e esperta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no post da Amanda tem uma mulher que colocou um comentário (na verdade, vários) nessa linha de que é por aí, o bebê em primeiro lugar, escolheu então tem que ser assim, sem nenhuma margem para discussão. E termina com o clássico carioquês (acho que só no Rio falam assim, né?): "não sabe brincar, não desce pro play". E, advinhem? Mais e mais mulheres no mundo escolhem não descer pro play. A teoria do livro é que, como as francesas "brincam" à sua maneira, deixam de amamentar, dão comida industrializada, voltam ao trabalho pouco tempo depois, a imensa maioria delas é ou será mãe. Muitas de mais de 1 criança. Enquanto isso, estima-se que 30% das alemãs não terão filhos. Ok, a raça humana não está correndo risco de extinção, mas eu aposto que o governo alemão se preocupa muito com esta estatística. E apesar de não terem lá a melhor fama do mundo, não me consta que os franceses sejam todos uns doentes, infelizes e sociopatas. Então, essas "mães medíocres", pra usar a expressão da autora, devem ter cumprido suas tarefas direitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o livro não é contra os pobres bebezinhos. E, caso alguém desconfie do contrário, eu também não sou. Mas é fundamental que as mães não sejam vistas como egoístas se não estão se portando segundo um ideal social. Aliás, é importante desmontar esse ideal mesmo, porque ele só gera frustrações. Os bebês são seres humanos imperfeitos, filhos de mulheres imperfeitas, nascidos num mundo imperfeito. Se nada nessa relação é perfeita, porque o ônus todo tem que ficar com a mulher, sempre? Porque tudo nela tem que ser renúncia e resignação? Ok, as crianças não pediram pra vir ao mundo e não podem se manifestar. Mas eu tenho certeza que, se pudessem, muitos se horrorizariam com maneira como a sociedade os usa como justificativa pra oprimir suas mamães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS, de madrugada: vocês não morrem de vergonha quando, depois do post revisado umas 3 vezes e publicado, vocês encontram vários erros? Muitos deles? Alguns grotescos? Aff!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-693674838063806773?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/693674838063806773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/leituras-feministas-le-conflit.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/693674838063806773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/693674838063806773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/leituras-feministas-le-conflit.html' title='Leituras feministas - Le conflit'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5448234898962530653</id><published>2010-08-02T20:11:00.003-03:00</published><updated>2010-08-03T14:32:13.354-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Diversas</title><content type='html'>Estou com vontade de fazer outra tatuagem. A minha completa 10 anos ano que vem. E daí me dei conta de que eu não posso mesmo criticar quem faz plásticas. Tatuagem dói, é caro e não serve pra nada. Alguém pode argumentar que não dá pra comparar, porque a plástica exige internação no hospital, mais riscos, tem o lance machista de exigir corpo perfeito das mulheres e até que poder fazer tatuagem é uma conquista recente nossa. Tudo isso faz sentido, mas o fato é que, racionalmente falando, tanto colocar peito quanto tatuar as costas são coisas que não trazem nenhum benefício senão o estético. E do mesmo jeito que não quero que ninguém dê palpite nos meus rabisco, não vou dar nas turbinadas alheias. Só acho, como já disse aqui, que essa deveria ser uma decisão menos mediada pela expectativa da aprovação alheia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de entrar no trem, comprei uma pipoquinha de uma carrinho enfrente à estação. Tinha bacon na danada. Deve ser muito difícil ser vegetariano num mundo em que nem as pipoquinhas são 100% vegetais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cirurgia me deu uma desculpa legítima para não ir à academia, apesar de estar pagando. De quebra, minha colega de malhação acha que ser solidária a minha licença médica também é uma desculpa legítima para faltar às aulas. Né, gata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou ficar aqui falando de novela, mas eu tenho que dizer que eu sou team Melina. Porque entre a moça que usa um cabelinho à la Louise Brooks e uma personagem interpretada pela Chatolina Dieckman que resolve trocar de namorado só porque deu uma voltinha de stock car, se casa com o ricaço em 2 semanas, se arrepende, e quer voltar para o Raj (o que foi trocado), pra quem eu poderia torcer? Ok, o fato é que os personagens dessa novela são chatos demais em seus dramas, e não me sentaria num bar com ninguém ali. Nem com a mocinha do cabelo Chanel. Mas eu sempre vou torcer pela outsider cool, nunca pela namoradinha. Por que todas as mocinhas são chatinhas? Por que nenhuma delas tem sal? Gente, entre Lara Croft e a Rachel, qual a dúvida? Lara Croft, claro! Conseguem imaginar a Jennifer Aniston interpretando um papel que inicialmente tinha sido escrito para o Tom Cruise? Não, né? Só que os caras costumam gostar das mocinhas-pra-casar, não das porra-loucas outsiders. Brad Pitt tem meu eterno respeito por ter escolhido a fodona-tatuada com o menino do Camboja a tira-colo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em novela, a Mariana Ximenes deve apanhar daqui a pouco, viu? Vigarista e já deu pra 3, incluindo o Cauã. Questão de tempo, que a gente sabe como funciona, né? E eu tenho que dizer que, apesar das porradas inevitáveis, meu sonho na vida era ser vilã de novela. Teve uma em que a Alessandra Negrini pegou o Anthony, o Fábio Assunção, o Bruno Gagliasso e o Wagner Moura. Imagina você chegar de manhã no trabalho e sua "tarefa" ser alisar o peito do Marcelo Anthony? Sendo bem paga pra isso! Marido vai me desculpar, mas se este não é o melhor emprego do mundo, não sei qual é. Pronto, olha que fácil! Já decidi o que eu quero ser na vida! ;-)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5448234898962530653?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5448234898962530653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/diversas.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5448234898962530653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5448234898962530653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/diversas.html' title='Diversas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4108387432562642619</id><published>2010-08-01T21:28:00.002-03:00</published><updated>2010-08-02T07:24:04.866-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Escolhas</title><content type='html'>Pois é. A vida é feita delas. Quando a gente é livre, pode e deve fazê-las, mas tem que arcar com as consequências delas. E há pessoas que nem dão conta de serem livres justamente por isso: porque gostam que poder jogar em ombros alheios suas frustrações.&lt;br /&gt;Considerando que vivemos numa sociedade machista, que minha mãe tem lá seus dogmas religiosos e tal, eu sou bem livre, até. E leve, no geral. Definitivamente há escolhas das quais eu me arrependo, mas sem nenhum peso: toda escolha é uma renúncia, e tento não focar nas ausências, mas nas presenças.&lt;br /&gt;Estudei Letras. Amei o curso com todas as forças. Agora, na pós, lembrei que algum dia eu pensei em prestar Economia, mas não tive coragem de sair de São Paulo pra estudar na Unicamp (o curso da USP é mais neoliberal, e eu definitivamente não queria isso pra mim). Meu primeiro vestibular foi pra Jornalismo, eu passei numa particular, não passei na USP e não quis pagar. Passei pra Letras no ano seguinte, comecei a faculdade um pouquinho mais tarde (já com 20 anos) e gostei.&lt;br /&gt;Eu trabalhava em multinacional durante o dia, e vivia divida entre dois universos. Dividida modo de dizer: eu amava o acadêmico, rejeitava o corporativo, mas não queria abrir mão da grana. E tive lá minhas recompensas. Quantas pessoas você conhece que podem pagar 1 mês de curso na Espanha (mais passagem, estadadias e passeios) com as próprias economias aos 21 anos de idade? Pois é, eu pude.&lt;br /&gt;Só que eu sempre tive (e continuo tendo, aliás) uma insegurança intelectual enorme. Eu até sonhei durante algum tempo com a carreira acadêmica, mas achava que o mundo corporativo é que era meu lugar. No mundo corporativo a gente não precisa ser super inteligente, basta ser um pouco capaz e minimamente espertinha. E isso eu sou. E eu achava que esta história de professores que "apadrinham" alunos só acontecia com gente brilhante, ou quem batalhasse muito para ser reconhecido. Mas um professor muito bacana gostou de mim. A ponto de me incentivar muito. A ponto de me convidar para um grupo de estudos com gente da pós. E, puxa, isso aumenta as inseguranças de quem é insegura, viu? Porque a gente surta com o medo de não corresponder. &lt;br /&gt;Num sábado qualquer, ainda na época da faculdade, encontrei esse professor na fila do cinema. Foi como ver uma assombração. Eu lá, sem graça, assustada, e o cara puxou papo e disse: "Iara, quando você vai explorar seu potencial para os estudos literários?". Ok, pergunta inocente. Mas feita pausadamente, numa voz meio soturna, sabem? Juro, virou um fantasma. Meu potencial me perseguindo.&lt;br /&gt;Ainda assim, eu achei que quando voltasse de França, ia começar meu mestrado em literatura. Quando viajei, pensei que talvez até ficasse para fazer na França mesmo. Mas eu voltei e procurei emprego de novo como secretária (e acho que meu pai lamentou por isso). Só que eu tive que ir a USP pegar algum documento logo quando cheguei (nem lembro mais o que). E vi esse professor saindo da biblioteca. Vindo em minha direção. Ele não me viu, então eu me escondi. Tive vergonha e dizer: "tudo bom? então, eu não vou explorar meu potencial para os estudos literários, viu? resolvi voltar a ser secretária porque, apesar de ser um trabalhinho bem cretininho, paga melhor do que a 'pochete-de-estudos' da 'c-n-pouquinho'".&lt;br /&gt;Ok, dito assim, parece bem "mimimi" e covarde, e não é esse o ponto. Se eu tivesse certeza que era a literatura, eu tava lá. Se hoje eu chegasse a essa conclusão, recalculava a rota e voltava pra lá. Se eu decidir amanhã, faço isso, acreditem. Eu posso fazer isso, mas a dificuldade é, justamente, não saber o que eu quero ser quando crescer apesar de ter 30 anos, 1 metro e  67 e quase 80 quilos. Fico em dúvida ser astronauta, policial ou jogadora de futebol. A verdade é que eu gosto de muita coisa, o que no fundo é bom. Ou não. Sei lá.&lt;br /&gt;Mas porque tudo isso agora, então? É porque eu lembrei do Caio Fernando Abreu. E Caio Fernando Abreu me lembra este professor também, mas não só, pelo fato de serem os dois gaúchos. Mas principalmente porque este professor já orientou trabalhos sobre o CFA. Eu já coloquei aqui uma citação dele (do CFA, não do professor) inspiradora. Tive que procurar nos posts antigos pra ter certeza, achei &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2009/11/leveza.html#comments"&gt;lá&lt;/a&gt; em novembro.&lt;br /&gt;Enfim. Eu continuo aqui. Sem "explorar o meu potencial para os estudos literários". Mas lendo, ainda assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4108387432562642619?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4108387432562642619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/escolhas.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4108387432562642619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4108387432562642619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/08/escolhas.html' title='Escolhas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1204938498276052588</id><published>2010-07-26T23:29:00.002-03:00</published><updated>2010-07-26T23:36:32.284-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Tudo jóia?</title><content type='html'>Quinta-feira passada, ainda de férias (voltei a trabalhar hoje) resolvi dar uma volta. Acabei no Shopping Iguatemi. Pra quem nunca ouviu falar, ele foi o primeiro construído em São Paulo (então é provável que tenha sido o primeiro do país). Até outro dia, era o mais caro e elegante. Eu tenho uma certa relação afetiva com ele porque o meu primeiro emprego de verdade, mais de 10 anos atrás, era na região, e eu almoçava lá de vez em quando. Era engraçado, porque apesar da pompa, tem duas lojas bem populares na entrada. Aquela coisa, né? Se tem MacDonald's e C&amp;A  mesmo os funcionários mais modestos dos prédios ali por perto conseguem consumir alguma coisa lá dentro.&lt;br /&gt;Só que este shopping fica numa avenida movimentada e servida por muitas linhas de ônibus. Apesar da elegância que pode ser opressiva para alguns, o prédio é acessível, geograficamente falando, pra qualquer pessoa. Por isso mesmo desconfio que ele perdeu o posto de bambambam: há um agora em que só se entra de carro. Deve ter uma entrada nos fundos pra funcionários, mas a coisa é bem hierarquizada mesmo. O estacionamento custa uns 30 reais a primeira hora. E fica num grande empreendimento com edifícios residenciais e comerciais também. A idéia é que você saia o mínimo possível, e só conviva com quem tem outra realidade quando estas pessoas estiverem te servindo, claro. Do tipo de coisa que me faz ter muita vergonha alheia por quem escolhe isso pra si, sabe? Colocam um muro enorme entre eles e o resto do mundo e se espantam com a violência depois. Eu sei, eu sei, outras cidades podem ter aberrações neste sentido também, mas às vezes parece que São Paulo é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;hour concours&lt;/span&gt; em facismo.&lt;br /&gt;Mas, enfim, o Iguatemi não ficou popular por ser menos esnobe. Muitas grifes de alto luxo estão lá. Você acha caro um sapato de 200 reais? Lá tem de 2 mil ou mais. Mas o motivador deste post foi uma vitrine de joalheria. Olha só, eu sou super crítica a respeito da acumulação, acabei de assistir "Diamante de Sangue", mas eu acho jóias bonitas. Não como objeto de desejo, entendem? Acho bonito o trabalho de criação, o design mesmo. Nem olho desejando, pensando: "ó, um dia eu quero ter isso", porque não vou e não quero. Nada a ver comigo. Consigo excluir toda a ideologia por trás e achar bonito de ver, como quem vê uma obra num museu. Só.&lt;br /&gt;Se mais alguém tem essa curiosidade, já deve ter reparado que os preços das coisas realmente sensacionais não são mostrados, mesmo que as peças estejam expostas na vitrine. Essa loja do Shopping Iguatemi tinha uns anéis com solitário de brilhante. Sabe daqueles de filme do mocinho que pede a mocinha em casamento e dá o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;engagement ring&lt;/span&gt;?. Então, tinha uns três assim lá. Os mais simples custavam 20 mil reais. O maior custava 200 mil. O preço tava lá, pra quem quisesse ver. &lt;br /&gt;Eu fiquei muito triste depois de ver o preço deste anel. Bateu aquela coisa ingênua até de "tanta criança aí passando fome e madame colocando 200 paus no dedo". Depois fui mais longe nas reflexões e pensei que nada impede um cara de comprar um destes de presente pra uma mulher e tratá-la como lixo - embora de maneira nenhuma eu esteja estabelecendo alguma relação de causa e consequencia entre as duas coisas, que fique claro. Tem uma música do Skank, Os Ofendidos, que diz assim: "o mundo não me assusta/ o mundo só me insulta". No meu caso, as duas coisas, viu? Assusta muito e insulta mais ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1204938498276052588?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1204938498276052588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/tudo-joia.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1204938498276052588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1204938498276052588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/tudo-joia.html' title='Tudo jóia?'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4428094492463411210</id><published>2010-07-25T14:00:00.001-03:00</published><updated>2010-07-25T21:10:17.739-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Leituras feministas - A Dominação Masculina</title><content type='html'>Continuando, o segundo livro lido nos dias em que tive de ficar em repouso absoluto foi "A Dominação Masculina", do Bourdieu. Este foi presente de aniversário do meu pai que, depois de aposentado, ao 60 anos de idade, prestou vestibular, voltou pra faculdade e este semestre se formou em Ciências Sociais na USP. Então, faz muito sentido pra ele me presentear com uma obra de um sociólogo. &lt;br /&gt;Enfim, mas o livro explica como o patriarcado está arraigado em nossas relações e nossos costumes de um maneira muito mais poderosa do que normalmente identificamos. Que toda a nossa organização de mundo parte de papéis masculinos e femininos bem definidos e hierarquizados. Daí que só a conscientização das mulheres de sua condição de dominadas não seria suficiente para reverter sua condição, sem que fossem feitos importantes mudanças na estrutura do mundo.&lt;br /&gt;Eu sei que o Bourdieu enfrenta muita resistência de algumas feministas. E eu acho que sei porque, mas não sei se vou conseguir explicar. A questão, pelo meu ponto de vista, é este rótulo aí de dominadas. Como se isto fosse realmente imutável e definisse nossa condição no mundo. Eu entendo muito bem o que ele quer dizer quando foca na estrutura e eu concordo bastante. Se não olharmos as coisas assim, repetimos aquele discurso supostamente bem intencionado de que "homem machista é horroroso, mas mulher machista é pior". Essa atribuição de toda responsabilidade à nós, como se pudéssemos gente acordar um dia, ler "O Segundo Sexo" e concluir: "mas que canalhas estes meninos, a mim não enganam mais". Eu já falei aqui que este mundo é machista e a gente não vive teorias. Eu me esforço bastante para refletir sobre minhas atitudes, pra me questionar, mas minha vida é conservadora e me pego agindo tal qual o mundo machista acha que eu devo me portar. Nossas referências são externas e é um exercício desconstrui-las, criticá-las. Ainda que nos esforcemos para passar valores diferentes às novas gerações, a família ou mesmo a escola nunca são a única referência de uma criança. E ela vai, a cada dia, se deparar com mais e mais mensagens, explícitas ou não, que demarcam seu espaço na sociedade. O Bourdieu tem até uma teoria, que eu achei bem sacada, que a suposta intuição feminina viria daí: pra ter aceitação social a gente tem que se submeter a mais condições do que os homens, e essas condições nem sempre estão explicitadas. Logo, passamos a ser especialistas em comunicação não-verbal,&lt;br /&gt;Mas ao mesmo tempo em que entendo o discurso do autor e acho muito válido, no me gusta pensar que não temos poder pra mudar isso. Porque se o poder não está todo em nossas mãos, com certeza há uma parte que está. E eu não posso mudar o mundo, mas posso criar conflitos que obriguem as pessoas a se posicionarem, posso desnudar o que está muito bem escondido. Eu sei, pra milhares de pessoas lendo blogs feministas que escancaram o machismo de como a mídia está tratando o caso Eliza, há milhões de pessoas vendo a grande mídia e atirando suas pedras a mais essa Madalena. Então não mudaremos o mundo e o patriarcado de maneira imediata. Mas as vozes dissonantes são importantes, porque elas marcam o conflito. Por isso, não gosto de me pensar "vítima" ou "dominada". Acho que as mulheres que querem resistir devem ser pensadas como resistentes mesmo, como tripulantes de um barquinho modesto que remam contra a corrente. Uma corrente poderosa e hostil, mas cada vez que alguém se dispõe a remar junto para o lado "errado", dá a sua contribuição para irmos mais longe. Acabei de pensar que esta é uma analogia péssima porque o fluxo de um rio é algo natural, tentar alterá-lo pode causar um desastre natural e esse é exatamente o argumento do patriarcado: que o feminismo quer alterar regras impostas pela natureza. Mas vocês vão me dar um desconto, sei que entenderam que eu defendo sermos nós parte da transformação, e não passivas nestas circunstâncias. Aliás, este lugar da passividade é tudo o que não queremos.&lt;br /&gt;Ok. Estou sendo um pouco injusta com o Bourdieu, porque no livro ele trata de enfatizar que é preciso, justamente, historicizar o discurso da dominação, para que ele não seja visto como eterno e com isso, imutável e absoluto. Que o serviço prestado pelas instituições (escola, igreja, estado) ao patriarcado é justamente naturalizar nossa condição de inferioridade, enquanto o discurso feminista o quetiona, forçando sua entrada à esfera do, como ele diz, "politicamente discutível". Mas ficou pra mim a impressão de que ele é bem cético em relação ao ativismo feminista, ainda que reconheça alguns de sucessos. &lt;br /&gt;Enfim, texto modesto para um livro importante. Pra quem não leu, recomendo. Este é traduzido e fácil de encontrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4428094492463411210?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4428094492463411210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/leituras-feministas-dominacao-masculina.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4428094492463411210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4428094492463411210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/leituras-feministas-dominacao-masculina.html' title='Leituras feministas - A Dominação Masculina'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7392433918418408485</id><published>2010-07-23T15:36:00.006-03:00</published><updated>2010-07-24T13:28:19.452-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Leituras feministas - "Testo Yonqui"</title><content type='html'>O título já é instigante. Só lá pela metade eu saquei que a idéia era ser "junkie" de Testosterona, no sentido de se viciar. Que "yonqui" é a gíria espanhola equivalente ao "junkie" inglês. Enfim, a Beatriz Preciado é uma filósofa que estuda gênero e teoria "queer", que vem a ser o comportamento de quem não é, ainda segundo o inglês, "straight". Ou seja, quem foge a equação pênis = homem = masculino / vagina = mulher = feminino e heterossexual. Ela é espanhola. Quem me deu o livro foi a Fe, amiga minha inteligentíssima que fez um mestrado no museu de arte contemporânea de Barcelona. A Beatriz foi foi professora dela.&lt;br /&gt;E eu adoro livros que me provoquem muito. Porque eu posso escrever um blog, ter umas idéias mais arejadas e tal, mas eu não tenho nem dúvida de que o meu modelo de vida é super conservador. Sou funcionária de multinacional, heterossexual, vivendo numa relação estável e monogâmica com um homem um pouco mais velho, mais alto e que ganha mais do que eu. Já fui secretária, estudei francês na França e me sustentei como babá, enquanto marido, antes de me conhecer, morou na Alemanha e projetando aviões. Sentem os modelinhos padrão masculino e feminino bem desenhadinhos? Então não é porque não somos dependentes de automóvel, não temos discurso retrógrado que somos "modernos" ou revolucionários.&lt;br /&gt;Mas a Beatriz Preciado é, e como dizem por aí, "dicumforça". Ela é lésbica, se identifica mais com o gênero masculino (pelo o que eu entendi), mas acha que essas definições de gênero são autoristarismo estatal. Então não, ela não pretende fazer nenhuma cirurgia de mudança de sexo, nem deixar de ser Beatriz. Mas ela começa a se aplicar testosterona como experiência, meio que revivendo o percurso de Freud com a cocaína e de Walter Benjamin com o haxixe. Não sei se todo mundo sabe, mas homens e mulheres fabricam testosterona e estrogênio, o que muda é só a quantidade destes hormônios. Então, a testosterona não vai tranformá-la num homem, mas reforçar certas características consideradas como masculinas, como a quantidade de pelos no corpo, o cheiro do suor e a voz, por exemplo. E ela reivindica esta experiência como um direito inalienável de qualquer cidadão, o de poder se relacionar com seu corpo à sua maneira.&lt;br /&gt;Enquanto se aplica testosterona, ela defende sua tese de que vivemos numa sociedade "farmacopornográfica". O que o carro representou para a economia e o comportamento no século XX, a pornografia e a indústria farmacêutica o fazem no século XXI. E eu não poderia concordar mais, principalmente quando ela, numa analogia das melhores, diz que as drogas ilegais são para a indústria farmacêutica o mesmo que a pornografia é para a indústria do entrenenimento. Ambas são variantes extremas e carentes de "status", mas subproduto de instituições sólidas. Muitos filmes não são pornográficos, não explicitam nada, mas as fantasias estão ali, o objetivo continua sendo gerar excitação sexual no espectador. Na TV a cabo essa semana tava passando um filme com o Tommy Lee Jones em que ele faz um policial que tem que proteger 5 cheerleaders gostosonas testemunhas de um crime. Ce vai me dizer que isso não é fantasia erótica de marmanjo? As moças de sainha e o cara com a arma sempre na mão? Só porque tá todo mundo vestidinho e pode passar na sessão da tarde não é de sexo que estamos falando?&lt;br /&gt;E os remédios. Aqui é onde o livro manda melhor, na minha opinião. Porque se o transgênero toma hormônios, a irmão toma anticoncepcionais, mamãe na menopausa faz reposição hormonal, papai toma Viagra e o caçulinha Ritalina (pra quem não sabe, é o remédio mais popular pra crianças diagnosticadas como portadoras de déficiit de atenção e hiperatividade). Sem esquecer, claro, os antidepressivos. Preciado critica o feminismo por ter acolhido e celebrado a pílula anticoncepcional, sem pressionar pelo desenvolvimento e adoção de outras políticas contraceptivas. E aqui ela força a barra, na minha opinião. Porque a pílula não é bacaninha e inocente mas acho que ela é uma conquista, sim. &lt;br /&gt;Mas a pílula. Então, meu problema de varizes foi agravado por ela. Eu sei disso. Fiz uma escolha consciente. Não me arrependo, prefiro ter feito essa cirurgia agora mas ter passado os últimos ano sabendo que estava protegida de uma gravidez não desejada. Mas com isso, só duas vezes cliente da indústria farmacêutica, exponho o meu corpo duas vezes. Ainda que ela esteja se aperfeiçoando e os efeitos colaterais sejam menores agora, eles existem. Entre eles, adivinhem? A queda da libido. Quem vem a ser um efeito colateral do uso de antidepressivos também. Lembro de um dia, anos atrás, em que jantava com um grupo de amigas. Todas inteligentes, viajadas, independentes. Todas a seis já tinham tomado antidepressivo em algum momento da vida (eu inclusive). Muita gente toma antidepressivo no mundo, e acho que são as mulheres as maiores usuárias. E muitas mulheres tomam pílulas. A gente comenta do absurdo de antigamente, quando se lobotomizava mocinhas inconvenientes. Hoje não precisa: a gente dopa todo mundo e beleza. Somos uma geração de mulheres infertéis quimicamente e que só tem tesão pra transar com o namorado - quando tem. Não é o paraíso machista por excelência? Ela questiona porque nunca se pensou em ministrar pequenas doses de testosterona para mulheres que tomam pílulas, para resgatar a libido. Mas é super mal visto politicamente. Como se a testosterona e a excitação sexual decorrente dela nos fossem proibidos. E a desculpa par não terem chegado a um equivalente feminino do Viagra é que nossa sexualidade é muito complexa. Mas doses mínimas de testosterona poderiam ser eficientes sem grandes alterações físicas. O livro conta (pág 144-146) que em 2004 o FDA, orgão amaricano responsável pela fiscalização de medicamentos, não autorizou o lançamento no mrcado de um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;patch&lt;/span&gt; de testosterona que seria ministrado pra mulheres que estivessem com a libido em baixa por conta da menopausa - mas claro que as que usam anticoncepcionais poderiam ser futuras consumidoras. Enfim, é o estado quem te diz que drogas a gente pode consumir ou não, a decisão é sempre política.&lt;br /&gt;Olhem só, acho o uso de medicamentos muito legitimo em diversas circunstâncias. Acho que são muito úteis, e já vi pessoas queridas que estavam muita mal consiguirem se recuperar com a ajuda deles. Mas a última vez que me prescreveram antidepressivos eu estava só ansiosa e angustiada por questões externas, mas especificamente por não saber o que fazer quando terminasse a faculdade, coisa que acontece com todo mundo. E eu não tomei, continuo uma pessoa ansiosa e angustiada por diferentes motivos, mas posso viver com isso. Hoje, quando minha ansiedade bate forte, tomo um fitoterápico a base de maracujá, daqueles que não precisa nem de receita e pode dar até pra criança.&lt;br /&gt;Enfim, não era pra ser tão longo esse post. E nem é uma resenha de verdade. Mas o livro traz reflexões interessantes sobre fenômenos contemporâneos da maior importância. Se alguém se interessar, só achei disponível no original em espanhol, infelizmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7392433918418408485?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7392433918418408485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/leituras-feministas-testo-yonqui.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7392433918418408485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7392433918418408485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/leituras-feministas-testo-yonqui.html' title='Leituras feministas - &quot;Testo Yonqui&quot;'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4937590039730791384</id><published>2010-07-19T13:45:00.010-03:00</published><updated>2010-11-16T23:05:11.120-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>O surreal, o selo e as leituras</title><content type='html'>Eu queria comentar aqui do quanto é tudo meio surreal no hospital. Primeiro, porque se internar assim, passando bem, entregar o seu corpo pra ser manipulado com plena consciência é muito estranho. Fiquei quase uma hora numa sala de pré-cirurgia. Levei um livro bom (vou falar dele mais abaixo), que me fez companhia. Depois entrou a enfermeira com a camisola de cirurgia. Aberta atrás, como vocês sabem, mas descartável, de um tecido ridiculamente fino e completamente transparente. E tive que tirar toda a roupa e vestir aquilo. Daí veio um cara numa maca me buscar, e eu lá, quase pelada, bunda de fora. Deitei na maca e, no passeio até o centro cirúrgico, olhando pro teto, como nos seriados médicos, fui vendo as luminárias passarem. Depois da cirurgia, acordei da sedação, mas ainda estava anestesiada. Vi o meu médico segurando uma perna enorme, enquanto a instrumentadora a enfaixava. Uma perna comprida, grossa, com um pé bem grande (38 ou 39, parecia). Daí me dei conta de que era a minha perna... Quando marido chegou do trabalho e foi ao quarto me encontrou com a camisola cirúrgica e falou: "olha, você tá quase pelada". Pra ele eu sou alguém, pro resto do pessoal que me viu assim, só um corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, eu realmente sou péssima com a história dos selos, mas eu juro que eu tento ser uma pessoa legal e corresponder ao carinho das pessoas porque é o mínimo que elas merecem. Daí que a &lt;a href="http://www.estradaanil.com/"&gt;Rita&lt;/a&gt; me deu esse aqui quando eu estava meio offline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TESB0KymqGI/AAAAAAAAABw/tiA1cAZFIyY/s1600/selinho-blog1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TESB0KymqGI/AAAAAAAAABw/tiA1cAZFIyY/s320/selinho-blog1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495660178548631650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a &lt;a href="http://desconstruindoamae.blogspot.com/"&gt;Ingrid&lt;/a&gt; me deu esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TESDkAcV-NI/AAAAAAAAAB4/-m2AS19sszg/s1600/SELO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 293px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TESDkAcV-NI/AAAAAAAAAB4/-m2AS19sszg/s320/SELO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495662099916257490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que acompanha este texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.&lt;br /&gt; Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada mesmo, gente. Acho que o ideal é que eu indique alguns blogs, né? Então, eu leio coisas muito diversas entre si, como dá pra ver ao lado. E eu gosto muito do blog da &lt;a href="http://www.estradaanil.com/"&gt;Rita&lt;/a&gt;, e acho que ela é uma boa cronista. Fala do cotidiano de uma maneira deliciosa, me faz bem lê-la. Eu adoro o desbocamento da &lt;a href="http://casomeesquecam.blogspot.com/"&gt;Luci&lt;/a&gt;. A lucidez da &lt;a href="http://historiasdemenina.wordpress.com/"&gt;Dani&lt;/a&gt;. Mas tem um que eu acho que pouca gente aqui conhece e eu tenho que indicar. O da &lt;a href="http://godotnaovira.wordpress.com/"&gt;Aline&lt;/a&gt;. A Aline tinha &lt;a href="http://ateaquitudobem.blogspot.com/"&gt;outro&lt;/a&gt; e fechou, descurtiu de escrever por um tempo. E eu era assídua lá. Tava sempre comentando, comentários enormes. Meus debates com ela me ensinaram muito, principalmente quando discordávamos. Não tem nada que nos ensine tanto como buscar argumentos para discordar de alguém inteligente num debate respeitoso. Depois de um tempo, resolvi criar o meu blog porque cheguei a conclusão de quem, sim, eu tinha coisas a dizer, e eu queria eu mesma "puxar" o papo para dizê-las (e a maior prova de que valeu a pena são, justamente, estes selos). Então, a Aline me inspirou e eu recomendo que vocês passem lá pra serem inspiradas também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, leituras. Eu não comentei no último post sobre livros, mas eu tenho um novo sonho de consumo. Há uma coleção que se chama "Mar de Histórias", coletânea de contos organizada por Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. Eu li um conto na faculdade e me encantei com a ambiciosa idéia de uma antologia do conto mundial em 9 volumes, até porque conto é meu gênero literário preferido. Só que esta coleção está fora de catálogo. Mas outro dia me apresentaram ao &lt;a href="http://www.estantevirtual.com.br/"&gt;estante virtual&lt;/a&gt;, um site para buscar livros em sebos de todo o país. Daí achei exemplares de todos os volumes, por preços honestos. Vou comprando aos poucos, que eu não sou rica, e porque também é mais gostoso assim. O primeiro chegou direitinho, e me fez companhia no hospital. Companhia excelente, vale dizer. Essa semana acho que vou encomendar o segundo. O plano é completar a coleção em 1 ano mais ou menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o devaneio: o conto que eu tive que ler no meu primeiro ano na faculdade, 10 anos atrás, se chamava "Terremoto no Chile". Daí, esse ano, quando teve o terremoto, eu entrei na internet, vi um link discreto ainda (daqueles que colocam quando não tem maiores informações) e cliquei achando que era uma resenha do conto, não a notícia de um desastre natural real. Lembrei da coleção e me despertou a vontade adormecida de ter os livros. As associações que nossa cabeça faz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4937590039730791384?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4937590039730791384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/o-surreal-o-selo-e-as-leituras.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4937590039730791384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4937590039730791384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/o-surreal-o-selo-e-as-leituras.html' title='O surreal, o selo e as leituras'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/TESB0KymqGI/AAAAAAAAABw/tiA1cAZFIyY/s72-c/selinho-blog1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3002578916701074394</id><published>2010-07-17T11:33:00.003-03:00</published><updated>2010-07-17T11:42:35.759-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>A cirurgia</title><content type='html'>Eu não sumi por conta do meu trabalho. No final das contas, eu entreguei só 4 páginas, solidária ao resto da minha turma que, no geral, não tinha nem escolhido o tema dias antes da data da entrega (mas uma das colegas entregou 32 páginas, já!). Sumi principalmente porque o computador deu pau e foi pro conserto (estou escrevendo do do marido) e porque eu tava concentrada em me preparar para o que aconteceu na última quarta-feira: minha primeira cirurgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho problemas leves de circulação desde a infância. Vasinhos que se tornaram varizes. Imaginem uma menina de 11 anos sofrendo bullying porque tem varizes. Foi bem chato, viu? Eu já tinha feito diversas vezes a parte estética, de "queimar" os vasinhos aparentes, desde a pré-adolescência. Na idade adulta a pílula piorou um pouco a situação. E eu cresci morrendo de vergonha das minhas pernas. Na minha primeira viagem à Espanha, quase 10 anos atrás, passei os 30 dias de calor de 40 graus usando calça jeans. Eu jamais usava saias, bermudas, vestidos. Nem tinha nada disso no meu guarda-roupa. Até que um dia me caiu a ficha de que as pessoas tinham muito mais o que fazer do que olhar para as minhas pernas. Então mandei tudo a merda e desencanei. Hoje tenho um montão de saias e vestidos, que eu acho que me vestem melhor do que as calças, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas recentemente descobri que o problema não era só estético. Minha circulação estava ficando comprometida. E isso, com a idade, só tende a piorar. Eu tinha que fazer mesmo a cirurgia ou corria o risco de, a médio prazo, ter problemas mais sérios. Não vou ser hipócrita: eu ainda me incomodava com a parte estética, mas muitíssimo menos do que na adolescência. E a parte estética só exige este procedimento clínico de injetar uma substância que "queima" os microvazos, quase indolor e sem risco. O convênio não cobria mas nem era muito caro, então aproveitei que ia estar anestesiada pra fazer tudo de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, bom, a anestesia. Eu tava morrendo de medo. Muito mesmo. Nunca tinha tomado, a não ser no dentista. Não precisei da geral, só a "raqui", aquela que te desliga da cintura pra baixo. Mas eu tinha muito medo mesmo. Nos últimos dias eu fiquei pensando que, fosse só pela parte estética, eu desistiria. Olha só, eu sou vaidosa e tal, mas passar batom e rímel é muito diferente de se internar num hospital voluntariamente. E, por favor, eu não estou julgando ninguém. Eu tenho amigas queridas, mulheres muito inteligentes e bem resolvidas, que fizeram cirurgias plásticas. Uma delas fez lipoaspiração, que é um troço invasivo pra caramba, muito mais do que as minha de varizes. Eu realmente acho que o discurso de que ninguém deve fazer é tão reacionário quanto o discurso de que todo mundo pode/deve fazer. A nossa relação com o próprio corpo deveria ser o mais pessoal e o menos mediada possível. Não cabe a mídia nem ao discurso feminista de esquerda me dizer como eu devo me relacionar com o meu corpo. Mas eu sei que boa parte das mulheres que se submetem a procedimentos caros e arriscados estão agindo sob muita influência externa ao tomar sua decisão - e não é o discurso feminista que as influencia, vale ressaltar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era mais nova, dizia que odiava minhas pernas. Além dos vazinhos, e também por conta da má circulação, eu tenho muita celulite. Sempre tive. E um dia eu me dei conta que são as minha pernas gordinhas, riscadinhas de vermelho, azul e roxo tal qual o mapa rodoviário federal e tortinhas como as do Garrincha (sem falar do joelho meio podre, claro) que me levam pra cima e pra baixo. Que eu já andei quilômetros por aí com elas, que elas já carregaram muito peso (meu e das minhas mochilas), e que na verdade é essa a função delas. Elas estão aqui pra me carregar, não pra servir de enfeite para os olhos alheios. Então, cabe a mim respeitá-las, poxa vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pra que continuassem cumprindo sua função eficientemente, eu tive que operá-las. Ok. E foi tudo muito tranquilo, apesar de parecer meio surreal. Nem lembro da anestesia (eu já estava sedada quando aplicaram), voltei pra casa no mesmo dia, tudo numa boa. Por sorte, está fazendo frio em São Paulo, já que eu tenho que ficar deitada, com as pernas pra cima e usando meias kendall. O repouso está terminando, a dor está passando e só as meias piniquentas me acompanharão por mais umas 2 semanas. Nem é um pós operatório dos piores. Tirei 10 dias de férias do trabalho e estou pondo a leitura feminista em dia. Enquanto isso, tenho a sorte de ter um maridão dedicado cuidando de mim com todo o carinho do mundo. Maridão esse que conta só ter reparado que as coxas grossas eram "uma delícia" quando me viu de saias. Nem notou as varizes lá. E eu acredito, viu? O olhar do outro pode ser mais generoso do que o nosso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3002578916701074394?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3002578916701074394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/cirurgia.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3002578916701074394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3002578916701074394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/cirurgia.html' title='A cirurgia'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6608099258014846971</id><published>2010-07-07T21:30:00.005-03:00</published><updated>2010-07-07T21:51:28.502-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Somos todas Elizas</title><content type='html'>Sumi, né? Meu computador tá uma droga. Fica desligando enquanto eu escrevo. Foi um custo fazer meu trabalho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas eu sou quero dizer uma coisa: Eliza somos todas nós. A gente não pode nunca comprar essa história de que fez isso, aquilo, era maria-chuteira, o que seja. Que qualquer coisa que ela tenha feito possa justificar seu assassinato.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quem aí briga pra viver sua sexualidade livremente apesar do machismo da sociedade? o/&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quem aí acha que filhos, planejados ou não, não foram feitos só por suas mães, e que portanto têm o direito de terem pai? o/&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Viu?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Dividir para conquistar", a gente tem que estar atenta e lembrar sempre que é disso que se trata. Que o Bruno deu entrevista tentando convencer de que a Eliza não era como as filhas dele. Que não era como a leitora de classe média conservadora. Que sua vida valia menos. Que eu e você não corremos esse risco porque não somos "maria-chuteiras", não fazemos sexo grupal nem filme pornô.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas é verdade é que corremos, viu? Eu, você, a Eliza, a Mércia, a Eloá, a &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/o-caso-maristela-just.html"&gt;Maristela&lt;/a&gt;. Porque a gente vive neste mundo, só por isso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E teve gente no site d'O Globo condenando a intervenção do Lula no Irã, &lt;a href="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/05/iraniana-sera-apedrejada-ate-morte-apos-ser-forcada-confessar-adulterio-917064267.asp"&gt;já que uma mulher pode ser apedrejada por ter sido condenada em última instância por crime de adultério&lt;/a&gt;. (quer fazer algo pra se manifestar contra? tem aqui o &lt;a href="http://www.petitiononline.com/Ashtiani/petition.html"&gt;link&lt;/a&gt; da petição online). Então tá, a partir de hoje só vamos manter relações diplomáticas com países onde mulheres e homens são tratados como equivalentes na sociedade, beleza? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Oi? Não tem nenhum, né? Pois é, nem &lt;a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/07/feministas-queimam-dinheiro-em-protesto-na-suecia.html"&gt;a Suécia&lt;/a&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6608099258014846971?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6608099258014846971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/somos-todas-elizas.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6608099258014846971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6608099258014846971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/07/somos-todas-elizas.html' title='Somos todas Elizas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7002371088718090316</id><published>2010-06-22T00:32:00.003-03:00</published><updated>2010-06-22T09:13:24.624-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Introdução</title><content type='html'>Esse é mais um ensaio, pra organizar as idéias. Mas é que no post em que eu divide com vocês as minha dúvidas as contribuições foram tão boas, que nada mais justo (e útil, claro), que continuar dividindo.&lt;br /&gt;Como eu tinha contado, eu só preciso apresentar um projeto de pesquisa agora, nada muito extenso, factível de ser feito até dia 3 de julho considerando o que já venho amadurecendo na cabeça. Acabei não contando no último post sobre leituras que um dos livros que estava na minha lista, e agora já está pelo menos começado, é o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Desenvolvimento como Liberdade&lt;/span&gt;, do Amartya Sen,  Nobel de Economia. E eu tô gostando muito porque ele basicamente defende que o foco do desenvolvimento deveria ser a expansão da liberdade. Segundo ele, não existiria país desenvolvido sem democracia plena, por exemplo. Então, o milagre econômico da época da ditadura passa a ser uma falácia. Da mesma maneira que não é possível pensar em desenvolvimento no patriarcado, já que metade da população é relegada à uma condição de segunda classe. Bom, meu pai leu o livro inteiro e, subversivo que só, acho o autor “muito comprmetido com o capitalismo”. Eu não li tudo, mas confesso que isso não me incomoda tanto. Sou muito pragmática e acredito que, se o mundo que temos é esse, é preciso que as pessoas vivam melhor nele. Se uma revolução derrubar toda a forma de opressão, fantástico, mas senão, o Bolsa Família e a Lei Maria da Penha são, sem dúvida, melhores do que nada.&lt;br /&gt;Enfim, e eu pensei em trabalhar com transporte porque eu acho que pega no cerne dessa questão. Não adianta você ter dinheiro pra comprar carro do ano, se vai ficar preso no congestionamento e chegar em casa tarde demais pra usufruir da companhia do seus filhos. Na linha “tem coisas que o dinheiro não compra” mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Ingrid lá nos comentários me sugeriu tratar da questão das restrições à mobilidade. E eu adorei. Confesso que já tinha pensado a respeito, mas como o Manoel Carlos fez merchandising social para este tema e, vocês sabem, &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/manoel-carlos-o-misogino.html"&gt;eu odeio o Manoel Carlos&lt;/a&gt;, fiquei com medo de parecer que olha, escolhi o tema da moda por conta da novela. É, eu sou bem bestinha às vezes.&lt;br /&gt;O tema do trabalho, por enquanto, ficou sendo políticas públicas de inclusão de pessoas com restrição à mobilidade. Mandei um e-mail para o coordenador do curso, que achou interessante, mas não tem a menor idéia de que bibliografia me indicar. Então comecei, de novo, com o básico do básico, coleção Primeiros Passos, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O que é deficiência?&lt;/span&gt;, da Débora Diniz.&lt;br /&gt;Nossa, eu preciso dizer que eu tô muito empolgada. Primeiro porque é realmente um tema pouco estudado. O livro é de 2007, pra vocês terem uma idéia do quanto é pertinente. E lá no lattes descobri que Débora Diniz é estudiosa de questões de gênero. Como entusiasta deste tema, fiquei muito curiosa pra ver qual seria o ponto de intersecção.&lt;br /&gt;No livro ela conta sobre a elaboração a teoria social da deficiência, que se contrapõe ao ponto de vista médico. E tudo faz um tremendo sentido, porque a teoria social diz que o deficiente tem uma lesão que pode limitá-lo, mas se não pode ser incluído não é culpa da lesão, mas da sociedade que é excludente. E que os teóricos desenvolveram essa teoria usando como base o feminismo, já que a mulher é discriminada por ter uma realidade física diferente do homem que, sozinha, não a desqualifica. Gente, eu tô sendo muuuuito simplista, tá? A coisa é muito mais complexa, claro, e o próprio livro diz que a pontos a serem refutados nessa teoria, até porque, para um tetraplégico, por exemplo, não há acessibilidade que supere todas as suas limitações, há a necessidade de uma pessoa ajudando em muitos momentos. Mas o cerne é questionar uma sociedade que isola as pessoas e trata suas dificuldades do ponto de vista do liberalismo individualista da “tragédia pessoal” - não por acaso a teoria social é orientada pelo materialismo histórico. E eu jamais olharia a questão sob esse prisma não fosse este trabalho. Então, pra mim, já valeu o curso.&lt;br /&gt;Então, meu trabalho vai ser, basicamente, analizar o que é feito hoje no Brasil, mas mais especificamente de São Paulo, para incluir as pessoas do ponto de vista de suas limitações físicas. Não vou abordar uma deficiência em especial porque a teoria social diz que separar as coisas desse jeito é “dividir para conquistar”. Mas vou focar em um aspecto, o da mobilidade, tentando relacionar com outro, o do trabalho. Não sei se todo mundo sabe, mas São Paulo tem um orgão público chamado Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, criada em 2005 pelo Serra. E, pelo o que eu pude ler, o trabalho deles tem sido muito bem feito: quando a secretaria foi criada, em 2005, só 300 ônibus de toda a frota paulistana eram acessíveis. A partir de 2009, todo ônibus novo comprado pela prefeitura de São Paulo é acessível. Uma vitória importante, sem dúvida (ó, eu nem gosto de Serra, Kassab e afins, mas trabalho bom a gente tem que reconhecer).&lt;br /&gt;Mas, enfim, os idealizadores da teoria social eram, eu sua imensa maioria, deficientes. Muitos enfrentaram a descofiança da própria família em relação às suas reais capacidades. E, principalmente, reinvindicavam o direito à voz. A fala do deficiente, não sobre o deficiente. Substitua “deficiente” por “mulher” e “teoria social” por “feminismo” nas duas últimas frases neste começo de parágrafo e veja se não tem associação. Meu trabalho não é antropológico nem literário e não pretende abordar o discurso do deficiente propriamente, só talvez suas reivindicações políticas mais imediatas. Ainda assim, tem me feito pensar sobre a necessidade de buscar diferentes pontos de vista para se entender uma realidade, principalmente quando tratamos da alteridade, em conhecer o outro. E hoje, por coincidência, assisti aos vídeos que a &lt;a href="http://historiasdemenina.wordpress.com/"&gt;Daniela&lt;/a&gt; colocou &lt;a href="http://historiasdemenina.wordpress.com/2010/06/10/comecou/"&gt;neste post&lt;/a&gt;, em que a escritora nigeriana Chimamanda Nzogi Adichie fala sobre os perigos de basearmos toda nossa visão de mundo em um único relato (recomendo fortemente, viu? a lucidez dela é encantadora). Porque, no fundo, a gente percebe que a filosofia por trás do machismo, do racismo, da homofobia é a mesma da insensibilidade às questões dos deficientes: a de que só há um modo de vida legítimo, e que todo o mais deve ser destruído, ignorado ou, no mínimo, privado de poder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7002371088718090316?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7002371088718090316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/introducao.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7002371088718090316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7002371088718090316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/introducao.html' title='Introdução'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8993941654834431313</id><published>2010-06-18T21:48:00.003-03:00</published><updated>2010-06-18T22:04:20.899-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Desculpaê, pieguice de novo</title><content type='html'>Eu tinha planejado escrever sobre o andamento do meu trabalho da pós. Vou fazer isso, porque eu tô muito empolgada, mas não hoje, nem agora. É porque aconteceu algo que eu quero contar. Prosaico assim, visto de fora, mas tão forte pra mim.&lt;br /&gt;A gente cresce ouvindo a moral de que dinheiro não traz felicidade. Daí o cartão de crédito te diz que “tem coisas que o dinheiro não compra”. E é verdade, claro. Mas às vezes a gente sente isso de uma maneira tão impactante. Como escrevi no meu aniversário, eu acho que os meus amigos, o carinho das pessoas que me cercam, é o bem mais precioso conquistado nestes meus 30 anos. E eu não tenho “1 milhão de amigos” como diz a música, o que me alegra é o quanto sou amada por essas pessoas tão especiais.&lt;br /&gt;Tenho a minha amiga Ma, que foi pra França na mesma época que eu, nos conhecemos por lá. Vivemos muitas coisas juntas, ela conheceu sua cara-metade e ficou. Hoje ela é mãe do Arthur, um francobrasileiro de quase 11 meses, uma coisa de louco de tão fofinho e sorridente. A Ma é uma pessoa maravilhosa, e eu desenvolvi uma relação de cumplicidade imensa com ela. Não fosse isso o suficiente, ela já me quebrou vários galhos. Várias coisas que hoje estão no meu apartamento são herança dela, que tinha seu canto montado aqui, deixou tudo estocado na casa da mãe quando foi pra França, e resolveu me emprestar móveis e utensílios de cozinha quando eu saí da casa dos meus pais. Empréstimo sem data pra devolução, as coisas estão comigo até hoje. E a mãe dela numa simpatia sem tamanho todos os milhares de vezes que eu fui buscar algum móvel, algum presente mandado da França ou deixar lá algo a ser mandado na próxima viagem da família.&lt;br /&gt;Enfim. O telefone tocou agora há pouco. Era a mãe da Ma. Disse que a filha pediu que os seus disquinhos coloridos de musiquinhas de infância fossem passados para o Mp3, para que o Arthur pudesse ter a oportunidade de ouvi-los. Ela fez isso e resolveu também fazer cópias para as pessoas queridas. Lembrou que o meu marido tem sobrinhas, imensamente amadas por mim, e me ofereceu uma cópia para presenteá-las. &lt;br /&gt;Eu disse que era prosaico. Mas eu estou muito comovida pelo carinho de alguém que lembra não só de mim o tempo todo, mas de quem é importante pra mim. Tô boba até agora. Disquinhos de músicas da nossa infância, que serão copiados para as minhas pequenas queridas. Não consigo sequer estimar o valor de algo assim. Porque olha, se isso não é amor materializado, então eu não sei o que é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8993941654834431313?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8993941654834431313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/desculpae-pieguice-de-novo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8993941654834431313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8993941654834431313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/desculpae-pieguice-de-novo.html' title='Desculpaê, pieguice de novo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3464440027238173419</id><published>2010-06-17T20:20:00.004-03:00</published><updated>2010-06-22T00:44:07.038-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A Globo e o “Cala a Boca Galvão” - ou sobre o acesso à informação</title><content type='html'>Olhem só, eu não tô no twitter, mas às vezes sei o que acontece. E isso virou notícia. Então, se por acaso alguém que passar por aqui não souber (quem sabe pode pular pro segundo parágrafo): o twitter tem lá seus “trending topics”, os assuntos mais comentados. E, de repente, “cala boca galvão” passou a ser um deles, porque de tanto retwittar, o volume de mensagens com este tema ficou enorme. E os gringos começaram a querer saber e alguém inventou uma história hilária de que Galvão era uma espécie em extinção, que se você retwitasse a mensagem contribuiria com a campanha para salvá-lo.&lt;br /&gt;Mas, enfim, virou notícia fora do twitter. E a própria Globo não pode ignorar. Parece que o Galvão Bueno se fez de desentendido até ser pressionado a “entrar na brincadeira”. Só que, oi, não é brincadeira. As pessoas não suportam o cara. Mas a Globo se apropriou e quer passar a idéia de que é uma brincadeira carinhosa com o locutor tão querido, que, simpático e bonachão que só, aceitou. Ó, que meigo?&lt;br /&gt;E tudo é uma bobagem (divertidíssima, claro, mas bobagem) e eu realmente não acredito que o Galvão corra o menor risco de ficar sem emprego por isso. Nem me importo, na verdade. Quem tem só TV aberta pode assistir na Bandeirantes os jogos da Copa (há quem não suporte o Neto comentando, mas eu acho engraçado), quem tem TV a cabo pode tentar a ESPN. Aliás, pra quem tem essa possibilidade, eu recomendo fortemente. Outro dia ouvi minha chefe reclamando que os caras lá não são entusiasmados, mas eles manjam muito e fazem jornalismo esportivo de qualidade, uma coisa que eu não estava muito acostumada a ver quando só assistia à Globo, aliás. Sabe gente que manja do que faz sem deslumbramento? Então.&lt;br /&gt;Mas voltando. Acho que o importante dessa história é se, de repente, uma geração aí mais jovem começar a desenvolver a percepção de que a Globo deturpa as coisas à sua maneira. E se faz isso com uma coisa aparentemente inocente, mas de tanta repercussão, o que não fará com coisas menores, menos óbvias talvez, mas mais sérias?&lt;br /&gt;Não sei também se todo mundo aqui sabe, mas nos anos 80 a Globo tentou dar um golpe nas eleições pra governador do RJ. O Brizola ganhou, mas noticiaram no Jornal Nacional que tinha sido o oponente (nem idéia de quem seja), que era mais de acordo com a vontade deles. Nem vou entrar aqui no episódio da edição do debate entre o Collor e o Lula feita por eles, porque acho que é bem mais controversa. Mas me lembrei da marmelada clássica: ignorar o movimento “Diretas Já!”. Enfim, eles tentam construir uma História, segundo sua conveniência. Mas quem não se dá conta, aceita a voz deles como expressão da verdade.&lt;br /&gt;Além de colegas na Pós, tenho amigos queridos que são jornalistas e trabalham para grandes meios. Eu respeito muito o trabalho deles, e justamente por respeitar, sei que não é a voz deles ali publicada. É, em alguma medida, a voz deles, mas filtrada e editada pelos interesses do patrão. A liberdade de expressão até bem pouco tempo atrás era quase exclusiva dos detentores do acesso aos meios de comunicação em massa. Só que essa era está acabando. Um &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/manoel-carlos-o-misogino.html"&gt;post modesto meu espinafrando o Manuel Carlos&lt;/a&gt; foi twittado por uma amiga e retwittado por mais algumas pessoas. Não tenho a menor idéia de quantas pessoas o leram, porque não tenho contador de visualizações, mas com certeza meu texto alcançou meios por onde eu não circulo e atraiu alguma atenção para a minha opinião. Projetando isso exponencialmente, eu só posso ter a esperança de que um dia tenhamos acesso a uma maior diversidade de pontos de vista, o que nos obrigue a desenvolver maior senso crítico para analizar qualquer informação recebida. Serei eu uma otimista?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3464440027238173419?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3464440027238173419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/globo-e-o-cala-boca-galvao-ou-sobre-o.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3464440027238173419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3464440027238173419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/globo-e-o-cala-boca-galvao-ou-sobre-o.html' title='A Globo e o “Cala a Boca Galvão” - ou sobre o acesso à informação'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6185500302513488698</id><published>2010-06-14T21:53:00.003-03:00</published><updated>2010-06-14T22:04:01.076-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>As minhas Copas</title><content type='html'>Eu tava pensando, lendo posts por aí sobre a Copa, que dá pra gente fazer quase uma autobiografia pensando no que estava fazendo em cada uma delas, porque 4 anos entre uma e outra é um espaço considerável. Ainda mais se você, como eu, já não é assim tããão jovem, de um ano pra outro as coisas podem mudar pouco. Mas em 4 dá pra mudar muita coisa na vida, né?&lt;br /&gt;Então vamos lá (e tome fôlego porque vai ser longo):&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu sou nascida em 80, então fica fácil (pra vocês, porque pra mim é óbvio) saber minha idade em cada uma. Em 82 eu não lembro. Em 86 eu devo ter chorado quando o Brasil foi eliminado. Em 90 eu lembro da fogueteira do Maracanã (joga aí no google pra saber quem é), lembro que o técnico era o Lazaroni, lembro que a gente foi eliminado pela Argentina e lembro que o Careca jogava. Só (e marido vai achar um absurdo, porque sou capaz de apostar que ele sabia escalação já com essa idade...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas 94 começa a ficar bom. Não só porque a gente ganhou a primeira vez (desde que eu sou gente, claro), mas porque eu já era adolescente e comecei a farrear (sem beber ainda, esclareço). E outro dia fiz um churrasco aqui em casa e lembrei com a minha amiga Ceci que essa já é a nossa 5º Copa juntas. A Ceci fez 14 anos em 4 de julho de 1994, dia do jogo Brasil x Estados Unidos, que foi uma festona lá porque era dia da Independência e uma festona pra mim por comemorar o aniversário de uma amiga vendo futebol. Não lembro se foi antes ou depois da Copa que a gente chegou a se estapear por conta, justamente, de futebol: a Ceci é sãopaulina e eu sou corintiana, e o time dela tinha levado um “sacode” de 4 a 0 do Flamengo. Ah, não lembro se a &lt;a href="http://brincandocasinha.blogspot.com/"&gt;Mari&lt;/a&gt; tava nesse dia. E a Mari é corintiana também. Ah, e falando em Corinthians, lembro que o Ronalducho nessa época era o Ronaldinho do Cruzeiro, um moleque magrelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;98 teve uma final estranha. E na época eu tinha uma relação estranha com um carinha tão nada a ver que até hoje as pessoas (meus pais, inclusive) não entendem bem como eu passei tanto tempo (2 anos) com ele. Não era má pessoa, só não combinava. E, bom, eu assisti aquela final com ele e... perder daquele jeito da França também não combinava. Enfim. Estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2002 foi o auge da vida de solteira. Lembro que uns jogos tinham uns horários loucos. Lembro que eu e a Ceci fomos assistir  Brasil x Inglaterra numa festa bizarra que virava do dia 12 para o dia 13 de junho. Frio pra cacete, dia dos namorados, e chegando lá só tinha mulher. A gente bebeu algumas mas não aguentou ficar até 3 e meia quando começava o jogo. Ela me deixou em casa e eu e a minha mãe assistimos sozinhas do sofá da sala – meu pai e meu irmão não gostam o suficiente de futebol para acordar de madrugada pra isso, mas nós duas gostamos. Eu tava quase dormindo e não acreditei quando a bola do Ronaldinho Gaúcho, que parecia um cruzamento errado, entrou. Fiquei olhando pra minha mãe e perguntando: “entrou mesmo?”. E lembrei que a Copa foi o descanso dela nessa época: minha avó, mãe dela, tava bem doente. Faleceu menos de uma mês depois dessa noite: em 11 de julho de 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mas essa merece 2 parágrafos. Eu e Ceci fomos parar numa balada na final. A idéia era começar a festejar no dia anterior (notem, o jogo só começava às 8h30 da manhã!). Chegamos tipo, à 1h00, bebemos, farreamos e a Ceci perdeu a comanda do bar. Bom, quando é assim os caras querem te cobrar uma multa de 200 ou 300 contos, mas Ceci já tinha carteirinha da OAB nessa época e quebrou o pau com um gerente enquanto eu, largada em alguma mesa, lutava contra o sono e a ressaca. Fomos pra casa dela e eu, de novo largada  no sofá, mal vibrei o Penta porque, oi, minha cabeça doía depois de tanta cachaça (crianças, não tentem isso em casa). Nesse dia combinamos, eu e Ceci, que em 2006 estaríamos na Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, nós não fomos. Em 2006 eu tava na França (mas marido, que eu ainda não conhecia, estava na Alemanha!). E toda uma experiência. Porque os franceses só se ligaram no que estava acontecendo depois de bater a Espanha. Mas eu andava com a comunidade brasileira. E íamos assistir aos jogos no Stade de Charléty (achei o nome, &lt;a href="http://portedoree.blogspot.com/"&gt;Amanda&lt;/a&gt;!), num telão instalado pela prefeitura. Mas teve o desastre, né? De virar freguesa da França na França. No dia do jogo, um sábado, eu saí orgulhosa de verde a amarelo segura de que, no dia seguinte, ia abafar passeando na Champs Elysées assim. Almocei com a Lu, minha amigona que morava na maison Provence de France na Cité Universtaire, e passamos o dia ouvindo provocações. Cheguei a mostrar o dedo médio pra um moleque no metrô (é, eu já tinha 26 e o moleque não passava de 15, mas e daí?). Enfim, assistimos o jogo num bar brasileiro em République (pra quem nunca foi a Paris, isso não é uma localização precisa, porque não sei agora, mas na época o que mais tinha era brasileiro em République – o badalado Favela Chic fica por lá). E perdemos. Na volta, algum babaca jogou xixi numa amiga que estava com a camiseta do Brasil (oi? você achava que essa falta de civilidade não acontecia por lá?). Mas, enfim. Eles perderam na final. Nos pênaltis. E eu ria com satisfação ao ver o Zidane sendo expulso  – vingança é um prato que se come frio e eu não sou feita só de sentimentos nobres. Hehe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí, 2010. 30 anos. Julho completo 2 anos no mesmo emprego, e “nunca antes na história desse país” isso aconteceu. Aluguel de apartamento no meu nome. E um marido! Tá bem legal, porque ele é louco por futebol, e a gente é parceiro até pra colar figurinha no álbum. E engraçado pensar que essa pessoa que hoje é tão importante pra mim não fazia parte da minha vida 4 anos atrás. E se você me contasse que: “ó, você vai conhecer um moço assim e assim, e menos de 1 ano e meio depois de vê-lo pela primeira vez vocês já vão estar montando casa”, eu ia achar graça. Mas a vida nos traz surpresas boas às vezes, né? ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima Copa é no Brasil e o casal aqui decidiu que vai a estádios (assim no plural), nem que tenha que rifar as duas mães, a minha e a dele (ok, é mentira, só quem ofereceu a mãe pra rifa fui eu – hoho!). Não somos pessoas sérias: a gente mora de aluguel, mas se tiver que gastar até o último trocado pra ver um jogo da Copa no estádio, assim o faremos, porque, oi, outra Copa no Brasil não virá tão cedo. Por motivos óbvios (fraldas custam muito caro) combinamos que filhos só depois de 2014. Talvez a gente encomende algum logo depois da final. Pra comemorar. \o/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6185500302513488698?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6185500302513488698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/as-minhas-copas.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6185500302513488698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6185500302513488698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/as-minhas-copas.html' title='As minhas Copas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5439269077807215676</id><published>2010-06-10T22:25:00.003-03:00</published><updated>2010-06-10T22:51:17.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Sex and the City</title><content type='html'>Então, eu não vi o segundo filme e acho que não vou ver. Não no cinema, pelo menos. A não ser que alguma amiga sugira um programinha luluzinha em que a sessão de cinema esteja inclusa- e daí eu vou pela companhia. E nada contra. Mas só não consigo ser entusiasta. Eu tenho amigas superhiperultramegamaxi fãs, que têm todas as temporadas, conhecem episódios de cor, etc, etc. E eu mal sei das histórias, porque só assisti reprises –  só fui ter TV a cabo em casa há 3 anos, e a série já tinha acabado.&lt;br /&gt;Mas eu respeito. Muito. Porque se eu tenho uma certa gastura com o consumismo e os deslumbres por grifes – ok, eu tenho mais pares de sapato do que eu precisaria, mas não sou deslumbrada com isso – a gente tem que reconhecer que em termos de comportamento a série foi revolucionária. Uma coisa que sempre me chamou a atenção foi falarem abertamente de mulheres se masturbando. E é impressionante como ninguém falava. Aliás, quase ninguém fala ainda. Nem entre amigas. Recentemente, uma amiga se queixava do quanto era chato estar sem companhia masculina e eu falei que tem horas que a gente se cansa de se satisfazer só com os dedos. Visivelmente constrangida, ela disse que “não gostava disso”. Olha só, da minha geração, fala sobre homens numa boa, mas prazer solitário “não gosta”. E eu acho bizarro mesmo. Consegue imaginar um cara falando pro outro: “ô, nem gosto de punheta?”. Pois é.&lt;br /&gt;Mas as moças lá gostam. E eu lembro da faxineira que a Miranda arranjou que trocou o vibrador dela por uma imagem religiosa. E penso que nunca antes de SATC a gente veria algo assim. E penso na Samantha e toda a sua voracidade, como ela destrói todas as previsões machistas de que a mulher “rodada” tá “condenada” (todas as aspas do mundo, né?) a ficar sozinha. Por ela termina a série ao lado de um homem gato, apaixonado e companheiro, disposto a ficar ao lado dela no momento mais difícil de sua vida, não importa com quantos homens ela tenha transado antes. Lembro da Charlotte que nunca tinha pegado um espelhinho pra olhar sua própria vagina e penso em quantas Charlottes encontramos por aí... Daí meu respeito, porque olha, não deveria ter nada de chocante nada disso, mas todo mundo fazia de conta que a nossa sexualidade só existia orbitando um homem, e para o prazer dele. Então, na ficção assim cotidiana, as mulheres nunca foram tão autônomas.&lt;br /&gt;Daí lembro de ter visto em algum site feminista uma crítica ao primeiro filme. Mas o que eu mais gostei foi justamente o que muita gente achou machista pra caramba. Tipo, a Miranda é a minha personagem favorita. E, desculpe quem não viu o filme, lá ela tá há muitos meses sem transar com o marido. E daí ele a trai e eles se separam. E contando parece mesmo que o lance é que a gente tem obrigação de transar e tal. Mas eu não entendi assim. Porque sexo é carinho em muitos contextos, e a gente vê que não era sexo que Miranda recusava a Steve – era intimidade. E que ele sofre muito por isso. E ele conta a ela que a traiu arrasado, destruído. Não há um pingo de intenção de humilhá-la no ato dele, ele é quem se sente humilhado de ter que esmolar carinho fora da relação. E, por ser feminista, eu deveria acreditar que mulheres não tem reponsabilidade nenhuma pela felicidade dos seus parceiros só pra fazer oposição a quando se acreditava que tudo estava nas nossas mãos? Não, né? Então, bobona que sou, chorei horrores. Pra mim, o filme marcou por essa história: a tentativa de reconstruir uma relação abalada, de fazer o amor valer mais do que a mágoa. E a trilha desta trama é “How can you mend a broken heart”, só pra eu chorar mais ainda. E eu tava no comecinho do namoro com o marido, mas já fiquei pensando o quanto o perdão é matéria-prima essencial dos relacionamentos, especialmente aqueles que se pretendem longos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, a Carrie, o Big e tal. Isso dá preguiça mesmo. Aliás, desculpaê quem é fã, mas eu acho a Carrie uma chata, sempre achei. Mas quem disse que são os protagonistas que sempre contam as melhores histórias?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5439269077807215676?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5439269077807215676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/sex-and-city.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5439269077807215676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5439269077807215676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/sex-and-city.html' title='Sex and the City'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-5441690486573337484</id><published>2010-06-06T12:59:00.003-03:00</published><updated>2010-06-06T13:16:12.476-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Vote em mim – ou pelo menos me ajude a fazer minha monografia</title><content type='html'>Daí que eu tô fazendo essa pós que não tem nada a ver com a minha formação original, Letras, nem com o meu trabalho atual, assistente-de-quase-tudo. E, bom, tem uma monografia pra entregar no final do curso. Só que a avaliação semestral é, justamente, uma parte da monografia. O coordenador do curso diz que se dá por satisfeito se a gente entregar agora, pra esse primeiro semestre, pelo menos uma introdução, contando o que afinal a gente pretende estudar, e uma bibliografia. E, adivinhem? Nem idéia. Quer dizer, eu tenho uma idéia. O curso se chama Economia Urbana e Gestão Pública, então o trabalho tem que tangenciar algum desses aspectos, senão os dois. Eu quero falar de transporte público, acho. Quer dizer, tenho quase certeza. Mas eu não sei exatamente como abordar. E turma criou um documento pra o povo colocar os seus dados e o tema que pretende estudar. E uma colega colocou lá “Mobilidade urbana e política viária” e eu já me achei uma bosta porque só o título do dela já parece mais sério que o meu. É, eu sou tolinha demais, eu sei.&lt;br /&gt;Daí que além de ler “O que é cidade”, da Raquel Rolnik, eu li “O que é Transporte Urbano”, do Charles Leslie Wright (e eu não vou colocar referência bibliográficas aqui porque este não é meu trabalho, nem links porque eu tô com preguiça, mas quem achar interessante vai no google, né? obrigada). E os dois são muito bons, mas o segundo eu achei fantástico. Porque ele começa abordando 10 mitos sobre transportes e já abalou minhas convicções. Porque um dos mitos derrubados é de que o transporte público é a resposta para o problema de transporte nas grandes cidades. E, olha só, eu acreditava nisso, por isso escolhi como tema do trabalho. E claro, o autor disse que o transporte público é importantíssimo, mas ele é só parte da soluão, não A solução.&lt;br /&gt;O autor é entusiasta dos meios não mecânicos de transporte, principalmente da bicicleta. E foi coincidência porque eu li isso bem na semana em que o Valdson comentou aqui num post antigo em que eu me queixava dos transportes públicos, sugerindo que eu usasse bicicleta. Para Wright, a bicicleta é um sucesso por vários fatores, entre eles o fato de você poder levar cargas com ela (é só ter um bom cesto, supermercados fazem entregas grandes assim), não poluir nadica de nada e, olha só, já combater um outro mal moderno: a obesidade. Se a gente se deslocasse por aí pedalando uma hora por dia, ficava mais magrinho sem precisar pagar academia.&lt;br /&gt;Daí eu pensei que, lógico, tem uma boa parte de escolhas individuais aí (e eu te digo que eu não uso bicicleta, mas tento fazer muita coisa a pé), mas falta muita iniciativa do poder público, ô se falta. Pra começar, existe nas grandes cidades uma concentração de postos de trabalho em determinadas regiões. Não tenho as estatísticas (nota mental: isso cabe no trabalho, tenho que pesquisar), mas aqui em São Paulo muita gente trabalha no eixo da Marginal Pinheiros, eu e marido inclusive. A gente escolheu, porque cabe no bolso, morar não muito longe e usar transporte público. Pra isso, pagamos um aluguel bem salgado em troca de qualidade de vida – caminhamos 15 minutos até a estação de trem mais próxima, andamos 4 estações, e no total levamos cerca de 40 minutos por deslocamento – ou 1h20 diárias. Isso em São Paulo é luxo, acreditem. Temos, nós dois, colegas que levam mais de 3 horas diárias dirigindo. E lógico, se estrassando e poluindo o ambiente por tabela. Dá pra todo mundo morar perto do trabalho? Não se o trabalho estiver concentrado em uma só região. Mas seria mais viável se houvesse investimento público para criar um centro corporativo moderno na zona leste, por exemplo. Diariamente, centenas de milhares de pessoas se deslocam da zona leste de São Paulo para trabalhar nas zonas sul e oeste. E Wright tem razão: não tem metrô que dê conta do recado. Nem metrô, nem ônibus fretado, nem via pra passar tanto carro. As pessoas precisam fazer trajetos mais curtos, com urgência.&lt;br /&gt;Outra coisa que me ocorreu outro dia é que o poder público poderia conceder incentivos para empresas que permitem aos seus funcionários trabalharem de casa. O meu caso, como eu já contei, é um pouco mais complicado, mas vários dos meus colegas vão ao escritório pra resolver remotamente problemas de software dos clientes espalhados pela América Latina. E se vão trabalhar remotamente mesmo, que diferença faz fazer isso em casa? Sim, acho que o mínimo de contato com os colegas é importante, mas poderiam ir ao escritório uma vez por semana só. Marido é a mesma coisa. Ele é projetista. Um computador com o software e uma conexão de internet são suficientes pra ele fazer seu trabalho. Sim, de vez em quando tem que tirar dúvidas, mas a maioria um e-mail ou uma conversa telefônica resolveriam. Uma reunião física uma ou duas vezes por semana dava conta do mais complicado. Imaginem quanta gente poderia trabalhar assim? E o ganho para as próprias empresas, em energia elétrica e aluguel? Ok, alguém pode dizer, mas então o empregado é que vai arcar com essa despesa? Não exatamente, né? Porque se ele vai economizar com combustível, estacionamento, ônibus fretado e, principalmente, horas de sono e muita aporrinhação, o benefício compensa 50 pilas a mais na conta de luz.&lt;br /&gt;Enfim. Acho o problema do trânsito (ou da mobilidade, pra falar bonito igual minha colega) super negligenciado, e sempre tratado com olhos conservadores demais. Mais avenidas não resolvem, isso está claro. E esse é um problema que complica a vida de todo mundo: os mais pobres sofrem mais porque vivem mais longe e seu transporte é de pior qualidade, mas a não ser os muito ricos que podem pegar um helicóptero (e acho que mesmo os muito ricos não podem se dar a este luxo todos os dias), todos sofrem com os engarrafamentos, não importa quanto dinheiro tenham. Então, mesmo quem é cabecinha de ostra e acha que só ricos tem direitos e pobre é assim porque não gosta de trabalhar (acho que ninguém passa por aqui, felizmente), há de convir que deste jeito, não dá pra ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok. E daí, minha gente, por onde eu começo? :-)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-5441690486573337484?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/5441690486573337484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/vote-em-mim-ou-pelo-menos-me-ajude.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5441690486573337484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/5441690486573337484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/vote-em-mim-ou-pelo-menos-me-ajude.html' title='Vote em mim – ou pelo menos me ajude a fazer minha monografia'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1595524690492908608</id><published>2010-06-02T23:43:00.004-03:00</published><updated>2010-06-02T23:59:49.570-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>O caso Maristela Just</title><content type='html'>Outro dia, ouvindo uma mãe chamando a atenção de filha de 7 anos por se sentar de pernas abertas, me lembrei que desde cedo aprendemos como o mundo é machista. Mas Natália Just aprendeu isso talvez ainda mais cedo, e de maneira muito mais pesada. Quando ainda não tinha completado 5 anos, seu pai matou sua mãe. Ela, o irmão mais novo e um tio também foram seriamente feridos na mesma ocasião, mas sobreviveram. E só hoje, 21 anos depois, com a idade que sua mãe tinha quando foi assassinada, pode ver o assassino ser condenado. Em primeira instância ainda, e foragido da justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O julgamento havia sido marcado para o dia 13 de maio, mas diante da ausência do acusado e de sua defesa, teve que ser adiado (ontem o julgamento ocorreu à revelia). E foi nessa época que fiquei sabendo da história pela internet. Fui fuçando na internet e descobri que Natália, que antes evitava se manifestar sobre o assunto publicamente, criou um &lt;a href="http://casomaristelajust.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt;, que hoje atualiza com a ajuda do irmão Zaldo. E lá achei o &lt;a href="http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/05/31/urbana5_0.asp#"&gt;link para esse depoimento&lt;/a&gt;, que me tocou tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram quando eu escrevi &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/nossa-falta-de-nocao-de-justica.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; sobre justiça? Sobre processo civilizatório ser completamente oposto a linchamento? No depoimento somos apresentados a uma mulher muito forte, centrada e muito humana. Que não perdoa o assassino, mas não busca vingança. Entendemos que deve ter sido uma dor imensurável ter sido privada da mãe, saber que o pai foi o responsável, ter que crescer com isso. E que teve um processo aí, de tomar força de amadurecer, pra conseguir dar conta de se expressar. Como não sentir um profundo respeito por sua história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste é saber que não é exceção. Que há muitos homens atentando contra suas companheiras por aí. Nos jornais aparecem todos os dias. E acho que não é nada difícil conhecer algum caso assim pessoalmente, nem que seja do amigo de um amigo. E rola sempre uma relativização, uma tentiva de atribuir a vítima nem que seja uma parte de sua culpa. Lembram-se do Pimenta Neves, o jornalista que matou a namorada? Na época li em alguns lugares que a vítima, muitos anos mais nova, tinha recebido inúmeras promoções em curto espaço de tempo por se relacionar com um chefão da imprensa e, estando confortavelmente instalada num cargo bom, resolver dar um pé na bunda do cara. No que eu pergunto: o que interessa? Ok, acho que não ia gostar de tê-la como colega de trabalho. Daí a justificar seu assassinato, vai uma enormidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sim, as pessoas tentam justificar assassinatos – principalmente quando as vítimas são mulheres. O pai do assassino de Maristela, um advogado criminalista diga-se de passagem, alegou que seu filho agiu em legítima defesa da honra, &lt;a href="http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/pernambuco/noticia/2010/05/12/se-nao-matasse-nao-comia-na-minha-mesa-afirma-o-pai-e-advogado-de-assassino-confesso-221604.php"&gt;com se espera de um homem com brio&lt;/a&gt;. Pois é. Lembram a história de que homem tem honra, mulher tem vergonha? É isso. Se a gente não tem vergonha, o homem “proprietário” (pode ser pai, marido, ex-marido, ou qualquer um que se julgue no direito) tem que lavar sua honra com sangue. A bárbarie minha gente, sempre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso gostei tanto do depoimento da Natália. Ela não defende a bárbarie. Ela quer a civilização, colocar a cabeça no travesseiro e saber que não vive num mundo em que assassinos transitam por aí impunemente, protegendo-se por trás de um sistema machista. Nisso com certeza estamos juntas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1595524690492908608?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1595524690492908608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/o-caso-maristela-just.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1595524690492908608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1595524690492908608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/o-caso-maristela-just.html' title='O caso Maristela Just'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-41525174353468922</id><published>2010-06-02T21:06:00.004-03:00</published><updated>2010-06-02T21:32:07.046-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Desabafo</title><content type='html'>Olha só, eu sou cliente do mesmo banco há mais de 10 anos. Antes dessa conta, tive uma em outro banco, que me tratou mal e cobrava taxas absurdas. Cancelei. Mas vivemos no mundo maravilhoso do capitalismo e suas fusões e aquisições, e o meu antigo banco comprou o meu atual banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu atual banco nunca me enviou cartões não solicitados. Lógico, envia aquelas cartinhas oferecendo crédito a juros módicos, me tratando pelo primeiro nome, na maior intimidade, pra tentar me ludibriar e me fazer crer que sou trouxa por não aceitar dinheiro fácil: "Iara, tem 25 mil reais esperando por você!". Aham. Só que cartinha assim a gente nem precisa abrir, né? Pode xingar os caras por aumentar o lixo do planeta, mas fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje cheguei em casa e tinha uma correspondência pra mim do banco (assinada pelo atual e pelo ex que agora é futuro - acompanhou?), sem cara de propaganda, com a senha do "meu" cartão Mastercard. Estranhei e comparei com o Mastercard que eu já tenho - da conta com o marido. Números diferentes. Os infelizes me mandando cartão novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei que recebi uma ligação há uns 10 dias oferecendo um Mastercard. Expliquei que eu tenho um Visa pra conta pessoal e um Master pra conjunta, fora o Amex que fizeram pra mim na única vez que eu viajei a trabalho (e agora você vai achar que eu sou rica, mas eu tenho mais cartão que dinheiro, acredite), e não estou interessada, de maneira nenhuma, em ter outros, obrigada. Mas a correspondência com a senha diz que eu devo recebê-lo em 7 dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que eu liguei querendo cancelar. Dificuldade imensa até atender uma pessoa. Cinco minutos tentando decifrar qual dos números me levaria a uma atendente, não a uma gravação. E quando eu consegui fui informada de que eu não posso cancelar o cartão neste momento. Tenho que esperá-lo chegar. Eu não pedi a porra do cartão e tenho que perder tempo e gastar telefone cancelando, senão pago uma tarifa cara por ele. Sim, o Procon proibiu essa palhaçada. Mas cadê que os caras respeitam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ligar na sexta pra minha gerente quebrando tudo. Se vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok. Voltamos em instantes com nossa programação normal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-41525174353468922?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/41525174353468922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/desabafo.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/41525174353468922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/41525174353468922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/06/desabafo.html' title='Desabafo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4511243941998057803</id><published>2010-05-31T23:29:00.010-03:00</published><updated>2010-06-02T11:58:41.966-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Ando devagar porque já tive pressa - ou quem entende a Mafalda?</title><content type='html'>O stress crônico parece estar sendo controlado, finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fui à academia, depois de duas semanas sem dar as caras. Nada contra exercícios, mas eu decidi que não preciso de mais pressão do que a que o mundo já exerce naturalmente sobre mim, obrigada. Então, quando não quiser, não vou. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia foi corrido e cheio de trabalho. Mas ainda assim saí de lá inteira - e no horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o dia pensei na sopa que eu tinha plajeado fazer, nos legumes que comprei no mercado, no frango que eu tirei do congelador. Como que coroando dias mais tranquilos, minha sopa ficou um espatáculo. Na hora em que provei, antes do marido chegar da faculdade, tive certeza de que tinha ficado sensacional - uma das melhores que eu já fiz. Sabe quando você se alimenta exatamente com a única coisa que você quer naquele momento? Quando nada mais faria sentido? Pois então. Há uns 10 dias que a minha ansiedade tem me feito atacar o pote de nutella sem compaixão todas as noites. Hoje não vai ser assim, porque a minha sopinha já liberou serotonina o suficiente. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Comfort food&lt;/span&gt; mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fã da &lt;a href="http://fromargentinawithlove.typepad.com/photos/uncategorized/2008/03/06/mafalda2.jpg"&gt;Mafalda&lt;/a&gt;  , mas nunca pude entender sua resistência obstinada a sopas. A mãe dela devia cozinhar mal. Só isso explica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4511243941998057803?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4511243941998057803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/devagar-ou-quem-entende-mafalda.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4511243941998057803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4511243941998057803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/devagar-ou-quem-entende-mafalda.html' title='Ando devagar porque já tive pressa - ou quem entende a Mafalda?'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-3066374011594680092</id><published>2010-05-25T20:50:00.001-03:00</published><updated>2010-05-25T20:51:38.608-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Várias coisas</title><content type='html'>Meu irmão teve alta hoje, portanto antes do que os médicos tinham previsto anteriormente. \o/ Agradeço mais uma vez a quem se manifestou carinhosamente aqui torcendo por ele. Valeu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande amiga minha se casou no sábado. Daí eu passei a semana envolta em emoções tão opostas que eu tô exausta. Algumas reflexões sobre saúde pública, sobre casamento, idéias pra post. A semana tendo e amadurecendo idéias. Várias coisas mais interessantes que meus devaneios sobre minha vida. Mas quem disse que, nesse momento, depois deste rali emocional, eu sou fisicamente capaz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de férias tipo, pra ontem. Tenho 10 dias pra tirar em julho. 7 semanas até lá. Ao contrário do ano passado, em que achei que a sanidade mental não duraria até as férias (eu emendei quase um ano no emprego anterior com o atual, tava há quase 2 anos sem férias), esse ano eu temo pelo físico mesmo. Eu tô podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um caso irônico pra encerrar: eu costumo carregar meu bilhete único quando ainda tenho um pouco de crédito (tão ligadas como funciona o transporte público em São Paulo, né? Você coloca créditos num bilhete magnético e, quando passa a catraca, eles vão sendo descontados). Pelas minhas contas, tava na hora. Saquei R$100,00 pra carregar pro mês. E só depois de sacar tive a brilhante idéia de verificar o saldo da minha conta. Depois de sacar 100, fiquei com 60 negativos. Na hora de carregar, descobri que ainda tinha 16 no cartão, que não é muito, mas era o suficiente pra me locomover até sexta, quando cai o salário. Pensei, ok, meu banco é o tal dos “10 dias sem juros”. Vai rolar só uma cacaquinha de IOF, mas beleza. Nem preciso de dinheiro até sexta-feira mesmo. Daí lembrei que quinta tenho uma consulta médica no meio da manhã. E como eu tô enroladíssima no trabalho, a idéia é voltar de táxi. E o táxi não aceita bilhete único, né? E eu me sinto uma trouxa com 116 reais no cartão e devendo pro banco.  E às vezes eu acho que meu mau humor não vai passar nunca...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-3066374011594680092?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/3066374011594680092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/varias-coisas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3066374011594680092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/3066374011594680092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/varias-coisas.html' title='Várias coisas'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7198757653242342087</id><published>2010-05-17T22:36:00.002-03:00</published><updated>2010-05-17T22:40:57.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>A Intolerância</title><content type='html'>Meu irmão está doente. Um bom tanto doente: uma pneumonia dupla e mais alguma coisa que não conseguem descobrir. E a internação que pareceria só aguda, coisa de alguns dias, deve se extender por semanas até ele ficar realmente bom. Tá sendo muito bem tratado, num hospital público. Ironia, das ironias, a “sorte” dele foi precisar de oxigênio: no andar de quem não precisa, tem gente largada no corredor. Ele tá na enfermaria, bem assistido.&lt;br /&gt;Os horários são complicados e eu só consegui visitá-lo ontem. E poxa, ele não tava legal. No sábado tava ótimo e criou esperanças de passar o domingo em casa. Não rolou, ele piorou e o encontramos com a moral abalada.&lt;br /&gt;Domingo é sempre o dia mas movimentado, né? Meu irmão está no quarto com um senhor de meia-idade e um velhinho. Daí entrou um rapaz de terno, com uma bíblia na mão, e um senhor mais velho acompanhando. Queria saber se poderiam incluir os doentes nas suas orações. Perguntou por último para meu irmão, que muito educadamente, respondeu, que sim, poderia. E o senhor mais velho disse que Jesus iria curá-lo e perguntou se meu irmão acreditava em Jesus. E meu irmão respondeu, calmamente: “não, não acredito”. E recebeu o veredicto do misericordioso religioso: “então você não será curado, pois só Jesus salva!”.&lt;br /&gt;Acreditam nisso? Acreditam que alguém, supostamente bem intencionado, diz a um jovem que ele não será curado por conta de suas convicções? Esse Deus no qual nem eu nem meu irmão acreditamos não é misericordioso?&lt;br /&gt;Bom, meu irmão expulsou o sujeito de lá bradando palavrões. Meu pai não testemunhou o incidente, mas foi relatar à ouvidoria. Garantiram que meu irmão não será importunado novamente por gente pretensamente caridosa, já que ele tem todo direito de ser respeitado como ateu. E eu me sinto culpada por não ter reagido. Por não ter dito umas boas a este sujeito – embora não tivesse sido realmente necessário, meu irmão conseguiu se defender.&lt;br /&gt;Minha mãe é católica. A madrinha do meu irmão também. Tenho amigas religiosas. Todo mundo diz: “estou rezando pelo seu irmão, Deus vai curá-lo”. E eu tenho todo o respeito do mundo pela fé alheia, nunca zombei de ninguém. Mas olha só, respeito é uma via de duas mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7198757653242342087?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7198757653242342087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/intolerancia.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7198757653242342087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7198757653242342087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/intolerancia.html' title='A Intolerância'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1317401960593170627</id><published>2010-05-09T21:52:00.003-03:00</published><updated>2010-05-10T15:35:11.400-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Sem querer ser piegas... mas talvez sendo</title><content type='html'>Daí que marido vai ganhar mais um sobrinho ou sobrinha (e eu também por tabela). E rola aquela pergunta de quando daremos nossa contribuição para aumentar a família, ao que respondemos que, por enquanto, não daremos, sorry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de conhecer meu moço, eu não pensava em ser mãe. Hoje esse não é um assunto decidido, mas posso dizer que boas possibilidades de acontecer no futuro, embora não me pareça essencial para justificar minha passagem pela terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que minha relutância vem – além, claro, do feminismo que me faz acreditar que maternidade é escolha e não destino inevitável - da minha relação com minha mãe, nem sempre fácil. Reconheço nela uma generosidade do tamanho do mundo. Porque eu não sou o que ela sonhou pra mim. Minha mãe veio de uma família pobre, sem instrução e muito machista. Para nossa sorte, encontrou meu pai. Ela tinha parado de estudar quando era novinha, porque sua saúde não dava conta de trabalhar de dia e estudar a noite. Quando se casou com meu pai e foi demitida de seu emprego como operária, ele a incentivou a continuar seus estudos. Minha mãe só não fez faculdade porque não se animou: apoio do meu pai nunca faltou. E eu presenciei na infância e na adolescência uma disputa ferrenha entre as idéias arejadas do meu pai e o machismo da minha avó materna, que vivia conosco. Ele achava que minha mãe deveria estudar, ela achava que isso poderia atrapalhar o “andamento da casa”; ele insistiu pra que minha mãe dirigisse, ela tinha tremenda dificuldade em confiar na minha mãe ao volante; ele sempre se ocupou de tarefas domésticas, ela achava que minha mãe deveria se envergonhar por permitir que o marido lavasse um prato; ele só achava que estava sendo um cara razoável, minha avó achava que ele era um semi-deus por ser “bom” com a filha dela. Minha avó já faleceu e eu não quero jogar na conta dela o machismo, de jeito nenhum. Ela também foi educada assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu pai é diferente e os tempos são outros. E pra minha mãe era muito difícil perceber que meu pai não me reprimiria, como normalmente se espera dos pais. Apesar de ter sido adolescente nos anos 70, minha mãe não viveu a revolução sexual. Isso era coisa de moças de classe média e nível universitário. Moças pobres e vindas “da roça” tinham que se casar virgens. Assim foi com a minha ela. E assim ela esperava que tivesse sido comigo, apesar de saber que o mundo tinha mudado muito e minhas perspectivas eram outras. Eu soube por uma tia que minha mãe chorou quando se deu conta de que eu não era virgem mais. Não fui eu que contei, não presenciei a cena, mas conhecendo minha mãe, faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra resumir, ela teve que aceitar tudo. Que eu não me casaria virgem, que eu não me casaria na igreja, que eu não ficaria em casa até me casar e pior: que eu sequer estaria muito interessada em casamento. Que tinha vontade de ir viver fora do país (e fui!). Que quando eu dizia que ia dormir na casa de uma amiga, talvez eu estivesse passando a noite com um cara que não era importante a ponto de ser apresentado (ela nunca foi boba, sabia bem quando eu estava mentindo). Ela sofreu muito. Sofreu muitíssimo. E eu não alivei nada pra ela me sentindo culpada. Nunca me culpei por ser livre. E ela aprendeu a aceitar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sofre até hoje. Eu não sou casada, né? Sou de fato, mas não de direito. Daí, quando eu juntei os trapos, ela dizia pras pessoas, principalmente a família machista que “a Iara está casada”. Tipo, repetia, como um mantra. Cada vez que ia lá, contava: "fulano perguntou e eu disse que você está casada". Pra dizer que eu não estava “morando com o namorado”. Nem “amigada”, nem “amaziada”. Eu sou é casada, só não tenho papel. E pra ela é importante. E não me cobra nada, aceitou meu marido, acredito que também muito diferente do genro com o qual sonhava, com um amor imenso. Ele me ama e me faz feliz, pra ela é o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Eu sei que não é de graça pra ela. Por mais que se diga que “filho a gente tem é pro mundo”, não deve ser nada fácil ver aquele ser nascido de você se tornar alguém muito diferente dos seus sonhos. Amar assim tão desprendidamente, sem fazer cobranças, sem chantagens emocionais, sem reclamar que eu vou mais a casa da sogra do que a dela. Ela transborda generosidade aceitando que eu escolhi meu caminho e continua me amando e repetindo que sente um enorme orgulho de mim. E eu só quero ser mãe se me sentir capaz disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1317401960593170627?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1317401960593170627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/sem-querer-ser-piegas-mas-talvez-sendo.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1317401960593170627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1317401960593170627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/sem-querer-ser-piegas-mas-talvez-sendo.html' title='Sem querer ser piegas... mas talvez sendo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4097937023046588001</id><published>2010-05-06T20:26:00.004-03:00</published><updated>2010-05-06T20:42:17.245-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Várias coisas sobre gênero – ou pensamentos muitos e confusos</title><content type='html'>Às vezes eu fico pensando se vale a pena fazer um post meio maluco só com associações que passam pela minha cabeça, sem trazer nada novo, não colocar nenhum questão nova, nem chegar a uma conclusão, só com referências externas e links, meio colagem mesmo. Mas, enfim, os macaquinhos tão aqui sapateando, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô pensando no livro da Beatriz Preciado, que eu &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/sobre-leituras-ii.html"&gt;ganhei&lt;/a&gt; e não li ainda, e na Judith Butler, que eu também não li, e a maneira como (sei de ouvir falar e ler outras coisas por aí), problematizam gênero. E, puxa, muito legal. E um nó. Eu gosto bastante. Porque se você me encontrar na rua vai ter certeza que, por mais que conteste muita coisa, por mais que não corresponda a todos os modelos de vaidade e feminilidade postos, eu sou uma mulher. Mas lembro de já ter sofrido muito por não me encaixar. Nada a ver com transexualidade, nem com homossexualismo sequer. O problema é o modelo cor-de-rosa-Barbie. A passividade. Enfim, muitas coisas. Mas pegava muito no visual mesmo. A coisa da delicadeza, porque eu não sou delicada pra nada nessa vida. Sou carinhosa e tal, mas não delicada. E é por isso que eu pirei lá na Espanha. Lógico que o Almodóvar já tinha me dado uma pista. Mas a coisa foi mais prosaica até: quando eu vi nas lojas as roupas de Flamenco para a “feria” de Málaga. Aqueles babados, aqueles brincos enormes, aquelas cores fortes. É isso, eu sou over. Eu sou pombagira. Depois de ler “Bodas de Sangre”, a noiva se justificando, dizendo que o noivo era um riozinho que não dava conta de apagar seu incêndio, eu pensei: é isso! Eu sou essa mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas divago (e este post não é mera divagação?). Eu lembrei disso, dessa questão do problema do gênero, de definição, da dificudade, por algumas razões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li outro dia &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/posts/2010/03/15/australia-teria-primeira-pessoa-no-mundo-sem-sexo-274555.asp"&gt;isso&lt;/a&gt;. A pessoa que conseguiu um documento escrito “sexo indefinido”. Péssimo estar na página de bizarrices do Globo porque o assunto é muito interessante. Mas me chamou a atenção esse lance de que não era possível determinar características físicas, psicológicas ou comportamentais de um dos gêneros. Físicas, ok. Mas fico pensando em como determinar caraterísticas “psicológicas ou comportamentais” de um gênero. Dá pra fazer isso sem usar lugares comuns? Quer dizer, eu aceito quando minha amiga psicóloga me diz que “não é porque algo é socialmente construído que é necessariamente ruim”.  E imagino que é um conjunto de fatores que deveria determinar essa performance de gênero, mas não tiverema sucesso aí. Enfim, curioso, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa: o post da &lt;a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/"&gt;Lu&lt;/a&gt; que fala do &lt;a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2010/04/14/seja-como-os-outros/"&gt;Irã&lt;/a&gt;. Quer dizer, transexual, pode. Homossexual, não. Porque tem que definir, ficar dentro do limite. Extremamente violento, claro, e me faz lembrar do argumento mais frequente entre religiosos, mesmo os locais, quando condenam o homossualismo: Deus criou o homem e a mulher, um para o outro. Sistema binário mesmo, nenhum questionamento possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim (como se houvesse um fim), a &lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_43/artigo_1291/Como_mudar_de_sexo.aspx"&gt;matéria da Piuaí&lt;/a&gt; sobre o médico especialista em cirurgias de mudanças de sexo. Recomendo a leitura da matéria inteira. Como a coisa é complexa. Em algum momento, a especialista em direito civil consultada fala de como os transexuais são conservadores. Quer querem corresponder a um modelo de mulher bem tradicional. Mas é o ponto de vista dela, porque aparece lá os casos de homens que queriam ser mulheres lésbicas. Quer dizer, se relacionar-se sexualmente com uma mulher e ter um pênis fosse o suficiente para definir um homem, usando um ponto de vista conservador, essas pessoas não teriam conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o que define o que é mulher, né? Se você responder que é a vagina, vai desconsiderar os transexuais, e o &lt;a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2009/03/23/s-pode-ser-montagem/"&gt;Buck Angel&lt;/a&gt; vai rir na sua cara. Se você considerar que é um conjunto de comportamentos tais e tais, pode soar bem sexista. Mas lembro de ler num blog uma vez que se a única coisa que nós, mulheres, tivermos em comum for a opressão, pára o mundo que eu quero descer. Acho que a coisa é fascinante porque é muito mais complexa do que parece. E o médico diz lá na reportagem que só dá pra dizer quem tem falo e quem não tem, mas eu não aceito ser definida por uma ausência – a que não tem falo. Só posso concordar com a Judith Butler quando diz que gênero é performance. A gente deveria poder ser o que é sem que isso implicasse em determinismo e discriminação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4097937023046588001?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4097937023046588001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/varias-coisas-sobre-genero-ou.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4097937023046588001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4097937023046588001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/varias-coisas-sobre-genero-ou.html' title='Várias coisas sobre gênero – ou pensamentos muitos e confusos'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6617934368766795546</id><published>2010-05-01T13:25:00.004-03:00</published><updated>2010-05-01T13:39:16.129-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A prática da tortura no Brasil</title><content type='html'>Quinta-feira teve um happy hour da empresa. Na saída, dois colegas meus voltavam de trem, mais ou menos 10 da noite, quando um grupo deu uma trombada em um deles no momento em que as portas do vagão estavam se fechando em uma das estações. Levaram sua carteira. Aí começa a saga policial da qual só não foi testemunha porque não fui ao happy hour, já que o trem é meu meio de transporte também.&lt;br /&gt;Enfim, saíram com a carteira. Três pessoas: duas mulheres por volta de 25 anos e um homem de 30. Fechadas as portas, quando olharam para o vagão ao lado (alguns dos trens tem uma janelinha que permite a visualização do vagão contíguo) viram que uma das mulheres estava lá. Na estação seguinte, tentaram trocar de vagão, mas a mulher saiu e, em vez de ir em direção à saída da estação, foi até a ponta da plataforma. Importante esclarecer que meus dois colegas são educadíssimos e jamais abordariam uma pessoa simplesmente desconfiando de sua responsabilidade pelo furto, por mais suspeitas que fossem suas atitudes. Mas, enfim, dali a dois minutos um senhor estava se sentando para aguardar o trem e viu que a carteira de nosso colega estava lá, intacta. Nem o dinheiro tiveram tempo de levar. Entenderam que a mulher a havia  descartado quando notou que estava sendo seguida, para não ser pega em flagrante.&lt;br /&gt;Bom, foram comunicar os ocorridos ao agente da estação. Contaram lá que um grupo assim e assim, com tais características, estava furtando carteiras. Dali há pouco, passaram um rádio avisando que um suspeito tinha sido detido na estação seguinte. Foram todos pra lá.&lt;br /&gt;Ouvi a história no café na empresa, tá? Então não entendi bem se o que se seguiu aconteceu ainda na estação, ou parte na estação e parte numa delegacia. O rapaz detido foi reconhecido pelos meus colegas, mas não tinha nenhum produto de furto com ele. Como em um furto não há coação e nem abordagem direta, fica uma palavra contra a outra. Ok para meus colegas. Eles só estavam interessados em alertar para o risco. Mas, por conta disso, tiveram que assistir à truculência policial.&lt;br /&gt;O suspeito era colombiano. A polícia passou a humilhá-lo, dizendo que o fato dele vir “de uma país de merda dominado por terroristas e traficantes” não o dá direito de roubar carteiras no Brasil. Perguntados sobre o que aconteceriam com o rapaz detido, avisaram que “dariam um corretivo” antes de soltá-lo, porque não poderiam prendê-lo em flagrante. Para comprovar sua responsabilidade seria necessário abrir um processo, acessar os registros da câmera de segurança, enfim, algo bem mais demorado. A surra e mais rápida.&lt;br /&gt;Meus colegas sabem que seria inútil pensar em procurar entidades de defesa dos Direitos Humanos para defender um estrangeiro de uma surra policial às 2 da manhã (é, a coisa toda foi longe...). Reforço, conheço os dois o suficiente pra saber que ninguém achou “bem feito” que o sujeito tenha apanhado. Não procuravam punição de culpados, só queriam resolver seu problema  imediato (recuperar a carteira) e depois contribuir para segurança coletiva comunicando o risco às autoridades. Mas parece que, para a polícia, não é possível que não haja punição. E o enorme constrangimento de ser reconhecido como criminoso não é punição suficiente.&lt;br /&gt;Fiz a ponte, inevitável, sobre a manutenção da anistia aos torturadores, julgada pelo STF essa semana. Sou filha de torturado, e estou muito chateada que nosso país tenha ido na contramão do restante da América Latina e tenha dicidido que, ok, se meu pai foi preso, apanhou, teve a casa revirada, viu seus irmãos mais novos serem presos e humilhados também por suas idéias políticas das quais não compartilhavam (é não bastou torturar o "subversivo", tinha que impor sofrimento à família toda), isso fez parte de um contexto histórico e deve ser perdoado e esquecido. &lt;br /&gt;Abomino a tortura provavelmente sofrida por este estrangeiro batedor de carteira tanto quanto abomino o sofrimento do motoboy &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,nove-pms-estao-presos-acusados-de-torturar-e-matar-motoboy-em-sp,542068,0.htm"&gt;morto covardemente pela polícia de São Paulo mês passado&lt;/a&gt; e os sofrimentos físicos e psicológios impostos ao meu pai e aos meus tios 36 anos atrás. Como já comentei &lt;a href="http://http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/nossa-falta-de-nocao-de-justica.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, não vejo cidadania possível fora do Estado de Direito. Se há uma lei, não deveria ser aqueles que agem em nome do Estado os primeiros a fazê-la cumprir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6617934368766795546?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6617934368766795546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/pratica-da-tortura-no-brasil.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6617934368766795546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6617934368766795546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/05/pratica-da-tortura-no-brasil.html' title='A prática da tortura no Brasil'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4393761039356242320</id><published>2010-04-23T22:17:00.004-03:00</published><updated>2010-04-24T04:55:20.891-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Nota breve sobre o racismo</title><content type='html'>A notícia é velha, mas como fala de futebol e o jogo de volta foi na quarta-feira, eu fiquei matutando. Porque na semana passada, no jogo Palmeiras e Atlética Paranaense, um jogador atleticano deu uma cabeçada num palmeirense, os dois se enfezaram, e o último cuspiu no primeiro e o chamou de “macaco”. Findo o jogo, o ofendido foi prestar queixa na delegacia e abriu-se um processo por injúria de teor racista, que é diferente de racismo. Racismo é exercer seu poder pra excluir o outro diretamente (numa entrevista de emprego ou num elevador, por exemplo), diferente deste caso, em que houve ofensa verbal.&lt;br /&gt;Uma vez eu li, no contexto da discussão sobre a legitimidade das cotas, algo bem interessante. Que essa historinha de que “não dá pra saber quem é negro no Brasil” é uma tremenda balela. É só o cara bater no seu carro. Aí você vai lá e chama de “criolo filho da puta”. E eu achei a definição muito precisa e ilustra bem este caso do jogo. O cara não deveria ter dado a cabeçada. Mas deu. E qual é a primeira coisa que o agredido lembra? Que o cara é negro. É foda, por que não existe xingamento politicamente correto, né? Mas se eu chamo alguém de “imbecil” ou “desgraçado”, é muito particular. Não tô desqualificando todo seu grupo social por tabela.&lt;br /&gt;Meu caso específico, se alguém me sacanear, não consigo me imaginar sequer pensando “tinha que ser preto, judeu, japa, whatever”. Mas consigo me imaginar chamando de “filho da puta”. E, olha só, não tenho orgulho de assumir isso, porque eu me identifico aqui como feminista. No Fórum Social Mundial de 2005 assisti a um debate com profissionais do sexo que diziam o quanto o estigma do “filho da puta” era ofensivo à categoria. Só faço um aparte pra dizer que acredito que a expressão ficou tão universal que ninguém, quando a usa, deve ter em mente “você é desonrado porque sua mãe tem uma conduta sexual reprovável”, o real significado - o que não tira a legitimidade da queixa das prostituas, claro. Mas quando alguém chama um negro de “macaco”, não dá pra dizer que “abstraiu” o significado. Não acredito de jeito nenhum.&lt;br /&gt;E fiquei pensando que o jogador do Palmeiras (meio que) se desculpou. Eu acho que dá pra gente se desculpar pelo que a gente faz, mas não pelo que a gente pensa. E o cara pensa, nem que seja no fundo do subconsciente, que a cabeçada cretina tem alguma coisa a ver com a cor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Acho triste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4393761039356242320?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4393761039356242320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/nota-breve-sobre-o-racismo.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4393761039356242320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4393761039356242320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/nota-breve-sobre-o-racismo.html' title='Nota breve sobre o racismo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-954047733195335131</id><published>2010-04-21T20:49:00.004-03:00</published><updated>2010-04-22T09:25:50.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Castigo vem a cavalo</title><content type='html'>Se eu fosse uma pessoa crente, não no sentido evangélico, mas no sentido geral, eu diria que só pode ser castigo. Porque olha só, eu, cansada pra caramba, queria um dia pra descansar. E bom, 21 de abril é feriado, eu ia ter um dia pra descansar e estudar um pouco de qualquer maneira. Mas eu queria um pouco mais. O ideal era ter uma boa desculpa pra trabalhar de casa. No meu trabalho todo mundo usa laptop, temos uma conta com a AT&amp;T para acessar a rede remotamente, então é bem normal trabalhar de casa. Normal pra quase todo mundo, menos pra mim, porque eu sou a assistente-faz-tudo que mexe com papelada, despacha motoboy, recebe relatório de reembolso de despesa da galera, enfim, tenho que estar por lá. Quando eu trabalho de casa normalmente é zica – tipo 31 de dezembro que não teve expediente pra ninguém, mas eu tive que “dar uma olhadinha” no e-mail pra ver se não apareciam pedidos de última hora pra colocar no sistema. Enfim, só-me-fodo.com.&lt;br /&gt;Daí, isso. Eu tava louca pra ter um leve mal-estar que justificasse ficar em casa. Da última vez que isso aconteceu, foi um resfriado bem bobo, e eu só respondi a um ou dois e-mail pra fingir que trabalhava e tudo bem. Só que essa semana eu me estrepei. Comecei a me sentir indisposta no domingo e fiz aquele papel de esposa chata que na casa da sogra fica enchendo o saco do marido clamando “eu quero ir embora!”. Talvez eu já estivesse com febre, sei lá. Segunda eu fui trabalhar bem cansada e fui sentindo a garganta fechando. Comprei umas pastilhinhas porque achei que fosse uma irritação. No final da tarde, comecei a bater os dentes (sério!). Avisei a minha chefe que ia trabalhar de casa na terça, levei o computador e peguei um táxi pra chegar rápido. Chegando, fui verificar a minha temperatura: 38, 5°C. Sabe lá desde que horas. Fui tomar um banho pra ver se baixava. Saindo do banho, 39°C. Tomei o único remédio disponível em casa pra febre. Baixou pra 38°C.&lt;br /&gt;Acordei na terça e liguei o computador. Minha senha não funcionava. Tive que ligar, com voz de pato, para o helpdesk na Finlândia. Tava difícil falar, imagina falar inglês. E bom resolvida a questão, trabalho. Muito trabalho. Tem épocas que eu nem tenho muito o que fazer, mas o VP resolveu me pedir uns relatórios financeiros e eu vinha apanhando desde segunda pra conciliá-los. Pra piorar, os relatórios que eu tirei essa semana não batem com os números que eu extraí no começo do ano para um colega. Não tenho nenhuma explicação, pode ser só cagada minha mesmo, embora eu não entenda como possa ter cagado nisso. E a febre subindo, o ouvido e a garganta doendo até pra engolir saliva, um gosto horroroso no boca. E eu parava de vez em quando pra descansar. Dei uma cochilada de 40 minutos e quando voltei tinham dois e-mails do tal colega na minha caixa: um levantando uma hipótese e outro, meia hora depois, perguntando: “e aí, o que você acha?”. Acho nada, mané. Minha febre subiu pra 39°C e não tem mais remédio em casa.&lt;br /&gt;Por sorte (ou azar) o marido também não estava bem e não foi direto pra faculdade. Avisei que teríamos que ir pro hospital. Chegando lá, bronca: “como assim 39°C de febre e não tomou remédio, quer ter uma convulsão, senhora?!” (digressão: gostava mais quando me chamavam de menina, mas ok). Daí espera, uma bezetacil e outra injeção na veia que nem sei pra que serve. E aquela maravilha, né? Saí de casa super agasalhada, morrendo de frio, numa noite abafada, cheguei empapada de suor, sem febre. Sério mesmo, sem ironia, adoro a medicina moderna. Vocês não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos planos pra hoje, feitos semanas atrás, eram estudar, descansar e namorar (oi? de vez em quando é bom, né?). Acordei de novo com febre e o marido super indisposto. Depois de tomar novalgina, minha temperatura despencou para 35,8°C. Sério. Não era defeito no termômetro. Agora está em 37,5°C de novo. Resistirá meu pobre cérebro a esterilização via choque térmico? Estudei um pouquinho e descansei um pouco. Ouvido e garganta doem bem menos agora. Namorar? Estou há 2 dias sem beijo na boca. Porque enfrentar trânsito de São Paulo na hora do rush estando resfriado pra levar a esposa no PS é uma coisa. Beijar uma boca com gosto de pus é outra beeem diferente. Perdeu o apetite lendo isso? Imagine eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-954047733195335131?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/954047733195335131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/castigo-vem-cavalo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/954047733195335131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/954047733195335131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/castigo-vem-cavalo.html' title='Castigo vem a cavalo'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4772659582023807543</id><published>2010-04-17T00:20:00.004-03:00</published><updated>2010-04-17T00:41:30.111-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Sobre leituras II</title><content type='html'>Como eu já disse &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/02/sobre-leituras.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, a lista do que deveria ter lido é gigantesca. E só aumenta. Se um dia eu escrever que estou entediada é porque não tem livro por perto, porque coisas pra ler não faltam nunca. E aí eu comecei a pós, aos sábados, o dia todo (eu deveria estar dormindo, porque amanhã acordo cedo). E o tema é meio Economia, meio Urbanismo. E, oi? Não sei nada sobre nada disso. Só lendo pra correr atrás. E mês passado foi meu aniversário. Minhas amigas que já sabiam do meu interesse pelo feminismo resolveram me presentear com livros sobre o tema (é, minhas amigas são legais). Lógico que ninguém quer que eu leia semana que vem, mas acho meio chato ganhar um livro e não voltar pra contar pra pessoa suas impressões. Então é isso. Trabalho 8 horas por dia, academia pra consertar o joelho podre (é isso ou a fisioterapia, não tenho muita escolha), pós (e sua respectiva monografia), marido, amigos (meus e dele), família (minha e dele) e livros. Claro, e Copa do Mundo pra eu passar um mês só pensando em futebol e dispersar completamente. E um blog que eu tento atualizar de vez em quando. Depois tem gente que me pergunta quando eu vou ter filhos. Humpf!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a lista atual das coisas que eu gostaria de ler nos próximos dois meses, mas que vou me sentir realizada se conseguir dar conta este ano ainda, está assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a pós:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O que é cidade?&lt;/span&gt; Raquel Rolnik – segundo o coordenador do curso, leitura básica para os ignorantes em urbanismo;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Formação Ecônomica do Brasil&lt;/span&gt;, Celso Furtado – pra entender minimamente Economia;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Formação do Brasil Contemporâneo&lt;/span&gt;, Caio Prado Júnior – idem idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fora os textos avulsos, que a gente copia, e são muitos, claro. E a bibliografia específica para o meu trabalho, que eu ainda nem fui atrás. E não, isso não é a bibliografia mínima. O mínimo do mínimo ainda incluiria a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Era dos Extremos&lt;/span&gt;, do Hobsbawm, mas eu sei que não vai rolar agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre feminismo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Le conflit – la femme et la mère&lt;/span&gt;, Elisabeth Badinter. Lembram do livro que a Amanda postou &lt;a href="http://portedoree.blogspot.com/2010/02/maes-indignas.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;? Foi por conta dessa discussão que eu conheci o blog dela. E mandei um link para Ma, uma amiga que além de morar na França, acabou de ser mãe. Ela achou interessante e resolveu me mandar o livro de lá, porque ela sempre me manda presentes e acha que nunca ainda não me estragou o suficiente;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Testo Yonqui&lt;/span&gt;, Beatriz Preciado. Imaginem uma intelectual que resolver se auto ministrar testosterona e, ao mesmo tempo em que relata as reações do hormônio em seu corpo, faz uma análise de questões de gênero? Presente da amiga, Fe, que anunciou assim "Iarinha, trouxe uma bomba pra você de Barcelona!";&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Backlash&lt;/span&gt;, Susan Faludi. A Lud que colocou o &lt;a href="http://ludmilismos.blogspot.com/2009/12/o-caso-da-emergencia.html"&gt;link&lt;/a&gt; para baixar de graça lá no &lt;a href="http://ludmilismos.blogspot.com/"&gt;blog dela&lt;/a&gt;. Eu baixei e deixei na área de trabalho do computador. E ele fica aqui, olhando pra minha cara todo dia. Li só a introdução e tô esperando a brecha pra ler o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversos e aleatórios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Disgrace&lt;/span&gt;, JM. Coetzee. Não li nada dele ainda e morro de curiosidade. Sei lá porque resolvi começar com esse;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A elegância do ouriço&lt;/span&gt;, Muriel Barbery. Em dois dias, vi duas referências a este livro do qual eu nunca tinha falando até então. Uma no formspring da &lt;a href="http://brincandocasinha.blogspot.com/"&gt;Mari&lt;/a&gt;, dizendo que tinha gostado (nem te falei sobre isso ontem, Mari) e uma amiga com quem conversei no msn me contou que tinha lido e se lembrou de mim. Bastou pra pulga da curiosidade picar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Factível ler isso em 2 meses, alguém pode dizer. Eu também acho, dá 1 por semana só. O que me angustia é que eu acho que não vai ser factível pra mim de jeito nenhum. Ó, vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4772659582023807543?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4772659582023807543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/sobre-leituras-ii.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4772659582023807543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4772659582023807543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/sobre-leituras-ii.html' title='Sobre leituras II'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1208237641313568450</id><published>2010-04-11T20:13:00.004-03:00</published><updated>2010-04-12T07:47:20.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Mas mulher apanhando dá audiência, né?</title><content type='html'>Eu falei da misoginia do Manoel Carlos porque talvez seja a que me salta mais aos olhos, num primeiro momento. Primeiro, porque nos seus enredos nunca há um vilão (ou vilã) terrível que faz mil estripulias, mata, foge da polícia e tal. Os dramas são mais prosaicos: traições, acidentes, doenças. E por isso as mulheres que apanham, ao meu ver, só se comportaram mal do ponto de vista do autor, sem sequer serem dignas do título de vilãs odiosas. Além disso, há outras coisas machistas igualmente irritantes sempre presentes em suas tramas, como a biscate que engravida do mocinho justo quando ele ia se entender com a mocinha (lógico que o coitado é vítima na história) e a virgindade das mocinhas pobres como uma commodity a ser preservada para aumentar seu valor no mercado dos casamentos – o que mais uma moça pobre pode oferecer a um mocinho rico se não for bonita e “honesta”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como a Luna lembrou nos comentários abaixo, em “A Favorita”(2008) houve um caso de uma mulher que apanhou em público do marido quando este descobriu que estava sendo traído. E eu já tava mesmo com vontade de tratar disso: sempre há uma mulher apanhando. Mudam os autores, os enredos, as motivações, mas a surra é certa. De novo, vou tentar ficar só com exemplos recentes, dos autores das novelas das 9. Olhem só:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvio de Abreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor foi duramente criticado em 1995 por organizações de defesa da mulher porque e vilã Isabela Ferreto, ao ser pega em flagrante de adultério pelo seu marido (que antes era seu amante e o ex-noivo os pegou no flagra no dia do casamento) é esfaqueada no rosto. E a gente sabe o significado que tem essa coisa da cicatriz, né? Do marcar o rosto, “destruir” a beleza, já que ela está ligada a sexualidade. Depois dessa prensa, supõe-se que deveria se conscientizar e pegar mais leve. Como eu contei, eu não vi “Belíssima” (2005/2006), mas parece que a mãe traída deu uns tapas na filha pouco confiável que se meteu na cama com seu marido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Celebridade” (2004), Maria Clara Diniz, a mocinha, deu o troco na vilã Laura, que tinha acabado com sua carreira e reputação, dando-lhe uma surra. Em Paraíso Tropical (2007) Eloísa, companheira do ourives que era explorado por Taís, também desconta sua raiva com uma surra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória Perez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “América” (2005), a dissimulada Creusa, apanhou da sogra quando esta decobriu que ela não era exatamente uma esposa fiel.  Em “Caminho das Índias” (2009) Yvone apanha de Melissa quando a perua descobre que a vilã está seduzindo seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguinaldo Siva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu também contei antes, é o que eu menos acompanho, porque acho chatíssimas suas pretensões épicas reacionárias. Mas sei que em “Senhora do Destino” (2004/2005) a vilã Nazaré Tedesco apanhou da heroína Maria do Carmo. “Duas Caras” (2007/2008) eu não vi mesmo. Mas olhem como é fácil descobrir: entrei no Wikipedia, joguei o nome da novela lá, vi a relação de personagens. Daí lembrei que a personagem da Aline Moraes é que era a vilã. Joguei lá “Sílvia apanha em Duas Caras” no google. Batata! Apanhou da mocinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas novelas, homens apanhando não são vendidos como espetáculo, por pior que tenham se portado. Pode ter lá uma briga e uns sopapos, mas não há essa conotação moral. A surra na vilã é atração da semana, às vezes um dos pontos altos da trama. Dá capa em revista semanal e pico de audiência. Os pecados dessas mulheres variam muito: umas foram adúlteras, outras só foram sensuais; umas são estelionatárias, outras assassinas. Então não interessa se é um crime que pode ser apurado e punido por lei, se é uma fraqueza de caráter ou um simples desvio de conduta de acordo com a moral estabelecida. A pena prevista é uma só: surra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu disse no post anterior, eu realmente acredito que as novelas são referência para sua audiência. E este público fica lá, torcendo para o momento em que a vilã será punida. É catártico isso. Então, uma emissora de televisão, que deveria estar minimamente comprometida com a qualidade da sua programação porque é uma concessão pública, dissemina a idéia de que há situações em que é aceitável que mulheres apanhem. Pior: há situações em que agredi-las é esperado e desejável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta fazer marketing social e passar Globo Repórter sobre a Lei Maria da Penha. Para violência contra mulheres diminuir, é preciso parar de celebrar a surra a como maneira de solucionar conflitos em que estejam envolvidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1208237641313568450?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1208237641313568450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/mas-mulher-apanhando-da-audiencia-ne.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1208237641313568450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1208237641313568450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/mas-mulher-apanhando-da-audiencia-ne.html' title='Mas mulher apanhando dá audiência, né?'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1364834678739420625</id><published>2010-04-08T23:45:00.005-03:00</published><updated>2010-04-09T17:25:01.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Manoel Carlos, o misógino</title><content type='html'>Este é um assunto que estava entalado. Assim, de muito tempo. Que talvez nem pareça importante, porque afinal, é só novela. Mas as pessoas assistem novelas, desde pequenas. No Brasil, elas são referência de moda e de comportamento. E acho que moldam mais opiniões que o Jornal Nacional. Pior, a gente ainda as exporta, e elas fazem sucesso lá fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu não assisto novela quase nunca porque não tenho muito saco de ficar uma hora ali parada. Mas desde que a Globo começou a colocar na internet os resumos de capítulos, eu passei a acompanhar os da novela das 9. Não de todas, mas da maioria. E tem gente que nem se liga, mas eu conheço os autores, o estilo e tal. E sei que adoro o Silvio de Abreu (perdi “Belíssima” porque passou quando eu estava na França), amo de paixão o cinismo do Gilberto Braga e seus vilões super charmosos e canalhas (a última novela que eu acompanhei mesmo na televisão foi “Celebridade”), acho que a Glória Perez completamente surreal (mas gostava da história de “Caminho das Índias”) e não tenho estômago pro reacionário de carteirinha que é o Aguinaldo Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Manoel Carlos é especial. Porque eu tenho aversão mesmo. E a Globo o vende como o sujeito que ama as mulheres, com suas Helenas sempre chatíssimas como modelo de força e tal. Mas na verdade ele odeia mulheres. Ou só ama as que se comportam direitinho. Em todas as novelas do Manoel Carlos há uma mulher apanhando por conta de sua conduta sexual. T-O-D-A-S. E não é levar um tapa na cara da rival que a pegou com o marido. É surra pesada, e normalmente com o pretexto de educá-la. Quer dizer, não é briga, é "corretivo". Houve uma delas, a “Mulheres Apaixonadas” que tratou da violência doméstica. A personagem era uma professora paulistana que tinha fugido para o Rio por conta de um ex-marido violento, e o cara a encontrava e espancava ela mais um pouco. Mas aí o merchandising social, tava claro: marido não pode bater na mulher. O marido não, mas o resto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não ficar mais longo, vou pegar só 3 casos, das mais recentes, com direito a links para os vídeos para ilustrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres Apaixonadas, 2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dóris é adulta, porque já não está na escola. Pelas minhas contas, deve ter aí 19 ou 20 anos. E é mimada e prepotente. Destrata os avós. Quer que os pais os internem num asilo pra não ter que dividir o quarto com o irmão. Enfim, gente boa ela não é. Só que no último capítulo, o pai vai buscá-la num hotel em que está com um cara, pagando de rica, e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kxDvomvEBDI&amp;feature=PlayList&amp;p=FF3DA2391D1C92EE&amp;playnext_from=PL&amp;playnext=1&amp;index=39"&gt;dá uma surra nela e a expõe para os hóspedes na recepção&lt;/a&gt;. Veja bem, o pai passa a novela inteira sem se manifestar quando a víbora está destratando velhinhos, e resolve puni-la quando ela está dando. Minha revolta foi enorme quando assisti. Se eu vejo alguém fazendo algo parecido, chamo a polícia. Mas pelos comentários no youtube, vocês entendem o perigo da coisa: todo mundo ali parece que achou bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Páginas da Vida, 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra vive na casa dos patrões dos pais como “agregada”. Manja o lance do favor, dos pobres que orbitavam os ricos no século XIX? Igualzinho. Daí ela acha que tem direito à mesma boa vida. Ô, audácia. Não enxerga o seu lugar. E ela iniciou o filho do patrão sexualmente, e parece que se apaixonou por ele ou viu nele seu caminho para a ascensão social - talvez as duas coisas.  Ah! Como o autor é coerente em criar suas vilãs, ficamos sabendo que essa já fez um aborto de um filho do patrão. Coisa horrorosa. Ele só não explica porque cargas d'água uma arrivista não teria esse filho que lhe daria acesso a tudo que sempre sonhou, mas tudo bem. Rejeitada, porque não é mulher pra casar, passa a “causar” nos jantares cada vez que o mocinho leva uma moça de família pra ser apresentada à casa grande. Enfim, um dia uma das patroinhas se irrita e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=k5MHtE87BDM&amp;feature=PlayList&amp;p=910FB25FFB5C451A&amp;playnext_from=PL&amp;playnext=1&amp;index=7"&gt;coloca ela no tronco&lt;/a&gt;. E pra completar a cereja no bolo, no final da novela, o patrãozinho se casa com a irmã da “piriguete”, que virgem e santa, se manteve na senzala e de pernas fechadas até subir ao altar. Lindo, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver a vida, 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina mimada Isabel, feita de puro sarcasmo e atrevimento, já &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yBhXA-U6BOY"&gt;levou um esculacho da mãe, saindo do banho&lt;/a&gt;, porque negligenciou um vídeo enviado do exterior pela irmã mais bonita e modelo por puro despeito. No mundo em que eu vivo, bastaria cortar o cartão de crédito pra patricinha se alinhar. Mas não, tem que apanhar. E nua. É fetiche ou não é, minha gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu falei de conduta sexual, e este não foi o caso da Isabel (pelo menos ainda). Além da sexualidade, outro fator a ser punido nas mulheres é sua ambição. Querer ascender à elite do Leblon quando são no máximo, de classe média. E daí vem a novidade, o motivador deste post. Ou tava achando que era só prato requentado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo de hoje: Soraia é a filha do caseiro. Bonitinha, novinha, gostosinha. Tá “afins” de descolar um trouxa pra pagar suas contas. Daí ela vai a um coquetel cheio de grã-finos, enche a cara de vodca, faz beicinho, trança as pernas, e sai falando bobagem. Nada demais, né? Vexamezinho básico. Mas o Manoel Carlos acha que ela merece &lt;a href="http://viveravida.globo.com/Novela/Viveravida/Videos/0,,17544,00.html"&gt;uma surra&lt;/a&gt;. Ele até pinta o pai da moça como um ogro intolerante, pra tentar tirar a culpa das suas costas, mas não me convence, não. Personagem não tem vontade, "seu" autor. Eu sei que quem curte ver mulher apanhando é você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maneco, querido: galerinha da Uniban manda aquele abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Update: A novela com merchandising contra violência doméstica era "Mulheres Apaixonadas" e não "Páginas da Vida".  A Anna me corrigiu nos comentários (obrigada, Anna!), e eu acabei de corrigir no texto. Sabem como é: Leblon, Helena, José Mayer "pegando" geral, mulher apanhando. Mesmo quem é fã do gênero como eu se confunde. :)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1364834678739420625?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1364834678739420625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/manoel-carlos-o-misogino.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1364834678739420625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1364834678739420625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/manoel-carlos-o-misogino.html' title='Manoel Carlos, o misógino'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7615236255277002866</id><published>2010-04-05T21:06:00.002-03:00</published><updated>2010-04-05T21:11:55.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>A orgulhosa individualista que se casou</title><content type='html'>E aí que eu tenho essa enorme dificuldade de entender que o feminismo não é individualista e que brigar pela autonomia da mulher não significa, de maneira nenhuma, dizer que ela tem que “se bastar” em tudo. Que não pode aceitar ajuda e etc. A intransigentemente orgulhosa sou eu, não a agenda feminista. Isso tem de estar claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que quando o marido me conheceu eu dividia uma apartamento com outras 3 meninas que eu conheci pela internet. Montamos uma república meio no susto, e a coisa até que funcionou muito bem por um tempo. Eu achava bacana, sabe? O meu lado ecológico sabe que é insustentável para o planeta todo mundo ter uma geladeira tanto quanto é insustentável todo mundo usar carro todo dia (eu vou trabalhar de trem). Um ano e tanto depois, relacionamento estável entre eu e mocinho, resolvemos dividir o teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, puxa, o meu lado orgulhoso tem sofrido pra entender isso. Porque eu não tinha dinheiro para pagar o aluguel do apartamento na república sozinha, mas se alguém saísse, era só fazer uma seleção e colocar outra pessoa no lugar (sim, passamos por isso, e interessadas não faltavam). Mas aqui eu não dou conta do aluguel sozinha e às vezes me incomodo. Com o agravante de que o marido daria conta do aluguel sozinho, se fosse o caso. Ele nem ganha assim taaaanto mais do que eu. Mas é a diferença entre fechar a conta e não fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lógico que ele não me cobra isso, tão loucas? Nem faria sentido. E, racionalmente, eu sei que ele não me sustenta. Que a gente tá nessa juntos. Que se uma hora der errado, eu não pago o aluguel desse, mas pago o de outro, ué? Mas tem o demônio do orgulho. Semanas atrás, numa crise, cheguei a cogitar procurar um lugar mais barato só pra me sentir mais em paz, mas racionalmente falando, seria ridículo. Teríamos que mudar de bairro, de repente ir pra mais longe, ter menos conforto. Mais fácil eu deixar de ser cabeça dura e entender que, poxa, casamento também é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí tem outra coisa engraçada. Por sugestão do marido (ele adora créditos, então estou dando), abrimos uma conta conjunta, que funciona assim: cada um deposita lá parte do salário, pra nossas despesas de casal, e mantém separado o seu dinheiro de “caixa 2”. Então a gente não fica fazendo contas: são os dois que pagam por tudo. Mas, puxa, até isso me incomoda. Primeiro que, centralista que sou, tenho a maior dificuldade de compartilhar organização com alguém. E maridinho é organizadíssimo pra tudo nessa vida, menos pra dinheiro. E eu sou o inverso. Na república, eu é quem pagava todas as contas, e depois cobrava das meninas. Mas aqui resolvi relaxar um pouco. Entro em casa hoje e encontro aviso de cobrança da Net. Valor em aberto. Ligo pro marido: “mas não tá no débito automático?”. Não tá, marido. Tá escrito lá: pagamento com boleto. E ele já esqueceu outra vez, e já recebemos outra cartinha (mas foi só uma, nas outras ele pagou na data). Pra piorar, a conta é conjunta, mas só mandam um cartão de senhas pra operações pela internet. E eu quero resolver logo isso, mas o cartão está com quem? Com o marido. E ele está onde? Na faculdade. Isso, respira, control freak. Vai surtar por tão pouco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, humilhação mór, é que na conta conjunta ele é o “titular 1”, e eu o “titular 2”. Felizmente não usam o termo “dependente”. Mas um dia precisei checar informações por telefone e me pediram o CPF e o RG dele. E eu argumentava que eu era titular também, caráleo. Não. Uns são mais titulares que outros. Ah, e o cartão de crédito é dele, o meu é “adicional”. E a primeira vez que fui lá transferir dinheiro pra nossa conta, acessei a função “para contas do mesmo CPF”. Não funciona. O CPF titular da conta é o dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: eu sou cabeça duríssima. Apesar de racionalmente entender que eu não sou dependente de ninguém, que somos duas pessoas que colaboram uma com a outra para a felicidade mútua, o subconsciente orgulhoso ainda tem muitas dificuldades de assimilar. Mas, ó, falando sério: o sistema bancário também não colabora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7615236255277002866?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7615236255277002866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/orgulhosa-individualista-que-se-casou.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7615236255277002866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7615236255277002866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/04/orgulhosa-individualista-que-se-casou.html' title='A orgulhosa individualista que se casou'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-321819324696804475</id><published>2010-03-28T13:03:00.005-03:00</published><updated>2010-03-28T19:31:18.895-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Admirável mundo novo e sua face sórdida</title><content type='html'>Eu sou uma pessoa que não pode fazer nada de errado nessa vida. Nada. Eu nem sou suuuuper popular, mas vivo reencontrando pessoas em contextos diferentes. Conhecendo gente que conhece gente que eu conheço e tal. Ok, eu sei, acontece com todo mundo. Mas comigo é demais, juro. E não é o mundo que é pequeno, né? É a renda que é muito mal distribuída e as pessoas de classe média e média-alta, universitárias, que trabalham ou trabalharam algum dia em multinacionais são poucas, no fim das contas (um dos motivos, aliás, pelos quais nem minha foto nem meu sobrenome aparecem aqui). São Paulo é a maior cidade do interior do Brasil.&lt;br /&gt;Daí que eu tô fazendo uma pós de conteúdo nada corporativo (não é um MBA nem nada), mas ainda assim uma das minhas colegas trabalhou numa multinacional em que eu trabalhei, mas antes dela. Tipo, em fiquei de 2001 a 2003, ela entrou em 2003 e saiu em 2005, parece. E é toda uma história essa empresa. Ela tem uma cultura de arrogância tão forte, que eu sai de lá traumatizada. Achava que nunca mais na vida ia trabalhar em algo parecido. Porque as pessoas tinham certeza de que eram as melhores do mundo e todo o resto era merda. O percurso d@s executiv@s lá era o seguinte: entrava-se como estagiári@ trabalhando meio período e ganhando uma graninha que não era excelente, mas não era ruim, mais um pacote interessante de benefícios. Daí a pessoa desenvolvia um projeto nesses seis meses. E, se fosse aprovad@ era efetivad@ como supervisor e ganhando algo que hoje deve equivaler, no mínimo, uns 5 mil reais. &lt;br /&gt;Nem tô aqui pra discutir a capacidade gerencial dessa galera. No geral tinham estudado nas melhores escolas, tinham muita capacidade mesmo e trabalhavam duro. Mas o fato é que tinha gente lá que, como nunca tinha comido merda (leia-se trabalhar feito burro de carga pra ganhar salário medíocre), tinha certeza absoluta de que era o máximo. Darwinismo social mesmo. Li “Admirável Mundo Novo” muito depois disso, mas é inevitável associá-los aos alphas. Gente como eu, que fazia um serviço mais secundário (eu era assistente de equipe, uma secretária de toda a galera), seria no máximo, sei lá, alpha menos ou beta mais.&lt;br /&gt;Entre os bons benefícios que essa empresa oferecia, estava a possibilidade de uma licença maternidade extendida. A mulher poderia voltar ao trabalho por meio período, ganhando metade do salário, mas mantendo os outros benefícios integralmente, até o bebê completar 1 ano. Além disso, vi uma mulher ser promovida à diretoria durante sua licença maternidade. E diretora de logística, uma área considerada “masculina”. Então, várias colegas grávidas, porque nunca vi ninguém lá ser demitida por isso. Vários casais felizes entre os empregados, porque não rolava aquela baixaria de, descoberto que fulana e sicrano namoram, fulana é demitida. E aí você pensa que é o paraíso da igualdade de gênero, uma ilha de paz para as cidadãs alphas que passaram no processo de seleção. Parece, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, conversando com a colega de pós, quis confirmar com ela os detalhes de uma história sórdida que aconteceu depois que eu saí de lá e fiquei sabendo por terceiros – foi parar na comunidade da empresa no Orkut. De virar o estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupinho de colegas alpha passava seu tempo entre trabalhar muito, ir à academia, e de lá pra balada. Recebiam promoção atrás de promoção porque eram talentosos mesmo, e se sentiam mais arrogantes e mais superiores à humanidade a cada dia. E parece que eles apostavam entre si quem ia “pegar” cada estagiária nova. Um desses caras, que saía com uma dessas estagiárias, um dia cheirou até não mais poder e deu uma surra na menina. Coisa muito feia mesmo, ela foi parar no hospital. O pai dela era um diretor de empresa bam-bam-bam também (por sinal, de um lugar onde meu marido trabalhou, olha o mundo pequeno de novo). Ele telefonou pro RH da nossa ex-empregadora, contou o que tinha acontecido, disse que estava abrindo um processo, e exigiu uma posição oficial.&lt;br /&gt;Sabem o que aconteceu? O agressor recebeu, do dia para noite, uma promoção pra ocupar um cargo no exterior. Legal, né? Tiraram o cara do Brasil pra ele não responder processo. Não foram indiferentes: tomaram claramente o partido do agressor. Segundo minha colega, quando a vítima voltou (acho que ela não ficou trabalhando lá, mas tinha que aparecer nem que fosse pra acertar sua saída), colocaram ela sozinha numa sala e a intimidaram. Disseram que ela não tinha o direito de atrapalhar a carreira dele, senão a carreira dela é que acabaria. Sem testemunhas na sala. Ela foi pega de surpresa e não teve como tentar gravar. E esse detalhe eu soube ontem, porque minha atual colega era muito amiga dessa moça. E minha colaga terminou contando que, pouco tempo depois dessa história, pediu demissão, porque não teve estômago pra continuar. O agressor é um dos próximos na linha de sucessão pra diretoria. Antes do ocorrido, que eu me lembre, era um dos queridinhos da tal diretora que foi promovida durante a licença maternidade. Não me surpreenderia se soubesse que continou sendo, até porque, se ainda era ela a diretoria, não consiguiriam realocá-lo sem sua aprovação.&lt;br /&gt;Ficou longo o post. Mas, puxa, eu tinha que contar. Eu já era feminista antes deste episódio, mas ele sem dúvida me indignou mais. Formou caráter mesmo, e relendo o que eu mesma escrevi, percebo que me revolta muito ainda. E tem gente que realmente acredita em ilha da fantasia, que mulheres “bem educadas”, que estudaram nas "melhores faculdades" e ricas, vivem nesse mundo a parte, conhecem igualdade gênero, não sofrem com o machismo e tal. Lógico, nem todo lugar é tão baixo. Mas a baixaria tá aí, disseminada. Entre os alphas, inclusive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-321819324696804475?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/321819324696804475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/admiravel-mundo-novo-e-sua-face-sordida.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/321819324696804475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/321819324696804475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/admiravel-mundo-novo-e-sua-face-sordida.html' title='Admirável mundo novo e sua face sórdida'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7198798891750858063</id><published>2010-03-24T21:13:00.003-03:00</published><updated>2010-03-24T21:30:06.358-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>A História da diferença. Sempre ela.</title><content type='html'>Marido mandou &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u709956.shtml"&gt;este link&lt;/a&gt;. Sobre a história de que homens e mulheres são diferentes, e tendo a possibilidade de escolher, mulheres, em geral, preferem ter mais tempo livre (principalmente se tiverem filhos) e homens preferem ter mais dinheiro. E puxa, é difícil comentar uma pesquisa que a gente não conhece, baseada só num recorte. Porque se a pesquisa em si já é um recorte da realidade, feito a partir de um ponto de vista xyz, a matéria sempre vai ser o recorte do recorte. Mas incomoda como as coisas podem ser interpretadas de um jeito tão enviesado, só pra reforçar certos preconceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que, no geral, todo mundo gostaria de trabalhar menos. Mas do que isso, todo mundo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;deveria&lt;/span&gt; trabalhar menos. No meu mundo ideal, as crianças ficariam mais tempo na escola, os pais menos tempo no trabalho, e a conta fechava. E, lógico, quem não tivesse filhos preencheria aí sua vida com outras coisas bacanas. Mas segundo a matéria, a pesquisa chegou a conclusão de que os homens não querem isso. Eles querem trabalhar muito mesmo pra ter mais grana. E as mulheres, mesmo que não tenham crianças, acham que há outras coisas importantes em suas vidas além do trabalho. Por isso os salários mais baixos, porque o trabalho não é importante para nós como é para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é homem aprendeu, desde pequenininho, que o cara bem sucedido é o que tem grana. Mesmo que sua família tenha te dado uma educação mais humanista, a sociedade vai repetir essa mensagem. (Quase) ninguém acha que sucesso é ter tempo para os filhos. Ou até acha, mas só se a a Mercedes estiver garantida na garagem. Tempo virou um luxo – e luxo é só pra quem pode. Então, qual o espanto se, ao ser peguntado se prefere trabalhar menos, o cara disser que honestamente e “do fundo do coração”, quer continuar ralando mais horas lá, pra ganhar mais grana? Pode ser que nem seja fruto de uma ambição desmedida. Ele muitas vezes acredita que ganhar mais grana é o melhor que ele pode fazer para sua família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mulher a coisa funciona de uma maneira diferente. Sim, bacana que você tenha um trabalho. Aliás, sensacional, você fica independente e pode comprar quantos sapatos quiser sem pedir dinheiro pro marido. Puxa, o máximo. Mas, ó, as crianças são tão mais felizes com a mãe por perto. Você quer ser uma mulher completa, não quer? Tipo, dar conta de tudo, né? Afinal, você é &lt;a href="sentinho-no-dia-internacional-da.html"&gt;homenageada no dia 8 de março&lt;/a&gt; por isso, porque você dá conta. Então, continuar trabalhando, mas ter uma jornada menor (no escritório, que fique bem claro) e ter mais tempo para os filhos é realmente o ideal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sobre o comentário lá do cara de Harvard. Pode ser sim que boa parte das mulheres não goste tanto de exatas. Mas entre gostar e não ser lá muito apto, vai uma enorme diferença. Olha só, eu também sou da turma das Humanas. Até hoje não entendo Física direito (embora meu raciocínio lógico matemático seja bem competente). E isso prova o quê? Só que aquilo não era essencial pra mim. Se fosse, eu dava conta, pode ter certeza. Como muita gente por aí dá conta das coisas mais improváveis. Então, o fato das mulheres terem se estabelecido primordialmente em profissões em que são bem aceitas, e mais, o fato de se sentirem à vontade assim, não significa em absoluto que é “natural” do ponto de vista biológico e não exista um condicionamento social. E a princípio tudo bem agir de acordo com o este condicionamento, contanto que: a) a gente não remunere mal uma categoria por ser formada essencialmente de mulheres e b) que a gente não olhe com desconfiança uma mulher que queira fazer algo completamente fora desse espectro. O problema nem é o condicionamento em si, mas a consequente discriminação, tanto pra quem o segue, quanto pra quem escolhe outro caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, bom, se fala lá que isso é estatístico, mas lógico, as experiências individuais podem ser diferentes. Sempre há pontos fora da curva e tal. Mas não vejo “naonde” isso pode ser biológico. A matéria fala de sentimentos. Que as pessoas realmente “se sentem assim”. Olha só, eu também tenho um ponto de vista crítico sobre o sexismo e isso não me impede de me sentir culpada nas &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/02/o-meu-machismo.html"&gt;situações mais improváveis&lt;/a&gt;, né? Eu não vivo nas leituras feministas. Eu vivo neste mundo machista e consumista, e é neste mundo que eu faço minhas escolhas, que tento equilibrar a realidade e as minha expectativas pra ser feliz. Eu e todo mundo que foi entrevistado pela pesquisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lógico, a matéria (e talvez a pesquisa) não dá conta do óbvio: porque mulheres que têm a mesma profissão que os homens e se dedicam da mesma maneira, em geral, tem salários mais baixos? Marido contou outro dia que rolou uma equiparação salarial na empresa onde ele trabalha. Por conta de uma discussão que não deveria ser aberta, mas a rádio-peão tomou conta, galera ficou sabendo que a única colega engenheira numa área cheia de homens ganhava menos que os seus colegas com a mesma experiência. Ah, ela é solteira, e sem filhos. Não tô lá com eles, mas até onde eu sei, não trabalha menos que ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-7198798891750858063?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/7198798891750858063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/historia-da-diferenca-sempre-ela.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7198798891750858063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/7198798891750858063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/historia-da-diferenca-sempre-ela.html' title='A História da diferença. Sempre ela.'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-1344801843021494358</id><published>2010-03-14T17:39:00.004-03:00</published><updated>2010-03-24T21:36:08.340-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A nossa (falta) de noção de justiça</title><content type='html'>Taí uma coisa que me incomoda na sociedade brasileira até mais do que o machismo: essa igorância sobre a justiça, ou sobre o que deveria ser justiça, a que se propõe, etc. Sabe essa história de achar que Direitos Humanos são invenção de ONG's que tem pena de “bandido”? (a propósito, eu odeio a palavra “bandido”, acho “criminoso” um termo mais preciso, com menos julgamento moral, mas pode ser só impressão minha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu tô pensando nisso agora por três motivos especificamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) O destaque da mídia sobre o Arruda na cadeia. Pra mim, a condição do cara na cadeia, se tem mais ou menos mordomia, não deveria ser notícia. Qual é a preocupação de o Arruda tá numa masmorra ou se tem TV na cela? A não ser que a discussão seja, especificamente, sobre os privilégios que os poderosos tem na cadeia. Pra esse caso de corrupção só deveria interessar se o cara não está mais no poder, se a justiça está agindo, etc. Mas o cara tem que virar bode expiatório e sofrer, vira um vilão. E, putz, a que leva esse revanchismo? O esquema tem que ser investigado, o cargos cassados, etc. Mas o Arruda queimar no fogo do inferno não me interessa como cidadã. E se, legalmente, ele tiver direito a um habeas corpus, isso não significa necessariamente que no país reina a impunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1b) Ok, eram três. Mas esse lance do habeas corpus merece um anexo. Porque ninguém entende que o cara responder o processo em liberdade é um direito constitucional. O problema é que a justiça é muito lenta, então, realmente, dá essa impressão de quem não está preso agora, não será preso nunca. Mas aí é um problema da lentidão da justiça, não do direito constitucional, poxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Daqui a alguns dias é o julgamento do casal Nardoni. E eu lembro que, quando o crime aconteceu, trabalhava num lugar onde as pessoas eram menos esclarecidas do que meus atuais colegas. E o papo era que advogado de “bandido” é tudo “bandido” também, porque imagina, defender quem faz uma barbaridade dessas. E daí eu tentei explicar que olha, julgamento justo é direito de todo mundo. Ok, tem que ter estômago, concordo. Mas não há julgamento justo sem direto à defesa. E garantir isso é o mínimo que se espera de um Estado que se pretende democrático. E, bom, as colegas de lá ficaram bem “mimimi” com meus argumentos, meio que engoliram a contragosto mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Marido leu uma matéria chamando o rapaz que provavelmente atirou no Glauco de “o assassino do cartunista”. Sim, deve ter sido o cara mesmo, né? Mas ele não foi julgado ainda. E nem foi pego em flagrante. Presunção de inocência é direito também. Em outra chamada “O Globo” fez certinho, chamou o cara de “o principal suspeito de”, o que faz mas sentido. Enquanto o cara sequer for ouvido, mesmo que haja testemunhas, a imprensa não deveria de maneira nenhuma, incriminá-lo assim. Não é responsável, e colabora para essse sentimento de “pega pra capar” que toma conta do cidadão médio nessas ocasiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, me incomoda essa percepção de que um grupo merece a civilização, e o outro barbárie. E não é possível isso. A Mary W fez um &lt;a href="http://beauvoriana2.zip.net/arch2010-02-01_2010-02-28.html#2010_02-25_14_54_19-127299368-0"&gt;post &lt;/a&gt; (excelente, como sempre) sobre isso, falando sobre o Estatudo da Criança e do Adolescente, tão demonizado quando a imprensa noticia crimes cometidos por menores. Civilização é garantir o acesso à Justiça por todos os cidadãos, inclusive àqueles que se portaram de maneira pouco civilizada. Eu não tenho a menor piedade cristã por assassinos. Mas sou contra a pena de morte porque, na minha concepção de Estado, há que se admitir a falibilidade da Justiça. Simples assim. E tem gente que não entende que pena de morte não é linchamento nem execução sumária. Que em lugares que se pretendem minimamente civilizados, como os Estados Unidos, há um processo criminal, um julgamento, um advogado. E ainda assim, muitos erros, todos os dias. Se há problemas com a civilização, imaginem com a bárbarie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eu sei. Eu não deveria perder meu tempo lendo os comentários das notícias do “O Globo”. Faz mal e a gente se obriga a escrever um post inteiro só pra desopilar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UPDATE em 24 de março: Li que o advogado dos Nardoni foi agredido hoje na entrada do fórum. Puxa. Questão de civilidade respeitar o trabalho do cara. Ok, ele tá ganhando dinheiro pra defender assassinos, mas se não fosse ele ia ser outro. É direito deles. É parte do processo civilizatório. Fico passada que as pessoas não entendam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-1344801843021494358?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/1344801843021494358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/nossa-falta-de-nocao-de-justica.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1344801843021494358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/1344801843021494358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/nossa-falta-de-nocao-de-justica.html' title='A nossa (falta) de noção de justiça'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-8957370035294923939</id><published>2010-03-09T22:57:00.004-03:00</published><updated>2010-03-09T23:17:37.975-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>E na ressaca do "nosso" dia...</title><content type='html'>Pois é, toda essa história do DEMóstenes Torres, DEMétrio Magnoli, os DEMos todos. Que você pode acompanhar no &lt;a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/leandro-fortes-o-suicidio-editorial-da-folha/"&gt;Azenha&lt;/a&gt;, (a &lt;a href="http://beauvoriana2.zip.net/"&gt;Mary W &lt;/a&gt;colocou os links diretos para as reportagens). O cara fala que foram negros também os caras que venderam outros negros. E não tem nem o que discordar dessa parte. Mas aqui, no Brasil, foram os brancos que exploraram essa mão-de-obra. Sim, houve (poucos) casos de negros alforriados que tinham lá seus escravos. Mas é na estrutura que a gente tem que pensar, e estruturalmente falando eram brancos explorando negros aqui no Brasil. Qual a dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa gente que diz que ok, foi lamentável mesmo, mas que passou. Lembro da escola, a professora falando que depois da abolição vieram os imigrantes, pra suprir a necessidade de mão-de-obra. E eu juro que já pensava nessa época “mas, ué, os negros continuaram lá, só deixaram de ser escravos”. Sei lá porque não perguntei. Será que a professora ia mandar a real, que ninguém queria pagar salário pra negro? E a mocinha da classe média paulista que diz: “pô, meo, mas o meu avô veio no navio suuuuper pobre e batalhou muito pra comprar a casa dele lá Móoca”? Será que ela não entende que, por mais modesto que fosse, o Nonno ganhava o seu trocado? Era um operário explorado, claro, longe de mim dizer que o Nonno não passou perrengue na vida. Mas os negros nem como operários eram aceitos. E não dá pra se inserir na sociedade sem ocupação. Sei lá, não sou socióloga, mas acho que é inviável, né? Se você só pode comer pelas beiradas, a marginalização é inevitável. Pode ser superada, claro, mas só a muito custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem era disso que eu ia falar. Era do relacionamento entre negros e brancas “consentido, ainda que sob dominação”. E aí eu lembro a história da Trip, da &lt;a href="http://revistatrip.uol.com.br/revista/170/colunas/carta-aberta-para-luisa.html"&gt;Luisa&lt;/a&gt;, lembram? Do cara que escreveu a suposta ficção sobre o menino que “convence” a empregada a “dar pra ele”, e achou que ia ser engraçadinho. E de como a gente precisa ainda desenhar o que é estupro. Que não é só arma na cabeça. Que não precisa nem ameaçar: qualquer mulher que some dois mais dois sabe que se não der pro patrão, pode ser demitida. Imagina a escrava? Consentimento sob dominação é quase uma impossibilidade semântica pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí eu fico imaginando seu “Dem” batendo na porta do quarto da empregada. A moça abrindo, sorriso amarelo no rosto. E como ela sorri e corresponde ao beijo, ainda que sem muito entusiasmo, o patrão crê que é sexo consentido. E ele todo pimpão, se achando o macho alfa, termina a noite pensando assim: “essas mulatas são mesmo quentes”. E acha linda a história da miscigenação do povo brasileiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caras oferecem flores, mas sequer entederam o conceito de estupro. Preguiça, viu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-8957370035294923939?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/8957370035294923939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/e-na-ressaca-do-nosso-dia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8957370035294923939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/8957370035294923939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/e-na-ressaca-do-nosso-dia.html' title='E na ressaca do &quot;nosso&quot; dia...'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-6716498247374834687</id><published>2010-03-08T00:30:00.002-03:00</published><updated>2010-03-08T00:30:00.197-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminismo'/><title type='text'>Presentinho no Dia Internacional da Mulher? Eu passo.</title><content type='html'>Olha, se você quiser ler algo muito bom que reflete em parte minha opinião, é só clicar &lt;a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/03/07/dispense-esta-rosa/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se você quiser saber só meu ponto de vista, não tão bem elaborado, é só continuar por aqui mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Marjorie fala lá sobre a rosa e tal. Mas eu me incomodo muito com a história do presentinho, sabem? De promoção d'O Boticário e similares pelo Dia Internacional da Mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha só, O Dia Internacional da Mulher é uma data quem tem 100 anos, segundo a gente pode ler &lt;a href="http://http://www.blogger.com/img/blank.gifhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher"&gt;aqui&lt;/a&gt;, numa explicação curtinha mas bem interessante. Foi um dia criado para lutarmos contra a opressão de gênero que sofremos contidianamente, umas mais, outras talvez menos. Desde que foi criado, conquistamos muitas coisas, claro. A gente vota (ainda que não tenhamos muitas representantes do nosso gênero sendo eleitas), tem direito a realização profissional (ainda que, em média nosso salário seja mais baixo do que o dos homens) e até pode ter uma vida sexual fora do casamento (mas ainda muito mais cerceadas pelos limites do julgamento moral alheio do que o dos homens). Olha quanto “mas”, né? Para as mulheres que de fato desfrutam dessas conquistas muito legítimas, e elas infelizmente ainda são minoria, as coisas são cheias de “mas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o discurso que acompanha o presente é o pior. É o reconhecimento que a gente trabalha muito e faz alguém feliz, enfeita o mundo, é mãe e esposa. E aí, danou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu for feia, ou pelo menos não estiver interessada e empregar meus esforços em ser atraente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu não quiser ser mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu não quiser fazer nenhum homem feliz sexual e afetivamente porque sou homosexual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu preferir que o marido divida todos os afazeres domésticos ao invés de reconhecer o meu trabalho duro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se tudo o que eu quero na vida é não aceitar certas obrigações ou limitações como inerentes ao meu gênero? E se eu quero ser olhada por homens estranhos com o mesmo respeito que ele dedicam a outros homens, e não com uma simpatia cínica e supostamente carinhosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é essa data se propõe a isso, originalmente: pensar em porque somos cidadãs de segunda classe, e não nos dar um pirulito, digo, um batom de consolação por aceitarmos essa opressão sem reclamar muito. Eu reclamo, então não mereço presente, ok? De presentes eu gosto, que fique claro. Mas prefiro recebê-los em outras circunstâncias, sem esse pseudo reconhecimento por um fardo que eu, decididamente, não escolhi carregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ilustrar um pouco mais o cerne da questão, alguém aí já pensou em dar um presentinho pro seu amigo negro no dia 20 de novembro? Acho que não, né? Ah bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/S5RL6izy5zI/AAAAAAAAABg/08L1KqopGrc/s1600-h/feminism.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 194px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/S5RL6izy5zI/AAAAAAAAABg/08L1KqopGrc/s320/feminism.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446061318546319154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-6716498247374834687?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/6716498247374834687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/presentinho-no-dia-internacional-da.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6716498247374834687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/6716498247374834687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/presentinho-no-dia-internacional-da.html' title='Presentinho no Dia Internacional da Mulher? Eu passo.'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/S5RL6izy5zI/AAAAAAAAABg/08L1KqopGrc/s72-c/feminism.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-4456440980747267945</id><published>2010-03-04T10:00:00.001-03:00</published><updated>2010-03-04T10:00:06.061-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>La femme de trente ans</title><content type='html'>Pois é, chegou o dia. Trinta anos. E, ó, nem doeu, viu? (Post programado, mas se tiver doído eu volto aqui pra contar, prometo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gente imagina, quando é adolescente, que com essa idade será adulto, a vida vai estar resolvida, etc, etc. E putz, a minha está em muita coisa, mas não está em outras e isso não chega a ser um problema. Mas daí, pra me divertir, eu resolvi fazer um balanço, que acaba servindo também como um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;about me&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carreira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho uma carreira, é essa a verdade. E tudo bem. O fato é que ainda não descobri o que eu quero ser quando crescer, mas consegui ter uma ocupação razoável, com um salário honesto. Pra ajudar o ambiente em que trabalho é bom. Tipo, nada resolvido, mas paz, sabem? Saquei logo que pouca gente nessa vida se realiza profissionalmente. Isso significa que eu me conformei em não me realizar? Não, de jeito nenhum. Só me dei conta de que, enquanto eu não acho o caminho pra essa realização (e eu tô tentando) tenho que pagar as contas o melhor possível e ser feliz, porque ser feliz é a única coisa urgente nessa vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto-imagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pô, eu ainda quero emagrecer, embora a ansiedade e a cara-de-pau tenham colocado a &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2009/11/ode-comida.html"&gt;reeducação alimentar&lt;/a&gt; pra escanteio. Mas tem duas coisas muito importantes a serem ditas. Primeiro: eu gosto da minha imagem. Tô há muitos quilômetros de distância de ser a Gisele Bündchen, sou meio fora dos padrões mesmo, e talvez uma quantidade considerável de gente me acharia feia. Mas eu curto o espelho. Segundo, eu tenho feito enormes esforços em descolar meu “eu” da minha imagem, tal qual a Ludmila faz tão bem &lt;a href="http://ludmilismos.blogspot.com/"&gt;lá&lt;/a&gt; e como eu já tinha explicado &lt;a href="http://foifeitopraisso.blogspot.com/2009/10/dia-de-amar-seu-corpo.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; antes mesmo de conhecê-la. Então, independente do número do manequim, eu me acho muito gostosa, sem falsa modéstia. Tenho essa fome de gente, de vida e de experiências que torna as pessoas interessantes. Enquanto eu mantiver isso, tô viva pro mundo. O resto é bobagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a adolescência e o começo da idade adulta me sentindo meio &lt;span style="font-style:italic;"&gt;loser&lt;/span&gt; porque eu nunca fui popular. Nunca tive “a galera” que liga no sábado à noite. Sempre tive alguns poucos e excelentes amigos. Depois do ano na França, vi o número aumentar um tanto, mantendo a qualidade e a diversidade. Meus amigos são muito diferentes, minha relação com cada um deles é diferente, mas são todos queridíssimos, e boa parte há mais de uma década. Se eu quero novos amigos? Claro! Mas só se forem amizades construídas com calma, e nessa certeza de que eu não tenho que agradar a todo mundo, mas posso ter uma relação muito bacana mesmo com gente muito diferente de mim. Meus amigos são o maior tesouro construído nestes 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho carro (usamos um de leasing, sabem? tipo aluguel). Não tenho apartamento. Tenho uma poupancinha só pro caso de dar uma merda, que não seria o suficiente pra dar um entrada num imóvel. E tenho guardado um quase nada de dinheiro nos últimos tempos. Também não tenho nenhuma dívida, e isso é bom. Sou desapegada sem ser irresponsável: gasto porque tenho, se não tiver, mudo pra mais longe pra pagar um aluguel mais barato. Acho bacana poder ir a um show caro, ir a um restaurante legal e viajar nas férias. Dinheiro foi feito pra me fazer feliz. Mas tenho plena consciência de que isso não vai acontecer se eu viver só em função dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida afetiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrei o príncipe encantado. Há pouco tempo atrás, quando achei que atingiria a maturidade numa vibe Sex and the City, porque há anos eu não tinha um relacionamento estável, encontrei um cara cheio de qualidades e cheio de defeitos, assim como eu. Logo percebi que ele era a melhor companhia do mundo. E o melhor companheiro do mundo pra mim. E um dia disse: “você ainda não sabe, porque é segredo, mas vai se casar comigo.” Tinha 3 meses que estávamos juntos e eu nem tinha dito “eu te amo” ainda. Não tinha definido dentro de mim meu sentimento por ele, mas sabia que era ele. Não foi amor à primeira vista como nos filmes, mas uma construção, tijolo por tijolo. Obras em andamento ainda, claro, e sempre. E eu não quero nunca banalizar isso, nem deixar a lei do mínimo esforço tomar conta. Vai ser lindo enquanto os dois quiserem que seja. Por enquanto os dois querem, muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experiências diversas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 30 anos, eu achei que daria pra ter aprendido alemão também, ou pelo menos italiano, que não é tão difícil. Mas me comunico razoavelmente bem em inglês, espanhol e francês, além do português. Sou semianalfabeta nas 4, como boa corintiana, mas tá valendo. Pra quem ainda é monolíngue, recomendo: falar um idioma estrangeiro é uma das coisas que mais abrem horizontes nessa vida, em todos os campos. Li muitíssimo menos do que gostaria e deveria. Dei pelo menos uma passadinha rápida em mais de metade dos estados brasileiros e em sete países. Ainda quero viajar muito, mas se não rolar muita chance mais, essa frustração já não vou ter. Gostaria de ter tido mais relacionamentos de média duração, mas já “experimentei” um bocadinho. E já beijei uma mocinha na boca (lembram da Kate Perry? “I kissed a girl and I like it”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a realização profissional? Talvez mais uma(s) língua(s) (alemão e árabe – quero alguma coisa bem difícil agora). Talvez, em alguns anos, um lugar para chamar de nosso? Talvez mais viagens? Talvez filhos? Talvez nada disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom não saber o que vai acontecer com a gente (né, Mari?). Que venham os próximos 30.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/757458139625967193-4456440980747267945?l=foifeitopraisso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/feeds/4456440980747267945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/la-femme-de-trente-ans.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4456440980747267945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/757458139625967193/posts/default/4456440980747267945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://foifeitopraisso.blogspot.com/2010/03/la-femme-de-trente-ans.html' title='La femme de trente ans'/><author><name>Iara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13420145431438628704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_VnLA_Evb6Ug/SsqLT908o0I/AAAAAAAAAAM/px5Ir_egsAg/S220/P1260083.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-757458139625967193.post-7120361564250398175</id><published>2010-03-02T23:56:00.004-03:00</published><updated>2010-03-03T23:20:41.000-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='devaneios'/><title type='text'>Inferno astral é assim</title><content type='html'>Imagin
